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Brasil é “Investment
Grade”. Quem ganha, quem perde.
Saudades
do tempo em que havia oposição no Brasil... Atualmente, se facções existem,
estas apenas apontam modificações cosméticas no encaminhamento da política
nacional. Não da economia. Menos ainda da Política Econômica Nacional que,
em última análise, determina a vida de todos os cidadãos.
Houve um tempo em que vozes (às vezes até mesmo punhos)
se erguiam em direções distintas e havia partidos e políticos que
questionavam o encaminhamento econômico, portanto da política nacional. A
concordância acrítica em torno do encaminhamento da política econômica é
hoje onipresente nos discursos (ou omissões) de quantos se apresentam
almejando a conquista do poder através do voto popular dentro do sistema de
eleições obrigatórias, com contagem informatizada.
Depois da Ditadura Militar houve a abertura e,
finalmente, em 1989 pudemos efetivar as primeiras eleições diretas à
Presidência da República. Após 19 anos, o espectro político se afunilou
preso na forma televisiva subvencionada por grande capital capaz de
contratar os melhores profissionais da forma televisiva, chamados de
“marqueteiros”.
Após a capitulação do PT ao modelo, o exercício da
política, no que tange ao viés eleitoral, reduziu-se a uma equação muito
simples: “quem elege é o marqueteiro, quem contrata o marqueteiro é o
capital, quem tem capital são os bancos”.
Uma vez no poder ou sendo a ele postulante, a única
questão de fato é esta: qual o melhor governo de acordo com os interesses do
capital concentrado nos bancos. Sempre, claro, mascarado por trás de muita
propaganda ou marketing político. “Brasil”, “povo brasileiro”, “brasileiras
e brasileiros”, “minha amiga e meu amigo”, “companheiras e companheiros” e
suas variantes são presenças tão obrigatórias nos discursos quanto a sua
inexistência o é nas considerações práticas do governante em qualquer
quesito que transcenda o do discurso.
Desde 1964 até os dias que correm, a direção política do
Brasil aprendeu para quem governa e como deve governar. Chegamos a 2008 com
os maiores níveis de taxação do povo de toda a história do país e
endividamento superior a R$ 1,7 Trilhão com encargos crescentes e
crescentemente pagos em dia com os impostos que pagamos, descartada sequer a
hipótese de se buscar resgatar o principal seja como for.
Disto decorrem dois grandes resultados:
1) Serviços públicos
sucateados: infra-estrutura, saúde, educação, segurança e empregos nos
níveis mais baixos da história do Brasil. Sem investimento público algum ou
aqueles meramente destinados à propaganda, estes setores se mantêm
existentes em grande medida pela abnegação de quantos neles trabalham e têm
algum sentimento para com seu semelhante.
2) Grandes bancos
batem recordes sucessivos de lucratividade líquida, lastreada em nossos
impostos gordamente repassados pelo Poder Executivo, ou, nas palavras
escolhidas pela analista Milena Zaniboni, da agência avaliadora de riscos de
calote aos bancos chamada Standard and Poor’s, no dia 30 de abril de 2008:
“We expect the ratings on Banco
Itaú, Banco Bradesco, Unibanco, Banco Santander Banespa, and HSBC Bank
Brasil to move independently from those on the sovereign. Further upgrades
on these issuers will increasingly depend on the strengthening of their
individual credit quality and on their capacity to show strong profitability
and asset quality in a less benign environment, including increasing
nonperforming assets and greater competition”.
Em português: “Os
bancos Itaú, Bradesco, Unibanco, Santander e HSBC devem se manter capazes de
demonstrar crescimento ainda maior que o dos bancos públicos. Os bancos
citados poderão ter ainda maiores acréscimos em sua avaliação, dependendo de
sua capacidade de demonstrar forte lucratividade e recursos qualitativos num
ambiente menos benigno, inclusive crescimento não lastreado e maior
competitividade.”
Isso
mesmo: após quase 2 décadas de sacrifícios impostos aos brasileiros pelos
desgovernos FHC e Lula da Silva, o Brasil finalmente conquista, para os
bancos Itaú, Bradesco, Unibanco, Santander e HSBC, citados nominalmente pela
agência Standard and Poor’s uma menção de uma instituição de avaliação de
risco ao capital no que tange a especular no Brasil.
Atestado
de capitulação incondicional aos interesses dos bancos
Em síntese, o que a agência Standard and Poor’s acaba de
atestar é que o governo brasileiro não medirá esforços para esfolar os
trabalhadores brasileiros ainda mais a fim de assegurar aos bancos a sua
lucratividade crescente.
O anúncio desta comenda aos bancos, atestado de
capitulação do governo brasileiro aos interesses dos especuladores, em
detrimento da produção e do trabalho, foi cuidadosamente escolhido para o
Dia do Trabalho. Escárnio? Peça de propaganda? Ainda há muito a refletir em
torno deste tema.
Nada a comemorar
Se você não é banqueiro e treme de vergonha ou indignação
diante da idéia de haver muitos recebendo somas vultuosas através do
complicado consenso imposto pelos bancos para defender seu ponto de vista,
contra os interesses soberanos do povo brasileiro; se você trabalha ou luta
para trabalhar, a fim de manter a sua família e aos seus, em alguma
atividade produtiva, não tem absolutamente nada a comemorar neste 1º de
Maio. Tem motivos de sobra – agora um a mais – para lamentar. Ou se
revoltar.
Lázaro Curvêlo Chaves – 1º de Maio de 2008
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