Lula e Alckmin são ambos
representantes da direita política
De vez
em quando algum petista hidrófobo – destes que ingressaram no cabidão de
empregos em que se transformou o partido depois que nós, os autênticos,
saímos ao perceber que Lula tinha ido para a direita – dedica-me umas linhas
a defender o socialismo contra um intelectual (eu, no caso...) que seria “de
direita”.
A origem
da expressão “esquerda” em ciência política está na Revolução Francesa,
quando banqueiros, industriais e fazendeiros utilizaram a massa camponesa e
operária para remover os nobres do poder. Pois bem, no período da Convenção,
os primeiros (defensores ferrenhos da propriedade privada dos meios de
produção) sentavam-se à direita do Parlamento; os operários, intelectuais e
camponeses ficavam à esquerda. Assim, quando o presidente dos trabalhos
questionava sobre o voto dos congressistas, dizia algo como “Senhores
convencionais que estão à minha direita, como votam?” – estes, em geral
votavam a favor da concentração de rendas, contra medidas populares e muitas
vezes até a favor da nobreza decadente. Perguntando: “senhores convencionas
que estão à minha esquerda, como votam?” o discurso e o voto sempre ia na
direção de uma justa e equânime distribuição de rendas, contra a propriedade
privada dos meios de produção, etc. Em síntese e por ilação, sempre que
políticos defendem o capital e trabalham pela concentração de rendas, estão
à direita. Quando defendem os oprimidos, trabalhando em prol de melhores
salários, maior nível de emprego e distribuição equânime de riquezas,
pautando-se por um procedimento 100% ético a todo o tempo, são de esquerda.
No
Brasil governado (?) pelo partido (dito) dos trabalhadores, a riqueza está
sendo fartamente distribuída dos trabalhadores para os especuladores (a
concentração da renda dos banqueiros é a maior de toda a história desta
Nação), a pobreza aumenta, o nível de emprego diminui assustadoramente mas,
a propaganda – paga regiamente com o fruto dos nossos impostos, que são os
mais elevados do mundo – desinforma precisamente o contrário. Apesar de toda
esta propaganda mentirosa, paga com o fruto do nosso trabalho, o governo de
Lula da Silva está situado no campo da direita com a mesma inexorabilidade
com que o demônio se insere no campo do inferno.
Mas a
situação é ainda mais grave: um governo de direita como esse que aí está,
acostumado a silenciar jornalistas (cito de memória Larry Rohter, Boris
Casoy e Arnaldo Jabor, entre muitos); que tenta amordaçar o Ministério
Público, que pratica sistematicamente a obstrução à Justiça interferindo
politicamente no trabalho da Polícia Federal, que cobra os mais altos
impostos do mundo a fim de transferir renda dos mais pobres para os mais
ricos – anunciando sempre o contrário – e envolvido em escândalos semanais
de corrupção e malversação de recursos, está caracterizado não um governo
miseravelmente liberal (com ou sem o irrelevante prefixo “neo”). Com a
quadrilha petista de Lula da Silva, deploravelmente, estamos diante de um
governo, com todas as letras, fascista.
A Voz do Povo é a Voz de Deus?
Um cidadão muito simpático envia-me um e-mail em letras
garrafais informando que o fascista Lula da Silva abriu mais de 22 pontos de
vantagens nas pesquisas contra seu adversário, o também conservador e
direitista Geraldo Alckmin. Apresenta isso, presumo, como um argumento a
favor da candidatura de seu preferido. Não tenho este luxo. Entre o pior e o
péssimo votarei nulo e ponto final.
Este argumento traz à minha memória um belo poema de
Álvaro de Lucca que assim se expressa:
“A voz do povo é a voz de Deus. Que povo? Que Deus? O
que beijou Stalin? O que delirou com Hitler? Ou o que pediu que soltassem
Barrabás? Será que Deus não se teria enforcado com suas próprias cordas
vocais?”
Mahatma Gandhi, por sua vez, em sua magnífica Obra “Minha
Vida e Minhas Experiências com a Verdade” informa: “em questões de
consciência a lei da maioria não conta”.
Considerações à parte, concordemos que a maioria delirou
com Hitler, a maioria pediu que soltassem Barrabás, a maioria, na “Marcha da
Família com Deus e Pela Liberdade” pediu e depois prestou seu apoio à
Ditadura Militar, a maioria escolheu Collor de Mello em 1989... Será que
maioria fala mesmo a voz de Deus? Tenho cá minhas dúvidas...
E o “Frei” Betto? Quem
diria... Segue Blasfemando e manipulando a fé popular!
Há tempos Frei Betto atenta contra o cristianismo. Sua
mais recente proeza foi uma “Carta aos Eleitores Cristãos”, publicado no
portal da agremiação de direita, ex-comunista, chamada ironicamente de PC do
B. Mais uma vez compara Lula da Silva a Jesus Cristo em desfavor deste
último e conclui seu arrazoado parafraseando a Bíblia. Segundo o
ex-esquerdista e ex-humanista “Frei” Betto reeleger Lula da Silva é “votar
na vida e 'vida para todos' (João 10,10)”. Não insulte a fé das pessoas,
“Frei”! Mais respeito!
“Frei” faz paralelos entre Lula da Silva e Jesus Cristo
todo o tempo. Durante a celebração ecumênica no Palácio do Planalto, dia 8
de abril de 2004, quando os primeiros escândalos de corrupção destes que
pululam quase que diariamente neste governo fascistóide começavam a
aparecer, “Frei” comparava Lula da Silva a Jesus Cristo. Desprezando
olimpicamente este último, blasfemava: “o programa Fome Zero é a ampliação
do milagre da multiplicação dos pães”. Além disso, afirmou que Lula, assim
como Jesus, “usa o poder para servir”. Servir, sim. Mas a quem, cara pálida?
Pouco antes de se separarem vendo um fim à sua Carreira, os Beatles se
proclamaram “mais populares que Jesus Cristo”. O engenheiro que projetou o
Titanic disse que “nem Deus afunda este navio”. Seria prudente Lula da Silva
e sua farândola pararem com estas blasfêmias e desafios ao Poder Maior...