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A Grécia Clássica

 

Conhecimentos relativos à Grécia Antiga, como as Olimpíadas, os heróis e os deuses gregos, ou mesmo o fato de que é “o berço da democracia” tornaram-se comuns. Já o conhecimento da formação e das transformações da sociedade grega na Antiguidade, no que se refere a técnicas, formas de organização e valores, enfim, a tudo o que constitui a história da Grécia, infelizmente, não é tão difundido quanto deveria.

Essa memória da civilização que se desenvolveu na Grécia explica-se pelo fato de povos que viveram em épocas posteriores, maravilhados com seus mitos, suas idéias ou soluções políticas, terem incorporado a suas próprias culturas muito da cultura grega.

O nosso propósito, neste trabalho, é ultrapassar a memória e contar um pouco da história da Grécia Antiga, já tão estudada por arqueólogos e historiadores, estabelecendo várias ralações entre os valores e a organização social e política dos gregos, e mostrando o processo de desenvolvimento da cultura grega a que chamamos clássica, e que se refere especificamente ao período compreendido entre os séculos V a.C. e 111 a.C.

Creta: uma das suas importantes origens

Foram várias as populações que formaram o povo a que chamamos gregos, segundo a denominação que lhe deram os latinos. Eles próprios chamavam-se helenos. As pesquisas arqueológicas nos indicam que povos vindos do sul da Europa e da Anatólia foram ocupando o sul da península Balcânica, a região de Tróia, do outro lado do mar Egeu, as ilhas Cíclades e a ilha de Creta.

Em Creta desenvolveu-se uma civilização, do século XX a.C. ao século XVI a.C., que se expandiu por toda a bacia do Mediterrâneo oriental, e influenciou, posteriormente, a cultura grega. Os cretenses desenvolveram requintados trabalhos em cerâmica e vidro, tinham um comércio marítimo bem desenvolvido, mantendo relações com o Egito e com as ilhas Cíclades, onde, em Melos e Naxos, exploravam a obsidiara - rocha de aspecto vítreo com a qual confeccionavam instrumentos cortantes - e o mármore.

As cidades cretenses formavam-se em torno de palácios, que funcionavam como sede do governo e eram construídos de forma a abrigar a administração da cidade e todas as atividades pelas quais o governante era responsável. Ao redor de um pátio central e dispostos em um grande número de corredores intercomunicantes havia depósitos para os cereais, o óleo e o vinho provenientes dos tributos recolhidos - que entre outras coisas deviam constituir as reservas para ocasiões de crise - e também locais próprios para os funcionários que administravam as rendas da cidade. Esses funcionários usavam um sistema de escrita, que já foi identificado mas ainda não foi decifrado, denominado linear A pelos arqueólogos.

Sobre a religião que praticavam, sabemos que possuíam uma divindade central feminina, a deusa-mãe, ligada à fertilidade do solo. Essa divindade era representada como uma mulher segurando uma cobra, que por ser animal rastejante era associado à terra. Havia também um princípio masculino, representado pelo culto ao touro, o qual, por ser um animal fertilizados, era relacionado às forças do céu.

As principais fontes documentais sobre Creta são os vestígios arqueológicos. A escavação de palácios e dos objetos que continham permitiu-nos fazer uma idéia das características arquitetônicas de suas construções e de seus conhecimentos técnicos, bem como dos contatos culturais que mantinham com outros povos.

Civilização micênica e a invasão dos dórios

Os primeiros gregos

    Nos séculos XVI a.C. e XV a.C., sucessivas levas de povos guerreiros vindos da atual Rússia meridional, denominados aqueus, entraram pela Tessália e ocuparam a Grécia central e o Peloponeso*, destruindo povoações, que depois reconstruíam, segundo outro padrão cultural. Disso são exemplos as cidades de Micenas e Tirinto. Trouxeram consigo o uso do cobre, e logo aprenderam a metalurgia do bronze. Através da navegação, entraram em contato com a civilização da ilha de Creta, da qual absorveram conhecimentos que levaram para a Grécia continental. Mais tarde, fortaleceram-se militarmente e dominaram importantes cidades cretenses, como Cnossos. Substituíram o sistema de escrita cretense por um sistema silábico, que os lingüistas decifraram e concluíram ser um dialeto do grego arcaico, muito utilizado para registros contábeis. Esse sistema de escrita foi denominado linear B.

    O tipo de civilização que os aqueus desenvolveram chamou-se micênica e seus vestígios foram encontrados em vários lugares: na Grécia continental, nas ilhas e até na Ásia Menor, onde construíram cidades no alto de colinas, as cidades altas ou acrópoles. Nessas cidades o edifício mais importante era a habitação do chefe daquele domínio, o megaron. Era unia casa simples, diferente dos palácios cretenses, construída em dois andares: embaixo, uma sala para o fogo, onde o chefe recebia outros senhores e também as pessoas que dependiam dele e onde realizava reuniões e fazia banquetes. No andar de cima ficavam os quartos das mulheres.

    A partir do século XIII a.C., segundo a datação dos arqueólogos, essas cidades passaram a ser fortificadas por muralhas altas e espessas. Esse fato coincide com agressões e pilhagens dos aqueus nas costas da Anatólia meridional e de Chipre, segundo registros de documentos escritos, entre os quais os relatos gregos da Ilíada, que conservaram a memória de uma coligação micênica contra a cidade de Tróia, mostrando o desenvolvimento do expansionismo militar de Micenas.

    A Ilíada, escrita bem depois dessa época, já no século VIII a.C., conta como o rei de Micenas e Argos, Agamêmnon,  Os artesãos eram chamados demiurgos, o que em grego significa "aquele que exerce um trabalho público". Diferentemente do que ocorre em nossa sociedade, o domínio técnico de cada uma dessas atividades possuía um caráter religioso. O conhecimento provinha de uma iniciação, relacionada com alguma divindade - os construtores navais, por exemplo, eram inspirados por Atena -, e a execução de um ofício incluía uma série de rituais, que conferiam poderes aos objetos fabricados, ou seja, apenas um ferreiro iniciado poderia forjar armas realmente eficazes.

    Os demiurgos eram principalmente carpinteiros, ferreiros, adivinhos, aedos (poetas trovadores), médicos, ceramistas, tocadores de flauta, acrobatas, cozinheiros (só eles podiam preparar os assados para as cerimônias públicas).

    Os produtos artesanais não eram comercializados; os demiurgos retiravam seu sustento das terras que lhes eram doadas e que eram cultivadas por trabalhadores comuns. Eventualmente, também recebiam presentes, forma muito comum de retribuir favores, selar relações entre as pessoas e estabelecer contratos. Entre reis ou chefes os presentes eram considerados tesouros. Costumeiramente, eram objetos feitos de metal - bronze, ferro e ouro - e cavalos raros e úteis.

    O comércio era escasso e se resumia a adquirir objetos não produzidos pela comunidade através de um sistema no qual o gado era o valor de troca. Não havia uma moeda e as trocas realizadas não continham em si a idéia do lucro, tão comum às sociedades que vivem do comércio. O ganho sobre outra pessoa só era permitido na guerra, quando se praticava o saque. As regras de repartição do botim (o produto do saque) seguiam o princípio da igualdade entre os guerreiros, sorteando partes iguais para cada um, embora privilegiassem o rei, que chefiava a expedição. Este recebia duas partes, podendo escolhê-las previamente.

    Essa sociedade foi se transformando, à medida que a população crescia e a produção das comunidades se tornava insuficiente. As trocas comerciais intensificaram-se, as antigas unidades auto-suficientes (um pouco oikos) deram lugar, no século VIII a.C., às cidades, ou pólis. A expansão das cidades gerou, a partir do século VI a.C., um movimento de migração para a Ásia Menor, o litoral da Sicília e o norte da África, onde foram fundadas outras pólis. Essa etapa da história da Grécia é conhecida como período arcaico, quando se configurou não só o espaço, mas as instituições que tiveram seu pleno desenvolvimento no século V a.C., no período clássico.

Pólis e colônias: o espaço deformação

Da cultura grega clássica

    No início, a palavra pólis denominava apenas a acrópole situada no alto da colina: o palácio do rei, local de reunião da comunidade e o santuário da divindade principal. Porém, havia ainda uma parte baixa, por onde passavam as estradas. O rei, senhor daqueles domínios, podia cobrar impostos dos estrangeiros que as utilizavam. Mais tarde, com o crescimento da população e o desenvolvimento da agricultura e do comércio, a parte baixa foi crescendo, e pólis, termo que traduzimos por cidade-estado, passou a ser toda a região sob a autoridade de um chefe.

    Nesse período, o poder dos reis entrou em declínio e aperfeiçoou-se a prática da consulta às assembléias, ou conselhos, compostas por representantes escolhidos entre as pessoas mais velhas das famílias mais importantes. Essas assembléias, que já existiam com a função de auxiliar os reis, passaram a ter poder de decisão. A monarquia foi substituída pela aristocracia, que queria dizer "governo dos melhores". Evidentemente, esses "melhores" eram os poucos que controlavam a maior e melhor parte das terras, faziam as leis e decidiam sobre a moeda. Essas famílias consideravam-se herdeiras dos guerreiros do período anterior, formando uma aristocracia de sangue, ou seja, hereditária, e sendo assim o poder permanecia nas mesmas mãos.

    Paralelamente ao desenvolvimento das pólis, os gregos foram fundando outras cidades-estados, estendendo seu território original do mar Negro ao oceano Atlântico (ver mapa 1, p. 18). Eram o que eles chamavam de apoikia, e que os historiadores traduziram por colônias, embora essas cidades fossem comunidades política e economicamente independentes. Essas colônias tinham com a metrópole, que significa "cidade-mãe", vínculos principalmente sentimentais e religiosos, uma vez que, para a mentalidade grega, o primordial para a construção de uma cidade era a proteção dos deuses, o que incluía a escolha de um deus e dos sinais de sua presença, como o fogo sagrado e os instrumentos através dos quais se comunicava com os homens, os oráculos, que deveriam ser originários de um centro mais antigo.

    Muitos historiadores contemporâneos dão como causa para esse movimento de expansão e colonização dos gregos as necessidades comerciais e o grande crescimento demográfico. Mas há discordância quanto aos motivos comerciais, pois alguns estudiosos constataram que muitas das regiões colonizadas não tinham nenhum atrativo comercial para os gregos - como foi o caso da Sicília, que só mais tarde se tornou grande produtora de trigo e celeiro de Roma. Observaram também que bons portos, excelentes pontos para o desenvolvimento da atividade comercial, não foram ocupados por nenhuma colônia grega, indicando que nem sempre o objetivo mercantil era o principal. Esses pesquisadores acreditam que o motivo da expansão territorial tenha sido a busca de uma solução para a crise decorrente da explosão populacional que, no século VIII a.C., acarretou o empobrecimento e o endividamento dos pequenos proprietários. A região tinha um solo pouco fértil, pedregoso, montanhoso, que não comportava tal crescimento. Esse estado crítico levou a conflitos e movimentos por redistribuição de terras e pelo cancelamento das dívidas e foi causa da dispersão das populações das cidades gregas e fonte de conflitos sociais.

    No entanto, não se pode negar o desenvolvimento do comércio marítimo. A partir do século VIII a.C. tornaram-se comuns os comboios marítimos para o Cáucaso e para a Etrúria, em busca de estanho, matéria-prima para o preparo do bronze, usado na fabricação de armas, que eram exportadas para as novas colônias e para o Egito, que na época lutava contra a dominação dos assírios, com tropas mercenárias equipadas pelos gregos. Portanto, estreitamente ligadas ao comércio marítimo desenvolveram-se as atividades metalúrgicas. Além delas também se desenvolveu a produção de vinho e de azeite, que acabou por incrementar a fabricação da cerâmica, especialmente de ânforas utilizadas para o armazenamento desses líquidos. Todas essas transformações na economia provocaram modificações na organização social. Os artesãos, por exemplo, tornaram-se fundamentais para a economia da pólis. Enriqueceram e passaram a ter acesso ao exército - conquistaram pela riqueza a participação em uma instituição que exercia muita influência na pólis, e da qual, até então, faziam parte apenas os membros da aristocracia.

    As tensões originárias das transformações sociais e das crises econômicas deram origem a reformas sociais e a soluções políticas, que na Grécia Antiga se apresentaram segundo dois modelos: o ateniense e o espartano. Trataremos primeiro de Atenas, por ser o modelo adotado por muitas colônias e por outras cidades que se desenvolveram comercialmente.

Atenas

    A primeira forma de governo em Atenas foi uma monarquia na qual o rei, um chefe militar, assumia toda a responsabilidade pelas decisões tomadas, acumulando as funções de chefe militar, político e religioso. O rei podia consultar uma assembléia da qual participavam outros guerreiros e pessoas comuns, mas a decisão final era sua. Essa forma de governo foi substituída por outra na qual as decisões cabiam a um pequeno grupo, ou seja, constituiu-se uma aristocracia, que quer dizer "governo dos melhores".

    A aristocracia funcionava da seguinte maneira: o rei (basileus) continuou a existir, mas sua função era apenas a de presidir as cerimônias religiosas. O governo estava nas mãos de um grupo de pessoas denominadas eupátridas (que quer dizer "os bem-nascidos"), reunidas numa assembléia - o areópago. Para conduzir os assuntos da justiça e do exército eram designadas duas pessoas. O responsável pela justiça era denominado arconte, e o chefe militar, polemarco.

    Porém, o abuso de poder da aristocracia provocou revoltas e reivindicações entre os excluídos das decisões políticas: os artesãos e comerciantes enriquecidos e os pequenos proprietários explorados. Essas reformas acabaram por transformar a forma de governo aristocrático em uma democracia através do seguinte processo: Instalou-se uma crise social, resolvida parcialmente por reformas que impediram a grande exploração dos camponeses pelos eupátridas, a escravização por dívidas e a perda das propriedades, o que ocorria devido à escassez de terras e à perda das colheitas. Além disso, atendendo às reivindicações, houve uma distribuição de obrigações e poder entre as várias classes sociais.

    Essas mudanças, feitas pelo legislador Sólon, não eliminaras as diferenças entre as classes sociais, mas distribuíram o poder de acordo com as riquezas, o dinheiro substituiu a terra como fonte de poder. Sua reforma estabeleceu quatro classes de cidadãos, de acordo com a renda: a primeira, os pentakosiomédimnoi (capazes de possuir o equivalente a 500 medidas de grãos); a segunda, os hippeis, ou cavaleiros (300 medidas); a terceira, os zeugîztai (200 medidas); e a quarta classe, os tetas, ou thétes (sem rendimento, a não ser o salário).

    No exército essa divisão se fazia sentir, pois só as duas primeiras classes contribuíam com impostos específicos para despesas militares e participavam da cavalaria, mantendo o próprio cavalo. A terceira classe (zeugîtai) pagava as contribuições ordinárias e participava da infantaria pesada, dos hoplitas, com armamento próprio. Os tetas estavam isentos de impostos, mas tinham o direito de participar da infantaria ligeira, cujo equipamento podiam custear, e de ser remadores na marinha.

    Apesar das reformas promovidas por Sólon, as tensões persistiram, favorecendo o aparecimento dos tiranos, tanto em Atenas como nas outras cidades. Os tiranos eram aristocratas que tomavam o poder sustentados por forças militares mercenárias e com o apoio das classes inferiores, às quais prometiam favorecer, diminuindo os privilégios da aristocracia.

    Depois do período das tiranias, surgiu um outro reformador, Clístenes, que atacou diretamente o princípio do direito familiar, que Sólon deixara intocado, e redividiu o território ateniense com o intuito de misturar pessoas de diferentes classes sociais.

    Clístenes definiu três _tipos de divisão administrativa: as tribos*; as trítias e os demos, que deveriam seguir o princípio da igualdade. Os demos eram a menor divisão do território. Todos os atenienses deveriam estar registrados em algum deles. 0 conjunto de demos dava origem a agrupamentos maiores, as trítias, que eram trinta: dez para a cidade, dez para o litoral e dez para o interior. As trítias, por sua vez, eram agrupadas em dez tribos, da seguinte maneira: cada tribo compreendia todos os tipos de trítia; assim, as tribos misturavam os cidadãos das várias regiões, reunindo pessoas da cidade, do litoral e do interior, e com diferentes graus de riqueza. No ponto central da cidade cada tribo era representada no bouleuthérion, sede de uma assembléia composta por cinqüenta representantes de cada tribo, perfazendo um total de quinhentos elementos, a boulé. Cada tribo exercia o poder durante uma pritania, ou seja, uma das dez frações de tempo em que se dividia o ano, e que durava 35 ou 36 dias. Além disso, durante esse tempo, presidia uma outra assembléia, a ekklesía, composta por todos os cidadãos com idade acima de vinte anos.

    Para completar a função das assembléias, que discutiam todos os assuntos do interesse da cidade, existiam os tribunais, alguns dos quais eram bem antigos, como o areópago. Mas, apesar da existência desses tribunais, a maior parte das questões era julgada pela heliaía, composta por seis mil jurados, sorteados entre os cidadãos maiores de trinta anos.

Esparta

    O modelo espartano era bem diferente, e se desenvolveu em situação diversa da ateniense, uma vez que se constituiu a partir da dominação militar de um pequeno grupo, o dos espartanos, ou espartíatas (dórios), sobre o povo da região da Lacedemônia, ou Lacônia. Um legislador, Licurgo, a propósito de quem há muitas informações contraditórias, teria estabelecido, nó século IX a.C., as regras da cidade-estado de Esparta, que conservavam o poder nas mãos dos espartanos, uma aristocracia militar que dominava os outros dois grupos que existiam: os periecos e os hilotas.

    Os periecos eram os antigos habitantes da região e formavam um grupo de homens livres, porém sem direitos políticos, apesar de terem o dever de se alistar no exército e pagar impostos. Viviam do que cultivavam nas terras que os espartanos lhes concederam em regiões pouco férteis. Podiam também dedicar-se ao comércio. Os hilotas estavam em pior condição: eram servos que moravam nas terras dos cidadãos espartanos, as quais tinham o dever de cultivar, sendo obrigados ainda a pagar uma taxa anual ao proprietário. Diferentemente do escravo, não podiam ser vendidos e eram aceitos no exército, ainda que em posição inferior à do hoplita.

    O governo e a participação política eram privilégios dos espartíatas. Licurgo determinou que houvesse dois reis, um de cada uma das famílias importantes que se diziam descendentes dos invasores. Os reis tinham a função de presidir uma assembléia composta por 28 espartíatas com mais de sessenta anos, a gerúsia. Cada um de seus trinta membros - os reis e os gerontes - dispunha do mesmo poder de voto. A função da gerúsia era decidir sobre questões importantes, propor leis e julgar os crimes. Além dessa assembléia, havia ainda outra, a apela, composta por todos os espartíatas com mais de trinta anos, cuja função era indicar os membros da gerúsia e os éforos, além de discutir algumas questões, quando fosse da vontade da gerúsia. Os éforos eram cinco magistrados, eleitos todos os anos. Sua função consistia em fiscalizar a cidade, os funcionários e os reis.

    Do século V a.C. ao século IV a.C., essas duas cidades, Atenas e Esparta, tiveram poder de liderança sobre as demais cidades-estados. Uniram-se para vencer os persas, porém, uma vez vitoriosas, tornaram-se forças rivais. Esparta passou a se impor às cidades do Peloponeso, formando uma liga que levou o nome de Liga do Peloponeso; e Atenas impôs seu domínio liderando a Confederação de Delos, através da qual se fortaleceu militar e culturalmente, atraindo muitos pensadores e artistas de vários pontos da Grécia. As duas ligas enfrentaram-se mutuamente, enfraqueceram-se e permitiram o surgimento de outras lideranças: a cidade de Tebas, por um curto período, e depois o reino da Macedônia, situado ao norte da Grécia e que mantinha com ela relações amigáveis.

    No século IV a.C. o trono da Macedônia foi ocupado por Filipe, que tinha como objetivo estender seus domínios para o sul, adotando para isso a estratégia de ocupar as cidades gregas, a partir de um sistema de alianças, que tinham como justificativa investir contra os persas. Muitas cidades gregas, porém, não se interessaram pela proposta, uma vez que não havia real ameaça persa. Nos casos em que os acordos não foram feitos, as pretensões de Filipe da Macedônia realizaram-se através de conquistas militares, como ocorreu com Tebas e com a maioria das cidades gregas, que passaram a constituir o Império Macedônico. Esse período é chamado de helenístico.  

    Depois desse panorama inicial do passado grego, vamos, através de documentos, examinar qual a relação dos grupos sociais na pólis, qual o lugar dos deuses, dos mitos e dos heróis mitológicos nesse mundo, e como o poder dos grupos dominantes se instituiu e foi se transformando devido às tensões sociais. Para isso utilizamo-nos de fontes escritas: poesias, textos de pensadores, de legisladores, de historiadores e de dramaturgos; fazemos uso também de documentos relativos à cultura material: desenhos realizados pela missão arqueológica francesa, em fins do século passado, a partir de vasos e baixos-relevos decorados com cenas do cotidiano e da mitologia grega. Além dessas fontes, há plantas desenhadas a partir das reconstituições arqueológicas.

Para saber mais:

O Cotidiano na Cidade-Estado grega

A Mitologia

A Política

 

Bibliografia:

"Grécia - A vida cotidiana na cidade-Estado", Teresa Van Acker, Ed. Atual

"As Instituições Gregas", Claude Mossé, Ed. 70, Lisboa

"História", Heródoto, Ed. UNB

Jean-Pierre Vernant - Mito e religião na Grécia Antiga. Ed. Papirus

 

 

 

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