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Alcorão
Fonte digital:
Centro Cultural Beneficente Árabe Islâmico de Foz do Iguaçu
http://www.islam.com.br
E-mail:
mccbi@foz.net
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Disse Deus, O Altíssimo:
"Se tivéssemos feito descer este Alcorão sobre uma montanha, te-las-ia
visto humilhar-se e fender-se , por temor a Deus. Tais exemplos propomos aos
humanos, para que raciocinem"
(surat Al Haxr 59:21)
Louvado
seja Deus, Senhor do Universo, e que a paz e a misericórdia estejam com o Mensageiro
e toda a sua estirpe, seus companheiros e seus seguidores!
O Alcorão é a palavra de Deus, revelada a
Mohammad, desde a Surata da Abertura até a Surata dos Humanos, constituindo o
derradeiro dos livros revelados à humanidade. Ele encerra, em sua totalidade,
diversificadas nuanças, tais como: a felicidade, a reforma entre os homens, a
concórdia no presente e no futuro; ele foi revelado, versículo por versículo,
surata por surata, de acordo com as situações e os acontecimentos, no decorrer
dos vente e três últimos anos da vida do Profeta Mohammad. Uma parte foi
revelada antes da Hégira, em Makka, e outra depois, em Madina. Os versículos e
as suratas revelados em Makka abrangem as normas da crença em Deus, em Seus
Anjos, em Seus Livros, em Seus mensageiros e no Dia do Juízo Final. Os
versículos e as suratas revelados em Madina dizem respeito aos rituais e à
jurisprudência.
Nele há narrativas sobre os nossos antecessores e
sobre os nossos sucessores, e é um árbitro entre nós. Há narrativas de povos
anteriores, de séculos passados; há histórias dos profetas, dos Mensageiros,
dos povos, dos grupos, das pessoas, dos acontecimentos e do desenrolar da
história da civilização; nele há explicações e exemplos para aqueles que por
ele queiram pautar suas vidas, e exortação para quem tem coração e está
disposto a aceitá-la, e a prestar testemunho. Ele revela a Lei imutável de
Deus, quer seja na perdição dos extraviados, quer seja na salvação dos
encaminhados. Ele ensina que o mundo dos homens, no decorrer dos séculos, só é
benéfico com a religião de Deus; que a humanidade, o que quer que faça, não
alcançará a almejada felicidade se não se iluminar, guiando-se com a Mensagem
Divina.
Nele há revelações do futuro sobre o dia da
Ressurreição, sobre a vida futura, no dia em que os homens se congregarão junto
ao Senhor do Universo. "Aquele que fizer um bem, quer seja do peso de um
átomo., vê-lo-á; e aquele que fizer um mal, quer seja do peso de um átomo,
vê-lo-á."(99ª Surata, versículos 7 e 8)
Nele há o julgamento dos problemas e das questões
onde é premente uma explicação e uma diretriz do caminho a seguir, no que diz
respeito às questões da crença e do pensamento, do caráter e do comportamento,
das relações econômicas, dos ramos doutrinários, dos julgamentos pessoais ou
não: "Ó humanos, já vos chegou uma prova convincente de vosso Senhor e vos
enviamos uma translúcida Luz."(4ª Surata, versículo 174)
"Recorda-lhes o dia em que faremos surgir uma testemunha de cada povo para
testemunhar contra os seus, e te apresentaremos por testemunha contra os teus.
Temos-te revelado, pois, o Livro que é uma explanação de tudo, é guia,
misericórdia e auspício para os muçulmanos."(16ª Surata, versículo 89) Não
há lei religiosa ou um problema, no que diz respeito ao mundo e à vida dos
homens, que não tenha nele uma solução; ele é um auxílio ao inesgotável, guia,
explicação e orientação para todos, quer seja em partes ou no todo: "Já
vos chegou de Deus uma Luz e um Livro Lúcido."(5ª Surata, versículo 15)
Sim, este fabuloso Alcorão é a luz orientadora
para a humanidade. Ele arrancou-a das trevas e transportou-a para luz, para a
verdade e para a verdadeira senda. Foi o ponto de transformação na sua longa
história, tirando-a da vida atroz de corrupção e levando-a para a vida de
liberdade, de religião e de orientação, e instituiu, no mundo todo, o direito e
a compreensão, elevando a humanidade do mais baixo degrau os píncaros da
perfeição, de maneira sobranceira.
As evidências e os significados que o Alcorão
abrange, já citados, só podem ser entendidos através de explicações do texto
alcorânico e de seus versículos. Tal explicação é uma pesquisa sobre a vontade
de Deus, sobre o conhecimento dessa vontade através de Suas palavras no
Alcorão, de acordo com a capacidade humana. A ciência da exegese nasceu débil e
cresceu paulatinamente até alcançar a maturidade, e seguir formidavelmente
neste diapasão que conhecemos hoje. Na época da revelação do Alcorão, enquanto
o Profeta vivia, não havia necessidade para a explicação dos versículos, nem a
regulamentação dessa ciência, porque o texto, na sua totalidade, era claro,
compreensível para o Profeta e seus Companheiros. Apesar disso, o Profeta
explicava alguns versículos e algumas pronúncias que podiam causar
ambigüidades; também os Companheiros do Profeta e alguns adeptos assim o
fizeram. Isto porque poderia haver má interpretação, quaisquer que fossem as
razões que teriam de se desenrolar na alvorada de um povo progressista, em
formação, que iria se expandir através de conquistas, enriquecendo sua
existência com acontecimentos históricos, discussões doutrinárias e pesquisas
em jurisprudência e política.
O Alcorão era e continua sendo o centro da
cultura islâmica, dos movimentos filosóficos e de todas as suas atividades
intelectuais; seus versículos estimulam a nele pensarmos. Disse o Altíssimo:
"Eis o Livro que te revelamos, para que os sensatos recordem seus
versículos e neles meditem."(38ª Surata, versículo 29) Disse mais:
"Não meditam, acaso, no Alcorão? Se fosse de outra origem que não de Deus,
haveria nele muitas discrepâncias."(4ª Surata, versículo 82) E disse
ainda: "Não meditam, acaso, no Alcorão, ou é que seus corações são
insensíveis?"(47ª Surata, versículo 24.)
Sua explicação nada mais é do que o resultado de
meditação e de deliberação. O ponto de vista dos doutos na matéria, bem como
seus métodos, são diversificados. Alguns, levados pela simpatia doutrinária,
apegaram-se à explicação dos versículos, nesse sentido. Outros, levados pela
simpatia lingüística, eloqüente, estilística e literária, enredaram-se também,
nesse particular; o mesmo aconteceu com os simpatizantes da jurisprudência.
Outros, ainda, apegaram-se à explicação das narrativas. Nesse particular, houve
aqueles que se prolongaram na explicação, até a prolixidade estafante, e outros
restringiram-na à sucintez chocante, e outros, ainda, quedaram-se no
meio-termo. Deles, houve quem tendesse para a explicação pessoal, e outros
ainda no estilo esdrúxulo; outros em estilo claro. De tudo isso resultou uma grande
riqueza científica e um movimento intelectual considerável, que elevam
glorificam um povo que serve ao Livro de seu Senhor, quer seja em decorá-lo,
preservá-lo explicá-lo, quer seja em examiná-lo, elevá-lo e consagrá-lo ao
longo de catorze séculos, que serão seguidos por muitos outros, até que tudo
que há no universo compareça perante o Criador: "Nós revelamos a Mensagem
e somos Seu Preservador"(15ª Surata, versículo 9) "Este é o Livro (o
Alcorão) veraz por excelência. A falsidade não se aproxima dele nem pela
frente, nem por trás, porque é a revelação do Prudente,
Laudabilíssimo."(41ª Surata, versículo 41-42)
Todas as importantes religiões do mundo são
baseadas nos seus Livros Sagrados, os quais são freqüentemente atribuídos a
revelações divinas. Seria patético se, por algum infortúnio, uma delas viesse a
perder o texto original da revelação; a substituição jamais poderia estar em
inteira conformidade com o que fora perdido. Os brâmanes, os budistas, os
judeus, os masdeístas e os cristãos podem comparar o método empregado para a
preservação dos ensinamentos básicos de suas respectivas religiões com o método
dos muçulmanos. Quem lhes escreveu os livros? Quem lhos transmitiu de geração a
geração? Será a transmissão provinda de textos originais ou apenas tradução?
Não haveriam as guerras fratricidas causado dano às cópias dos textos? Não
haverá contradições internas ou lacunas cujas referencias são encontradas em
outro lugar? Estas são algumas das questões que poderão ser aventadas, e isso
requer respostas satisfatórias.
No tempo em que emergiam o que nós chamamos de as
Grandes Religiões, os homens não apenas confiaram em suas memórias, mas também
inventaram a arte de escrever, para preservarem sues pensamentos, assinalando,
de modo mais premente do que fariam as memórias individuais dos serres humanos
que, afinal de contas, têm um limitado ciclo de vida.
Mesmo assim, nenhum destes dois meios é infalível
quando tomados separadamente. É uma questão de experiência cotidiana o ato de
que, quando se escreve algo e então se o revisa, encontram-se mais ou menos
erros inadvertidos, omissão de letras ou mesmo de palavras, repetição de
relatos, uso de palavras contrárias àquelas pretendidas, erros gramaticais
etc., sem falar nas mudanças de opinião do escritor, que também corrige seu
estilo, seus pensamentos, seus argumentos e, às vezes, reescreve todo o
documento. O mesmo acontece quanto à faculdade da memória. Aqueles que têm
obrigação ou habilidade em aprender de cor algum texto, para recitá-lo mais tarde,
especialmente quando isso envolve longuíssimas passagens, sabem que às vezes
suas memórias falham durante a recitação: pulam passagens, misturam umas com as
outras, ou não se lembram de toda a seqüência; às vezes o texto correto
permanece na subconsciência e é relembrado no último momento, ou no
rebuscamento da memória por indicação de outrem, ou ao ser consultado o texto
em documento escrito.
O Profeta do Islam, Mohammad, de memória
privilegiada, empregava ambos os métodos simultaneamente, um ajudando o outro,
reforçando a integridade do texto e diminuindo ao mínimo as possibilidades de
erro.
Os ensinamentos islâmicos são baseados no que o
Profeta Mohammad disse ou fez. Ele próprio ditou certos textos a seus escribas,
o que chamamos de Alcorão; outros textos foram compilados por seus
companheiros, na maioria das vezes por iniciativa própria; e a esses escritos
chamamos de Tradição.
A palavra Alcorão literalmente significa
"leitura por excelência" ou "recitação". Enquanto o ditava
a seus Companheiros, o Profeta lhes assegurava que era a Revelação Divina que
ele havia recebido. Ele não ditou tudo de uma só vez: as revelações
chegavam-lhe em fragmentos, de tempos em tempos. Tão logo ele recebia uma,
costumava comunicá-la a seus companheiros e pedir-lhes não somente que a
prendessem de cor – para que a recitassem durante a prática das orações -, mas
também que a escrevessem e que multiplicassem as cópias. Em tais ocasiões, ele
indicava o lugar preciso da nova revelação no texto; não era dele a compilação
cronológica. Não é de admirar a precaução e o cuidado tomados para a precisão,
levando-se em consideração o padrão da cultura dos árabes daquele tempo.
É razoável acreditarmos que as primeiríssimas
revelações recebidas pelo Profeta não foram imediatamente submetidas à escrita,
pela simples razão de que não havia, ainda, companheiro algum ou aderentes.
Estas primeiras partes não eram nem longas, nem numerosas. Não havia risco de
que o Profeta pudesse esquecê-las, umas vez que ele as recitava freqüentemente
em suas orações e em conversar proselíticas.
Alguns fatos da história dão-nos a idéia do que
aconteceu. Ômar Ibn al Khattab é considerado a quadragésima pessoa a abraçar o
Islam. Isso se refere ao ano quinto da Missão (oito antes da Hégira). Mesmo em
uma data primordial existiam cópias escritas de certas suratas do Alcorão e,
como Ibn Hicham relata, foi devido ao profundo efeito produzido pela leitura
acurada de alguns versículos da vigésima Surata que Ômar abraçou o Islam. Não
sabemos precisamente o tempo em que a prática de escrever o Alcorão começou;
contudo, há informações precisas de que durante os remanescentes dezoito anos
da vida do Profeta, o números dos muçulmanos, como também das cópias do texto
Sagrado, continuou aumentando dia a dia. Como o Profeta recebia as revelações
em fragmentos, era natural que o texto revelado se referisse aos problemas do
dia. Se acontecesse um de seus companheiros morrer, a revelação consistiria em
promulgar a lei da herança; não seria de lei penal, tratando de roubo, por
exemplo, a ser revelada no momento. As revelações continuaram durante a inteira
vida missionária de Mohammad, treze anos em Makka e dez em Madina. Uma
revelação consistia às vezes de uma inteira Surata, curta ou longa, e às vezes
de apenas uns poucos versículos.
A natureza das revelações impunha ao Profeta
repeti-las constantemente em suas recitações, e revisar continuamente a forma
que as coleções dos fragmentos teria que tomar. Todos os doutos afirmam, com
autoridade, que o Profeta recitava todos os anos, no mês de Ramadan, perante o
anjo Gabriel, aparte do Alcorão até então revelada, e que no último ano de sua
vida Gabriel pediu-lhe que o recitasse inteiro duas vezes. O Profeta concluiu,
desde então, que iria, em breve, despedir-se da vida. O Profeta costumava
revisar, nos meses do jejum, os versículos e as suratas, e colocá-las em sua
seqüência adequada. Isto era necessário por causa da continuidade das novas
revelações. É também sabido que o Profeta tinha o hábito de celebrar uma
prática adicional de oração durante os meses do jejum, todas as noites, às
vezes mesmo em congregação, na qual ele recitava o Alcorão do princípio ao fim,
tarefa esta que era completada ao cabo de um mês. Esta prática, chamada de
Tarawih, continua a ser observada com grande devoção até estes nossos dias.
Quando o Profeta deu seu último suspiro, uma
rebelião estava tomando vulto em certas partes do país. Tentando debelá-la,
várias pessoas que conheciam o Alcorão de cor tombaram. O Califa Abu Bakr sentiu
a urgência da codificação do Alcorão, e a tarefa foi cumprida um mês depois da
morte do Profeta.
Durante seus últimos anos de vida, o Profeta
costumava usar Zaid Ibn Sábet como principal amanuense, para tomar em ditado as
revelações recentemente recebidas. Abu Bakr encarregou a mesma pessoa da tarefa
de preparação de uma cópia condizente de todo o texto, em forma de livro. Havia
então em Madina vários Huffaz (aqueles que sabiam todo o Alcorão de cor), e
Zaid era um deles. Sob a direção do Califa, Zaid transcreveu o texto escrito em
pergaminhos ou pedaços de couro, nas omoplatas das reses, nos ossos, nas pedras
polidas e mesmo em pedaços de porcelana.
A cópia condizente, assim preparada, foi chamada
de Musshaf (encadernação). Esta foi conservada sob a própria custódia do Califa
Abu Bakr e, depois dele, por seu sucessor, Ômar Ibn al Khattab. Nesse meio
tempo o estudo do Alcorão foi encorajado em toda parte do Império Muçulmano. O
Califa Ômar sentiu a necessidade de enviar cópias do texto autêntico aos
centros provincianos a fim de evitar as divergências; mas foi deixado a seu
sucessor, Otman, continuar com a tarefa. Um de seus comandantes, Huzaifa
Aliaman, havendo voltado de uma viagem pelas vastas terras conquistadas pelos
muçulmanos, relatou que havia encontrado divergentes cópias do Alcorão e que
havia, às vezes, desentendimento entre os diferentes mestres do Livro,
concernente a isso. Otman fez imediatamente com que a cópia preparada para Abu
Bakr fosse confiada a uma comissão presidida pelo acima mensionado Zaid Ibn
Sábet, para a reprodução de sete cópias; ele autorizou-lhes a revisão da
pronúncia, se necessário. Quando a tarefa foi concluída, o Califa efetuou uma
recitação pública da nova edição perante os doutos presentes na capital,
perante os companheiros do Profeta, e então enviou estas cópias aos diferentes
centros do vasto mundo islâmico, ordenando que dali por diante todas as cópias
fossem baseadas na edição autêntica. Ele ordenou a destruição das cópias que,
de algum modo, se desviassem do texto assim oficialmente estabelecido.
É concebível que as grandes conquistas militares
dos primeiros muçulmanos induzissem alguns espíritos hipócritas a proclamarem
sua impulsiva conversão ao Islam por motivos materiais, e para tentar
danificá-lo de maneira clandestina. Eles fabricaram versões do Alcorão com
interpolações. As "lágrimas de crocodilo", que foram derramadas pela
destruição das cópias não autenticadas do Alcorão, por ordem do Califa Otman,
somente poderiam Ter sido de tais hipócritas. É sabido que o Profeta às vezes
ab-rogava certos versículos que haviam sido comunicados previamente ao povo, e
isso era feito para fortificar as novas Revelações Divinas. Houve Companheiros
que aprenderam a primeira versão, sem contudo estarem cientes das últimas
modificações, tanto por causa da morte do Profeta como por suas residências
fora de Madina. Estes devem Ter deixado cópias a seus descendentes, as quais,
embora autênticas, estavam ultrapassadas. Ainda, alguns muçulmanos tinham o
hábito de pedir ao Profeta que explicasse certos termos empregados no texto
sagrado e anotar tais explicações nas margens de suas cópias do Alcorão, a fim
de não esquecerem delas. As cópias feitas mais tarde, com base nesses textos
anotados, causariam às vezes confusões na questão do texto e do glossário. A
despeito da ordem do Califa Otman, para que se destruíssem os textos inexatos,
existia, nos séculos III e IV da Hégira, assunto bastante para a compilação de
volumosas obras, constituindo as "variações do Alcorão". Estas chegaram
até nós, mas um apurado estudo mostra-nos que tais variantes eram arábica, que
não possuía vogais, nem se podia distinguir entre as letras semelhantes, nem
davam idéia das mesmas, sendo meros pontos, como é feito agora. Além disso
existiam diferentes dialetos em diferentes regiões, e o Profeta havia permitido
aos muçulmanos de tais regiões recitarem de acordo com suas algaravias, e mesmo
substituir as palavras que estavam além de sua argúcia, por sinônimos que
conhecessem melhor. Esta foi uma medida imergente de graça e clemência. No
tempo do Califa Otman, contudo, a instrução pública havia-se desenvolvido
suficientemente, e fez-se necessário que aquelas concessões não fossem mais
toleradas, pois o Texto Sagrado seria afetado e as variantes da leitura se
radicariam.
As cópias do Alcorão enviadas por Otman aos
chefes das províncias gradualmente desapareceram nos séculos subseqüentes;
apenas uma delas, que presentemente se encontra em Tashkent, chegou até nós. O
governo czarista da Rússia havia publicado em uma reprodução fac-símile;
constata-se haver uma completa identidade entre essa cópia e o texto em uso
noutras ocasiões. A mesma é cópia fiel do manuscrito existente do Alcorão,
tanto completo como fragmentado, datando do primeiro século da Hégira.
O Alcorão é dirigido a toda humanidade, sem
distinção de raça, cor, religião ou tempo. Ainda mais, ele procura guiar a
humanidade em todas as sendas da vida: espirituais, materiais, individuais e
coletivas. Ele contém diretrizes para a conduta do chefe do Estado, bem como do
homem comum; do rico, bem como do pobre; diretrizes para a paz, bem como para a
guerra; tanto para a cultura espiritual como para o comércio e bem-estar
material. O Alcorão busca principalmente desenvolver a personalidade do indivíduo:
Cada ser será pessoalmente responsável perante seu Criador. Para tal propósito,
o Alcorão não somente fornece ordens, porém tenta ainda convencer. Ele apela
para a razão do homem e relata histórias, parábolas e metáforas. Descreve os
atributos de Deus, que é Um, Criador de tudo, Onisciente, Onipotente,
Ressuscitador dos mortos e Observador de nosso comportamento terreno; é Justo,
Clemente.(vide nota da 7ª Surata, versículo 180) O Alcorão indica ainda o modo
de aprazermos a Deus, apontando quais as melhores orações, quais os deveres do
homem com respeito a Ele, a seus semelhantes e a seu próprio ser; ele dá
destaque ao fato de que não nos pertencemos, outrossim, pertencemos a Deus. O
Alcorão fala das melhores normas relacionadas com a vida social, comercial,
matrimonial, com a herança, com o direito penal, com o direito internacional, e
assim por diante. Todavia, o Alcorão não é um livro, no senso comum; é a
coleção das palavras de Deus, reveladas de tempos em tempos, durante vinte e
três anos, a Seu Mensageiro, escolhido entre os seres humanos. O Soberano dá
Suas instruções a Seu vassalo; portanto, há certas nuanças compreendidas e
implícitas; há repetições, e mesmo mudanças nas formas de expressão. Deste
modo, Deus fala às vezes na primeira pessoa e às vezes na terceira. Ele diz
"Eu", bem como "Nós" e "Ele", porém, jamais
"Eles". É uma coleção de revelações enviadas de ocasiões em ocasiões;
e devemos, por isso, lê-lo mais e mais, a fim de melhor aquilatarmos os seus
significados. Ele possui diretrizes para todos, em todos os lugares e para
todos os tempos.
O estilo e a dicção do Alcorão são magníficos e
apropriados para a sua qualidade Divina. Sua recitação comove o espírito até
daqueles que apenas o ouvem sem entendê-lo. Com o passar do tempo, o Alcorão
tem, em virtude de sua reivindicação de origem divina, desafiado a todos a
criarem, conjuntamente, mesmo uns poucos versículos iguais aos que ele contém.
Tal desafio porém tem permanecido sem resposta até os nossos dias.
Há algumas diferenças intrínsecas entre o Alcorão
e os livros precedentes. Tais diferenças podem ser sucintamente estipuladas,
como segue:
1. Os textos originais da maior parte dos
primitivos Livros Divinos foram em sua quase totalidade perdidos, sendo que
somente as suas traduções existem hoje. O Alcorão, por outro lado, existe hoje
exatamente como foi revelado ao Profeta; nem uma palavra – mais ainda, nem uma
letra sequer – foi trocada. Encontra-se à disposição, em seu texto original,
fazendo com que a Palavra de Deus seja preservada agora, bem como por todo o
porvir.
2. Nos primitivos Livros Divinos os homens
mesclaram suas palavras com as palavras de Deus; porém, no Alcorão encontra-se
tão-somente as palavras de Deus – em suas prístinas purezas. Isto é admitido,
mesmo pelos oponentes ao Islam.
3. Não se pode dizer, com base na autêntica
evidência histórica, em relação a nenhum outro Livro Sagrado possuído por
diferentes povos, que ele realmente pertence ao mesmo profeta a quem é
atribuído. No caso de alguns deles, mesmo isto não é sabido. Em que época e a
que profeta eles foram revelados? Quanto ao Alcorão, as evidências que existem
de que foi revelado a Mohammad são tão vultosas, tão convincentes, tão sólidas
e completivas, que mesmo o mais ferrenho crítico do Islam não pode lançar
dúvidas sobre isso. Tais evidências são tão vastas e detalhadas, que sobre
muitos versículos do Alcorão, mesmo a ocasião e o local de suas revelações,
podem ser conhecidos com exatidão.
4. Os primitivos Livros Divinos foram revelados
em línguas que estão mortas desde há muito tempo. Na era presente, nação ou
comunidade alguma fala tais línguas e há apenas umas poucas pessoas que se
jactam de compreendê-las. Destarte, mesmo que tais Livros existissem hoje em
suas formas originais e inadulteradas, seria virtualmente impossível, em nossa
era, compreender e interpretar corretamente suas injunções, bem como pô-las em
prática em sua forma requerida. A língua do Alcorão, por outro lado, é uma
língua viva; milhões de pessoas falam-na e outro tanto a compreende. Ela está
sendo ensinada e aprendida em quase todas as universidades do mundo; todas as
pessoas podem aprendê-la, e aquele que não tem tempo para isso pode, em
qualquer parte, deparar com quem conheça a língua, que lhe explique o significado
do Alcorão.
5. Cada um dos Livros Sagrados existentes,
encontrados entre as diferentes nações do mundo, foi dirigido a um povo em
particular. Cada um deles contém um número de ditames que parece Ter sido
dirigido a um período da história em particular e que supria tão-somente as
necessidades daquela era. Tais necessidades não são válidas hoje, nem tampouco
podem ser aplainadas e propiciamente vertidas para a prática. Depreende-se
disto que tais livros eram dirigidos àqueles povos em particular e nenhum deles
para o mundo. Ademais, eles não foram revelados para serem seguidos
permanentemente, mesmo pelo povo para o qual foram revelados; restringiam-se a
influenciar somente sobre um certo período. Em contraste a isso, o Alcorão é
dirigido a toda humanidade; não se pode suspeitar que injunção alguma tenha
sido dirigida a um povo em especial. Do mesmo modo, todos os ditames e
injunções no Alcorão são os mesmos que podem ser aplicados em todos os lugares
e em todas as épocas. Este fato vem provar que o Alcorão é dirigido ao mundo
inteiro, constituindo-se em eterno código para a vida humana.
6. Não há negar o fato de que os precedentes
Livros Divinos cultuavam o bem e a virtude, ensinavam também os princípios da
moralidade e da veracidade, e apresentavam uma maneira de viver consentânea com
a vontade de Deus. Contudo, nenhum deles era suficientemente compreensivo para
englobar tudo quanto fosse necessário para uma vida humana virtuosa, sem nada
supérfluo, sem nada carente. Alguns deles excediam em um aspecto, alguns em
outros. É o Alcorão, e tão-somente o Alcorão, que cultua não apenas tudo o que
havia de magnífico nos livros precedentes, porém, ainda, aperfeiçoa os
desígnios de Deus e os apresenta em sua totalidade, delineando uma norma de
vida que compreende tudo o que é necessário para o homem nesta terra.
Os pensamentos se renovam e as culturas se
proliferam; a vida evolui e a colheita intelectual da humanidade aumenta a cada
dia, e quanto mais a humanidade evolui, mais unida e mais mesclada fica. Os
veículos de comunicação em muito ajudam nisso, como se quisessem corroborar as
palavras do Alcorão:
"Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de
macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos para reconhecerdes uns aos
outros."(49ª Surata, versículo 13)
No que diz respeito à tradução do Alcorão para
outros idiomas, dando oportunidade a que outros povos, na pluralidade de suas
línguas e cores, possam conhecer a Mensagem de Mohammad, os doutos na matéria
dizem: "a Mensagem de Mohammad é para a humanidade em geral, e, sendo ele
árabe, essa mensagem pode alcançar os não-árabes, através de traduções que
substituirão o original. Todavia, deve ser uma tradução impecável, correta,
concordante, para que se possa coibir a trajetória de muitas traduções incorretas
e preambuladas de fábulas irreais".
Como o Livro de Deus é um mar sem porto, com
profundeza ignorada, esforçamo-nos em Ter como base para a nossa versão uma
explicação em estilo contemporâneo, fácil, simples, clara, solerte, sucinta,
livre das divergências doutrinárias, dos aparatos artísticos, dos preâmbulos e
dos problemas lingüísticos, para que isso nos facilitasse e auxiliasse de uma
maneira satisfatória, a tradução.
E foi a paixão pelo Islam, o grande desejo de lhe
útil – nós que somos um de seus adeptos -, que nos levou a enfrentar a empresa
de traduzir o Alcorão Sagrado. Depois de muito trabalho, de muita perseverança,
e de termos vencido o desânimo que chegou a nos invadir por dificuldades
várias, sai este, g raças ao Altíssimo. Imbuído de força de força de vontade,
seguimos avante, derrubando obstáculos, vencendo etapas, auxiliado pela graça
Divina. Para tanto, tivemos de recorrer várias fontes, consultar várias
interpretações, antigas e modernas. Estivemos trabalhando frente a obras como:
"Ahcam al Cor’an" (As Máximas do Alcorão), de Abu Bakr ar Razi;
"Ahcam al Cor’an (As Máximas do Alcorão), de Abu Bakr al Arabi;
"Muntakhab Ahcam al Cor’an" (Coletânea de Máximas do Alcorão), de Abu
Abdullah al Kurtubi; "Ahcam al Cor’an ( As Máximas do Alcorão), de Abul
Hassan at Tabari; "At Tafsir al Wádhih" (A Exegese Inteligível), de
Mohammad Mahmud Hijazi; "Al Cor’an al Mufassar" (O Alcorão
Explicado), de Mohammad Farid Wajdi; "Tafsir al Manar" (A Exegese da
Luz), de Mohammad Rachid Rida; "Al Muntakhab fi Tafsir al Cor’an al
Carim" ( O Seleto na Exegese do Sagrado Alcorão), publicado pelo Conselho
Superior dos Assuntos Islâmicos do Cairo; "The Holy Kuran" (O Alcorão
Sagrado), tradução de Maulana Abdur-Rahim Tariq; "Safwat al Bayan li
Ma’ani al Cor’an (Gema do Discernimento das Exegeses do Alcorão), de Hassanain
Mohammad Makhluf ; "The Meaning of the Glorius Koran" (O Alcorão
Glorioso), uma tradução explanatória de Mohammad Marmuduke Pickthall; "Al
M’ujan al Mufahrass li Alfaz al Cor’an al Carim" ( Índice dos termos do
Sagrado Alcorão), de Mohammad Fuad Abdel Baqui, "The Holy Koran,
Translation and Commentary" ( O Alcorão Sagrado, Tradução e Comentários),
de A. Youssef Ali.
Na maioria dos casos seguimos as exegeses do
Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos e do Professor Mohammad Mahmud Hijazi,
por se situarem entre as que mais se coadunavam com os requisitos necessários.
Por fim, quando ainda na permanência de dúvida a respeito do significado de
algum termo, recorremos à ajuda inestimável de S. E. Dr. Abdalla Abdel Chakur
Kamel, Diretor do Centro Islâmico do Brasil e Coordenador dos Assuntos
Islâmicos da América Latina, que muito nos auxiliou neste sentido; a ele vão
aqui nossos agradecimentos.
Queremos render os nossos mais sinceros agradecimentos
ao Sr. Jorge Boucher, que lutou conosco, pesquisando, consultando, comparando e
encontrando termos que ia ao encontro do sentido preciso, participando também
conosco das cinco revisões que efetuamos dos originais. Finalmente, agradecemos
a todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, participaram na compilação
deste livro, desde datilógrafos, digitadores, até impressores.
O nosso muito obrigado a todos.
Samir El Hayek
São Paulo, 1415 H. 1994 d.C.
Nº da
Surata
Nome
Tradução
1ª
AL-FÁTIHA
Abertura
2ª
AL BÁCARA
A Vaca
3ª
ÁAL ‘IMRAN
A Família de Imran
4ª
AN NISSÁ
As Mulheres
5ª
AL MÁIDA
A Mesa Servida
6ª
AL AN’AM
O Gado
7ª
AL A’RAF
Os Cimos
8ª
AL ANFAL
Os Espólios
9ª
AT TAUBAH
O Arrependimento
10ª
YUNIS
Jonas
11ª
HUD
Hud
12ª
YOUSSIF
José
13ª
AR RA’D
O Trovão
14ª
IBRAHIM
Abraão
15ª
AL HIJR
Alhijr
16ª
AN NAHL
As Abelhas
17ª
AL ISRÁ
A Viagem Noturna
18ª
AL CAHF
A Caverna
19ª
MÁRIAM
Maria
20ª
TAHA
Taha
21ª
AL ANBIYÁ
Os Profetas
22ª
AL HAJJ
A Peregrinação
23ª
AL MUMINUN
Os Fiéis
24ª
AN NUR
A Luz
25ª
AL FURCAN
O Discernimento
26ª
ACH CHU’ARÁ
Os Poetas
27ª
AN NAML
As Formigas
28ª
AL CASSAS
As Narrativas
29ª
AL ‘ANKABUT
A Aranha
30ª
AR RUM
Os Bizantinos
31ª
LUCMAN
Lucman
32ª
AS SAJDA
A Prostação
33ª
AL AHZÁB
Os Partidos
34ª
SABÁ
Sabá
35ª
FÁTER
O Criador
36ª
YA SIN
Yá Sin
37ª
AS SÁFAT
Os Enfileirados
38ª
SAD
A Letra Sad
39ª
AZ ZÚMAR
Os Grupos
40ª
GHÁFER
O Remissório
41ª
FÚSSILAT
Os Detalhados
42ª
AX XURA
A Consulta
43ª
AZ ZÚKHRUF
Os Ornamentos
44ª
AD DUKHAN
A Fumaça
45ª
AL JÁSSIYA
O Genuflexo
46ª
AL AHCAF
As Dunas
47ª
MOHAMMAD
Mohammad
48ª
AL FATH
O Triunfo
49ª
AL HUJJURAT
Os Aposentos
50ª
CAF
A Letra Caf
51ª
AZ ZÁRIAT
Os Ventos Disseminadores
52ª
AT TUR
O Monte
53ª
AN NAJM
A Estrela
54ª
AL CAMAR
A Lua
55ª
AR RAHMAN
O Clemente
56ª
AL WÁQUI’A
O Eventos Inevitável
57ª
AL HADID
O Ferro
58ª
AL MUJÁDALA
A Discussão
59ª
AL HAXR
O Desterro
60ª
AL MUMTAHANA
A Examinada
61ª
AS SAF
As Fileiras
62ª
AL JUMU’A
A Sexta-Feira
63ª
AL MUNÁFICUN
Os Hipócritas
64ª
AT TAGHÁBUN
As Defraudações Recíprocas
65ª
AT TALAC
O Divórcio
66ª
AT TAHRIM
As Proibições
67ª
AL MULK
A Soberania
68ª
AL CALAM
O Cálamo
69ª
AL HÁCCA
A Realidade
70ª
AL MA’ARIJ
As Vias de Ascensão
71ª
NUH
Noé
72ª
AL JIN
Os Gênios
73ª
AL MUZAMIL
O Acobertado
74ª
AL MUDASSIR
O Emantado
75ª
AL QUIÁMA
A Ressurreição
76ª
AL INSAN
O Homem
77ª
AL MURSALAT
Os Enviados
78ª
AN NABA
A Notícia
79ª
AN NÁZI’AT
Os Arrebatadores
80ª
ÁBAÇA
O Austero
81ª
AT TAQÜIR
O Enrolamento
82ª
AL INFITAR
O Fendimento
83ª
AL MUTAFFIFIN
Os Fraudadores
84ª
AL INXICAC
A Fenda
85ª
AL BURUJ
As Constelações
86ª
AL TÁRIC
O Visitante Noturno
87ª
AL A’LA
O Altíssimo
88ª
AL GHÁXIYA
O Evento Assolador
89ª
AL FAJR
A Aurora
90ª
AL BALAD
A Metrópole
91ª
AX XAMS
O Sol
92ª
AL LAIL
A Noite
93ª
ADH DHUHÁ
As Horas da Manhã
94ª
AX XARH
O Conforto
95ª
AT TIN
O Figo
96ª
AL ‘ALAC
O Coágulo
97ª
AL CADR
O Decreto
98ª
AL BAYINAT
A Evidência
99ª
AZ ZALZALA
O Terremoto
100ª
AL ‘ADYAT
Os Corcéis
101ª
AL CÁRI’A
A Calamidade
102ª
AT TACÁÇUR
A Cobiça
103ª
AL ‘ASR
A Era
104ª
AL HÚMAZA
O Difamador
105ª
AL FIL
O Elefante
106ª
CORAIX
Os Coraixitas
107ª
AL MÁ’UN
Os Obséquios
108ª
AL CAUÇAR
A Abundância
109ª
AL CÁFIRUN
Os Incrédulos
110ª
AN NASR
O Socorro
111ª
AL MASSAD
O Esparto
112ª
AL IKHLÁSS
A Unicidade
113ª
AL FALAC
A Alvorada
114ª
AN NÁS
Os Humanos
"AL-FÁTIHA"
(A ABERTURA) (1)
1ª SURATA
Revelada em Makka; 7 versículos.
1 Em nome de
Deus, o Clemente, o Misericordioso.(2)
2 Louvado seja
Deus, Senhor(3) do Universo,
3 Clemente, o
Misericordioso,
4 Soberano do
Dia do Juízo.
5 Só a Ti
adoramos e só de Ti imploramos ajuda!
6 Guia-nos à
senda reta,
7 À senda dos
que agraciaste, não à dos abominados, nem à dos extraviados(4).
"AL BÁCARA"
(A VACA)
Revelada em Madina, 286 versículos.
2ª SURATA
Em nome de
Deus, o Clemente, o Misericordioso.
1 Alef, Lam,
Mim(5).
2 Eis o livro
que é indubitavelmente a orientação dos temente a Deus;
3 Que crêem no
incognoscível, observam a oração e gastam daquilo com que os agraciamos;
4 Que crêem no
que te foi revelado (ó Mohammad), no que foi revelado antes de ti e estão
persuadidos da outra vida.
5 Estes
possuem a orientação do seu Senhor e estes serão os bem-aventurados.
6 Quanto aos
incrédulos, tento se lhes dá que os admoestes ou não os admoestes; não crerão.
7 Deus selou
os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados e sofrerão um
severo castigo.
8 Entre os
humanos há os que dizem: Cremos em Deus e no Dia do Juízo Final. Contudo, não
são fiéis(6).
9 Pretendem
enganar Deus e os fiéis, quando só enganam a si mesmos, sem se aperceberem
disso.
10 Em seus
corações há morbidez, e Deus os aumentou em morbidez, e sofrerão um castigo
doloroso por suas mentiras.
11 Se lhes é
dito: Não causeis corrupção na terra, afirmaram: Ao contrário, somos
conciliadores.
12 Acaso, não
são eles os corruptores? Mas não o sentem.
13 Se lhes é
dito: Crede, como crêem os demais humanos, dizem: Temos de crer como crêem os
néscios? Em verdade, eles sãos os néscios, porém não o sabem.
14 Em quando
se deparam com os fiéis, asseveram: Cremos. Porém, quando a sós com os seus
sedutores, dizem: Nós estamos convosco; apenas zombamos deles.
15 Mas Deus
escarnecerá deles e os abandonará, vacilantes, em suas transgressões.
16 São os que
trocaram a orientação pelo extravio; mas tal troca não lhes trouxe proveito,
nem foram iluminados.
17 Parecem-se
com aqueles que fez arder um fogo; mas, quando este iluminou tudo que o
rodeava, Deus extinguiu-lhes a luz, deixando-os sem ver, nas trevas.
18 São surdos,
mudos, cegos e não se retraem (do erro).
19 Ou como
(aquele que, surpreendidos por) nuvens do céu, carregadas de chuva, causando
trevas, trovões e relâmpagos, tapam os seus ouvidos com os dedos, devido aos
estrondos, por temor à morte; mas Deus está inteirado dos incrédulos.
20 Pouco falta
para que o relâmpago lhes ofusque a vista. Todas as vezes que brilha, andam à
mercê do seu fulgor e, quando some, nas trevas se detêm e, se Deus quisesse,
privá-los-ia da audição e da visão, porque é Onipotente.
21 Ó humanos,
adorai o vosso Senhor, Que vos criou, bem como aos vossos antepassados, quiçá
assim tornar-vos-íeis virtuosos(7).
22 Ele fez-vos
da terra um leito, e do céu um teto, e envia do céu a água, com a qual faz
brotar os frutos para o vosso sustento. Não atribuais rivais(8)
a Deus, conscientemente.
23 E se tendes
dúvidas a respeito do que revelamos ao Nosso servo (Mohammad), componde uma
surata semelhante à dele (o Alcorão), e apresentai as vossas testemunhas,
independentemente de Deus, se estiverdes certos.
24 Porém, se
não o dizerdes – e certamente não podereis fazê-lo – temei, então, o fogo
infernal cujo combustível serão os idólatras e os ídolos; fogo que está
preparado para os incrédulos.
25 Anuncia (ó
Mohammad) os fiéis que praticam o bem que obterão jardins, abaixo dos quais
correm os rios. Toda vez que forem agraciados com os seus frutos, dirão: Eis
aqui o que nos fora concedido antes! Porém, só o será na aparência. Ali terão
companheiros imaculados e ali morarão eternamente(9).
26 Deus não Se
furta em exemplificar com um insignificante mosquito(10)
ou com algo maior ou menor do que ele. E os fiéis sabem que esta é a verdade
emanada de seu Senhor. Quanto aos incrédulos, asseveram: Que quererá significar
Deus com tal exemplo? Com isso desvia muitos e encaminha muitos outros. Mas,
com isso, só desvia os depravados.
27 Que violam
o pacto com Deus, depois de o terem concluído; separam o que Deus tem ordenado
manter unido e fazem corrupção na terra. Estes serão desventurados.
28 Como ousais
negar a Deus, uma vez que éreis inertes e Ele vos deu a vida, depois vos fará
morrer, depois vos ressuscitará e então retornais a Ele?
29 Ele foi
Quem vos criou tudo quando existe na terra; então, dirigiu Sua vontade até o
firmamento do qual fez, ordenadamente, sete céus, porque é Onisciente.
30 (Recorda-te
ó Profeta) de quando teu Senhor disse aos anjos: Vou instituir um legatário na
terra! Perguntaram-Lhe: Estabelecerás nela quem alí fará corrupção, derramando
sangue, enquanto nós celebramos Teus louvores, glorificando-Te? Disse (o
Senhor): Eu sei o que vós ignorais.
31 Ele ensinou
a Adão todos os nomes e depois apresentou-os aos anjos e lhes falou: Nomeai-os
para Mim e estiverdes certos(11).
32 Disseram:
Glorificado sejas! Não possuímos mais conhecimentos além do que Tu nos
proporcionaste, porque somente Tu és Prudente, Sapientíssimo.
33 Ele ordenou:
Ó Adão, revela-lhes os seus nomes. E quando ele lhes revelou os seus nomes,
asseverou (Deus): Não vos disse que conheço o mistério dos céus e da terra,
assim como o que manifestais e o que ocultais?
34 E quando
dissemos aos anjos: Prostrai-vos ante Adão! Todos se prostraram, exceto Lúcifer(12) que, ensoberbecido, se negou, e incluiu-se entre os
incrédulos.
35
Determinamos: Ó Adão, habita o Paraíso(13) com a
tua esposa e desfrutai dele com a prodigalidade que vos aprouver; porém, não
vos aproximeis desta árvore, porque vos contareis entre os iníquos.
36 Todavia,
Satã os seduziu, fazendo com que saíssem do estado (de felicidade) em que se
encontravam. Então dissemos: Descei!(14) Sereis
inimigos uns dos outros, e, na terra, tereis residência e gozo transitórios.
37 Adão obteve
do seu Senhor algumas palavras de inspiração(15),
e Ele o perdoou, porque é o Remissório, o Misericordioso.
38 E
ordenamos: Descei todos aqui! Quando vos chegar de Mim a orientação, aqueles
que seguirem a Minha(16) orientação não serão
presas do temor, nem se atribularão.
39 Aqueles que
descrerem e desmentirem os Nossos versículos serão os condenados ao inferno, onde
permanecerão eternamente.
40 Ó
israelitas, recordai-vos das Minhas mercês, com as quais vos agraciei. Cumpri o
vosso compromisso, que cumprirei o Meu compromisso, e temei somente a Mim.
41 E crede no
que revelei, e que corrobora a revelação que vós tendes; não sejais os
primeiros a negá-lo, nem negocieis as Minhas leis a vil preço, e temei a Mim,
somente,
42 E não
disfarceis a verdade com a falsidade, nem a oculteis, sabendo-a.
43 Praticai a
oração pagai o zakat(17) e genuflecti, juntamente
com os que genuflectem.
44 Ordenais,
acaso, às pessoas a prática do bem e esqueceis, vós mesmos, de fazê-lo, apesar
de lerdes o Livro? Não raciocinais?
45 Amparai-vos
na perseverança e na oração. Sabei que ela (a oração) é carga pesada, salvo
para os humildes,
46 Que sabem
que encontrarão o seu Senhor e a Ele retornarão.
47 Ó
Israelitas, recordai-vos das Minhas mercês, com as quais vos agraciei, e de que
vos preferi aos vossos contemporâneos.
48 E temei o
dia em que nenhuma alma poderá advogar por outra, nem lhe será admitida
intercessão alguma, nem lhe será aceita compensação, nem ninguém será
socorrido!
49
Recordai-vos de quando vos livramos do povo do Faraó, que vos infligia o mais
cruel castigo, degolando os vossos filhos e deixando com vida as vossas
mulheres. Naquilo tivestes uma grande prova do vosso Senhor.
50 E de quando
dividimos o mar e vos salvamos, e afogamos o povo do Faraó, enquanto olháveis.
51 E de quando
instituímos o pacto das quarenta noites de Moisés(18)
e que vós, em sua ausência, adorastes do bezerro, condenando-vos.
42 Então,
indultamo-vos, depois disso, para que ficásseis agradecidos.
53 E de quando
concedemos a Moisés o Livro e o Discernimento, para que vos orientásseis!
54 E de quando
Moisés disse ao seu povo: Ó povo meu, por certo que vos condenastes, ao
adorardes o bezerro. Voltai, portanto, contritos, penitenciando-vos para o
vosso Criador, e imolai-vos mutuamente(19). Isso será
preferível, aos olhos do vosso Criador. Ele vos absolverá, porque é o
Remissório, o Misericordioso.
55 E de quando
dissestes: Ó Moisés, não creremos em ti até que vejamos Deus claramente! E a
centelha vos fulminou, enquanto olháveis.
56 Então, vos
ressuscitamos, após a vossa morte, para que assim, talvez, Nos agradecêsseis.
57 E vos
agraciamos, com as sombras das nuvens e vos enviamos o maná(20)
e as codornizes, dizendo-vos: Comei de todas as coisas boas com que vos
agraciamos! (Porém, o desagradeceram) e, com isso, não Nos prejudicaram, mas
prejudicaram a si mesmos.
58 E quando
vos dissemos: Entrai nessa cidade(21) e comei com
prodigalidade do que vos aprouver, mas entrai pela porta, prostrando-vos, e dizei:
Remissão! Então, perdoaremos as vossas faltas e aumentaremos a recompensa dos
benfeitores.
59 Os iníquos
permutaram as palavras por outras que não lhe haviam sido ditas, pelo que
enviamos sobre eles um castigo do céu, por sua depravação.
60 E de quando
Moisés Nos implorou água para o seu povo, e lhe dissemos: Golpeia a rocha com o
teu cajado! E de pronto brotaram dela doze(22)
mananciais, e cada grupo reconheceu o seu. Assim, comei e bebei da graça de
Deus, e não cismeis na terra, causando corrupção.
61 E de quando
dissestes: Ó Moisés, jamais nos conformaremos com um só tipo de alimento! Roga
ao teu Senhor que nos proporcione tudo quanto a terra produz: suas hortaliças,
seus pepinos, seus alhos, suas lentilhas e suas cebolas! Perguntou-lhes:
Quereis trocar o melhor pelo pior? Pois bem: Voltai para o Egito(23), onde terei que implorais! E foram condenados à
humilhação e à indigência, e incorreram na abominação de Deus; isso, porque
negaram os versículos os versículos de Deus e assassinaram injustamente os
profetas. E também porque se rebelaram e foram agressores.
62 Os fiéis,
os judeus, os cristãos, e os sabeus, enfim todos os que crêem em Deus, no Dia
do Juízo Final, e praticam o bem, receberão a sua recompensa do seu Senhor e
não serão presas do temor, nem se atribuirão.
63 E de quando
exigimos o vosso compromisso e levantamos acima de vós o Monte(24), dizendo-vos: Apegai-vos com firmeza ao que vos
concedemos e observai-lhe o conteúdo, quiçá (Me) temais.
64 Apesar
disso, recusaste-lo depois e, se não fosse pela graça de Deus e pela Sua
misericórdia para convosco, contar-vos-íeis entre os desventurados.
65 Já sabeis o
que ocorreu àqueles, dentre vós, que profanaram o sábado; a esses dissemos:
"Sede símios desprezíveis!"(25)
66 E disso
fizemos um exemplo para os seus contemporâneos e para os seus descendentes, e
uma exortação para os tementes a Deus.
67 E de quando
Moisés disse ao seu povo: Deus vos ordena sacrificar uma vaca. Disseram:
Zombas, acaso, de nós? Respondeu: Guarda-me Deus de contar-me entre os
insipientes!
68 Disseram:
Roga ao teu Senhor para que nos indique como ela deve ser. Explicou-lhes: Ele
afirma que há de ser uma vaca que não seja nem velha, nem nova, de meia-idade.
Fazei, pois, o que vos é ordenado.
69 Disseram:
Roga ao teu Senhor, para que nos indique a cor dela. Tornou a explicar: Ele diz
que tem de ser uma vaca de cor jalne que agrade os observadores.
70 Disseram:
Roga ao teu Senhor para que nos indique como deve ser, uma vez que todo bovino
nos parece igual e, se a Deus aprouver, seremos guiados.
71 Disse-lhes:
Ele diz que tem de ser uma vaca mansa, não treinada para labor da terra ou para
rega dos campos; sem defeitos, sem manchas. Disseram: Agora falaste a verdade.
E a sacrificaram, ainda que pouco faltasse para que não o fizessem.
72 E de quando
assassinastes um ser e disputastes a respeito disso; mas Deus revelou tudo
quanto ocultáveis.(26)
73 Então
ordenamos: Golpeai-o (o morto), com um pedaço dela (rês sacrificada). Assim
Deus ressuscita os mortos vos manifesta os seu sinais, para que raciocineis.(27)
74 Apesar
disso os vossos corações se endurecem; são como as rochas, ou ainda mais duros.
De algumas rochas brotam rios e outras se fendem e delas mana a água, e há
ainda outras que desmoronam, por temor a Deus. Mas Deus não está desatento a
tudo quanto fazeis.
75 Aspirais,
acaso, a que os judeus creiam em vós, sendo que alguns deles escutavam as
palavras de Deus e, depois de as terem compreendido, alteravam-nas
conscientemente?
76 Quando se
encontram(28) com os fiéis, declaram: Cremos!
Porém, quando se reúnem entre si, dizem: Relatar-lhes-eis o que Deus vos
revelou para que, com isso, vos refutem perante o vosso Senhor? Não
raciocinais?
77 Ignoram,
acaso, que Deus sabe tanto o que ocultam, como o que manifestam?
78 Entre eles
há iletrados que não compreendem o Livro, a não ser segundo os seus desejos, e
não fazem mais do que conjecturar.
79 Ai daqueles
que copiam o Livro, (alterando-o) com as suas mãos, e então dizem: Isto emana
de Deus, para negociá-lo a vil preço. Ai deles, pelo que as suas mãos
escreveram! E ai deles, pelo que lucraram!
80 E
asseveram: O fogo não vos atormentará, senão por dias contados. Pergunta-lhes:
Recebestes, acaso, de Deus um compromisso? Pois sabei que Deus jamais quebra o
Seu compromisso. Ou dizeis de Deus o que ignorais?
81 Qual!
Aqueles que lucram por meio de um mal e estão envolvidos por suas faltas serão
os condenados ao inferno, no qual permanecerão eternamente.
82 Os fiéis,
que praticam o bem, serão os diletos do Paraíso, onde morarão eternamente.
83 E de quando
exigimos o compromisso dos israelitas(29),
ordenando-lhes: Não adoreis senão a Deus; tratai com benevolência vossos pais e
parentes, os órfãos e os necessitados; falai ao próximo com doçura; observai a
oração e pagai o zakat. Porém, vós renegastes desdenhosamente, salvo um pequeno
número entre vós.
84 E de quando
exigimos nosso compromisso, ordenando-vos: Não derrameis o vosso sangue, nem
vos expulseis reciprocamente de vossas casas; logo o confirmastes e
testemunhastes.
85 No entanto,
vede o que fazeis: estais vos matando; expulsais das vossas casas alguns de
vós, contra quem demonstrais injustiça e transgressão; e quando os fazeis
prisioneiros, pedis resgate por eles, apesar de saberdes que vos era proibido
bani-los. Credes, acaso, em uma parte do Livro e negais a outra? Aqueles que,
dentre vós, tal cometem, não receberão, em troca, senão aviltamento, na vida
terrena e, no Dia da Ressurreição, serão submetidos ao mais severo dos castigo.
E Deus não está desatento em relação a tudo quanto fazeis.
86 São aqueles
que negociaram a vida futura pela vida terrena; a esses não lhes será atenuado
o castigo, nem serão socorridos.
87 Concedemos
o Livro a Moisés, e depois dele enviamos muitos mensageiros, e concedemos a
Jesus, filho de Maria, as evidências, e o fortalecemos com o Espírito da
Santidade(30). Cada vez que vos era apresentado um
mensageiro, contrário aos vossos interesses, vós vos ensoberbecíeis!
Desmentíeis uns e assassináveis outros.
88 Disseram:
Nossos corações são insensíveis!(31) Qual! Deus os
amaldiçoou por sua incredulidade. Quão pouco acreditam!
89 Quando, da
parte de Deus, lhes chegou um Livro (Alcorão), corroborante do seu – apesar de
antes terem implorado a vitória sobre os incrédulos – quando lhes chegou o que
sabiam, negaram-no. Que a maldição de Deus caia sobre os ímpios!
90 A que vil
preço se venderam, ao renegarem o que Deus tinha revelado! Fizeram-no
injustamente, inconformados de que Deus revelasse a Sua graça a quem Lhe
aprouvesse, dentre os Seus servos. Assim, atraíram sobre si abominação após
abominação. Os incrédulos sofrerão um castigo afrontoso.
91 Quando lhes
é dito: Crede no que Deus revelou! Dizem: Cremos no que nos foi revelado. E
rejeitam o que está além disso (Alcorão), embora seja a verdade corroborante da
que já tinham. Dize-lhes: Por que, então, assassinastes os profetas de Deus, se
éreis fiéis?
92 Já Moisés
vos havia apresentado as evidências e, em sua ausência, adorastes o bezerro,
condenando-vos.
93 E quando
aceitamos o vosso compromisso e elevamos o Monte acima de vós, dizendo-vos:
Recebei com firmeza tudo quanto vos concedermos e escutai!, disseram: Já
escutamos, porém nos rebelamos! E, por sua incredulidade, imbuíram(32) os seus corações com a adoração do bezerro. Dize-lhes:
Quão detestáveis é o que vossa crença vos inspira, se é que sois fiéis!
94 Dize-lhes:
"Se a última morada, ao lado de Deus, é exclusivamente vossa em detrimento
dos demais, desejai então a morte, se estiverdes certos."
95 Porém,
jamais a desejariam, por causa do que cometeram as suas mãos; e Deu bem conhece
os iníquos.
96 Tu os
acharás mais ávidos de viver do que ninguém, muito mais do que os idólatras, pois
cada um deles desejaria viver mil anos; porém, ainda que vivessem tanto, isso
não os livraria do castigo, porque Deus bem vê tudo quanto fazem.
97 Dize-lhes
Quem for inimigo(33) de Gabriel, saiba que ele,
com o beneplácito de Deus, impregnou-te (o Alcorão) no coração, para corroborar
o que foi revelado antes; é orientação e alvíssaras de boas novas para os
fiéis.
98 Quem for
inimigo de Deus, de Seus anjos, dos Seus mensageiros, de Gabriel e de Miguel,
saiba que Deus é adversário dos incrédulos.
99
Revelamos-te lúcidos versículos e ninguém ousará negá-los, senão os depravados.
100 Será
possível que, cada vez que contraem um compromisso, haja entre eles um grupo
que o quebre? Em verdade, a maioria não crê.
101 E quando
lhes foi apresentado um Mensageiro (Mohammad) de Deus, que corroborou o que já
possuíam, alguns dos adeptos do Livro (os judeus) atiraram às costas o Livro de
Deus, como se não o conhecessem.
102 E seguiram
o que os demônios apregoavam, acerca do Reinado de Salomão. Porém, Salomão
nunca foi incrédulo, outrossim foram os demônios que incorreram na
incredulidade. Ensinaram aos homens a magia e o que foi revelado aos dois
anjos, Harut e Marut(34), na Babilônia. Ambos, a
ninguém instruíram, se quem dissessem: Somos tão somente uma prova; não vos
torneis incrédulos! Porém, os homens aprendiam de ambos como desunir o marido
da sua esposa. Mas, com isso não podiam prejudicar ninguém, a não ser com a
anuência de Deus. Os homens aprendiam o que lhes era prejudicial e não o que
lhes era benéfico, sabendo que aquele que assim agisse, jamais participaria da
ventura da outra vida. A que vil preço se venderam! Se soubessem...
103 Todavia,
se tivessem acreditado, e temido, teriam obtido a melhor recompensa de Deus. Se
o soubessem!...
104 Ó fiéis,
não digais (ao Profeta Mohammad): "Raina"(35),
outrossim dizei: "Arzurna" e escutai. Sabei que os incrédulos
sofrerão um doloroso castigo.
105 Aos
incrédulos, dentre os adeptos do Livro, e aos idólatras, agradaria que não vos
fosse enviada nenhuma mercê do vosso Senhor; mas Deus outorga a Sua Clemência
exclusivamente a quem Lhe apraz, porque é Agraciante por excelência.
106 Não
ab-rogamos nenhum versículo(36), nem fazemos com
que seja esquecido (por ti), sem substituí-lo por outro melhor ou semelhante.
Ignoras, por acaso, que Deus é Onipotente?
107
Porventura, não sabes que a Deus pertence o reino dos céus e da terra e que,
além de Deus, (vós) não tereis outro protetor, nem defensor?
108 Pretendeis
interrogar o vosso Mensageiro, como anteriormente foi interrogado Moisés?
(Sabei que) aquele que permuta a fé pela incredulidade desvia-se da verdadeira
senda.
109 Muitos dos
adeptos do Livro, por inveja, desejariam fazer-vos voltar à incredulidade,
depois de terdes acreditado, apesar de lhes ter sido evidenciada a verdade.
Tolerai e perdoai,(37) até que Deus faça cumprir
os Seus desígnios, porque Deus é Onipotente.
110 Observai a
oração, pagai o zakat e sabei que todo o bem que apresentardes para vós mesmo,
encontrareis em Deus, porque Ele bem vê tudo quando fazeis.
111 Disseram:
Ninguém entrará no Paraíso, a não ser que seja judeu ou cristão. Tais são as
suas idéias fictícias. Dize-lhes: Mostrai vossa prova se estiverdes certos.
112 Qual!
Aqueles que se submeteram a Deus e são caritativos obterão recompensa, em seu
Senhor, e não serão presas do temor, nem se atribularão.
113 Os judeus
dizem: Os cristãos não têm em que se apoiar! E os cristãos dizem: O judeus não
têm em que se apoiar!, apesar de ambos lerem o Livro. Assim também os néscios
dizem coisas semelhantes. Porém, Deus julgará entre eles, quanto às suas
divergências, no Dia da Ressurreição.
114 Haverá
alguém mais iníquo do que aquele que impede(38)
que o nome de Deus seja celebrado em santuários e se esforça por destruí-los?
Estes não deveriam adentrá-los senão, temerosos; sobre eles recairá, pois, o
aviltamento deste mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo.
115 Tanto o
levante como o poente pertencem a Deus e, aonde quer que vos dirijais, notareis
o Seus Rosto(39), porque Deus é Munificente,
Sapientíssimo.
116 Dizem (os
cristãos): Deus adotou um filho! Glorificado seja! Pois a Deus pertence tudo
quanto existe nos céus e na terra, e tudo está consagrado a Ele(40).
117 Ele é o
Originador dos céus e da terra e, quando decreta algo, basta-Lhe dizer:
"Seja!" e ele é.
118 Os néscios
dizem: "Por que Deus não fala conosco, ou nos apresenta um sinal?"
Assim falaram, com as mesmas palavras, os seus antepassados, porque os seus
corações se assemelham aos deles. Temos elucidado os versículos para a gente
persuadida.
119 Por certo
(ó Mensageiro) que te enviamos com a verdade, como alvissareiro e admoestador,
e que não serás responsabilizado pelos réprobos.
120 Nem os
judeus, nem os cristãos, jamais estão satisfeitos contigo, a menos que abraces
os seus credos. Dize-lhes: "Por certo que a orientação de Deus é a
Orientação!" Se te renderes aos seus desejos, depois de te Ter chegado o
conhecimento, fica sabendo que não terás, em Deus, Protetor, nem Defensor.
121 Aqueles a
quem concedemos o Livro recitam-no como ele deve ser recitado. São os que
acreditam nele; porém, aqueles que o negarem serão desventurados.
122 Ó
israelitas, recordai-vos das Minhas mercês com as quais vos agraciei, e de que
vos preferi aos vossos contemporâneos.
123 E temei o
dia em que nenhuma alma poderá advogar por outra alma, nem lhe será aceita compensação,
nem lhe será admitida intercessão alguma, nem ninguém será socorrido.
124 E quando o
seu Senhor pôs à prova Abraão, com certos mandamentos, que ele observou,
disse-lhe: "Designar-te-ei Imam(41) dos
homens." (Abraão) perguntou: E também o serão os meus descendentes?
Respondeu-lhe: Minha promessa não alcançará os iníquos.
125
Lembrai-vos que estabelecemos a Casa(42), para o
congresso e local de segurança para a humanidade: Adotai a Estância de Abraão
por oratório. E estipulamos a Abraão e a Ismael, dizendo-lhes: "Purificai
Minha Casa, para os circundantes (da Caaba), os retraídos, os que genuflectem e
se prostram(43).
126 E quando
Abraão implorou: Ó senhor meu, faze com que esta cidade seja de paz, e agracia
com frutos(44) os seus habitantes que crêem em
Deus e no Dia do Juízo Final! Deus respondeu: Quanto aos incrédulos dar-lhe-ei
um desfrutar transitório e depois os condenarei ao tormento infernal. Que
funesto destino!
127 E quando
Abraão e Ismael levantaram os alicerces da Casa, exclamaram: Ó Senhor nosso,
aceita-a de nós pois Tu és Oniouvinte, Sapientíssimo.
128 Ó Senhor
nosso, permite que nos submetamos a Ti e que surja, da nossa descendência, uma
nação submissa à Tua vontade. Ensina-nos os nossos ritos e absolve-nos, pois Tu
é o Remissório, o Misericordiosíssimo.
129 Ó Senhor
nosso, faze surgir, dentre eles, um Mensageiro, que lhes transmita as Tuas leis
e lhes ensine o Livro, e a sabedoria, e os purifique, pois Tu és o Poderoso, o
Prudentíssimo.
130 E quem
rejeitaria o credo de Abraão, a não ser o insensato? Já o escolhemos (Abraão),
neste mundo e, no outro, contrar-se-á entre os virtuosos.
131 E quando o
seu Senhor lhe disse: Submete-te a Mim!, respondeu: Eis que me submeto ao
Senhor do Universo!
132 Abraão
legou esta crença aos seus filhos, e Jacó aos seus, dizendo-lhes: Ó filhos
meus, Deus vos legou esta religião; apegai-nos a ela, e não morrais sem serdes
submissos (a Deus).
133 Estáveis,
acaso, presentes,(45) quando a morte se apresentou
a Jacó, que perguntou aos seus filhos: Que adorareis após a minha morte?
Responderam-lhe: Adoraremos a teu Deus e o de teus pais: Abraão, Ismael e
Isaac; o Deus Único, a Quem nos submetemos.
134 Aquela é
uma nação que já passou; colherá o que mereceu e vós colhereis o que
merecerdes, e não sereis responsabilizados pelo que fizeram.
135 Disseram:
Sede judeus ou cristãos, que estareis bem iluminados. Responde-lhes: Qual!
Seguimos o credo de Abraão, o monoteísta(46), que
jamais se contou entre os idólatras.
136 Dizei:
Cremos em Deus, no que nos tem sido revelado, no que foi revelado a Abraão, a
Ismael, a Isaac, a Jacó e às tribos; no que foi concedido a Moisés e a Jesus e
no que foi dado aos profetas por seu Senhor; não fazemos distinção alguma entre
eles, e nos submetemos(47) a Ele.
137 Se crerem
no que vós credes, iluminar-se-ão; se se recusarem, estarão em cisma(48). Deus ser-vos-á suficiente contra eles, e Ele é o
Oniouvinte, o Sapientíssimo.
138 Eis aqui a
religião(49) de Deus! Quem melhor que Deus para
designar uma religião? Somente a Ele adoramos!
139
Pergunta-lhes: Discutireis conosco sobre Deus. Apesar de ser o nosso e o vosso
Senhor? Somos responsáveis por nossas ações assim como vós por vossas, e somos
sinceros para com Ele.
140 Podeis
acaso, afirmar que Abraão, Ismael, Isaac, Jacó e as tribos eram judeus ou
cristãos? Dize: Acaso, sois mais sábios do que Deus o é? Haverá alguém mais
iníquo do que aquele que oculta um testemunho recebido de Deus? Sabei que Deus
não está desatento a quanto fazeis.
141 Aquela é
uma nação que já passou; colherá o que mereceu vós colhereis o que merecerdes,
e não sereis responsabilizados pelo que fizeram.
142 Os néscios
dentre os humanos perguntarão: Que foi que os desviou de sua tradicional quibla(50)? Dize-lhes: Só a Deus pertencem o levante e o poente.
Ele encaminhará à senda reta a quem Lhe apraz.
143 E, deste
modo, (ó muçulmanos), contribuímo-vos em uma nação de centro(51),
para que sejais, testemunhas da humanidade, assim como o Mensageiro e será para
vós. Nós não estabelecemos a quibla que tu (ó Mohammad) seguis, senão para
distinguir aqueles que seguem o Mensageiro, daqueles que desertam, ainda que
tal mudança seja penosa, salvo para os que Deus orienta. E Deus jamais anularia
vossa obra, porque é Compassivo e Misericordiosíssimo para a humanidade.
144 Vimos-te
(ó Mensageiro) orientar o rosto para o céu(52);
portanto, orientar-te-emos até a quibla que te satisfaça. Orienta teu rosto (ao
cumprir a oração) para a Sagrada Mesquita (de Makka)! E vós (crentes), onde
quer que vos encontreis, orientai vossos rosto até ela. Aqueles que receberam o
Livro, bem sabem que isto é a verdade de seu Senhor; e Deus não está desatento
a quanto fazem.
145 Ainda que
apresentes qualquer espécie de sinal ante aqueles que receberam o Livro, jamais
adotarão tua quibla nem tu adotarás a deles; nem tampouco eles seguirão a
quibla de cada um mutuamente. Se te rendesses aos seus desejos, apesar do
conhecimento que tens recebido, contar-te-ias entre os iníquos.
146 Aqueles a
quem concedemos o Livro, conhecem-no como conhecem a seus próprios filhos, se
bem que alguns deles ocultam a verdade, sabendo-a.
147 (Esta é a)
Verdade emanada de teu Senhor. Não sejas dos que dela duvidam!
148 Cada qual
tem um objetivo traçado por Ele. Empenhai-vos na prática das boas Ações,
porquanto, onde quer que vos acheis, Deus vos fará comparecer, a todos, perante
Ele, porque Deus é Onipotente.
149 Aonde quer
que te dirijas (ó Mohammad), orienta teu rosto para a Sagrada Mesquita, porque
isto é a verdade do teu Senhor e Deus não está desatento a quanto fazeis.
150 Aonde quer
que te dirijas, orienta teu rosto para a Sagrada Mesquita. Onde quer que
estejais (ó muçulmanos), voltai vossos rostos na direção dela, para que ninguém,
salvo os iníquos, tenha argumento com que refutar-vos. Não temais! Temei a Mim,
a fim de que Eu vos agracie com Minhas mercês, para que vos ilumineis.
151 Assim
também escolhemos(53), dentre vós, um Mensageiro de
vossa raça para vos recitar Nossos versículos, purificar-vos, ensinar-vos o
Livro e a sabedoria, bem como tudo quanto ignorais.
152
Recordai-vos(54) de Mim, que Eu Me recordarei de
vós. Agradecei-Me e não Me sejais ingratos!
153 Ó fiéis,
amparai-vos na perseverança e na oração, porque Deus está com os perseverantes.
154 E não
digais que estão mortos aqueles que sucumbiram(55)
pela causa de Deus. Ao contrário, estão vivos, porém vós não percebeis isso.
155 Certamente
que vos poremos à prova mediante o temor, a fome, a perda dos bens, das vidas e
dos frutos. Mas tu (ó Mensageiro), anuncia (a bem-aventurança) aos
perseverantes –
156 Aqueles
que, quando os aflige uma desgraça, dizem: Somos de Deus e a Ele retornaremos –
157 Estes
serão cobertos pelas bênçãos e pela misericórdia de seu Senhor, e estes são os
bem encaminhados.
158 As colinas
de Assafa e Almarwa(56) fazem parte dos rituais de
Deus e, quem peregrinar à Casa(57), ou cumprir a
‘umra(58), não cometerá pecado algum em percorrer
a distância entre elas. Quem fizer espontaneamente além do que for obrigatório,
saiba que Deus é Retribuidor, Sapientíssimo.
159 Aqueles
que ocultam as evidências e a Orientação que revelamos, depois de as havermos
elucidado aos humanos, no Livro, serão malditos por Deus e pelos imprecadores(59),
160 Salvo os
que se arrependeram, emendaram-se e declararam (a verdade); a estes absolveremos
porque somos o Remissório, o Misericordiosíssimo.
161 Sobre os
incrédulos, que morrem na incredulidade, cairá a maldição de Deus, dos anjos e
de toda humanidade.
162 Que pesará
sobre eles eternamente(60). O castigo não lhes
será atenuado, nem lhes será dado prazo algum.
163 Vosso Deus
e Um só. Não há mais divindade além d’Ele, o Clemente, o Misericordiosíssimo(61).
164 Na criação
dos céus e da terra; na alteração do dia e da noite; nos navios que singram o
mar para o benefício do homem; na água que Deus envia do céu, com a qual
vivifica a terra, depois de haver sido árida e onde disseminou toda a espécie
animal; na mudança dos ventos; nas nuvens submetidas entre o céus e a terra,
(nisso tudo) há sinais para os sensatos(62).
165 Entre os
humanos há aqueles que adotam, em vez de Deus, rivais (a Ele) aos quais
professam igual amor que a Ele; mas os fiéis só amam fervorosamente a Deus. Ah,
se os iníquos pudessem ver (a situação em que estarão) quando virem o castigo
(que os espera!), concluirão que o poder pertence a Deus e Ele é Severíssimo no
castigo.
166 Então, os
chefes negarão os seus prosélitos, virão o tormento e romper-se-ão os vínculos
que os uniam.
167 E os
prosélitos dirão: Ah, se pudéssemos voltar (à terra), repudiá-los-íamos como
eles nos repudiaram! Assim Deus lhes demostrará que suas ações são a causa de
seus lamentos, e jamais se salvarão do fogo infernal.
168 Ó humanos,
desfrutai de todo o lícito(63) e do que a terra
contém de salutar e não sigais os passos de Satanás, porque é vosso inimigo
declarado.
169 Ele só vos
induz ao mal e à obscenidade e a que digais de Deus o que ignorais.
170 Quando
lhes é dito: Segui o que Deus revelou! Dizem: Qual! Só seguimos as pegadas dos
nossos pais! Segui-las-iam ainda que seus pais fossem destituídos de
compreensão e orientação?
171 O exemplo
de quem exorta os incrédulos é semelhante ao daquele que chama as bestas, as
quais não ouvem senão gritos e vozerios. São surdos, mudos, cegos, porque são
insensatos.
172 Ó fiéis,
desfrutai de todo o bem com que vos agraciamos e agradecei a Deus, se só a Ele
adorais.
173 Ele só vos
vedou a carniça(64), o sangue, a carne de suíno e
tudo o que for sacrificado sob invocação de outro nome que não seja de Deus(65). Porém, quem, sem intenção nem abuso, for impelido a
isso, não será recriminado, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.
174 Aqueles
que ocultam o que Deus revelou no Livro, e o negociam a vil preço, não saciarão
suas entranhas senão com fogo infernal. Deus não lhes falará no Dia da
Ressurreição nem dos purificará, e sofrerão um doloroso castigo.
175 São
aqueles que trocam a Orientação pelo extravio, e o perdão pelo castigo. Que
resistência haverão de ter suportar o fogo infernal!
176 Isso,
porque Deus revelou o Livro com a verdade e aqueles que disputaram sobre ele
incorreram em profundo cisma.
177 A virtude
não consiste só em que orientais vossos rostos até ao levante ou ao poente. A
verdadeira virtude é a de quem crê em Deus, no Dia do Juízo Final, nos anjos,
no Livro e nos profetas; de quem distribuiu seus bens em caridade por amor a
Deus, entre parentes, órfãos, necessitados, viajantes, mendigos e em resgate de
cativos (escravos). Aqueles que observam a oração, pagam o zakat, cumprem os
compromissos contraídos, são pacientes na miséria e na adversidade, ou durante
os combates, esses são os verazes, e esses são os tementes (a Deus).
178 Ó fiéis,
está-vos preceituado o talião(66) para o homicídio(67): livre por livre, escravo por escravo, mulher por
mulher. Mas, se o irmão do morto perdoar o assassino,(68)
devereis indenizá-lo espontânea e voluntariamente. Isso é uma mitigação e
misericórdia de vosso Senhor. Mas quem vingar-se, depois disso, sofrerá um
doloroso castigo.
179 Tendes, no
talião, a segurança da vida, ó sensatos, para que vos refreeis.
180 Está-vos prescrito
que quando a morte se apresentar a algum de vós, se deixar bens, que faça
testamento eqüitativo em favor de seus pais e parentes; este é um dever dos que
temem a Deus.
181 E aqueles
que o alterarem, depois de o haverem ouvido, estarão cometendo (grave) delito.
Sabeis que Deus é Onipotente, Sapientíssimo.
182 Mas quem,
suspeitando parcialmente ou injustiça(69) da parte
do testador, emendar o testamento para reconciliar as partes, não será
recriminado porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.
183 Ó fiéis,
está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito(70)
a vossos antepassados, para que temais a Deus.
184 Jejuareis(71) determinados dias; porém, quem de vós não cumprir
jejum, por achar-se enfermo ou em viagem(72),
jejuará, depois, o mesmo número de dias. Mas quem, só à custa de muito
sacrifício, consegue cumpri-lo, vier a quebrá-lo, redimir-se-á, alimentando um
necessitado; porém, quem se empenhar em fazer além do que for obrigatório, será
melhor. Mas, se jejuardes, será preferível para vós, se quereis sabê-lo.
185 O mês de
Ramadan foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e
vidência de orientação e Discernimento. Por conseguinte, quem de vós presenciar
o novilúnio deste mês deverá jejuar; porém, quem se achar enfermo ou em viagem
jejuará, depois, o mesmo número de dias. Deus vos deseja a comodidade e não a
dificuldade, mas cumpri o número (de dias), e glorificai a Deus por ter-vos
orientado, a fim de que (Lhe) agradeçais.
186 Quando
Meus servos te perguntarem de Mim, dize-lhes que estou próximo e ouvirei o rogo
do suplicante quando a Mim se dirigir. Que atendam o Meu apelo e que creiam em
Mim, a fim de que se encaminhem.
187 Está-vos
permitido, nas noites de jejum, acercar-vos de vossas mulheres, porque elas são
vossas vestimentas(73) e vós o sois delas. Deus
sabe o que vós fazíeis secretamente; porém, absorveu-vos e vos indultou.
Acercai-vos agora delas e desfrutai do que Deus vos prescreveu. Comei e bebei
até à alvorada, quando podereis distinguir o fio branco do fio negro. Retornai,
então ao, jejum, até ao anoitecer, e não vos acerqueis delas enquanto
estiverdes retraídos nas mesquitas. Tais são as normas de Deus; não as
transgridais de modo algum. Assim Deus ilucida os Seus versículos aos humanos,
a fim de que O temam.
188 Não
consumais as vossas propriedades em vaidades, nem as useis para subornar os
juizes, a fim de vos apropriardes ilegalmente, com conhecimento, de algo dos
bens alheios(74).
189
Interrogar-te-ão sobre os novilúnios(75).
Dize-lhes: Servem para auxiliar o homem no cômputo do tempo e no conhecimento
da época da peregrinação. A virtude não consiste em que entreis nas casas pela
porta traseira; a verdadeira virtude é a de quem teme a Deus, para que
prospereis(76).
190 Combatei,(77) pela causa de Deus, aqueles que vos combatem; porém,
não pratiqueis agressão, porque Deus não estima os agressores.
191 Matai-os
onde quer se os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a
perseguição é mais grave do que o homicídio. Não os combatais nas cercanias da
Mesquita Sagrada(78), a menos que vos ataquem.
Mas, se ali vos combaterem, matai-os. Tal será o castigo dos incrédulos.
192 Porém, se
desistirem, sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.
193 E
combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus. Porém,
se desistirem, não haverá mais hostilidades, senão contra os iníquos.
194 Se vos
atacarem um mês sagrado, combatei-os no mesmo mês(79),
e todas as profanações serão castigadas com a pena de talião. A quem vos
agredir, rechaçai-o, da mesma forma; porém, temei a Deus e sabei que Ele está
com os que O temem.
195 Fazei
dispêndios(80) pela causa de Deus, sem permitir
que as vossas mão contribuam para vossa destruição, e praticai o bem, porque
Deus aprecia os benfeitores.
196 E cumpri a
peregrinação e a Umra(80-a), a serviço de Deus.
Porém, se fordes impedidos disso, dedicai uma oferenda do que vos seja possível
e não corteis os vossos cabelos até que a oferenda tenha alcançado o lugar
destinado ao seu sacrifício. Quem de vós se encontrar enfermo, ou sofrer de
alguma infecção na cabeça, e a raspar, redimir-se-á mediante o jejum, a
caridade ou a oferenda. Entretanto, em condição de paz, aquele que realizar a
Umra antes da peregrinação, deverá, terminada esta, fazer uma oferenda daquilo
que possa. E quem não estiver em condições de fazê-lo, deverá jejuar três dias,
durante a peregrinação, e sete, depois do seu regresso, totalizando dez dias.
Esta penitência é para aquele que não reside próximo ao recinto da Mesquita
Sagrada. Temei a Deus e sabei que é Severíssimo no castigo.
197 A
peregrinação realiza em meses determinados(81).
Quem a empreender, deverá abster-se das relações sexuais, da perversidade e da
polémica. Tudo o que fizerdes de bom Deus o saberá. Equipai-vos de provisões,
mas sabei que a melhor provisão é a devoção. Temei-Me, pois, ó sensatos.
198 Não serei
censurados se procurardes a graça do vosso Senhor (durante a peregrinação).
Quando descerdes do monte Arafat, recordai-vos de Deus perante os Monumento
Sagrado(82) e recordai-vos de como vos iluminou,
ainda quando éreis, antes disso, dos extraviados.
199 Descei,
também, de onde descem(83) os demais, e implorai
perdão de Deus, porque é Indulgente, Misericordiosíssimo.
200 Quando
celebrardes os vossos ritos, recordai-vos de Deus como vos recordar dos vosso
pais(84), ou com mais fervor. Entre os humanos há
aqueles que dizem: "Ó Senhor nosso, concede-nos o nosso bem-estar
terreno!" Porém,, não participarão da ventura da outra vida.
201 Outros
dizem: "Ó Senhor nosso, concede-nos a graça deste mundo e do futuro, e
preserva-nos do tormento infernal!"
202 Estes,
sim, lograrão a porção que tiverem merecido, porque Deus é Destro em ajustar
contas.
203
Recordai-vos de Deus em dias contados(85). Mas,
quem se apressar em (deixar o local) após dois dias, não será recriminado;
tampouco pecará aquele que se atrasar, se for temente a Deus. Temei a Deus,
pois, e sabei que sereis reunidos perante Ele.
204 Entre os
homens há aquele que, falando da vida terrena, te encanta, invocando Deus por
Testemunha de tudo quanto encerra o seu coração embora seja o mais encarniçado
dos inimigos (d’Ele).
205 E quando
se retira, eis que a sua intenção é percorrer a terra para causar a corrupção,
devastar as semeaduras e o gado, mesmo sabendo que a Deus desgosta a corrupção.
206 Quando lhe
é dito que tema a Deus, apossa-se dele a soberbia, induzindo-o ao pecado. Mas o
inferno ser-lhe-á suficiente castigo. Que funesta morada!
207 Entre os
homens há também aquele que se sacrifica para obter a complacência de Deus, porque
Deus é Compassivo para com os servos.
208 Ó fiéis,
abraçai o Islam na sua totalidade e não sigais os passos de Satanás, porque é
vosso inimigo declarado.
209 Porém se
tropeçardes, depois de vos terem chegado as evidências, sabei que Deus é
Poderoso, Prudentíssimo.
210 Aguardam
eles que lhes venha o Próprio Deus, na sombra dos cirros, juntamente com os
anjos e, assim, tudo esteja terminado? Sabei que todo retornará a Deus(86).
211 Pergunta
aos israelitas(87) quantos sinais evidentes lhes
temos mostrado. Mas quem deturpa conscientemente as mercês de Deus, depois de
lhas terem chegado, saiba que Deus é Severíssimo no castigo(88).
212 Foi
abrilhantada a vida terrena aos incrédulos e, por isso, zombam dos fiéis;
porém, os tementes prevalecerão sobre eles no Dia da Ressurreição, porque Deus
agracia imensuravelmente quem Lhe apraz(89).