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Desmascarando a questão das Dívidas Externa e
Interna
O economista Carlos
Thadeu de Freitas resumiu, em três frases, a armadilha de se fazer reservas
cambiais tão altas: "Toda vez que o governo compra dólares ele aumenta a
dívida interna, que custa caro já que tem taxas de juros entre as mais altas
do mundo. E as reservas cambiais são aplicadas em títulos do governo
americano que pagam juros cada vez menores. Então, esse acúmulo de reservas
está custando muito caro ao país e está chegando ao limite".
Ouro crítico da tal
política, o professor de economia Ricardo Bergamini destaca que "o Brasil é
remunerado na suas reservas em dólares na base 3,50% ao ano, enquanto os
reais correspondentes são remunerados pelo Brasil em 13,00% ao ano, na média
do ano de 2007". Portanto, pelo que explicou facilmente Thadeu de Freitas e
complementou Bergamini, é uma sacanagem de molusco bêbado comemorar: – como
faz a mídia amestrada ou ignorante – que, "pela primeira vez na história, o
Brasil deixou de ser devedor e passou a ser credor externo".
Direto de Niterói, o
professor João Batista de Andrade, outro que sempre defendeu uma auditoria
em nossas dívidas externa e interna, envia um comentário "estraga prazer"
feito por um doutor em Economia sobre a festinha da mídia. João recebeu do
professor aposentado da UFF Airton Albuquerque Queiroz uma lista com dez
pontos críticos de observação:
"1) As reservas
superam o total da dívida em US$ 4 bilhões. Serão mais até o final do ano.
2) Todavia, isto é
uma tristeza, pois estas reservas são constituídas a um custo mais caro que
a dívida que ela supera. O diferencial da carestia é de 7%.
3) Daí o Lula dizer
(bem instruído) que o negócio é recomeçar a se endividar para fazer
investimentos em infraestrutura. Só que é difícil PACA.
4) Reduziu-se uma
parte da dívida externa que era barata e ficou mais barata ainda, por uma
parcela ainda de dívida interna que é mais cara. Os próprios credores
externos trocaram seus créditos externos (pelos quais recebiam pouco), por
internos (pelos quais recebem mais)". O professor Airton Albuquerque Queiroz
prossegue:
"5) Ainda assim, já
nesse ano teremos uma inversão no sinal no saldo das transações correntes,
além de um decréscimo no saldo comercial. Tudo isso, na hipótese benfazeja
de que a economia americana não entre em recessão, só reduza seu crescimento
de 3% para 1%aa.
6) Também é preciso
lembrar que o passivo externo líquido (PEL) - que é a diferença entre os
haveres do Resto do Mundo aqui no Brasil e os haveres do Brasil no Resto do
Mundo - cresceu bem mais, nos últimos cinco anos, do que o aumento de nossas
reservas. 7) Razão por que a remessa de lucros que não chegava a 5 Bi,
passou em 2007 de 20 Bi. Hoje o Brasil paga, relativamente, pouco de juros
da dívida externa, mas, triste compensação, as remessas de lucros,
dividendos e royalties são altas e tendem a crescem com o disparo do PEL". O
economista acerta na veia:
"8) E o PEL cresce
mais quanto mais capital externo entre aqui. Ao entrar, tal capital de fora
aprecia o Real, deprecia o dólar e dificulta as exportações, as quais só se
têm mantido em invejável patamar via preços (graças à China), pois em volume
têm decrescido e fechado parques fabris e causado desemprego em algumas
regiões.
9) Quanto mais cedo
se avizinhe o investment grade para o Brasil, o volume de capital afluirá
ainda mais forte agravando o quadro descrito acima.
10) Infelizmente,
essa notícia alvissareira de sermos credores, pela primeira vez na história,
tem pés de barro". A partir desse factóide sobre as reservas e a dívida
externa, o desgoverno petista ainda prepara outra jogada econômica do mais
puro cinismo. O Ministério da Fazenda pretende iniciar, nos próximos meses,
uma campanha para divulgar as ações do Tesouro Direto. O sistema do Tesouro
Nacional permite que pessoas físicas comprem, diretamente, títulos da dívida
pública federal. O coordenador de Planejamento Estratégico da Dívida do
Tesouro Nacional, Rodrigo Cabral, promete iniciar uma ampla campanha
publicitária para informar os cidadãos sobre a compra de títulos da dívida
federal. Ou seja, seremos nós quem vamos pagar a dívida interna que
ultrapassa um trilhão de reais.
Fonte digital: http://jacornelio.zip.net
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