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Colômbia: repúdio ao ataque
militar de Uribe, lacaio do imperialismo
Eduardo Almeida Neto
da Direção Nacional
do PSTU e editor do Opinião Socialista
• O governo
colombiano de Álvaro Uribe, diretamente apoiado e orientado pelos Estados
Unidos, invadiu o Equador numa operação militar para assassinar Raúl Reyez,
um dos principais dirigentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
(Farc). Reyes e mais 16 guerrilheiros, segundo a imprensa, foram atingidos
enquanto dormiam por bombardeios da aviação colombiana, seguidos por uma
invasão terrestre e pelo assassinato da maioria dos que ainda sobreviviam.
Como reação, tanto o
governo equatoriano quanto o venezuelano deslocaram tropas para as
fronteiras com a Colômbia e retiraram seus embaixadores deste país. A ação
do governo colombiano mostra as garras do imperialismo que deseja impor o
direito de realizar ataques militares semelhantes aos promovidos por Israel
contra as organizações palestinas nos países do Oriente Médio.
O chamado “Plano
Colômbia” dos EUA, que inclui um financiamento de bilhões de dólares, busca
derrotar a guerrilha das Farc e transformar o país numa fortaleza ianque na
América Latina. O conjunto da esquerda latino-americana deve assumir
categoricamente o repúdio a esse ataque militar do imperialismo e seu
capacho Uribe. Diante deste ataque, também exigimos do governo Lula que
rompa relações diplomáticas com a Colômbia de Uribe.
Mas uma posição
revolucionária não deve parar nesse limite. É preciso transformar a reação a
essa provocação em ação de massas que realmente busque unificar os
trabalhadores latino-americanos, inclusive os trabalhadores colombianos,
contra o imperialismo e seus governos no continente.
Para isso, é
necessário que os governos Chávez e Rafael Correa não parem nos discursos,
mas assumam posições antiimperialistas efetivas. Isso deve começar com a
expropriação das multinacionais petroleiras que continuam explorando a
Venezuela e o Equador em parceria com as estatais desses países. Não é
possível que Chávez e Correa cheguem a falar na possibilidade de uma guerra,
mas continuem bancando uma parceria com as multinacionais que promovem e
apóiam a ação de Uribe. Junto com isso, é necessário parar de pagar a dívida
externa que sangram a Venezuela e o Equador e financiam a operação na
Colômbia.
Essa é a maneira de
buscar a unidade com os trabalhadores colombianos que também são vítimas da
exploração dessas multinacionais e dos grandes bancos. Não se pode deixar
que Uribe capitalize o sentimento nacional colombiano contra os países
vizinhos, quando está a serviço das grandes multinacionais.
Nós nos
solidarizamos com as Farc pela morte de um de seus dirigentes. Defendemos as
guerrilhas contra as agressões do imperialismo e do Estado burguês
colombiano e somos também a favor que as Farc sejam reconhecidas como uma
organização beligerante.
Mas isso não nos
leva a compartilhar a estratégia das Farc. Em seu programa, a organização
defende um governo de unidade nacional que inclui a burguesia e setores da
direita na Colômbia. Não aponta para uma revolução socialista, mas para uma
reforma do Estado e da democracia burguesa. Por outro lado, as Farc tampouco
privilegiam a mobilização dos trabalhadores colombianos contra a burguesia,
buscando substituir a luta de classes pela luta militar de dois exércitos.
Trata-se de um programa reformista defendido com uma tática guerrilheira, um
reformismo armado.
Esse é um debate a
ser feito no conjunto da esquerda latino-americana em meio ao esforço
conjunto do repúdio à ação assassina do governo Uribe.
PSTU.ORG.BR - 4/3/2008
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