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Clipping – Folha de S. Paulo
e Veja de 30/09/2007
Tudo
dominado – Jefferson (colunaonline.com)
A doutora
Elizabete Sato, delegada que foi escalada para investigar o processo sobre o
assassinato do Prefeito de Santo André, Celso Daniel, é tia de Marcelo Sato,
marido da Lurian, que, apenas por coincidência, é filha do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. Ou melhor, a coincidência é que Marcelo Sato, o genro
do Presidente da República, é sobrinho da Delegada Elisabete Sato, Titular
do 78º DP, que demorou séculos para concluir que o caso Celso Daniel foi um
'crime comum',sem motivação política.Também apenas por coincidência, Marcelo
Sato é dono de uma empresa de assessoria que presta serviços ao BESC - Banco
de Santa Catarina, do qual é diretor Jorge Lorenzetti (churrasqueiro oficial
do presidente Lula e um dos petistas que o presidente chamou de 'aloprados'
no escândalo do dossiê contra os tucanos). E ainda, não por coincidência, o
marido de Ideli Salvatti, lider do PT no Senado, é o Presidente do BESC...
MAS É SÓ COINCIDÊNCIA !
(Contudo, meu Avô, Sábio homem,
dizia ... meu filho, coincidências existem, só não acredite em muitas.)
P.S. - O Banco do Brasil acaba de
comprar o Besc, é claro, outra coincidência que você deve ter lido nos
jornais dos últimos dias.
* * *
A novela
das 8 e o escracho – Clóvis Rossi
Quando
escrevi que o Brasil (o Brasil político) se transformara no país do "deboche
pronto", não podia imaginar que Gilberto Braga e Ricardo Linhares levariam
idêntica percepção para o programa de maior audiência da TV brasileira, a
novela das oito (no caso, "Paraíso Tropical", ainda por cima no capítulo
final).
Para
quem não viu, breve resumo: a trambiqueira e prostituta Bebel (vivida por
Camila Pitanga) é a única da turma do "mal" que nem morre nem perde. Ao
contrário, se dá bem. Como? Graças a se tornar amante de um senador. Bebel
termina em uma sessão de CPI para investigar biocombustíveis (por acaso -ou
não- o tema pelo qual o presidente Lula é assumidamente obcecado). A sessão
vira circo, e a trambiqueira, gloriosa, posa para fotos e anuncia que vai
aparecer na capa de uma revista.
Salvo
erro de memória, nunca antes neste país uma novela apresentou o "retrato
falado" de um político de forma tão explícita. Só faltou dar as iniciais, o
R de Renan e o C de Calheiros.
Na era
Collor, uma novela da Globo também tratara da podridão política do poder.
Mas o tom era moralista (sem dar conotação crítica à palavra), indignado, de
"isso-não-pode-continuar".
Na era
Lula, o tom é de deboche, de "isso-não-tem-mais-jeito-mesmo". Não por acaso,
Camila Pitanga, simpatizante de sempre do PT e de Lula, disse que "foi uma
ótima solução dos autores colocar a Bebel no contexto político que também é
cheio de roubalheira".
Sempre
haverá um ou dois descerebrados para acusar os autores de "conspiração",
técnica canalha para fugir dos fatos.
Os
fatos, no entanto, provam, dia sim, outro também, que a política brasileira
é um imenso escracho, um "Cambalache", aquele tango que diz "el que no llora
no mama, y el que no afana es un gil" (otário, na gíria portenha).
* * *
Representantes de mentira – Janio de Freitas
A
CONDENAÇÃO da Câmara e do Senado, merecedores da confiança de apenas 12,5% e
14,6% da população, respectivamente, como concluiu pesquisa promovida pela
Associação dos Magistrados Brasileiros, não atesta só a progressiva
deterioração do Poder Legislativo. Evidencia já uma situação crítica,
incapaz de sobreviver por muito tempo sem conseqüências, se não for
combatida com providências verdadeiras. Não há caso de degenerescência
assim, em alicerces institucionais, que não tenha levado a problemas
extremados, às vezes por faíscas mínimas.
O
sistema que elege deputados e senadores é uma fraude contra o eleitorado. É
deliberada mentira, no regime e na legislação do Brasil, que exista e que
seja democrática a representação do povo e dos Estados pelos parlamentares.
Fraude e mentira cujo fim é indispensável, como preliminar, para deter a
degradação institucional e política.
A
composição da Câmara só terá o sentido de representação quando obedecer à
ordem quantitativa dos votos dados, em cada Estado, aos candidatos. O
sistema dos "candidatos puxadores" de votos é uma fábrica de aberrações.
Indústria de picaretagem eleitoral que permite, em um dos poucos exemplos
divulgados, a eleição a deputado federal de uma candidata com ridículos 200
votos no maior eleitorado do país, São Paulo. Sem sobrenome identificado,
prenome adotado para as circunstâncias, candidata paulista mas moradora no
Rio, foi eleita pelos votos excedentes do seu correligionário Doutor Enéas,
em relação ao coeficiente estabelecido. Candidatos com dez vezes ou ainda
mais votos não foram para a Câmara. Entre eles e a amiga do Enéas, a mentira
da "representação democrática" excluiu os mais votados. Caso único? Ou raro?
Assim é
a composição da Câmara: nem 10% dos seus integrantes foram eleitos por conta
própria. Em seus respectivos Estados, candidatos com maior número de votos,
e portanto com maior representação do eleitorado, ficaram de fora em favor
de beneficiados pelo cômputo segundo coeficientes partidários. É a vontade
eleitoral adulterada; e, claro, a representação que não existe na Câmara.
Eleitos
de fato e representantes potenciais só podem ser os que tenham mais votos em
cada colégio eleitoral, e essa é a maneira de compor uma Câmara sem fraudar
o espírito democrático da eleição e das instituições. Por isso mesmo, não é
menos aberrante e fraudulenta a existência de suplente de senador, um
"eleito" sem voto e, com muita freqüência, parte da tal picaretagem
eleitoral (o suplente paga a campanha do candidato, que, apesar disso,
arrecada e embolsa altas contribuições: é comum o suplente ser um bom
negócio do efetivo). Com ou sem picaretagem eleitoral, o suplente levado ao
exercício no Senado, por estar o efetivo no governo ou de licença, não
recebeu representação do eleitorado, logo, existe por absurdo legal mas é
ilegítimo. Outra fraude da "representação democrática".
A
primeira corrupção de parlamentares a ser eliminada deve ser a que tem o
governo como corruptor. A compra de adesão à tal "base governista", uma
ficção que varia conforme as cobranças e pagamentos sucessivos, é corrupção
institucionalizada. Está nos jornais, está na TV, como algo feio e
reprovável, porém aceito e liberado para continuar. Com freqüência, no
entanto, não lhe faltam os aspectos de crime de extorsão, de chantagem, e de
corrupção nem se fala.
Existe
solução, sim, a começar de algo que a lei exige para nada: o programa
registrado por cada partido. Ou há obrigação de cumprir seus princípios, em
vez de seguir o compra-e-venda aleatório, ou a lei que o exige está em vigor
para encobrir corrupção política. O respeito à lei exigente de programas não
impediria adesões a outros princípios e programas, bastando sua aprovação em
convenções. Ou seja, do partido, e não de grupelhos dirigentes envolvidos no
mesmo compra-e-venda.
A outra
fonte da relação corrupta entre governo e Congresso são as emendas
parlamentares ao Orçamento, pelas quais deputados e senadores tornam-se
donos individuais de certas verbas e sua destinação. Medidas que impeçam ou
reduzam muito o uso da liberação dessas verbas, como moeda de compra de
adesão ou de voto pelo governo, são simples e de várias formas possíveis. Um
teto, por exemplo, no valor total das emendas individuais, com liberação
obrigatória, elimina o compra-e-venda sem perturbar as contas públicas.
Nenhuma
solução deve ser esperada da Câmara e do Senado, ou não seriam incapazes de
merecer um mínimo da confiança de 87,5% e 85,4% da população jovem/adulta.
Mas se os que compõem esses percentuais alarmantes não gerarem esforços de
mudança, passemos todos a discutir outro assunto: quando e que conseqüências
virão, por certo.
* * *
Minuto do
humor que ninguém é de ferro...
Nos EUA fabricaram
uma máquina que pega ladrões.
Testaram em New
York, em 5 minutos a máquina apanhou 1500 ladrões.
Levaram para a
China, em 3 minutos a máquina apanhou 3500.
Na África do Sul, em
2 minutos a máquina apanhou 6000 ladrões,
Trouxeram-na para o
Congresso em Brasília para testá-la
Em 1 minuto,
ROUBARAM a MÁQUINA !!!
* * *
McCarthy
estava certo - Diogo Mainardi
A TV do
Lula já tem um chefe: Tereza Cruvinel. Na quarta-feira, ela foi escolhida
para presidir o canal estatal. Petistas e peemedebistas brigam para
abocanhar cargos na Petrobras. Enquanto isso, o lobista Mainardi, com seu
jeito sonso, conseguiu emplacar mais um nome de sua listinha para um posto
de comando no governo.
A
primeira listinha do lobista Mainardi foi publicada numa coluna de dezembro
de 2005. Nela, relacionei uma série de jornalistas comprometidos com Lula.
Mais do que simples torcedores ou correligionários do presidente, acusei-os
de distorcer os fatos a fim de abafar as denúncias contra os mensaleiros. A
certa altura, eu dizia:
O Globo
tem Tereza Cruvinel. É lulista do PCdoB. Repete todos os dias que o mensalão
ainda não foi provado. E que José Dirceu não deveria ter sido cassado. Ela
aparelhou o jornal da mesma maneira que os lulistas aparelharam os órgãos
públicos. Quando tira férias, seu cunhado, Ilimar Franco, assume sua coluna.
Minha
listinha de colaboracionistas na imprensa incluía o nome do atual ministro
Franklin Martins, que indicou Tereza Cruvinel para a TV do Lula. E o nome de
Helena Chagas constava de uma listinha sucessiva em que tratei da quebra do
sigilo do caseiro Francenildo. O que fará Helena Chagas? Ela dirigirá o
departamento de jornalismo da TV estatal.
Fui
muito atacado na época da primeira listinha. Me acusaram de ligeireza. Me
diagnosticaram um extenso rol de neuroses. Quatro dos citados chegaram a me
processar: Franklin Martins, Leonardo Attuch, Paulo Henrique Amorim e Mino
Carta. Até aquele momento, os quinta-colunas da imprensa permaneciam
incógnitos. Ninguém admitia que a afinidade partidária pudesse interferir no
desempenho profissional dos jornalistas. E ninguém admitia que eles pudessem
estar trabalhando para Lula clandestinamente. Agora que alguns deles de fato
foram trabalhar para Lula, com carteira assinada e tudo, aguardo os pedidos
de desculpas de meus detratores arrependidos, as odes em minha homenagem, os
beijinhos e os cafunés.
No fim
daquele primeiro artigo, anunciei o plano de delatar todos os lulistas da
imprensa, formando o tribunal macarthista mainardiano. Como sempre acontece
comigo, a piada se voltou contra mim. Por muito tempo, fui tachado como um
macarthista que perseguia seus colegas por motivos puramente ideológicos. O
fato é que Joseph McCarthy estava certo: o comunismo tinha um monte de
agentes infiltrados no sistema americano. O fato é que eu também estava
certo: o lulismo tinha um monte de agentes infiltrados na imprensa
brasileira.
Dois
anos depois do estouro do mensalão, já podemos fazer um retrospecto do caso.
O STF delineou com clareza suas principais ramificações: o núcleo
presidencial, o núcleo parlamentar, o núcleo bancário, o núcleo
publicitário. O mensalinho tucano irá desmascarar o núcleo oposicionista.
Quanto ao núcleo jornalístico, a ida de Tereza Cruvinel para a TV do Lula
fechará o ciclo de uma vez por todas. Estou à espera dos beijinhos. Estou à
espera dos cafunés.
* * *
O caixa 2
da turma de Ideli - Ricardo Brito e Otávio Cabral
Entidade fundada por petistas e
ligada à líder do PT no Senado é suspeita de desviar dinheiro público
O Senado
vai instalar nesta semana uma CPI para investigar entidades e organizações
não-governamentais suspeitas de desviar recursos públicos. Somente nos
últimos oito anos, o governo destinou 33 bilhões de reais às chamadas ONGs
por meio de convênios e emendas parlamentares. Seria uma forma ágil e
eficiente de fazer chegar às comunidades mais carentes os programas sociais.
Sem fiscalização adequada, muitas dessas organizações se transformaram em
máquinas de fraudes que enriquecem seus dirigentes e financiam campanhas
políticas regionais. Em Santa Catarina, a Polícia Federal está investigando
um caso exemplar. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da
Região Sul (Fetraf-Sul) recebeu 5 milhões de reais para promover cursos de
treinamento profissional. Parte do dinheiro, já se sabe, foi parar na
campanha política de um deputado do PT. Para justificarem os gastos, os
dirigentes da federação falsificaram planilhas e criaram alunos-fantasma. O
que mais chama atenção no caso, porém, é o eixo entre os principais
envolvidos na fraude. Todos são correligionários, amigos ou assessores da
senadora catarinense Ideli Salvatti, líder do PT no Senado.
A
investigação da polícia se concentra em dezoito convênios firmados entre a
Fetraf e os ministérios do Desenvolvimento Agrário, do Trabalho, da
Agricultura e da Pesca – que lhe destinaram 5,2 milhões de reais entre maio
de 2003 e março de 2007. O inquérito, que já tem mais de 300 páginas,
recolheu provas que permitem concluir que a federação usou uma tecnologia de
fraude muito conhecida desde os tempos em que o ex-tesoureiro do PT Delúbio
Soares era um simplório conselheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Usando a influência política, os dirigentes conseguem prioridade em
assinatura de convênios com órgãos públicos. Há no esquema sempre um
parlamentar amigo que, por meio de emendas, assegura recursos no Orçamento
para os tais programas sociais. Nos ministérios, correligionários em
postos-chave são os responsáveis pela seleção das parcerias. Depois, cabe às
entidades escolhidas superfaturar contratos, inventar serviços e embolsar o
dinheiro, às vezes tudo, às vezes apenas uma parte para simular que alguma
coisa foi feita. A Fetraf, segundo a polícia, seguiu à risca essa cartilha.
A Fetraf
foi criada em 2001 por petistas ligados à senadora Ideli Salvatti, mas sua
importância social só começou a ser reconhecida depois do governo Lula. Um
dos convênios já esmiuçados pela polícia foi assinado em 2003 com o
Ministério do Desenvolvimento Agrário, que liberou 1 milhão de reais para a
entidade promover o treinamento de trabalhadores rurais em Chapecó, interior
de Santa Catarina. Na época, o coordenador da entidade chamava-se Dirceu
Dresch, um petista do grupo político de Ideli Salvatti. Dois mil
trabalhadores rurais participaram do curso. A maioria, descobriu-se agora,
era fantasma. Para fazer de conta que o curso existiu, a Fetraf apresentou
uma lista de estudantes, com nome, CPF e endereço dos alunos. A polícia foi
checar e descobriu que muitos não existiam, outros nunca ouviram falar do
curso, alguns nem sequer moravam na região e os poucos que disseram ter
freqüentado aulas – pessoas ligadas à federação, é claro – assinavam a mesma
lista de presença várias vezes. Nos outros dezessete convênios assinados com
a instituição, a história se repetiu. VEJA localizou no interior de Santa
Catarina o agricultor Jackson Luiz Oldra. Segundo a polícia, ele foi usado
pela federação para "captar" alunos para o curso de técnicas de plantio e
colheita para jovens. Sua tarefa para conseguir o diploma de jovem
agricultor era pegar as listas em branco na sede da federação, em Chapecó, e
devolvê-las completamente preenchidas. "Peguei assinatura até com meu avô e
minha avó", conta o rapaz, que já foi intimado a depor na PF. "A gente faz
as coisas para ajudar e acaba se metendo em rolo", reclama. Para o
Ministério do Trabalho, Ernesto, de 67 anos, e Ana, de 63, constam das
estatísticas como "jovens" agricultores. A federação embolsou o dinheiro.
Os
convênios exibem outras fraudes grotescas. Para dar aulas a alunos-fantasma,
nada mais natural que se chame um professor com conhecimentos especiais. Um
dos convocados para a missão exibe um currículo surpreendente. Marcelino
Pedrinho Pies foi contratado em abril do ano passado para coordenar um curso
destinado a pequenos agricultores, recebendo 4.000 reais por mês. O
professor Marcelino tem um salário maior que o de muito doutor de
universidade, mas seu currículo também é ímpar. Na mesma época da
contratação, ele fez um acordo com a Justiça para doar cestas básicas a uma
instituição de caridade. Voluntário? Não. Marcelino, ex-tesoureiro do PT do
Rio Grande do Sul, confessou que usou dinheiro do valerioduto para pagar
dívidas eleitorais do partido em 2002 quando o candidato ao governo era
Tarso Genro, hoje ministro da Justiça. O dinheiro da Fetraf, que deveria
estar formando trabalhadores, vem sendo usado para subsidiar também a pena
de criminosos. A Polícia Federal estima que, no mínimo, 60% dos recursos
destinados a treinar os trabalhadores acabaram nos bolsos ou nas campanhas
políticas dos marcelinos da federação. Há evidências que sugerem isso – e
muito mais.
Dirceu
Dresch, ex-líder da Fetraf no período em que foi assinada a maioria dos
convênios, conseguiu se eleger deputado estadual pelo PT no ano passado.
Antes disso, ele foi coordenador das campanhas de Ideli Salvatti. Eles
pertencem à mesma corrente política do partido. Em 2002, Ideli candidatou-se
ao Senado e Dresch a deputado estadual. Fizeram campanha juntos. Ela venceu
a disputa e ele não se elegeu. No ano passado, Ideli, que desistiu de se
candidatar ao governo em favor do então ministro da Pesca, José Fritsch (com
quem a Fetraf assinou um convênio), deu uma mãozinha a Dresch, inclusive
destacando Lizeu Mazzioni, um de seus assessores em Brasília, para coordenar
a campanha. Ideli e Dresch são sócios na indicação do delegado do Ministério
do Desenvolvimento Agrário Jurandi Teodoro Gugel, que assinou doze convênios
com a Fetraf e ocupou o cargo até julho passado. Antes do ministério, Gugel
era assessor lotado no gabinete de Ideli. Em novembro de 2004, Dirceu,
Jurandi e Lizeu estiveram juntos em uma reunião na antiga sede da Fetraf,
onde discutiram o apoio político da federação e seus filiados a uma eventual
campanha de Ideli ao governo. Em troca, a senadora apresentaria emendas para
sindicatos e prefeituras amigas da federação.
A
campanha de Ideli ao governo não prosperou, mas as tratativas sobre as
emendas continuaram. Documentos em poder da polícia revelam que, em 12 de
setembro de 2005, o então coordenador de política sindical da Fetraf, Daniel
Kothe, e o chefe-de-gabinete de Ideli em Brasília, Paulo Argenta, discutiram
as formas de viabilizar os recursos para a federação. Em uma mensagem
eletrônica trocada entre os dois gabinetes, chegaram a combinar até o
destino das emendas. "Ficamos no aguardo dos encaminhamentos necessários
para efetivarmos a aplicação desses recursos na base", escreveu Daniel Kothe,
que substituiu Dirceu Dresch como líder da Fetraf-Sul. A mensagem deixa
claro que as estratégias de ação da entidade e os projetos financeiros
passaram pelo gabinete de Ideli. Os fatos mostram que a relação entre a
senadora e o grupo que controla a federação é muito estreita. Além de
Jurandi e Lizeu, já houve mais gente do gabinete ligada à Fetraf. Cleci
Dresch, mulher do deputado Dresch, foi funcionária do gabinete da senadora
até março deste ano. O que ela fazia? "Nunca fui a Brasília. Eu quero que
você converse com o meu marido", limitou-se a dizer. O deputado Dresch não
quis conversar. Um ex-auxiliar dele confirmou à polícia que parte do
dinheiro desviado da federação foi usada em sua campanha política. "Os
indícios de fraude e desvio de dinheiro são muito fortes", confirma o
delegado Misael Mazzetti, da Polícia Federal.
A proximidade entre a senadora Ideli
Salvatti e representantes de ONGs suspeitas não é novidade. Há outro alvo da
CPI que também fica em Santa Catarina, também é comandado por gente ligada a
Ideli e também tem uma carteira de milhões de reais em convênios com o
governo. Assim como a Fetraf, a Unitrabalho recebeu 18 milhões de reais
entre 2003 e 2006 para qualificar trabalhadores. A ONG chamou atenção no ano
passado, quando o seu dirigente maior, Jorge Lorenzetti, ex-churrasqueiro do
presidente Lula, amigo da senadora e funcionário do comitê de reeleição, foi
flagrado em uma operação para comprar um dossiê contra adversários. Nunca se
descobriu a origem do dinheiro apreendido com o grupo. A senadora Ideli
emprega em seu gabinete Natália Lorenzetti, filha do ex-churrasqueiro
petista. Procurada, a senadora não quis se pronunciar. Por intermédio de sua
assessoria, mandou dizer que não tem nenhuma relação formal nem com a Fetraf
nem com Dresch, e que as emendas que apresentou visaram apenas a beneficiar
a agricultura familiar. Mandou dizer ainda que nunca foi citada pela Justiça
ou pelo Ministério Público em irregularidade alguma envolvendo a Fetraf ou
qualquer outra entidade. É verdade. Ainda não foi.
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