A Europa viveu a década de 30 sob a ameaça do fascismo,
ideologia totalitária e expansionista que se estendeu por boa parte do
continente. As causas foram: a profunda crise econômica iniciada nos Estados
Unidos em 1929, que gerou recessão mundial e proletarização das camadas médias;
o abuso dos vencedores da Primeira Guerra Mundial sobre a Alemanha derrotada
(Tratado de Versalhes); o medo do "perigo vermelho" após a formação da União
Soviética; e a perda de confiança de parte da sociedade nas instituições
liberais e democráticas.
A Itália no
começo do século XX
As conseqüências da Primeira Guerra Mundial foram
desastrosas para a Itália, que perdeu mais de 700 mil soldados e contraiu altas
dívidas com os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Esse custo elevadíssimo não foi
compensado pelos tratados de paz, criticados pela burguesia nacionalista.
Falava-se em "vitória mutilada", com poucos territórios concedidos à Itália. O
fim da guerra provocou o aumento do desemprego e uma sucessão de conflitos
sociais.
A Itália
fascista
Mussolini chegou ao poder em outubro de 1922, após a Marcha sobre Roma. Um mês
depois, o Parlamento concedeu plenos poderes ao governo fascista. Mussolini,
animado pela vitória nas eleições de 1924, criou um Estado fascista baseado no
corporativismo, no intervencionismo estatal na economia e no expansionismo
militarista (ações armadas na Etiópia e na Guerra Civil Espanhola). Ao mesmo
tempo, acabou com a Questão Romana (formação do Estado do Vaticano), recuperou a
economia, organizou uma legislação trabalhista, proibiu a emigração, reforçou a
censura e passou a perseguir a oposição política por meio da milícia fascista,
os camisas negras. O Duce, como era chamado Mussolini, tornou-se presidente do
Conselho, respondendo apenas ao rei e governando por decretos de forma
autoritária.
A Alemanha
nos anos 20
A Alemanha foi derrotada na Primeira Guerra Mundial e
humilhada pelo Tratado de Versalhes (1919-1920). A república alemã, instaurada
em 1918 após a abdicação de Guilherme II, teve de enfrentar a tentativa de golpe
dos comunistas alemães da Liga Espartaquista (1919), a hostilidade da burguesia
nacionalista – que criticava as reformas econômicas e trabalhistas – e a
desvalorização de sua moeda, o marco. Em 1919, foi aprovada a Constituição de
Weimar, que estabelecia a organização federal da República.
O
revanchismo alemão
A maioria dos alemães era contrária ao cumprimento do Tratado de Versalhes,
considerando-o injusto para a Alemanha. O tratado exigia custosas reparações de
guerra e tomava as colônias e parte do território dos alemães, além de impor
limitações militares. O sentimento de injustiça foi agravado com a ocupação da
bacia do Ruhr pela França e a Bélgica, como garantia dos créditos concedidos à
Alemanha.
A conquista
do poder
Em 1923, Hitler tentou tomar o poder com um golpe de Estado em Munique (Putsch
de Munique), que fracassou após a intervenção do exército e da polícia da
República de Weimar. No entanto, com a crise econômica iniciada em 1929, o
Partido Nacional-Socialista (ou Nazista) conseguiu aumentar suas cadeiras no
Parlamento a partir de 1931. Dois anos mais tarde, Hitler foi nomeado chanceler
com a aprovação do presidente Hindenburg. Em 30 de janeiro de 1933, assumiu o
cargo de chanceler, nomeando um governo de coalizão.
Adolf Hitler
O
Partido Operário Alemão, fundado em 1919, transformou-se um ano depois no
Partido Nacional-Socialista Alemão. Em 1921, Hitler foi nomeado chefe do Partido
Nazista
com poderes de ditador.
Hitler nasceu na
Áustria. Depois de tentar, sem êxito, entrar na Escola de Belas-Artes,
alistou-se no exército alemão na Primeira Guerra Mundial. Terminada a guerra,
instalou-se em
Munique, onde entrou em contato com o Partido Operário Alemão.
A Alemanha
nazista
Já no poder, Hitler adotou uma série de medidas
destinadas a consolidar a superioridade do Partido Nazista e instaurar um Estado
totalitário e policial. Em maio de 1933, foi proibido o exercício de partidos
políticos e sindicatos. Ao mesmo tempo, entraram em vigor as primeiras leis
racistas, contra os não-arianos. A doutrinação era feita por um ministério
específico, que cuidava da propaganda no rádio, cinema e imprensa; a juventude
começou a ser "educada" e organizada pelo Partido Nazista. Na economia,
iniciou-se uma época de autarquia e rearmamento acelerado.
O nazismo
O nacional-socialismo era um movimento que baseava sua
ideologia no anti-semitismo, na crença da superioridade da raça ariana sobre as
"raças inferiores", na subordinação do indivíduo ao Estado, na hierarquização da
sociedade, no nacionalismo e no unipartidarismo. Exigia uma obediência cega ao
Führer, rechaçava o Tratado de Versalhes e defendia uma política externa
expansionista
e militarista.
O caminho
para a guerra
Ao ser nomeado chanceler, Hitler afirmou que a prioridade
da sua política externa era conseguir a revisão do Tratado de Versalhes. Isso
levou a Alemanha a ocupar a Renânia desmilitarizada (1936). Dois anos mais
tarde, anexou a Áustria (Anschluss). Meses depois, na Conferência de Munique, a
França e a Grã-Bretanha aceitaram que Hitler ocupasse os Sudetos, na
Tchecoslováquia. Em 1939, a Alemanha firmou com a União Soviética um pacto de
não-agressão, em que dividiram as zonas de influência na Europa oriental.
Hitler desfila em carro aberto
O
salazarismo
Em Portugal, o
golpe militar nacionalista de 1926, além de terminar com a República parlamentar
liberal, abriu caminho para o estabelecimento da longa ditadura de extrema
direita, comanda por Antônio de Oliveira Salazar, de 1932 a 1974. Ministro da
Fazenda entre 1928 e 1932, durante o governo do general Carmona, Salazar
orientou a política segundo o modelo fascista de Mussolini, atendendo às
expectativas da burguesia lusitana e fortalecendo seu poder. Tornou-se ditador
assim que passou a chefe de governo. O Estado Novo – como ficou conhecida a
ditadura salazarista – foi organizado pela Constituição outorgada de 1933 e
possuía muitas características dos Estados fascistas: polícia política,
corporativismo, unipartidarismo, propaganda de massa, forte censura,
nacionalismo exagerado. O salazarismo sobreviveu mesmo após a morte de seu
líder, em 1970, findando apenas em 25 de abril de 1974, com a Revolução dos
Cravos.
A ditadura na Espanha
Durante os anos 20, a Espanha viveu sob crise política e econômica, além de
constantes ameaças do movimento operário, das esquerdas e do separatismo basco e
catalão. Para amenizar as tensões, o rei Afonso XIII, contando com o apoio das
forças conservadoras (burguesia, latifundiários, exército e clero), permitiu a
instalação de uma ditadura militar em 1923.
O regime não conseguiu se manter, caindo em 1931 diante das pressões populares
que restabeleceram as eleições gerais.
O início
da guerra civil
Com vitória da coalizão das esquerdas e setores liberais nas eleições gerais,
foi proclamada a república. Mas a coalizão logo passou a sofrer divisões que
fragilizaram o novo regime. A Falange, partido nacional-socialista, criado em
1931, congregou os conservadores de direita, enquanto a Frente Popular uniu as
forças de esquerda. Em 1936, a Frente Popular venceu as eleições, levando a
direita a formar a União Militar Espanhola. Sob comando do general Francisco
Franco, a União Militar inicia uma ação golpista, que parte do Marrocos e,
chegando à Espanha, tira a Frente Popular do governo. É o início da Guerra Civil
Espanhola (1936-39).
Apoio
externo e franquismo
Os franquistas receberam apoio direto italiano e alemão e
indireto das potências liberais e da Liga das Nações, que preferiram ficar
neutras e não intervieram a favor do governo republicano. Os republicanos, no
entanto, tiveram limitada ajuda soviética e das Brigadas Internacionais,
formadas por voluntários de vários países do mundo. O desequilíbrio das forças
combatentes e a violência dos golpistas, destruindo várias cidades (como o
ataque aéreo alemão a Guernica), favoreceram mais um regime ditatorial de
extrema direita. A Guerra Civil Espanhola, além de marcar a ascensão do
franquismo, pode ser considerada o "ensaio geral" para a Segunda Guerra Mundial
(1939-45). A ditadura fascista na Espanha durou de 1939 a 1975.