Chegou a
hora: picolé de chuchu ou sapo barbudo?
Triste escolha, não?
Dois representantes da velha direita conservadora e corrupta, com
ligeiras diferenças nas práticas embora os discursos sejam realmente
distintos. Um sempre furibundo, raivoso, impregnado de ódio e incapaz de
um mínimo de eficiência ou decência. O outro, mais calmo, firme, melhor
articulado. Os dois defendem o grande capital especulativo e os
mega-especuladores são os únicos que se podem considerar vencedores,
seja qualquer dos dois o eleito no dia 29.
O último
debate
Imaginávamos que as
regras rígidas fossem dificultar o bom debate. Felizmente, o traquejo de
Alckmin – que apresentou firmeza o tempo inteiro – levou Lula da Silva
às cordas, deixou-se permanentemente na defensiva e deu o tom do debate.
As fragilidades intelectuais e morais do sapo barbudo foram
vigorosamente expostas. O mais complexo ao picolé de chuchu foi afirmar
o quanto a situação da segurança pública em São Paulo melhorou, mas de
alguma forma, não é esta a sensação que temos...
Geraldo Alckmin
representou bem o papel de homem público honesto e trabalhador; não
apenas melhor intencionado que seu adversário, mas apresentando bons
resultados concretos e jamais fugindo à responsabilidade – Já Lula da
Silva, ao contrário, não tem histórico de ser uma pessoa trabalhadora e,
embora informe (exaustivamente, cansativamente, pesadamente, com
propaganda caríssima e paga por nós) que “defende os mais pobres”, nunca
antes neste país os mais ricos ganharam tanto e os pobres empobreceram
ainda mais – inclusive no que tange aos padrões éticos. A se crer nas
pesquisas, poucos acreditam que um político possa ser minimamente ético.
O chuchu manifestou
ainda, de maneira bastante convincente, persuasiva, indignação com a
corrupção e incompetência, sejamos francos, os grandes marcos destes
últimos 4 anos. A mesma indignação que sacode as consciências de todas
as pessoas honradas.
Alckmin pode falar
livremente porque ser candidato à Presidência da República em igualdade
jurídica de condições com Lula da Silva. Vários intelectuais e
jornalistas que fazem análise similar ou ainda mais radical (além de
corrupto e mentiroso, foi um governo exageradamente concentrador de
rendas, sempre pregando uma coisa e fazendo outra, etc.) tiveram
problemas os mais diversos: âncoras e colunistas ficaram desempregados,
retiraram-se os recursos de propaganda governamental de todas as
empresas de comunicação (escrita, falada ou televisionada) que se
recusaram a coonestar a farsa lulo-petista. Por aí – e pelas sucessivas
e brutais tentativas de silenciar a imprensa, os intelectuais e a
oposição – se percebe o que seria/será um segundo mandato
lulo-petista...
Qual é o “dado
concreto”, afinal?
Vamos aproveitar a
construção gramatical empobrecida do Mandatário Maior da Nação. Mas como
conta mal! Sempre aponta cinco ou seis itens como “o dado concreto”. Mas
sigâmo-lo:
O dado concreto é
que nunca antes neste país se roubou tanto dinheiro público por um lado
e os banqueiros lucraram tanto.
O dado concreto é
que no governo lulo-petista a única coisa que cresceu foi a corrupção e
a propaganda mentirosa.
O dado concreto é
que a única coisa que cresceu neste país foi a pouca-vergonha, as
falcatruas, a truculência, a roubalheira, o mau exemplo.
Quem se
elegerá?
Não que isto seja
relevante a ponto de modificar nossas vidas seja lá como for. Meu único
cuidado mesmo diz respeito a esta perigosa tendência ao autoritarismo
que a prepotência e a arrogância lulo-petista apresentam.
Mas eleições e
guerras não se decidem com base na verdade ou na Razão. Decide-se antes
e acima de tudo com base nas emoções do momento. Este é um dos limites
mais gritantes da democracia representativa: a maioria (um perigo, a
maioria!) escolhe seu representante não com base em análise racional
criteriosa, mas com base no passionalismo mais irracional.
Resta uma
esperança!
No plebiscito sobre
o desarmamento, todos os institutos de pesquisa indicavam, até a “boca
de urna”, a vitória acachapante do “sim”. Deu “NÃO”! Na Bahia, dias
atrás, todos os institutos de pesquisa davam uma vantagem superior a 20
pontos percentuais ao pefelista Paulo Souto. Diante das urnas a turma
votou maciçamente em Jaques Wagner.
Problematizando
Por que será que
nenhuma Nação civilizada do mundo confia nesse negócio de “urnas
eletrônicas” que apresentam o resultado quase que imediatamente? O que
exatamente países com tradição democrática centenária como a França, a
Bélgica, a Holanda, a Alemanha ou mesmo os EUA têm contra urnas
eletrônicas. Por que esse tipo de coisa só é adotado aqui no quintal do
capitalismo?
Em suma
Nenhum dos dois
candidatos à Presidência da República destes dois que restaram aí,
representa qualquer eivor de melhora à vida do Trabalhador. Nem o
representante da Era Maldita, nem o representante da Era da Traição.
A única pulsão que
nos pode mover é analisar qual dos dois aparentemente exerceria o
governo menos desonesto e poderia evitar o retorno do Autoritarismo no
Brasil. Tapar o nariz e votar no “menos pior”.
Ou votar nulo. Até
chegar de frente para a urna me decido...
Lázaro Curvêlo Chaves –
28/10/2006