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Apontamentos
para a história do Brasil (Primeira Parte)
Introdução
A Era Lula tem entre suas características mais marcantes a
forma peculiarmente excêntrica como lida com o dinheiro público e como trata os
fatos.
A primeira prioridade do dinheiro arrecadado dos impostos
brasileiros é a manutenção dos lucros estratosféricos dos megaespeculadores
internacionais. A seguir, gastos com propaganda. Em terceiro lugar, suborno a
parlamentares para que votem medidas governamentais contrárias aos interesses
dos brasileiros.
Sempre que há algo de elogiável acontecendo no país, por
mais que nada tenha a ver com o governo, a propaganda desinforma afirmando que
“neste governo se fez...” Por outro lado, quando é pilhada em ilícitos
criminais, a cúpula palaciana lidera a propaganda desinformando: “é algo que
herdamos do governo passado...” Assim, a quadrilha formada pelo PT para tomar o
Estado Nacional e permanecer em postos de comando indefinidamente “era coisa dos
tucanos”; a paralisia provocada na economia pelas altas taxas de juros e
impostos extorsivos. Queda na produtividade e na circulação econômica
corresponde a queda no consumo de energia. Isto aparece na propaganda como
“chegada à plenitude energética...”, estradas em péssimo estado de conservação
são parte da herança maldita (meia verdade: são sim, mas o governo Lula nada fez
para reverter este quadro, agudizando-o cruelmente).
Para apresentar um contraponto a esta forma curiosamente
peculiar de apresentar os fatos e contribuir para que não nos esqueçamos dos
fatos neste período, começo a tomar notas sobre os acontecimentos dos últimos 3
anos e pouco.
Março de 2003
Nomeado o deputado federal Henrique Meirelles, eleito pelo
PSDB de Goiás, para a presidência do Banco Central sob aplauso de todos os
especuladores internacionais e protesto dos trabalhadores brasileiros.
Ficou claro
que o PT se transformou em um partido de direita propondo a privatização do
Banco Central do Brasil, as mesmas reformas na previdência que o PSDB desejava
(taxação de inativos, aumento na idade para aposentadoria, etc.) e o Ministério
da Fazenda, subordinando-se ao Banco Central, encaminha a economia brasileira
segundo os interesses dos bancos privados internacionais e não segundo os
interesses do povo trabalhador do Brasil.
Rompo com o PT a 15 de
março.
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Março de 2003
A prioridade do
governo na questão das reformas passa a ser desvincular o Banco Central do
Governo Federal. Ora, dar autonomia ao Banco Central é abrir mão completamente
do poder governamental de nortear a política econômica no país. Com um Banco
Central privatizado – essa é a expressão, estão alguns petistas pensando em
PRIVATIZAR o Banco Central! – só o “Mercado” governará a economia deste país,
esvaziando ainda mais os poderes do Executivo Federal, transferindo ainda mais
significativamente às hienas, chacais e abutres do “mercado” o controle sobre
nossa economia.
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Março de 2003
Lula informava em sua campanha ser o único capaz de promover
uma amplo “pacto social” e levar a cabo “as reformas necessárias”. Ao início do
governo encaminha reformas econômicas à direita da Ditadura Militar, num governo
mais mentiroso que o de Collor de Mello e mais entreguista que o de Fernando
Henrique, justamente porque, pela sua trajetória política, ninguém em sã
consciência, jamais imaginou que ele o fizesse.
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Novembro de 2003
Idosos obrigados a
provar que estão vivos
A
Previdência Social no Brasil arrecada uma enormidade de recursos que são, em sua
maior parte, desviados para o pagamento dos juros da dívida (o tal do “superávit
primário”...), por isso aparece como deficitária. Pretensamente para combater o
déficit da previdência, na prática para ampliar a quantidade de recursos
arrancados dos trabalhadores, aposentados e pensionistas para desviar aos
bancos, em novembro de 2003 o então ministro da Previdência Social, Ricardo
Berzoíni, obrigou os aposentados e pensionistas com mais de 90 anos a
comparecer, portando suas identidades e CPF (faltou pedir que fossem
“acompanhados de seus avós”...) para explicar o que diabos estavam fazendo ainda
vivos.
Foram filas
imensas, gente passando mal, um desrespeito com quem trabalhou para construir
este país. Um dos primeiros e mais rumorosos de uma série de escândalos
envolvendo malversação de recursos públicos, incúria administrativa,
incompetência política e corrupção dos mais diversos tipos.
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Janeiro de 2004
Rifados ministérios para
composição política
Cristovam
Buarque, demitido do Ministério da Educação – por telefone! – informa que segue
em apoio a Lula que promovendo Tarso Genro a ministro da Educação concede-lhe
Foro Privilegiado para se defender das acusações de corrupção no processo
eleitoral no Rio Grande do Sul. Berzoini deixa de ser ministro da imprevidência
e se torna sinistro do trabalho mau remunerado e do desemprego. A previdência
foi para o peemedebista Amir Lando.
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Maio de 2004
“A política econômica do
governo interfere no combate à fome e à miséria.” e “O governo parece mais
preocupado em saldar compromissos externos a honrar seus compromissos com o povo
brasileiro”, D. Mauro Morelli, bispo de Duque de Caxias (RJ) em março de 2004.
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Junho de 2004
Desemprego zero para a
companheirada
A MP 163/04, que reformula a Casa Civil ampliando poderes de
José Dirceu (Suspeito de corrupção no caso da propina de Waldomiro Diniz assim
como de envolvimento no assassinato do prefeito petista de Santo André) e
criando cerca de 3.000 cargos de livre designação do executivo a valores
aproximados de R$ 4.000,00 cada um.
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Junho de 2004
Parlamentares petistas
votam o menor salário em pauta e saem para festejar sua vitória contra os
trabalhadores brasileiros
No passado, parlamentares petistas estavam sempre entre os
que defendiam os maiores valores para o salário. No poder, a situação mudou
completamente: ficam os petistas do lado dos banqueiros, contra os
trabalhadores.
Outra mudança significativa era a busca de emprego e renda.
No poder, por um lado o PT ampliou a quantidade de desempregados desinformando
na propaganda que “nunca antes neste país se gerou tantos empregos...” – por
outro, ampliou-se a base do clientelismo estatal...
A oposição de direita propôs reajuste para R$ 260,00 ao
salário mínimo. O PT atacou os trabalhadores com o menor salário proposto: R$
245,00 que, aprovados, passam a vigorar imediatamente. Para comemorar esta
vitória sobre os trabalhadores, parlamentares petistas, num restaurante elegante
de Brasília, gastam em uma noitada o equivalente a 2 anos do novo salário
votado.
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Julho de 2004
“Sem inflação, aumenta a
renda dos brasileiros”
Registrados aumentos de até 10% nos impostos e 91% preços de
remédios, aluguéis, telefones, energia elétrica, gasolina, arroz, feijão,
açúcar, carne, peixe, frango. Salários federais congelados há mais de 10 anos.
Salário Mínimo reajustado em menos de 3%. A propaganda governamental segue
desinformando: “aumenta o poder de compra da população e a inflação segue
contida”.
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Dezembro de 2004
Separando o joio do
trigo
Parlamentares do PT (Heloísa Helena, Luciana Genro, Babá e
João Fontes) votaram, no Congresso Nacional, contra a reforma da
Previdência, proposta pelo governo Lula, retirando direitos dos trabalhadores e
favorecendo ainda mais o capital financeiro. Por isso o Partido (dito) dos
Trabalhadores decidiu-se a amputar seu braço esquerdo expulsando aqueles
parlamentares e provocando a desfiliação de muitos intelectuais e simpatizantes
de esquerda, que partiram para a fundação de um novo partido.
Ao se
desligar dos ideológicos e autênticos e convocar ao governo fisiológicos
históricos como Waldemar da Costa Neto (PL), Roberto Jefferson (PTB), José
Janene e Severino Cavalcanti (PP), entre outros, Lula demonstra saber
precisamente separar o joio do trigo, fica com o joio e joga o trigo fora.
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Janeiro de 2005
Dívida brasileira atinge
R$ 1.000.000.000.000,00!
Após aprovar medidas que taxam inativos e pensionistas, além
de aumentar exponencialmente os impostos brasileiros – que chegam a 40% de tudo
quanto se produz – o Brasil atinge o recorde de R$ 1.000.000.000.000,00 (um
trilhão de reais) em dívidas que seguem aumentando dadas as altas taxas de juros
praticadas pelo governo federal.
Numa patriotada esquisita e para desviar a atenção deste
entreguismo deslavado começa-se a fichar estrangeiros que chegam ao Brasil como
“reciprocidade diplomática” ao que é feito a nossos cidadãos em viagens por aí
afora. Naturalmente, esta medida não atinge os multimilionários que viajam em
seus transportes privados, mas somente àqueles que se utilizam de serviço de
transporte coletivo (aéreo e marítimo). Com uma vantagem para os criminosos hoje
encastelados no poder: a Polícia Federal, ocupada com esta picuinha menor,
diminui sua atividade preventiva e repressiva ao crime.
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Março de 2005
Brasil não precisa mais
do FMI: já aprendeu a errar sozinho
Mais uma vez
atraiçoando a confiança do povo e renegando todo o seu passado histórico de
lutas heróicas contra as ingerências estrangeiras nos nossos assuntos internos,
discursando numa direção e agindo em outra, o governo petista anuncia que não
renovará o acordo com o FMI, mas manterá a mesmíssima política econômica, ou
seja, seguirá com superávit primário acima daquele que o organismo internacional
determina, manterá elevadas taxas de juros e, consequentemente o arrocho
tributário necessário a desviar recursos da produção para remunerar o capital
especulativo.
Qual o
efeito prático para os brasileiros, da supressão do acordo com o FMI?
Absolutamente nenhuma e acrescentamos mais uma expressão para meu “Novíssimo
Dicionário da Novilíngua Petista”: Quando o governo diz “Não precisamos mais do
FMI, o Brasil já pode caminhar com as próprias pernas.” Entenda-se: “Vamos
continuar mantendo os juros mais elevados do mundo, cobrando altíssimos impostos
e pagando mais e melhor ao especulador do que ao produtor ou trabalhador. O FMI
até nos elogia. Aprendemos tudo sobre economia na escola de quebrar países do
FMI e vamos continuar arrochando os brasileiros como nunca antes neste país.”
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Novembro de 2005
Pegaram o PC Farias de
Lula da Silva
Em
entrevista à jornalista Renata Lo Prete, o então deputado Roberto Jefferson
revela que Delúbio Soares, através de Marcos Valério, pagava um “mensalão” para
que os parlamentares venais votassem a favor do governo. Lula, que até a véspera
daria um cheque em branco a Roberto Jefferson, declara que “não sabia de nada”.
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Novembro de 2005
Vivendo de sobras
Nem foi ato
falho, foi transparência e sinceridade: o Ministro Antônio Palocci disse com
todas as letras que o ideal era ter um superávit primário menor (o dinheiro de
nossos impostos que é reservado para remeter à ciranda financeira que, com juros
elevados, promove o crescimento de nossa dívida) para que “sobrasse” mais
dinheiro para infra-estrutura, educação, saúde, segurança...
Em outras
palavras e sem meias palavras: a equipe econômica de Lula informa que primeiro
atenderá aos banqueiros; com o que sobrar, se verá o que é possível fazer
em termos de administrar o Brasil.
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Dezembro de 2005
Faz-se um pouco de
justiça
Por 293 votos a 192, em
decisão histórica, o plenário da Câmara decidiu aprovar a recomendação do
Conselho de Ética, cassando o mandato de José Dirceu e lhe retirando os direitos
políticos por oito anos. O agora ex-deputado só poderá ser candidato a cargo
público na eleição de 2016, quando estiver com 70 anos de idade.
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Continua: queda de
ministros, mensalão, vampiros, sanguessugas, operações “abafa CPI”, etc.
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Lázaro Curvêlo Chaves –
21/09/2006
Continuação aqui
Conheça alguns fatos históricos do governo Lula da Silva
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