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Brasil controlado pelo crime organizado 

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  1. A formação da quadrilha

 

Banqueiros, especuladores, jogadores da bolsa de valores e parasitas afins, após auferir uma quantidade obscena de recursos se decidem a defender seus interesses e ampliar sua lucratividade. Para isso, organizam-se.

      A eles pouco importa se o regime é liberal, autoritário, social-democrata ou mesmo alegadamente “socialista”. A única coisa que lhes importa é manter e ampliar sua lucratividade às custas do trabalho alheio.

      No caso brasileiro, após o fiasco monumental da ditadura militar – fiasco mais financeiro que outra coisa qualquer; o militar tem forte tendência ao nacionalismo e a pensar no próprio povo, apesar de todas as desgraças que causaram, o que de fato os levou a serem apeados do poder foi o fato de não estarem facilitando as coisas para os especuladores...

      A partir daquele momento, chegou-se, com a conivência dos intelectuais venais de hábito, à conclusão que o encaminhamento mais adequado à política brasileira, do ponto de vista dos bancos, seria a via eleitoral que, evidentemente, nada tem a ver com democracia embora a propaganda afirme hipnoticamente o contrário.

      Assim, aquela escória supracitada passou a patrocinar as campanhas eleitorais de seus potenciais aliados – muitos deles banqueiros ou proprietários de meios de comunicação para a massa.

      Eleitos, deputados e senadores votam leis em defesa da elite financeira que os conduziu ao poder, leis contrárias em tudo e por tudo aos interesses do povo trabalhador do Brasil – sempre, claro, tomando o cuidado de sempre afirmar o contrário diante dos meios de comunicação que os entrevistam ou sempre que aparecem ou discursam em público.

      O presidente da república não passa de um marionete, um palhaço que faz relações públicas afirmando em público o contrário do que foi decidido privadamente. É um mero marionete a defender os interesses dos bancos e jogadores enquanto discursa para a plebe mantendo-a sob controle com mentiras tão bem elaboradas que deixariam Joseph Goebels vermelho de vergonha e com ganas de voltar ao maternal...

      Aqui está uma expressão que virou moda, muito desagradável mas cabe perfeitamente neste contexto: “nuncaantesnestepaíz” um dirigente obteve tamanha popularidade governando para os banqueiros, contra o povo do Brasil e obteve tamanho sucesso em fazer acreditar justamente no oposto. Aqueles que foram deixados em situação de penúria PRECISAMENTE pelo tipo de governo que exerceu no primeiro mandato, agora abrem mão de lutar por emprego, salário e dignidade. Consolam-se com a bolsa-esmola que o governo concede aos desesperados com a aquiescência dos bancos...

 

2. Organizando o crime

 

      Frequentemente encontravam-se brechas na legislação brasileira que permitiam a um raro juiz humanista interpreta-la a favor do oprimido, contra o opressor. Tornou-se crucial não apenas modificar a legislação para evitar este tipo de ocorrência, como ainda controlar o judiciário para que aprenda de uma vez por todas a favor de quem devem julgar.

      Obedecendo caninamente aos ditames dos banqueiros e jogadores, de toda esta escória que comanda o crime organizado enfim, os menores detalhes na legislação trabalhista que beneficiavam, mesmo remotamente, o trabalhador, sofreram “reformas”. A própria expressão “reforma” que outrora significava uma mudança gradual do capitalismo em direção a uma sociedade mais justa – delírio dos social-democratas – sofreu uma flutuação e hoje, quando se fala em “reforma” todos sabem que mais desgraças cairão sobre os trabalhadores.

      A maior parte destas “reformas” que suprimem direitos trabalhistas e permitem aos banqueiros e jogadores avançarem cada vez mais sobre os geradores da riqueza desta Nação é engendrada pela facção que ocupa o Planalto, assinada pelo marionete dos banqueiros que ocupa a cadeira presidencial e lançada aos parlamentares venais que, a um bom preço, vendem suas consciências e assumem como suas estas iniciativas antipáticas.

      É ainda o marionete dos banqueiros que ocupa o Planalto aquele que nomeia os juízes apontados como “confiáveis” pela escória que realmente domina a Nação.

      Assim, tanto as leis quanto a sua interpretação está completamente sob controle dos bancos e seus representantes, ou seja, mais lucros para os biliardários e mais perdas para os geradores da riqueza, aqueles que trabalham e estão banidos da insignificante proteção legal com que contavam.

      Dizia meu falecido pai que quem paga diz como o assalariado deve proceder. O aparelho judiciário brasileiro conta com uma fonte independente de arrecadação de impostos? O legislativo a tem? Em que poder se concentra a arrecadação de impostos e portanto é o único a ter recursos? O Executivo. O Executivo paga o Judiciário e o Legislativo que, claro, segue suas ordens que, aliás, vêm das instâncias econômicas superiores, aquelas que verdadeiramente governam estepaíz.

      Assim organizado em torno de um único poder, o crime atinge o paroxismo da sofisticação, ficando os outros relegados ao papel de coadjuvantes. Podem discursar – é até útil à ilusão de democracia que haja discursos contrários ao poder verdadeiramente dominante, contra as medidas do governo. Com a condição óbvia de, ao fim e ao cabo, votar a favor, absolver e manter intocada a estrutura criada pelos líderes do crime organizado.

 

 
 

 

3. Diferentes formas de crime

 

      O crime organizado domina o Brasil, elabora leis e controla os juízes.

      A facção criminosa conhecida como “Banco Central” constitui-se na Instância Maior da República, aquela que efetivamente representa os interesses econômicos maiores que nos dominam.

      Aquela facção concentra toda a arrecadação de impostos e controla todas as finanças pátrias mas, como os traficantes nas favelas, concedem migalhas aos miseráveis para que lhes dêem suporte. Controlando os miseráveis através de esmolas e um sofisticado programa de propaganda para que fiquem apáticos e deixem de lutar por seus legítimos direitos à vida e ao trabalho honrado. Uma facção criminosa no poder corrompe toda a nação...

      À facção do BACEN cabe manter elevadas as taxas de juros e a lucratividade das empresas que representa. Cabe ainda evitar o crescimento do país, pois isto traria um fator de desestabilização que não estão dispostos a computar. Qualquer crescimento do Brasil acima do preconizado pela facção seria potencialmente perigosa à lucratividade astronômica da facção dos banqueiros e parasitas afins.

      À facção do Planalto cabe discursar, “fazer relações públicas” na direção oposta à prática econômica adotada pela facção do BACEN, sempre tomando a precaução de apresentá-la, senão como “a única alternativa possível”, aquela que trará benefícios ao trabalhador brasileiro no longo prazo.

      Esta é a mesma versão, elaborada pela mesma pessoa, de “deixar crescer o bolo para depois dividi-lo”. Era o discurso do Ministro do Planejamento do General Geisel e até hoje mentor monetário do desgoverno criminoso, Antônio Delfim Netto.

 
 

 

4. A distância entre o discurso e a prática

 

      Em 1789 os brasileiros se revoltaram gravemente contra a cobrança de extorsivos 20% em impostos que iam integralmente para a Coroa Portuguesa, em nada beneficiando o povo desta nascente Nação. Vem desta época a expressão que ninguém suportava mais pagar “os quintos dos infernos”.

      O mundo muda, a propaganda se torna cada vez mais sofisticada e hoje, embora paguemos mais de 40% (mais de dois “quintos dos infernos”) de tudo quanto produzimos em impostos que em nada beneficiam os brasileiros não há revolta. Há concordância, conformismo e a revolta, rara, quando ocorre, destina-se precisamente a quem denuncia o mal, não quem o pratica! De vez em quando eu mesmo sou vítima desse tipo de “revolta”...

      Mas... E a enorme quantidade de impostos que pagamos, para onde vai, afinal?

      A facção do BACEN controla a distribuição destas finanças que remete, majoritariamente, à ciranda financeira, aos verdadeiros donos do poder.

      Não é casual que todo o presidente do BACEN seja escolhido entre e pelos representantes dos bancos e do grande capital especulativo. Ontem era o estafeta do George Soros, Armínio Fraga. Hoje é o gângster Henrique Meirelles, funcionário de carreira do Bank of Boston. Este mesmo, se chegar a ser substituído o será por outro representante dos mesmos interesses. A pantomima de se propalar que o marionete que ocupa o Planalto ser aquele quem “escolhe” ou “nomeia” o presidente do BACEN é mera propaganda; não ultrapassa o nível do discurso.

      A quantia é pavorosamente enorme, são 40% de toda a produção nacional. Sobra alguma quantia, que o BACEN autoriza o governo a distribuir da seguinte maneira:

1) Para a propaganda governamental propalar estar fazendo precisamente o oposto do que pratica e simplificar o desvio de recursos brasileiros a contas bancárias privadas em bancos estrangeiros, como ficou claro no episódio envolvendo Luiz Gushiken, Marcos Valério, Delúbio Soares e Duda Mendonça.

2) Recursos a fundo perdido em “cartões de crédito corporativos”. Quando foi revelado ao público que a Primeira Dama, D. Mariza Letícia, gastava mais de R$ 2.000,00 (cerca de 14 bolsas-esmola destas pagas por mês ao lumpemproletariado) POR DIA isto se tornou “Assunto de Segurança Nacional” e ninguém mais pode ficar sabendo o que a facção do Planalto faz com um rio de dinheiro.

3) Recursos para subornar diretamente parlamentares através de mensalão ou seja lá que nome passem a dar a esta prática, ainda muito comum. Esta prática, contudo, é meramente coadjuvante da forma principal de suborno a parlamentares através de nomeações a cargos públicos regiamente remunerados, como se diz no governo Lula, “por dentro e por fora”, negociações de ministérios “de porteira fechada”, etc. O único cargo não negociável, pois não pertence à facção do Planalto, mas à dos banqueiros é o de presidente (ou “ministro-presidente”...) do BACEN.

      Não se conhecem dados acerca das sobras de todos estes recursos expendidos desta maneira excêntrica, somente se sabem que não se destinam – seja por proibição taxativa da facção do BACEN, seja por incompetência pura e simples – à melhoria das condições existenciais de nossa gente.

      Nada é investido em escolas ou hospitais públicos, que se encontram em estado de calamidade. É uma política claramente pensada e elaborada: ao invés de aprimorar as escolas, desvia-se o recurso que lhes deveria ser destinado a uma coisa obscena chamada “PROUNI”: o governo paga uma fortuna para que entidades privadas de ensino de baixíssimo nível reservem vagas nos piores cursos a alguns miseráveis, estendendo a distribuição de renda da quadrilha dos bancos e políticos, também aos donos de escolas. Os hospitais públicos são abandonados para obrigar a todos os que podem a se submeter aos extorsivos planos de saúde privada ampliando a gangue também a estes.

      O mais incrível ainda é a situação dos policiais civis e militares em geral, com salários congelados há mais de 15 anos – houve uma intensa propaganda de um “aumento” de 1% que jamais aconteceu, só isso. Como defensores principais do status quo implementado pelos bancos e toda a escória similar que nos governa de fato, resulta inacreditável a situação em que se encontram. Quando saem fardados – o que vem se tornando cada vez mais raro, uma vez o crime, a exemplo do que vem de cima, se espalhar por toda a sociedade – utilizam vestes rotas e seu armamento é visivelmente obsoleto. A redução do horário de trabalho dos militares em 50% para compensar as perdas salariais sucessivas leva-os à economia informal e não é raro vermos colegas de fardas com problemas diante da lei. A mesma que os jogou nesta situação, aliás...

 
 

 

5. O crime desorganizado

 

      Quando faltam recursos para a educação do jovem, quando lhes são tiradas quaisquer perspectivas de uma vida digna e honrada, estimula-se o crime desorganizado. Já vivemos tempos em que ansiávamos para a futura geração uma vida melhor que a nossa. Hoje, a única certeza que podemos dar a nossos filhos é que jamais terão o mesmo padrão de vida que temos. Os de classe média caem cada vez mais de padrão existencial e os pobres são arremessados nas mãos dos criminosos desorganizados.

      Faço esta pequenina diferenciação pois os traficantes, seqüestradores e similares não têm a Lei ou o Parlamento a seu lado – são levados à mesma condição de egoísmo e desilusão que perpassa todo o mundo capitalista – ao contrário do crime organizado dos bancos, do Planalto, do BACEN, do Parlamento e do Judiciário. O exemplo vem de cima e eles tentam desesperadamente segui-lo, mas jamais disporão dos mesmos recursos que os verdadeiros donos do poder jogam ao ralo da corrupção e compra de legisladores, economistas e juristas no cotidiano.

      Os recursos que deveriam destinar-se à educação são desviados da maneira acima descrita; a isto se adiciona mais uma das atribuições da facção do BACEN: a manutenção de elevados níveis de desemprego. Isto protege os poderosos de greves, avilta salários e amplia seus lucros. O fato de o ser humano ser a maior vítima de toda esta situação sequer é considerado relevante pelos donos do poder. Aqui encontramos nova discrepância entre a realidade e o discurso. Fala-se em menos de 15% de desempregados no país. Todo o discurso oficial se encaminha nesta direção. Contudo, as pesquisas em que se baseiam o discurso oficial, não levam em conta pessoas que estão desempregadas há mais de 1 mês, pessoas que procuram emprego pela primeira vez, pessoas que recentemente demitidas, por um lado e, por outro, computam aqueles que conseguem sobreviver trabalhando na chamada “economia informal”, ou seja, que não pagam impostos e acabam sendo penalizadas por isso.

      Pesquisas sérias que levassem tais dados em consideração concluiriam que temos um “exército industrial de reserva” superior a 30% da mão-de-obra ativa. 30% de desemprego é sinônimo de desespero.

      Meninos mal formados – inclusive por insuficiência alimentar na primeira infância – sem acesso à educação formal são vítimas óbvias do crime desorganizado que busca imitar o maior e mais grave, o exemplo que vem de cima.

      Hoje a rebeldia juvenil sequer se manifesta politicamente. Por um lado há a propaganda hipnótica a desinformar que “os trabalhadores estão no poder”; por outro os sindicatos se transformaram em míseros apêndices do governo que, mal e porcamente organizam festas laudatórias ao marionete dos banqueiros em cerimônias vazias de conteúdo. Naturalmente, todos os sindicatos e mesmo os partidos políticos que já estiveram à esquerda seguem se dizendo “defensores dos trabalhadores” – se por “trabalhadores” compreendermos donos de bancos e jogadores da bolsa de valores...

      Cabe, novamente, enfatizar: aos donos do poder, pouco importa o discurso, desde que sua lucratividade esteja garantida.

      Neste sentido, vale a regra oposta àquela subseqüente ao mar de lama do primeiro mandato de Lula da Silva. Se naquele momento tudo de ilícito era permitido fazer e nada era permitido divulgar; no caso do controle bancário a regra é oposta: tudo se pode dizer ou escrever, desde que nada se faça a respeito. Até mesmo autoridades políticas governamentais, seja no Parlamento ou mesmo dentro da facção do Planalto podem dizer o que bem entenderem acerca do encaminhamento político. A proibição definitiva é uma só: não se pode mudar a política econômica ditada pelo crime organizado.

 

 

6. Facções criminosas invertendo equações

 

      A partir da lógica exposta, a facção criminosa do BACEN impede o crescimento econômico do Brasil e pratica uma forma extraordinariamente excêntrica de “redistribuição de renda”: dos trabalhadores para os parasitas.

      À facção do Planalto, coadjuvada pela do Congresso Nacional, cabe dizer precisamente o oposto da realidade – e tanto, e com tanta ênfase e repetição que a esmagadora maioria acredita mais na propaganda que na deterioração de sua vida real.

      “Estamos crescendo e distribuindo rendas como nuncaantesnestepaíz”. Quando o marionete dos banqueiros se dirige a platéias de trabalhadores e desempregados convence, persuade. Já não lhes importa lutar por honra, dignidade, trabalho honesto ou salário justo. Basta-lhes saber que há “um deles no poder fazendo o melhor que pode”. Seu limite de consciência possível não lhes permite perceber que esta ilusão não confere com os fatos e, desde que haja a esmola miserável para o número crescente de desempregados e desesperados, a que se aliam intelectuais e economistas venais, tudo vai bem no melhor dos mundos... 

Em síntese: o que o governo chama de “crime organizado”, com vozes estridentes a repeti-lo hipnoticamente em programas e propagandas sensacionalistas refere-se a jovens desesperados cometendo atrocidades terríveis por aí afora seguindo pequenos tiranetes que tentam em vão imitar os grandes criminosos...

      Estes pobres coitados têm todas as instâncias institucionais CONTRA eles. O verdadeiro crime organizado reúne-se em salas confortáveis e decide que limitações lhes devem ser impostas e em que crimes devem ser enquadrados. Não são tão “organizados” quanto querem nos fazer crer...

      O verdadeiro crime organizado no Brasil de hoje é este praticado pelos Bancos e seus representantes, no Planalto, no Congresso e no Judiciário.

 

      Enquanto o crime organizado estiver no poder não haverá esperança para a nossa e, pior ainda, as futuras gerações.

            Lázaro Curvêlo Chaves - 28/01/2007

              Atualizado em 11/01/2014

 
 

 

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