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O Cálice Sagrado
e a Linhagem Sagrada - uma resenha
Ao final do século XIX a pequena cidade de Rennes-le-Château,
no sul da França, recebeu um novo pároco, Bérenger Saunière. Dando início a
obras de reforma na nave da igreja precisou escavar mais fundo e encontrou
alguma coisa que o projetou internacionalmente dando-lhe incríveis poderes sobre
seus pares e superiores da época, além de lhe granjear espantosa fortuna.
Desenvolveu um sistema de crenças peculiar e foi tratado com calmo desdém pelo
Vaticano. Já em seu leito de morte pediu um sacerdote. Após a confissão o padre
chamado estava aos prantos, não lhe concedeu absolvição e deixou a batina pouco
tempo depois.
Tudo isto é história. Fato concreto. A partir daí, Michael
Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln fazem profunda, bem documentada e
demorada investigação buscando pistas ao que não ficou formalmente registrado
nos anais da história: o que teria o pároco encontrado? Um tesouro? Pergaminhos?
De que natureza? Como aquela descoberta lhe granjeou tamanha fortuna?
Quando em busca de respostas, frequentemente nos deparamos
com questões ainda maiores e mais profundas. Foi o que ocorreu com os
pesquisadores ingleses.
Os Cátaros
No século XIII desenvolveu-se no sul da França um
cristianismo diferente. Acreditava que Jesus de Nazaré tinha uma natureza
primordialmente humana e a interpretação das Escrituras era feita de maneira
independente do Vaticano que, intolerante, ordenou o massacre dos desobedientes.
A história dos Cátaros, riquíssima e bem tratada no livro, leva-nos quase a ver
pessoas desenvolvendo uma estrutura societária diferente e, por isso, pagam com
a vida. O papa ordenou que se passasse a todos os hereges a fio de espada. “Como
discernir os católicos fiéis dos hereges?” – ao que o papa teria respondido:
“matem a todos. Deus reconhecerá os dele!” Foi o maior genocídio bem documentado
da história da Europa. Os Templários tinham simpatias com as crenças dos Cátaros
e, mesmo por isso, não participaram do massacre.
Mas... Como essa fé se desenvolveu naquela região? Baigent,
Leigh e Lincoln discorrem sobre a tradição ligada à vinda de Maria Madalena e
muitos dos primeiros cristãos àquela região, cheia de Igrejas e esculturas a
Santa Maria Madalena num período em que, para se contrapor a uma tendência a
equipará-la a Maria, mãe de Jesus, o Vaticano difundiu a extravagante idéia
segundo a qual Madalena teria sido uma prostituta. Nada exista nas Escrituras a
corroborar esta versão que, contudo, ganhou o imaginário popular.
Com quem mais veio Madalena ao sul da França? Que documentos
ou que idéias portava consigo? Há inúmeros vestígios – todos criteriosamente
arrolados nesta Obra – e uma rivalidade entre o cristianismo paulino e aquele
desenvolvido pelo núcleo de que Madalena fazia parte e que, quase com toda a
certeza, estava na raiz dos primeiros lustros da fé cristã. A consideração da
mulher, não apenas como “vaso sagrado”, mas como indivíduo humano com os mesmos
direitos que os de sexo masculino, suprema ofensa para o machismo que imperou na
tradição do Vaticano. Se entre os cátaros as mulheres podiam ser sacerdotes e
debatiam as Escrituras em igualdade com os homens, para o Vaticano isto era
supremo escândalo.
Mas... Como compreender a devoção dos Templários a Maria
Madalena e a São João? Por que se recusaram ou, de qualquer forma, encontraram
meios de não participar do infame massacre de cristãos no sul da França no
genocídio que entra para a história como Cruzada Albigense? Para isto foi
necessário visitar a história dos Templários e, nela, os pesquisadores
encontraram referências a uma Ordem que precederia os Templários e teria mesmo
sido uma com a Ordem do Templo até o corte do olmo.
O Priorado de Sião
Como rastrear uma Organização Secreta milenar que, sobretudo,
luta por manter-se secreta? De novo, há inúmeros vestígios e, mesmo relutando em
aceitar esta teoria os Autores precisaram arrolá-la e registrá-la pelo menos até
que surja uma explicação mais convincente aos fatos descobertos.
A obra dos britânicos é uma investigação pioneira que Dan
Brown utilizou em seu romance “O Código Da Vinci”, escrevendo de maneira mais
fascinante mas sem o compromisso investigativo de Baigent e companheiros.
Fato é que, partindo de premissas diferentes e abordando
aspectos distintos, um número cada vez maior de Autores concorda em alguns
pontos:
_ Os Templários fizeram
escavações nas ruínas do Templo de Salomão e encontraram pergaminhos preciosos;
_ 9 cavaleiros iniciais
estiveram por 9 anos na Terra Santa dedicados mais à escavação do que
propriamente à proteção de peregrinos;
_ A Ordem foi organizada
em teoria antes de existir na prática;
Lázaro Curvêlo Chaves - 14/09/2006

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