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Maria, Mãe da Esperança

 

Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, SJ

(texto originalmente publicado na Folha de S. Paulo no dia 14 de agosto de 2004

 

    Nestes dias em que o povo passa por situações difíceis de desemprego, de desequilíbrio econômico, de aumento no custo de vida, de provações e de incertezas, percebemos que já se manifestam desânimos e falta de esperança.

    Temos, então, de voltar mais o nosso coração em prece a Deus. Nos momentos árduos, recorremos a Deus de modo mais intenso a fim de encontrar nele luz e força para enfrentar os acontecimentos da vida.

    Ele, na sua bondade, ajuda nossa confiança e nos aponta Maria como poderosa intercessora, a quem devemos nos dirigir.

    Mãe de todos e Padroeira do Brasil, sob o título de Nossa Senhora Aparecida, Maria nos ama e continua manifestando-se em favor de seu povo. É chegado o momento de pedirmos que Ela nos fortaleça na esperança, nos ensine a rezar e a construir uma nação solidária e fraterna.

1. Maria é modelo de fé em meio às provações. Sua oração nunca duvidou do amor de Deus e soube sempre nele confiar. Meditava à luz da Palavra, nos acontecimentos de seu povo, para ali descobrir a presença e a ação providente do Pai. Ela nos ensina que Deus tem solicitude constante pelos seus filhos e há de nos dar graça para superar o medo e a desesperança e encontrar força para buscar caminhos de justiça e de paz.

2. É para nós a Mãe que nos revela o rosto amoroso de Deus. Ela nos comunica o amor que vence o egoísmo, a ganância e a acumulação de bens.

    Precisamos redescobrir, pela proteção de Maria, que somos irmãos e temos de reaprender o respeito, o amor e a solidariedade entre nós. Sem amor fraterno, não há superação do ódio. Não há reconciliação e partilha fraterna. Como alcançar a justa retribuição das terras e relações mais humanas no trabalho se não houver a descoberta do direito que cada irmão e cada irmã têm de serem amados e ajudados por nós?

3. Maria, como o Evangelho nos ensina, viveu vida simples, compreendeu e experimentou o sofrimento da vida humana e o drama dos pobres. Invocando Maria, vamos aprender a respeitar a dignidade de cada pessoa humana como Jesus nos revelou.

    Os empobrecidos hão de assumir a própria dignidade, somar esforços, desenvolver os valores profundos da solidariedade e da coragem diante das dificuldades. Também os mais favorecidos hão de entender que se devem empenhar para que os empobrecidos tenham condições dignas de vida.

    A solicitude materna de Maria nos levará a encontrar, num clima de verdadeira concórdia social, soluções adequadas para os problemas da terra, da moradia, da saúde e da educação. Neste período de eleições municipais, precisamos crescer na esperança de dias melhores para nosso povo.

    Unamos nossa fé numa oração de filhos e filhas que invocam a Mãe comum no dia em que celebramos a festa da sua assunção ao céu, Nossa Senhora da Glória.

    Ela nos alegra não só com a perspectiva de construirmos a sociedade solidária, mas com a promessa de vida eterna e feliz que Jesus nos anuncia. 

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