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Corrupção generalizada comprova
falência das instituições
Diego
Cruz (*)
Novamente, Lula diz que não sabia de nada
Mais uma onda de corrupção invade os noticiários,
revelando a podridão na qual se afundam o governo Lula e o Congresso
Nacional. A Operação Navalha, levada a cabo pela Polícia Federal, mostra a
promíscua relação entre empreiteiras, empresários e parlamentares em
licitações públicas fraudadas. O escândalo atinge o presidente do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de ter dívidas pessoais pagas pela
empreiteira Mendes Junior, uma das maiores do país.
Como se isso não bastasse, o próprio irmão de Lula e o
compadre do presidente, Dario Morelli, foram indiciados na Operação
Xeque-Mate. Segundo as investigações da Polícia Federal, Genival Inácio da
Silva, o Vavá, utilizava seu parentesco com o presidente para beneficiar
donos de casas de bingos. Ele e Morelli são acusados de atuarem junto ao
empresário do jogo Nilton Cezar Servo, dono de máquinas caça-níqueis
apontado como o “cabeça” de um mega-esquema de exploração de jogo.
As sucessivas operações desencadeadas pela Polícia
Federal poderiam, por outro lado, revelar uma mudança na Justiça,
supostamente empenhada agora em investigar e punir os corruptos, sejam
empresários, sejam políticos. No entanto, a rápida liberação dos figurões
presos durantes as operações mostra que as ações têm mais a ver com disputas
internas na corporação do que com uma mudança de seu caráter.
Lula não sabia de novo?
De acordo com as investigações, Vavá utilizava seu
parentesco para aproximar os empresários dos jogos de funcionários públicos.
Por seus pequenos cambalachos, Vavá cobrava pagamentos irrisórios em troca
da promessa de negociatas milionárias, que não chegaram a se realizar. Seus
contatos do Executivo e do Judiciário tentaram garantir liminares favoráveis
a seus clientes.
A situação de Lula se complica com a prisão do petista
Dario Morelli na operação. Morelli é amigo íntimo e compadre do presidente e
fazia serviços pessoais para ele. Nas gravações da PF, Morelli diz que
corrompe policiais. Ele fala que “uns [juízes] têm que morrer mesmo” e diz,
ainda, que seu nome intimida qualquer investigação. “Se rastrearem o meu
[telefone] (...), o cara vendo meu nome já pensa duas vezes antes de fazer
alguma coisa”, disse.
Vavá e Morelli são amigos, ainda, do empresário e
ex-deputado estadual do Paraná Nilton Cezar Servo, apontado pelas
investigações como o chefe da quadrilha do caça-níquel. Em gravação captada
pela polícia entre Vavá e Servo, o empresário pergunta-lhe se havia falado
com Lula. O irmão do presidente responde que sim. Em outra gravação, o irmão
de Lula implora dinheiro ao líder da quadrilha: “Ô, arruma dois pau pra eu”.
Uma Pizza para Renan Calheiros
Já no
Senado, enquanto a situação de Renan Calheiros (PMDB-AL) se complica cada
vez mais, o Conselho de Ética prepara uma investigação de fachada para
absolver o senador. Calheiros é acusado de ter dívidas pessoais pagas pela
empreiteira Mendes Júnior, que tem negócios com o governo na região do
senador. Segundo as denúncias, um lobista da empreiteira repassava R$ 12 mil
mensais para custear a pensão alimentícia de uma filha que o senador teve
numa relação extraconjugal.
O escândalo de corrupção que atingiu o líder do Senado
envolve também dezenas de políticos e altos funcionários do Estado. Muitos
foram presos, mas como é de costume no mundo dos ricos e poderosos, todos já
foram liberados pela Justiça.
Circo armado
A operação da PF, ao que parece, fugiu ao controle do
governo e da oposição de direita, ameaçando seriamente inúmeros políticos
dos partidos governistas e da oposição de direita. Por isso, tanto o governo
quanto a oposição se unem em defesa de Calheiros. Afinal, em terra de
enforcados, todos têm medo de corda.
O primeiro ingrediente para a pizza foi o discurso de
Calheiros no Senado, quando ele negou todas as acusações. Mesmo não
apresentando qualquer prova, ele foi cumprimentado pela grande maioria dos
parlamentares, que afirmaram estarem esclarecidas todas as denúncias.
Os documentos apresentados por Calheiros, entretanto, não
só não comprovam que os pagamentos realizados à pensão de sua filha foram de
sua responsabilidade, como demonstram um enorme crescimento de sua renda,
que aumentou nada menos que 73% nos últimos quatro anos, de R$ 984 mil para
R$1,7 milhão. Pelo jeito, as estreitas relações com empreiteiras fizeram bem
à conta bancária de Calheiros.
“Não quero condená-lo, quero absolvê-lo”, chegou a
afirmar sem o menor escrúpulo o próprio corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP).
O PSOL, por sua vez, pediu a abertura de processo por quebra de decoro
parlamentar. Percebendo o desgaste que seria simplesmente livrar a cara de
Calheiros sem qualquer tipo de investigação, o Senado resolveu armar um
teatro no Conselho de Ética, abrindo processo justamente para absolvê-lo.
Como se isso não bastasse, o atual presidente do
Conselho, o senador Sibá Machado (PT-AC), já havia declarado publicamente
estar convencido da inocência de Calheiros. Está armado o teatro para a
absolvição. Uma investigação profunda do senador seria uma tragédia para o
governo e a oposição burguesa, pois todos temem que venha à tona todo o
corrupto submundo envolvendo o Congresso Nacional e as empreiteiras.
Nenhuma confiança no Congresso
O Congresso já mostrou claramente que não investigará
nada. O Poder Judiciário, por sua vez, coloca-se como anexo jurídico dos
parlamentares corruptos. Este é o Congresso corrupto que pretende aprovar as
reformas que retirarão ainda mais direitos dos trabalhadores, como a da
Previdência.
Uma CPI, como propõe o PSOL, não será capaz de investigar
e muito menos punir os culpados. Apenas uma investigação independente,
comandada por setores da sociedade e pelas organizações dos trabalhadores,
pode indicar os corruptos desse congresso de corruptos.
Por isso, o PSTU defende a abertura do sigilo bancário
dos parlamentares, funcionários e empreiteiros envolvidos nos casos de
corrupção, assim como a prisão e o confisco dos bens dos corruptos e
corruptores.
Justiça mostra a cara
Embora 49 pessoas tenham sido presas pela Operação
Navalha, a Justiça já colocou todas em liberdade. Enquanto isso, pesquisa
realizada para um mestrado da UnB revela que, nas cidades de São Paulo,
Recife, Porto Alegre, Belém e no Distrito Federal, pessoas são processadas
por furtos de objetos de R$ 1. Nessas regiões, seis pessoas foram
processadas criminalmente e ao menos quatro foram presas.
Enquanto isso, os responsáveis por fraudes milionárias
são soltos para poder roubar novamente.
(*) Da
redação do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
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