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Como este governo combate as crisesDeterioração e terra arrasadaDecisão governamental reduz o rendimento da poupança e do FGTS. Em mais um ataque aos trabalhadores o governo federal decidiu reduzir os juros da poupança – atualmente o mais baixo de toda a História do Brasil – e refazer os cálculos de retiradas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço a fim de que jamais cheguem ao nível da inflação – aquela que é medida “oficialmente”, sem contar os diversos aumentos cotidianos “acima da inflação”, naturalmente. Distancia ainda mais o trabalhador da aquisição de casa própria e reduz o já pífio estímulo à poupança interna. Nos aeroportos, o caos virou rotina: ao invés de protestar e lutar por seus direitos os usuários compram iPods, palavras cruzadas, joguinhos eletrônicos e montam kits de sobrevivência prolongada nas filas intermináveis dos aeroportos, como aponta Clóvis Rossi na Folha de S. Paulo. As estradas brasileiras estão, via de regra, intransitáveis. Há umas poucas exceções, como no Estado de São Paulo, cuja suposta privatização obriga o governo a usar o imposto do contribuinte (IPVA, etc.) para efetivamente mantê-las em bom estado. À empresa privada ficou a incumbência de extorquir o pedágio e exercer alguns trabalhinhos periféricos. Uma das parcerias público-privadas melhor sucedidas da história – do ponto de vista da privada, não do público, como tudo o mais no Brasil contemporâneo. Trata-se de uma estrutura viciada na origem, mas as estradas paulistas pelo menos estão em razoável estado de conservação. A educação atinge níveis de calamidade pública: nossas crianças saem das escolas públicas sem saber ler! Escolas em estado precário e professores pessimamente remunerados reforçam o pacto da mediocridade: o governo medíocre finge que paga, o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende. No final há um número cada vez maior de analfabetos diplomados. Dia desses, num destes discursos tonitruantes que já se tornaram norma, Lula da Silva assumiu a culpa do Estado – não de seu governo, que poderia ter feito alguma coisa em 5 anos, mas não fez – diante deste estado de coisas. Tudo não passou de discurso, mais uma peça de propaganda. Nenhum projeto concreto na direção de uma eventual melhoria nas condições de educação de nossos jovens.
Lula toma providênciasTodas estas notícias – e outras ainda mais cruéis – foram manchetes em diversos meios de comunicação. O país é um dos que menos cresce em todo o mundo e um dos mais endividados. Os juros atingem proporções extorsivas para quem paga aos bancos e proporções ridículas a quem recebe do governo. Como de praxe, acuado, Lula tomou algumas providências bastante sérias diante desta situação. 1) Acaba de destinar R$ 250 milhões para a criação da TV do Poder Executivo. Assim, além das emissoras oficiais já existentes (Cultura, Rede Brasil, Radiobrás, etc.) e do apoio entusiástico e acrítico das redes privadas (Globo, Bandeirantes, SBT, Record...) o governo contará com mais um canal para fazer propaganda, dentro do princípio da repetição da mentira em múltiplas e variadas formas em diversos veículos como prova de verdade. 2) Encarregou Tarso Genro, “coringa” de seu governo desde o início, a, agora à frente do Ministério da Justiça, aparelhar a Polícia Federal a fim de tudo fazer contra quem se opõe a seu governo – a história se repete: Stálin contava com Lavrenti Béria (chefe da GPU, mais tarde KGB) para este tipo de serviço. Hitler contava como Heinrich Heydrich (chefe da GESTAPO). Lula conta com o Genro – a Polícia Federal vem, há tempos, deixando de ser republicana para se transformar na Polícia do Governo de turno. 3) Insatisfeito com os números ridículos de seu governo, determinou que o IBGE desse uma ajeitada nas estatísticas a fim de aparecer melhor na propaganda. Assim, desde exatamente quinta-feira, 22 de março de 2007, o Brasil está crescendo mais há 5 anos, o endividamento está menor e o desemprego diminuiu. Tudo isso sem que o governo precisasse – sequer tentasse, a bem da verdade – fazer coisa alguma. Bastou dar uma arrumadinha nos números e agora vivemos muito próximos do paraíso. Os milhões de desempregados e subempregados, o crescente número de falências e concordatas, o desvio de recursos das atividades produtivas para a especulação, o caos nos aeroportos, a falência do sistema público de educação, segurança e saúde, o aumento constante de impostos e tarifas, as reduções salariais, o caos nos aeroportos, as estradas intransitáveis, a deterioração generalizada de todos os setores produtivos não passa de mera miragem, “delírio da oposição”, “falta de visão de uma esquerda burra”, etc. Combate-se o péssimo estado da realidade com a propaganda maciça e repetitiva fazendo valer como realidade o discurso tonitruante do Führer (ou Duce) repetido em modulações variadas em todos os meios de comunicação pública e privada. A vida real, concreta, cotidiana não tem relevância alguma para os donos do Poder – os “mercados”, particularmente da megaespeculação bancária. Só aparece nos discursos – muitos deles irrepreensíveis; infelizmente sem qualquer relação com a realidade, mas excelentes discursos de fato – do presidente da república e de todos os demais políticos eleitos com e para as elites bancárias e empresariais.
Lázaro Curvêlo Chaves – 23/03/2007
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