Cultura Brasileira: no ar desde 1998

 

Balada do Globalizado

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Eu quero que Você saiba

O Mal que Você faz

Atormentando-nos a todos

Eu quero que Você saiba

Nem tente negar

Te proíbo de mentir

Eu sei!

 

Você nos transformou a todos em escravos!

Eu tinha um único emprego;

Bom emprego, bom salário,

Boa casa,

Cinema uma vez por semana

Teatro uma vez por mês

Boas roupas, boa comida,

Boa saúde, Grande Espírito!

 

Hoje em dia tenho mais dois empregos: três empregos

E ganho dos três menos da metade do que ganhava de um só.

Como é que pode?

 

De manhã, dou aulas

De tarde, dirijo

À noite trabalho num escritório

Nada é o bastante, nada é suficiente!

O banco leva a metade, o governo a outra metade...

O que sobra para mim,

Nunca é suficiente!

Eu trabalho, Você toma

Eu preciso, Você empresta

Agora estou quebrado

Como todos estamos

 

De quem é a culpa

Nossa? Ou Sua? 

 

 

Meu toca-fitas quebrou,

Sem dinheiro para conserto.

Meu menino quer um brinquedo,

Sem dinheiro para comprar.

Minha mãe quer uma torta,

Como posso negar?

Mas... Como posso comprar?

 

Eu quero que Você saiba

O Mal que Você faz

Atormentando-nos a todos

Eu quero que Você saiba

Nem tente negar

Te proíbo de mentir

Eu sei!

 

Minha mãe precisa de remédio

Sem dinheiro para comprar.

Saúde pública? Uma bagunça!

Plano de saúde privada?

Quem consegue pagar?

 

Vejo um carro estacionar

(eu tinha um assim)

Pedintes se aglomeram em torno

Pedintes por toda a parte

(Você não tem honra?)

 

A polícia chega depressa:

“Sem aglomerações!”

“Fora pedintes!”

“Nada de protestos!”

Spray de pimenta, balas de borracha, gás lacrimogêneo...

“Mãe!” Grita o Capitão

“O que está fazendo aqui?” 

 

 

“Seu salário, meu filho,

Não dá para a comida,

Não dá para os remédios,

Não dá para manter roupas decentes

Você joga spray de pimenta nos olhos

Dos que lutam por você!”

 

Três empregos…

Eu boto os bofes pra for a de tanto trabalhar

Não tenho mais casa,

Não vou mais ao cinema,

Não vou mais ao teatro,

Me visto modestamente, como modestamente, a saúde vai precária

E tristeza, e RAIVA

Grande Espírito? Há muito nem sei o que é...

O que foi que eu fiz de errado?

 

Quanto mais eu trabalho,

Menos eu ganho

O que aconteceu conosco?

 

Há não muito tempo

(parece que foi ontem, me lembro tão bem...)

Ainda podia ir ao Mercado e trazer compras

Agora é até perigoso!

Compras? Nem um terço do que costumava trazer

Semana passada um drogado roubou minha carteira

Drogados por toda a parte

(Você não tem honra?)

Desempregados, Humilhados, Desumanizados…

Reduzidos a isso...

POR VOCÊ! 

 

 

Eu quero que Você saiba

O Mal que Você faz

Atormentando-nos a todos

Eu quero que Você saiba

Nem tente negar

Te proíbo de mentir

Eu sei!

 

Você nada em ouro

Nós nos afogamos em nosso próprio sangue

Seu ouro?

Roubado!

De nós!

 

Nós trabalhamos, Você toma

Precisamos de comida, roupa, abrigo, educação, remédios...

Você nos dá... Propaganda!

“Tá tudo bonitinho...”

“Desemprego zero no melhor momento de nossa história!”

É mesmo?

 

Eu olho ao redor... O que é isso que eu vejo?

Costumavam ser seres humanos – parece que me lembro

Prostitutas

Vagabundos

Pedintes

Drogados

Ladrões

Irmãos se matando uns aos outros

Por pão...

Você nos transformou em canibais!

 

Nós trabalhamos, Você toma

Nós precisamos, você nega

Você nos ofende dando de volta

Algo do que nos roubaram

Como esmolas...

 

Abutres!

Serpentes!

Raça de Víboras!

Seus dias estão contados!

 

Nós queremos que Você saiba

O Mal que Você faz

Atormentando-nos a todos

Queremos que você saiba

Nem tente negar

É inútil mentir

NÓS TE AVISAMOS:

NÓS SABEMOS! 

 

 

Onde fica esse lugar? Quero me mudar para lá!

 

 

Agora ISSO é constrangedor...

 

 

 
*** Um pouco de verdade, muito de luta, dificuldades que podemos e devemos superar!
 

 

 
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