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SEM ESPERANÇA
– Marcos Coimbra
O Brasil
sofre uma das mais sérias crises de sua história, nas cinco expressões do
Poder Nacional. Em uma rápida análise, identificamos vulnerabilidades
extremamente perigosas, configurando óbices capazes de impedir a consecução
dos Objetivos Nacionais Permanentes.
Na
expressão econômica, verificamos a existência de uma significativa
dependência ao exterior, fruto de equivocadas ações econômicas preconizadas
pelos "donos do mundo", através de seus instrumentos de ação. Imposições
draconianas são exigidas, como as reformas da previdência, tributária,
trabalhista e outras. As conseqüências são benéficas apenas para os
rentistas, em especial os estrangeiros, e maléficas para a população
brasileira, ocasionando desemprego, miséria, exclusão social e desesperança.
45% da população economicamente ativa (PEA) estão fora do mercado formal de
trabalho. Ingressam anualmente mais de três milhões de pessoas no mercado de
trabalho e o sistema mal oferece pouco mais de um milhão de vagas para
absorvê-los. Existe também em torno de 12 milhões de desempregados, além do
fato de 1/3 da PEA estar ou desempregada ou subempregada.
Na
expressão psicossocial, um claro domínio do sistema financeiro internacional
e nacional sobre os meios de comunicação de massa, com o crescimento da
mídia amestrada, capaz de fazer a "cabeça" do povo, influenciando
decisivamente corações e mentes, omitindo, desinformando e distorcendo a
verdade. A saúde pública em franco processo de decadência e a educação
pública em crescente deterioração. A previdência pública sendo estuprada,
com a imposição de cobrança aos inativos. Os direitos trabalhistas sendo
extintos progressivamente. A segurança pública em estado caótico, trazendo a
angústia, o pânico e o desespero a milhões de brasileiros. E uma persistente
campanha de desmoralização das Instituições Nacionais e de nossos princípios
e valores morais e éticos.
Na
expressão política, a vã ilusão de que vivemos em uma democracia. Ora, o
regime político democrático baseia-se justamente na independência e na
existência de freios e contrapesos entre os três Poderes, o que
decididamente não é praticado no Brasil. No Executivo, há a proliferação da
nomeação de membros do partido do presidente para milhares de "boquinhas",
abrangendo até cargos de ministros para candidatos derrotados no país
inteiro, de sofrível desempenho em seus campos de atuação, gerando uma
imagem generalizada de incompetência.
No
Legislativo, a progressiva cooptação de partidos políticos sem princípios e
de dezenas de congressistas apenas interessados em seus pleitos pessoais,
sem a mínima preocupação com os superiores anseios nacionais. Chega a ser
deprimente presenciar a vergonhosa mudança repentina de opinião, no relativo
a matérias de relevância nacional.
No Judiciário, a
nomeação de ministros do Supremo Tribunal Federal diretamente por indicação
do presidente da República. Isto é legal, mas representa uma inacreditável
ingerência de um Poder no outro. E um processo eleitoral refém do poder
econômico, financiador da mídia amestrada e de institutos de pesquisa de
opinião, além do suspeito "voto eletrônico".
Na
expressão militar, o planejado esvaziamento das forças singulares, por
intermédio da progressiva supressão de verbas orçamentárias, capazes de
assegurar sua capacidade operacional, a altura da importância estratégica do
Brasil, a fim de permitir-lhes o cumprimento de suas atribuições
constitucionais. Apenas 1,7% do PIB é destinado a elas, enquanto a média
mundial é de cerca de 3,5%. Progressivamente, as Forças Armadas vão sendo
esvaziadas, com a extirpação de órgãos importantes, como, por exemplo, na
FAB, ocorreu, com a retirada da Infraero e DAC, com suas funestas
conseqüências. O ministério da Defesa foi criado por imposição externa e até
hoje não teve um especialista para comandá-lo. Foram nomeados apenas civis
sem conhecimento do assunto, incapazes de compreender a importância da
atuação das Forças Armadas no processo de desenvolvimento do país. Fica a
nítida sensação de tentativa de punição dos militares, por revanchismo
idiota, sem a preocupação com o futuro do Brasil.
Na
expressão científica e tecnológica, o insuficiente aporte de recursos para
pesquisa e desenvolvimento, bem como a falta de ambiência, caracterizada
pelo pequeno número de Instituições capazes de produzir invenções e a
castração da possibilidade de realização de pesquisas em áreas estratégicas,
por imposição externa.
O Supremo
Tribunal Federal (STF) julga o recebimento das denúncias feitas pelo
Procurador-Geral da República, Antonio Fernando de Souza, a respeito do “mensalão”.
Até o momento, quase todos os acusados passaram à condição de réus. Fica a
impressão para a opinião pública que, enfim, a justiça será feita e os
infratores punidos. Porém, consultando especialistas da área jurídica,
soubemos que, na prática, dificilmente alguém será penalizado, pois com a
demora dos procedimentos adotados, o tempo médio de duração do processo será
de dez anos, ocasionando assim a prescrição da maioria dos delitos. O
correto seria a designação de juízes na esfera adequada para proceder à
oitiva das testemunhas, para agilizar o andamento da instrução. O relator do
processo, ministro Joaquim Barbosa, enfatiza que “a sofisticada organização
criminosa” prosperou não só no PT, como também no PSDB e em praticamente
todos os demais partidos participantes da base governista.
Como então
ter esperança de que o panorama vai melhorar para o nosso sofrido povo? Até
2010 vai permanecer isto que está aí. Nas eleições presidenciais quais serão
os candidatos? Um grupo expressivo ligado ao Planalto defende a mudança na
Constituição para permitir um terceiro mandato para Lula. Com o bolsa
família em crescimento e mais algumas medidas clientelistas e
assistencialistas a serem implementadas, ele será invencível. Caso não
obtenham sucesso, elegerão um títere pertencente ao PT ou a um partido
aliado, para permitir o retorno de Lula em 2014. Não há perspectiva de
surgimento de um candidato sequer de verdadeira oposição, com possibilidade
de sucesso eleitoral. Até onde irá a paciência do povo brasileiro?
Prof. Marcos Coimbra
Membro do Centro
Brasileiro de Estudos Estratégicos (CEBRES), Professor aposentado de
Economia na UERJ e Conselheiro da ESG.
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