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Mahatma Gandhi (1869 – 1948)
da Tradição
Temos no mundo duas grandes Tradições
esotéricas: a Ocidental que remonta às Escolas de Mistério do Antigo Egito e da
Caldéia. Dela nutriram-se várias gerações de nossos dirigentes espirituais e
nossa Tradição sempre foi mantida secreta ou, de alguma forma sob o controle de
determinados grupos sociais, contra outros que poderiam destruí-lo
intencionalmente (como os mais altos funcionários das religiões constituídas,
particularmente judaísmo, cristianismo e islamismo) ou por ignorância (como
todos aqueles a quem a Tradição representava complicação exageradamente distante
de sua lida cotidiana). Segundo desejam alguns, dentre os quais destaca-se
Platão, esta Tradição remonta mais remotamente ainda à Atlântida, cuja
existência empírica jamais foi conclusivamente comprovada ou definitivamente
descartada.
A Tradição Oriental se apresenta de
maneira distinta principalmente na China, no Tibete, no Japão e na Índia. Ali
não parece ter ocorrido tão severa cisão entre a religião e a Tradição, de
maneira que as próprias religiões constituídas se transformaram em importantes
veículos de transmissão da Tradição. Enquanto no Ocidente se tinha de enfrentar
perseguições as mais diversas à Tradição, no Oriente, por suas peculiaridades,
esta foi intensamente difundida e popularizada. Ali a Tradição protege-se a si
mesma em sua complexidade e fascina a quantos dela se aproximam. Também segundo
alguns aquela Tradição reverbera a de um outro Continente Perdido no Oceano
Pacífico: a Lemúria, de existência tão provável ou improvável quanto a Atlântida
e datação, portanto, tão complexa quanto sua similar ocidental.
Embora aparente, não há divergência
de fundo entre as Tradições do Ocidente e do Oriente, o que foi provado pelas
descobertas sensacionais de gente do quilate de Fritjof Capra e Joseph Campell.
Mera questão de escolha pessoal, de afinidade eletiva, identifico-me com a
Tradição de minha gente, de meu povo, do mundo e da civilização em que nasci e
me criei. Sempre com enorme respeito pela Tradição Ocidental e buscando
preservar a forma como a nossa Tradição se encaminha há milênios.
Faço este preâmbulo por ser
necessário pontuar o quanto Mohandas Gandhi foi movido pela Tradição de seu
povo. Poucos seres humanos incorporaram tão profundamente a Tradição e a alma de
sua gente como Gandhi. Este o principal motivo que leva seus biógrafos a sempre
fazerem reiteradas referências à Tradição Oriental e, frequentemente,
converter-se a ela, por ser mesmo fascinante.
A Teologia Hindu e a vinda de
Gandhi
Se em algum momento na história da humanidade se pode dizer que uma Nação teve
um porta-voz, esta Nação foi a Índia e seu porta-voz consensual na primeira
metade do século XX foi
Mohandas Karamchand Gandhi – Mahatma, a “Grande
Alma”.
A complexa Teologia Hindu reza que
há um único Deus e este se apresenta em 3 formas: Brahma, o Criador; Shiva, o
Destruidor (sempre presente quando a história chega a seu final) e Vishnu, o
Equilibrador (a serviço do Dharma). Quando o caos ameaça a humanidade, Vishnu
toma a forma humana para recompor a ordem. Segundo o Mahabharata, Vishnu veio ao
mundo como Krishna, no alvorecer da civilização indiana. Para seus
contemporâneos, Mohandas Gandhi, que repudiava ser chamado assim, constituía a
mais recente encarnação da divindade, portanto era chamado de Grande Alma.
Devotou a sua vida à causa da Independência da Índia e a encaminhou política e
religiosamente em perfeita harmonia com a Tradição de seu povo, daí o estrondoso
sucesso obtido.
Sua vida
Descendente de Brahmanes, de sua infância em
Porbandar Gandhi registra em sua autobiografia a freqüência aos locais sagrados
e de prece com a mesma naturalidade do registro de episódios corriqueiros e
cotidianos. A religião de seus ancestrais lançava profundas raízes em seu
coração. Casou-se, a exemplo de todos de sua casta e Nação àquele tempo, ao
final da infância com uma prima, também saindo da infância, Kasturbai.
Adulto, parte para estudar direito
em Londres, formando-se em 1891 e regressando a sua terra para praticar a
profissão. Dois anos depois vai, a convite, para a África do Sul, onde trabalha
com uma empresa hindu e faceia as primeiras dificuldades diante do poderoso
Império Britânico, que domina as Nações do mundo no século XIX e primeiros
lustros do XX com o mesmo poder e descaso para outros povos com que o Império
Ianque hoje.
A luta pela libertação da Índia
Em 1914 regressa à Índia em
definitivo e dá início à sua luta pela independência da dominação britânica que
já dura quase 3 séculos e, com igual vigor, pela Tradição de sua gente, em
grande medida contaminada e fragilizada diante da infecção capitalista.
Como líder político e
espiritual da Índia soube utilizar-se engenhosamente de toda a Tradição para
reerguer o orgulho de sua gente, abalado pela dominação e deu muito que pensar
àqueles que se consideravam “superiores” e por isso dominavam. Este sempre foi e
segue sendo o discurso do dominador: uma pretensa “superioridade” que, ao fim e
ao cabo demonstra-se circunscrever ao campo da belicosidade e ponto final.
Gandhi centra sua luta na busca de demonstrar a superioridade moral dos hindus
sobre seus dominadores britânicos e, assim, reaviva a mente de seus conterrâneos
quanto a 2 ensinamentos, tão antigos quanto o hinduísmo: A-HIMSA – Não violência
ou, como Gandhi preferia dizer, “Persistência pela Verdade” e SATIAGRAHA – Viver
em santidade.
Tomemos a não violência.
Gandhi pregava a resistência pacífica (não confundir com passiva; a não
violência deve ser ativa e provocativa!). Não concordar em se submeter ao mal e
estar disposto a dar até a vida se necessário for, para provar que está do lado
do que é justo, bom e correto. Foi assim que, de demonstração maciça em
demonstração maciça, o Império Britânico comprovou muitas vezes a superioridade
moral daquele povo oprimido e dominado.
A famosa “Marcha para o Sal”
foi um ponto de inflexão decisivo. Os Hindus, moradores da região banhada pelo
Oceano não por acaso chamado de Índico, eram proibidos de produzir sal. O sal
utilizado no cotidiano de todas as famílias tinha o fluxo, a produção e a
circulação, monopolizadas pelos britânicos. Gandhi ensina os hindus a
desobedecerem a esta sandice. Do centro da Índia, em 1930, faz saber ao Primeiro
Ministro Britânico que se dirigiria ao mar para produzir sal num gesto de
desobediência civil, ativa, provocativa e contudo pacífica. Foi acompanhado de
um pequeno grupo e a este se foram agregando cada vez mais significativas massas
humanas. Ao fim, a história registra que milhares de pessoas andaram mais de 320
Km a pé. Este contingente imenso de seres humanos chega à praia e começa a fazer
sal. Qual o problema? O povo da Índia vai à praia banhada pelo Oceano Índico
fazer sal para o seu consumo. O que têm os britânicos a ver com isso?
O controle do sal estava na
raiz do controle de toda a economia hindu pelos britânicos. Tão logo Gandhi
começa a fazer sal e ser imitado a dominação é colocada em xeque. Os ingleses já
não controlam os indianos. Estes estão prestes a tomar seu destino em suas
próprias mãos.
Outros fatores contribuem
para a emancipação do povo hindu de maneira diferente daquela desejada por
Gandhi que, mais de uma vez, fez um “jejum até a morte” para protestar contra a
dominação britânica e pedir paz a seu povo. Em momentos considerados cruciais
para a economia britânica Gandhi convocava o povo a “jornadas de jejum e
meditação” – na prática ninguém trabalhava, mas Gandhi jamais falava ou mesmo
pensava na palavra “greve”. A expressão apropriada dentro da Tradição hindu para
o que se estava fazendo era “Jornada de jejum e meditação”.
Um Exemplo
Admirado por aliados e adversários, foi chamado pelo Primeiro Ministro Britânico
Winston Churchill de “faquir despido”. A questão que marca é: um faquir despido,
que se alimenta com uma côdea de arroz e uma tirina d’água por dia e se veste
com uma peça de tecido feita por ele mesmo e que muito se assemelha a uma
fralda, um homem com tal forma de comportamento e hábitos espartanos pode ser
suspeito de corrupção? Alguém presumiria estar ele lutando por algo diferente do
que diz?
Albert Einstein o saudou como
“porta-voz da humanidade”.
Quando o armamento mais sofisticado
está nas mãos do adversário, que domina, a resistência pacífica, fundada na
resistência e persistência pela Verdade é o encaminhamento mais eficiente.
Impossível ao hindu derrotar o dominador britânico através de guerrilhas ou luta
armada. Por outro lado, utilizando a Verdade como arma seu poderio é
inquestionável!
Encaminhar o processo político a
partir de um resgate profundo do que de mais sincero, bonito e duradouro existe
na Tradição e na Alma de seu povo, esta é uma das lições que nos deixa Mahatma
Gandhi.
Lázaro
Curvêlo Chaves – 29/06/2006
Pensamentos de
Mahatma Gandhi
1
O desejo sincero e
profundo do coração é sempre realizado; em minha própria vida tenho sempre
verificado a certeza disto.
2
Creio poder
afirmar, sem arrogância e com a devida humildade, que a minha mensagem e os meus
métodos são válidos, em sua essência, para todo o mundo.
3
Acho que vai certo
método através das minhas incoerências. Creio que há uma coerência que passa por
todas as minhas incoerências assim como há na natureza uma unidade que permeia
as aparentes diversidades.
4
As enfermidades
são os resultados não só dos nossos atos como também dos nossos pensamentos.
5
Satyagraha - a
força do espírito - não depende do número; depende do grau de firmeza.
6
Satyagraha e
Ahimsa são como duas faces da mesma medalha, ou melhor, como as duas cades de um
pequeno disco de metal liso e sem incisões. Quem poderá dizer qual é a certa? A
não-violência é o meio. A Verdade, o fim.
7
A minha vida é um
Todo indivisível, e todos os meus atos convergem uns nos outros; e todos eles
nascem do insaciável amor que tenho para com toda a humanidade.
8
Uma coisa lançou
profundas raízes em mim: a convicção de que a moral é o fundamento das coisas, e
a verdade, a substância de qualquer moral. A verdade tornou-se meu único
objetivo. Ganhou importância a cada dia. E também a minha definição
dela se foi constantemente ampliando.
9
Minha devoção à
verdade empurrou-me para a política; e posso dizer, sem a mínima hesitação, e
também com toda a humildade que, não entendem nada de religião aqueles que
afirmam que ela nada tem a ver com a política.
10
A minha
preocupação não está em ser coerente com as minhas afirmações anteriores sobre
determinado problema, mas em ser coerente com a verdade.
11
O erro não se
torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo a verdade
não se torna erro pelo f ato de ninguém a ver.
12
O amor é a força
mais abstrata, e também a mais potente, que há no mundo.
13
O Amor e a verdade
estão tão unidos entre si que é praticamente impossível separá-los. São como
duas faces da mesma medalha.
14
O ahimsa
(amor) não é somente um estado negativo que consiste em não fazer o mal, mas
também um estado positivo que consiste em amar, em fazer o bem a todos,
inclusive a quem faz o mal.
15
O ahimsa não é
coisa tão fácil. É mais fácil dançar sobre uma corda que sobre o fio da ahimsa.
16
Só podemos vencer
o adversário com o amor, nunca com o ódio.
17
A única maneira de
castigar quem se ama é sofrer em seu lugar.
18
É o sofrimento, e
só o sofrimento, que abre no homem a compreensão interior.
19
Unir a mais firme
resistência ao mal com a maior benevolência para com o malfeitor. Não existe
outro modo de purificar o mundo.
20
A minha natural
inclinação para cuidar dos doentes transformou-se aos poucos em paixão; a tal
ponto que muitas vezes fui obrigado a descuidar o meu trabalho. . .
21
A não-violência é
a mais alta qualidade de oração. A riqueza não pode consegui-Ia, a cólera foge
dela, o orgulho devora-a, a gula e a luxúria ofuscam-na, a mentira a esvazia,
toda a pressão não justificada a compromete.
22
Não-violência não
quer dizer renúncia a toda forma de luta contra o mal. Pelo contrário. A
não-violência, pelo menos como eu a concebo, é uma luta ainda mais ativa e real
que a própria lei do talião - mas em plano moral.
23
A não-violência
não pode ser definida como um método passivo ou inativo. É um movimento bem mais
ativo que outros e exige o uso das armas. A verdade e a não-violência são,
talvez, as forças mais ativas de que o mundo dispõe.
24
Para tornar-se
verdadeira força, a não-violência deve nascer do espírito.
25
Creio que a
não-violência é infinitamente superior à violência, e que o perdão é bem mais
viril que o castigo...
26
A não-violência,
em sua concepção dinâmica, significa sofrimento consciente. Não quer
absolutamente dizer submissão humilde à vontade do malfeitor, mas um empenho,
com todo o ânimo, contra o tirano. Assim um só indivíduo, tendo como base esta
lei, pode desafiar os poderes de um império injusto para salvar a própria honra,
a própria religião, a própria alma e adiantar as premissas para a queda e a
regeneração daquele mesmo império.
27
O método da
não-violência pode parecer demorado, muito demorado, mas eu estou convencido de
que é o mais rápido.
28
Após meio século
de experiência, sei que a humanidade não pode ser libertada senão pela
não-violência. Se bem entendi, é esta a lição central do cristianismo.
29
Só se adquire
perfeita saúde vivendo na obediência às leis da Natureza. A verdadeira
felicidade é impossível sem verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível
sem rigoroso controle da gula. Todos os demais sentidos estarão automaticamente
sujeitos a controle quando a gula estiver sob controle. Aquele que domina os
próprios sentidos conquistou o mundo inteiro e tornou-se parte harmoniosa da
natureza.
30
A civilização, no
sentido real da palavra, não consiste na multiplicação, mas na vontade de
espontânea limitação das necessidades. Só essa espontânea limitação acarreta a
felicidade e a verdadeira satisfação. E aumenta a capacidade de servir.
31
É injusto e imoral
tentar fugir às conseqüências dos próprios atos. É justo que a pessoa que come
em demasia se sinta mal ou jejue. É injusto que quem cede aos próprios apetites
fuja às conseqüências tomando tônicos ou outros remédios. É ainda mais injusto
que uma pessoa ceda às próprias paixões animalescas e fuja às conseqüências dos
próprios atos.
A Natureza é
inexorável, e vingar-se-á completamente de uma tal violação de suas leis.
32
Aprendi, graças a
uma amarga experiência, a única suprema lição: controlar a ira. E do mesmo modo
que o calor conservado se transforma em energia, assim a nossa ira controlada
pode transformar-se em uma função capaz de mover o mundo. Não é que eu não me
ire ou perca o controle. O que eu não dou é campo à ira. Cultivo a paciência e a
mansidão e, de uma maneira geral, consigo. Mas quando a ira me assalta,
limito-me a controlá-la. Como consigo? É um hábito que cada um deve adquirir e
cultivar com uma prática assídua.
33
O silêncio já se
tornou para mim uma necessidade física espiritual. Inicialmente escolhi-o para
aliviar-me da depressão. A seguir precisei de tempo para escrever. Após havê-lo
praticado por certo tempo descobri, todavia, seu valor espiritual. E de repente
dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus.
Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio.
34
Aqueles que têm um
grande autocontrole, ou que estão totalmente absortos no trabalho, falam pouco.
Palavra e ação juntas não andam bem. Repare na natureza: trabalha continuamente,
mas em silêncio.
35
Aquele que não é
capaz de governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros.
36
Quem sabe
concentrar-se numa coisa e insistir nela como único objetivo, obtém, ao cabo, a
capacidade de fazer qualquer coisa.
37
A verdadeira
educação consiste em pôr a descoberto ou fazer atualizar o melhor de uma pessoa.
Que livro melhor que o livro da humanidade?
38
Não quero que
minha casa seja cercada por muros de todos os lados e que as minhas janelas
esteja tapadas. Quero que as culturas de todos os povos andem pela minha casa
com o máximo de liberdade possível.
39
Nada mais longe do
meu pensamento que a idéia de fechar-me e erguer barreiras. Mas afirmo, com todo
respeito, que o apreço pelas demais culturas pode convenientementemente seguir,
e nunca anteceder, o apreço e a assimilação da nossa. (...) Um aprendizado
acadêmico, não baseado na prática, é como um cadáver embalsamado, talvez para
ser visto, mas que não inspira nem nobilita nada. A minha religião proíbe-me de
diminuir ou desprezar as outras culturas, e insiste, sob pena de suicídio civil,
na necessidade de assimilar e viver a vida.
40
Ler e escrever, de
per si, não são educação. Eu iniciaria a educação da criança, portanto,
ensinando-lhe um trabalho manual útil, e colocando-a em grau de produzir desde o
momento em que começa sua educação. Desse modo todas as escolas poderiam
tornar-se auto-suficientes, com a condição de o Estado comprar os manufaturados.
Acredito que um
tal sistema educativo permitira o mais alto desenvolvimento da mente e da alma.
É preciso, porém, que o trabalho manual não seja ensinado apenas mecanicamente,
como se faz hoje, mas cientificamente, isto é, a criança deveria saber o porquê
e o como de cada operação.
Os olhos, os
ouvidos e a língua vêm antes da mão. Ler vem antes de escrever e desenhar antes
de traçar as letras do alfabeto.
Se seguirmos este
método, a compreensão das crianças terá oportunidade de se desenvolver melhor do
que quando é freada iniciando a instrução pelo alfabeto.
41
Odeio o privilégio
e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é
"tabu".
42
A desobediência
civil é um direito intrínseco do cidadão. Não ouse renunciar, se não quer deixar
de ser homem. A desobediência civil nunca é seguida pela anarquia. Só a
desobediência criminal com a força. Reprimir a desobediência civil é tentar
encarcerar a consciência.
43
Todo aquele que
possui coisas de que não precisa é um ladrão.
44
Quem busca a
verdade, quem obedece a lei do amor, não pode estar preocupado com o amanhã.
45
As divergências de
opinião não devem significar hostilidade. Se fosse assim, minha mulher e eu
deveríamos ser inimigos figadais. Não conheço duas pessoas no mundo que não
tenham tido divergências de opinião. Como seguidor da Gita (Bhagavad Gita),
sempre procurei nutrir pelos que discordam de mim o mesmo afeto que nutro pelos
que me são mais queridos e vizinhos.
46
Continuarei
confessando os erros cometidos. O único tirano que aceito neste mundo é a
"silenciosa e pequena voz" dentro de mim. Embora tenha que enfrentar a
perspectiva de formar minoria de um só, creio humildemente que tenho coragem de
encontrar-me numa minoria tão desesperadora.
47
Nas questões de
consciência a lei da maioria não conta.
48
Estou firmemente
convencido que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza.
49
Acredito na
essencial unidade do homem, e, portanto na unidade de tudo o que vive. Por
conseguinte, se um homem progredir espiritualmente, o mundo inteiro progride com
ele, e se um homem cai, o mundo inteiro cai em igual medida.
50
Minha missão não
se esgota na fraternidade entre os indianos. A minha missão não está
simplesmente na libertação da Índia, embora ela absorva, em prática, toda a
minha vida e todo o meu tempo. Por meio da libertação da Índia espero atuar e
desenvolver a missão da fraternidade dos homens.
O meu patriotismo
não é exclusivo. Engloba tudo. Eu repudiaria o patriotismo que procurasse apoio
na miséria ou na exploração de outras nações. O patriotismo que eu concebo não
vale nada se não se conciliar sempre, sem exceções, com o maior bem e a paz de
toda a humanidade.
51
A mulher deve
deixar de se considerar o objeto da concupiscência do homem. O remédio está em
suas mãos mais que nas mãos do homem.
52
Uma vida sem
religião é como um barco sem leme.
53
A fé – um sexto
sentido – transcende o intelecto sem contradizê-lo.
54
A minha fé, nas
densas trevas, resplandece mais viva.
55
Somente podemos
sentir deus destacando-nos dos sentidos.
56
O que eu quero
alcançar, o ideal que sempre almejei com sofreguidão (...) é conseguir o meu
pleno desenvolvimento, ver Deus face-a-face, conseguir a libertação do Eu.
57
Orar não é pedir.
Orar é a respiração da alma.
58
A oração salvou-me
a vida. Sem a oração teria ficado muito tempo sem fé. Ela salvou-me do
desespero. Com o tempo a minha fé aumentou e a necessidade de orar tornou-se
mais irresistível... A minha paz muitas vezes causa inveja. Ela vem-me da
oração. Eu sou um homem de oração. Como o corpo se não for lavado fica sujo,
assim a alma sem oração se torna impura.
59
O Jejum é a oração
mais dolorosa e também a mais sincera e compensadora.
60
O Jejum é uma arma
potente. Nem todos podem usá-la. Simples resistência física não significa
aptidão para jejum. O Jejum não tem absolutamente sentido sem fé em Deus.
61
Para mim nada mais
purificador e fortificante que um jejum.
62
Os meus
adversários serão obrigados a reconhecer que tenho razão. A verdade triunfará. .
. Até agora todos os meus jejuns foram maravilhosos: não digo em sentido
material, mas por aquilo que acontece dentro de mim. É uma paz celestial.
63
Jejum para
purificar a si mesmo e aos outros é uma antiga regra que durará enquanto o homem
acreditar em Deus.
64
Tenho profunda fé
no método de jejum particular e público. . . Sofrer mesmo até a morte, e,
portanto mesmo mediante um jejum perpétuo, e a arma extrema do satyagrahi. É o
último dever que podemos cumprir. O Jejum faz parte de meu ser, como acontece,
em maior ou menor escala, com todos os que procuraram a verdade. Eu estou
fazendo uma experiência de ahimsa em vasta escala, uma experiência talvez até
hoje desconhecida pela história.
65
Quem quer levar
uma vida pura deve estar sempre pronto para o sacrifício.
66
O dever do
sacrifício não nos obriga a abandonar o mundo e a retirar-nos para uma floresta,
e sim a estar sempre prontos a sacrificar-nos pelos outros.
67
Quem venceu o medo
da morte venceu todos os outros medos.
68
Os louvores do
mundo não me agradam; pelo contrário, muitas vezes me entristecem.
69
Quando ouço gritar
Mahatma Gandhi Ki jai, cada som desta frase me transpassa o coração como se
fosse uma flecha. Se pensasse, embora por um só instante, que tais gritos podem
merecer-me o swaraj; conseguiria aceitar o meu sofrimento. Mas quando constato
que as pessoas perdem tempo e gastam energias em aclamações vãs, e passam ao
longo quando se trata de trabalho, gostaria que, em vez de gritarem meu nome, me
acendessem uma pira fúnebre, na qual eu pudesse subir para apagar uma vez por
todas o fogo que arde o coração.
70
Uma civilização é
julgada pelo tratamento que dispensa às minorias.
71
Sei por
experiência que a castidade é fácil para quem é senhor de si mesmo.
72
O brahmacharya é o
controle dos sentidos no pensamento, nas palavras, e na ação. . . O que a ele
aspira não deixará nunca de ter consciência de suas faltas, não deixará nunca de
perseguir as paixões que se aninham ainda nos ângulos escuros de seu coração, e
lutará sem trégua pela total libertação.
73
O brahmacharya,
como todas as outras regras, deve ser observado nos pensamentos, nas palavras e
nas ações. Lemos na Gita e a experiência confirma-no-lo todos os dias que quem
domina o próprio corpo, mas alimenta maus pensamentos faz um esforço vão. Quando
o espírito se dispersa, o corpo inteiro, cedo ou tarde, o segue na perdição.
74
Por vezes pensa-se
que e muito difícil, ou quase impossível conservar castidade. O motivo desta
falsa opinião e que freqüentemente, a palavra castidade é entendida em sentido
limitado demais.
Pensa-se que a
castidade é o domínio das paixões animalescas. Esta idéia de castidade é
incompleta e falsa.
75
Vivo pela
libertação da índia e morreria por ela, pois e parte da verdade.
Só uma Índia livre
pode adorar o Deus verdadeiro. Trabalho pela libertação da Índia porque o meu
Swadeshi me ensina que, tendo nascido e herdado sua cultura, sou mais apto a
servir à Índia e ela tem prioridade de direitos aos meus serviços. Mas o meu
patriotismo não é exclusivo; não tem por meta apenas não fazer mal a ninguém,
mas fazer bem a todos no verdadeiro sentido da palavra. A libertação da Índia,
como eu a concebo, não poderá nunca constituir ameaça para o mundo.
76
Possuo a
não-violência do corajoso? Só a morte dirá. Se me matarem e eu com uma oração
nos lábios pelo meu assassino e com o pensamento em Deus, ciente da sua presença
viva no santuário do meu coração, então, e só então, poder-se-á dizer que possuo
a não-violência do corajoso.
77
Não desejo morrer
pela paralisação progressiva das minhas faculdades, corno um homem vencido. A
bala de meu assassino poderia pôr fim à minha vida. Acolhê-la-ia com alegria.
78
A regra de ouro
consiste em sermos amigos do mundo e em considerarmos como uma toda a família
humana. Quem faz distinção entre os fiéis da própria religião e os de outra,
deseduca os membros da sua religião e abre caminho para o abandono, a
irreligião.
79
A força de um
homem e de um povo está na não-violência. Experimentem.
Sobre a
Revolução não violenta de Mahatma Gandhi
" Gandhi continua o que o
Buddha começou. Em Buddha o espírito é o jogo do amor isto é, a tarefa
de criar condições espirituais diferentes no mundo; Gandhi dedica-se a
transformar condições existenciais"
Albert Schweitzer
" Não violência é a lei de
nossa espécie como violência é a lei do bruto. O espírito mente dormente no
bruto, e ele não sabe nenhuma lei mas o de poder físico.
A dignidade de homem requer obediência a uma lei mais alta - a força do espírito
".
Mahatma Gandhi
" Se o homem só perceberá que
é desumano obedecer leis que são injustas,
a tirania de nenhum homem o escravizará".
Mahatma Gandhi
"Não pode haver nenhuma paz
dentro sem verdadeiro conhecimento ".
Mahatma Gandhi
"Para autodefesa, eu
restabeleceria a cultura espiritual. O melhor e autodefesa mais duradoura é
autopurificação ".
Mahatma Gandhi
Leitura indicada:

Princípios de Vida MAHATMA
GANDHI

A Roca e o Calmo Pensar MAHATMA GANDHI
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