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História da Aviação no Brasil

B-25 nº 5143 chocou-se contra o Morro dos Piabas no dia 31 de Outubro de 1968

Transcrição do Jornal “Correio da Manhã” do dia 2 de Novembro de 1968

FAB LOCALIZA BIMOTOR CAÍDO E REMOVE CORPOS

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            O bimotor B25-5143 da Escola de Sargentos Especialistas de Aeronáutica, que explodiu após se chocar com o Morro das Piabas, próximo à Praia de Grumari, em Mangaratiba, às 12h35min de anteontem [31/Out/1968], teve seus escombros localizados na madrugada de ontem, por 80 soldados, lotados nos serviços de busca da Aeronáutica. Nove alunos da Escola de Guaratinguetá que recebiam instruções de armamento, 5 sargentos e 3 oficiais, que ocupavam o aparelho morreram carbonizados. Os corpos, mutilados e irreconhecíveis, foram removidos para o Hospital Central da Aeronáutica, na Ilha do Governador. Somente na tarde de ontem a FAB revelou o nome dos mortos.

            Desde as 13h15min de anteontem, 80 soldados, lotados na Base Aérea de Santa Cruz, PARASAR (Pára-quedistas de Buscas e Resgates) e Serviço de Buscas e Salvamentos do Aeroporto Santos Dumont, foram mobilizados na operação de buscas ao bimotor, que deixou a Base de Santa Cruz às 8h30min de anteontem pilotado pelo capitão-aviador Hélio do Amaral Teixeira, para instruções de armamento aos alunos da Escola de Guaratinguetá, a serem ministradas pelo capitão especializado Emir Vieira de Magalhães Glória.

Acidente

            O acidente ocorreu às 12h35min de anteontem, duas horas depois de ter o avião perdido o contato com a torre de comunicações e controle de vôos da Base Aérea de Santa Cruz. Segundo o tenente Levi, do Serviço de Relações Públicas da Aeronáutica, o tempo nublado e uma pane num dos motores do avião originou o acidente, fazendo com que o aparelho perdesse altura, indo de encontro ao cume do Morro das Piabas, próximo à Praia de Grumari, em Mangaratiba.

            Porém, sem saber ao certo o que havia acontecido com o aparelho, oficiais lotados naquela base, após se comunicarem com todos os aeroportos da Guanabara e São Paulo, iniciaram as buscas com dois helicópteros. A primeira notícia sobre o acidente dava conta de que o bimotor havia caído na Praia de Sernambetiba, entre Marambaia e Ilha Rosa, onde grande mancha de óleo flutuava sobre as ondas. Participantes da operação se dirigiram para o local, solicitando na ocasião a colaboração do Serviço Marítimo de Salvamento que, utilizando a lancha L-13, permaneceu no local indicado durante as primeiras horas da madrugada, ficando marcadas buscas posteriores.

Buscas

            Seguindo informações de pescadores da região, que afirmavam ter ouvido um forte estrondo e um clarão para o lado da Praia do Grumari, soldados do Serviço de Buscas e Salvamentos da FAB, ainda na madrugada, prosseguiram as buscas naquele local, quando um camponês que assistia os trabalhos disse que o clarão verificou-se no alto do Morro dos Piabas, onde minutos depois, utilizando helicópteros, os soldados conseguiram localizar pedaços da fuselagem do avião acidentado.

Carreira

            Os nove alunos da Escola de Sargentos Especialistas de Aeronáutica, de Guaratinguetá, que morreram no acidente com o bimotor B25-5143, quando recebiam instruções sobre armamento, estavam na última fase do estágio e se formariam no próximo mês, segundo informou o Ministério da Aeronáutica. São eles: 014 – Roberto Jorge, 032 – Eduardo Ferreira Cardoso, 040 – Francisco Moreira Filho, 132 – Fernando Melo Viana Sena, 163 – Jaber Tiradentes Coelho, 166 – Silvano Honório Câmara, 179 – Benedito Edésio da Silva, 327 – Adamor da Silva Braga e o 312 – Epaminondas Aguiar de Lima.

Ministério

            Sobre o acidente, o gabinete do ministro da Aeronáutica divulgou ontem [01/Nov/1968] a seguinte nota oficial:

            “O gabinete do ministro da Aeronáutica lamenta informar do acidente ocorrido ontem com o avião B-25 nº 5.143, da Escola de Especialistas de Aeronáutica, quando efetuava um voo de instrução sobre a Restinga da Marambaia.

            Faleceram no desastre o capitão-aviador Hélio do Amaral Teixeira, o 1º tenente-aviador Marilio Adão Muller, o capitão especialista em armamento Enir Vieira de Magalhães Glória; os 1º sargentos Vinícius Palmeiras da Silva, Geraldo Ferreira da Silva; 2º sargentos Antônio Vicente da Silva, Afonso Celso Monteiro Gianico e Luiz Fernandes Caldi e os alunos Roberto Jorge, Eduardo Ferreira Cardoso, Francisco Moreira Filho, Fernando Melo Viana Sena, Jaber Tiradentes Coelho, Silvano Honório Câmara, Benedito Edésio da Silva, Adamor da Silva Braga e Epaminondas Aguiar de Lima.

            Logo que as autoridades da Aeronáutica tomaram conhecimento do acidente, deslocaram uma equipe do PARASAR para o local, onde foi iniciado o resgate dos corpos.”

[aqui termina a transcrição da reportagem]

 

 

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Processo de Recomposição Histórica

            A partir de uma postagem do Aluno 69-756 Denardin, da Turma 155, o debate sobre o acidente com “o B-25 da Marambaia” que aconteceu com a Turma de Armamentos da 150ª Turma de Especialistas começou.

            As recordações foram surgindo e a precisão histórica se construindo.

            Inicialmente o Aluno 65-665 Renó, da Turma 147, apresentou a relação dos militares vitimados no acidente a partir da Nota do Ministro da Aeronáutica que ele havia guardado. A seguir o Aluno Amirati, da Turma 150, trouxe três informações cruciais: o avião decolou da Base Aérea de Santa Cruz, chocou-se contra um Morro e houve um aluno que, por estar de baixa ao Hospital, sobreviveu. O aluno 65-665 Renó José Benedito acaba de me honrar com um telefonema pessoal e ressalva: o relato relativo ao Apolo não procede. Havia um Apolo de outra turma... Estamos levantando os dados com a cautela e a precisão possíveis e necessárias!

            Fechando a questão com chave de ouro, o aluno 66-200 Celente, da Turma 148 apresentou esta cópia do jornal “Correio da Manhã” do dia 2 de novembro de 1968 que transcrevi e nos permite chegar à precisão dos fatos.

O aluno Nestor Soares, da Turma 150 acrescenta que, na Formatura de sua Turma à medida que o nome dos vitimados no acidente era lido, todos bradavam PRESENTE, fato confirmado pelo aluno 67-296 – Amirati: “eu também estava lá respondendo PRESENTE”

O aluno 65-665 - Renó, da Turma 147 esclarece ao telefone após fazer cuidadoso levantamento, que havia um sargento escalado para aquele vôo (Sargento Laércio) mas o perdeu pois se atrasou, chegando à Pista quando a aeronave já estava taxiando. Talvez premido por uma sensação dramática passou a demonstrar sinais de instabilidade, foi reformado alguns anos depois e faleceu há cerca de quatro anos.

Lázaro Curvêlo Chaves – 2S RR da FAB e Professor

 

 

 

 
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