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História da Semana Euclidiana de São José do Rio Pardo

Anualmente de 09 a 15 de Agosto

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      Poucos personagens na história mundial deixaram o legado de um movimento assim significativo, capaz de mobilizar tantas pessoas por tão longo espaço de tempo, diga-se mais, à revelia de sua própria vontade.

        A história de Euclides da Cunha, a história da república e a história da cidade de São José do Rio Pardo têm diversos pontos em comum. A temática desenvolvida por Euclides na em "Os Sertões" e seus desdobramentos funciona, principalmente, como uma poderosa síntese histórico-cultural do Brasil republicano recente. Obra de referência obrigatória ao conhecimento do Brasil e dos brasileiros, vertida, não por acaso, aos principais idiomas do mundo.

      A existência de uma fé, de uma certeza, de uma segurança, traz coesão à tessitura social de um povo. Diz-nos José Carlos Mariátegui em "O Homem e o Mito" que mais poderosa e próspera é a Nação que consegue forjar uma visão multitudinária, abrangente do que seja sua existência histórica no mundo. Esta visão, a que toda a gente adere e na qual crê antes de qualquer possibilidade de crítica, dá a mensuração da força de uma gente, de um povo.

       São exemplos do que aqui se expressa: idiomas, religiões, ideologias, etc. Tudo aquilo em que toda a gente de um povo se apega e com o que concorda antes mesmo que surja qualquer possibilidade de crítica. Um idioma, como "a última flor do Lácio, inculta e bela", não é questionado em seu uso cotidiano. Mais ainda, mesmo quando questionado em altos fóruns como este, o é apenas em alguns de seus aspectos, sendo o geral fundamental à mera compreensão do que se pretende transmitir em termos de informação. O mesmo ocorre na expressão das formas de vida religiosa ou no encaminhamento ideológico de um povo.

 

 

 

   São exemplos do que aqui se expressa: idiomas, religiões, ideologias, etc. Tudo aquilo em que toda a gente de um povo se apega e com o que concorda antes mesmo que surja qualquer possibilidade de crítica. Um idioma, como "a última flor do Lácio, inculta e bela", não é questionado em seu uso cotidiano. Mais ainda, mesmo quando questionado em altos fóruns como este, o é apenas em alguns de seus aspectos, sendo o geral fundamental à mera compreensão do que se pretende transmitir em termos de informação. O mesmo ocorre na expressão das formas de vida religiosa ou no encaminhamento ideológico de um povo.

    Como nascem os mitos? Esta questão se coloca ao rio-pardense no cotidiano de sua existência. Convivendo com um mito, precisa compreendê-lo. E na busca desta compreensão acaba-se descobrindo muito sobre civismo, patriotismo, convivência social, civilidade e todos os valores sociais enfim que foram brilhantemente sintetizados pelos iluministas; na busca da compreensão do que seja este mito, portanto, acaba-se descobrindo o significado vivo de expressões como "Liberdade, Igualdade e Fraternidade".

    Nossa história começa de maneira tradicional até. Dentro da circunscrição histórica situemos o momento do nascimento deste mito no instante em que no Brasil o café se firmava como principal produto da pauta de exportações, trazendo divisas para o país e chegava até o interior de São Paulo e Minas Gerais. Cumpre ressaltar mais uma vez que o carro-chefe da economia em uma nação informa o norte ao seu desenvolvimento político e social. O eixo Rio - São Paulo torna-se o centro ideológico do país, precisamente por ser o seu centro econômico. Do ponto de vista ideológico o orgulhoso positivismo ganhava os corações e mentes da república recente em nossa nação e dentro deste quadro de uma certa firmeza em economia oriunda de exportações agrícolas e uma nascente certeza na "Religião da Humanidade" surge uma divergência séria, que de repente torna-se a maior de todas as divergências nacionais. A orgulhosa república positivista nacional, com medo, quiçá, do exemplo que famélicos fanáticos poderiam emprestar ao resto da nação, sufoca a existência da tentativa de implantação de uma pequenina sociedade dissidente no interior da Bahia com quatro expedições militares aparelhadas com equipamento de ponta para a época. Delenda Canudos era um dos motes da república, nenhum tipo de acordo possível com o que estava acontecendo por lá.

    Euclides da Cunha vivenciou a transição do Império à República em pungentes episódios existenciais. Acompanhou pela imprensa e, ao término como o primeiro correspondente de guerra da história do Brasil, o desenrolar dos acontecimentos que tiveram lugar no interior da Bahia em fins do século passado. Em sua vida buscava a verdade, a transparência, e vivia e interpretava o mundo de acordo com o que propugnava o ideário positivista. Não poderia dar outra interpretação à Guerra de Canudos senão aquela que está consagrada numa das principais obras da literatura em língua portuguesa: "Os Sertões".

    Medeiam quatro meses entre o término da guerra e a da queda de uma ponte sobre o rio Pardo, importante ponto de escoamento do café produzido à sua margem direita. Engenheiro enormemente capacitado, toma sobre si a incumbência de recompor a ponte em terreno mais firme. Desloca-se com a família para São José do Rio Pardo ali residindo durante três anos, período de duração dos trabalhos com a ponte e, segundo seu próprio relato epistolar, o mais produtivo período de sua existência.

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Tela de Otoniel Fernandes intitulada "Fugaz Triunfo" mostra o armamento mais avançado do recém-criado Exército Brasileiro bombardeando Canudos pouco antes de serem rechaçados (e o foram 3 vezes até a vitória final) pelos jagunços. Mais informações no Livro "Os Sertões", de Euclides da Cunha (Clique sobre a imagem para vê-la ampliada)

 
 
 

 

Na placa à esquerda, a mais antiga no local, pode-se ler o seguinte:

Cabana de zinco:

"Monumento nacional incorporado ao acervo do patrimônio artístico e histórico nacional" (decreto-lei federal nº 25, de 30/11/1937)

    Em São José do Rio Pardo as informações em torno do percurso existencial de seu visitante mais ilustre propagam-se em todas as direções e de todas as formas. Por ali passou um poderoso emblema da nacionalidade, morou e conviveu com os rio-pardenses um ser humano que sintetiza o que é ser brasileiro em diversos aspectos, travou contato, dialogou e teceu laços de camaradagem com diversas pessoas da comunidade; mestres de obras, trabalhadores da ponte, em grande medida descendentes de italianos que migraram para substituir a mão-de-obra escrava na lavoura cafeeira mas tinham múltiplas habilidades, fornecedores de gêneros e serviços tanto à execução do labor público em que se esmerava (a reconstrução da ponte) quanto à sua própria casa, esposa e filhos, um dos quais nascido em São José do Rio Pardo, por sinal.

    Lembrando-se sempre da cidade, escreve diversas cartas a Francisco Escobar, importante político do período, que exerceu o cargo equivalente ao de prefeito ao tempo em que Euclides esteve na cidade, seu principal interlocutor. De Lorena, a 14 de maio de 1902 escreve: "... Sempre planeei estar aí no dia 18, primeiro aniversário da ponte. Mas estarão você, o Álvaro, o João Moreira, o Jovino. Encaminhem-se para lá naquele dia, paguem uma cerveja (barbante) ao velho Mateus e recordem-se por um minuto do amigo agradecido ausente. Será uma bela comemoração. Neste país de esnobismo reles não desejo outras..." Já após receber o relato do amigo acerca dos festejos, em carta datada de Lorena, 22 de maio de 1902: "... Magnífico! A comemoração do aniversário da minha ponte ... não poderia ser melhor. Convirás em que eu nunca imaginei que lá aparecessem algumas centenas de indivíduos, que, com os foguetes, as bandeirolas velhas, o assovio dos moleques e os tabuleiros de doces, são a matéria-prima do que nesta costa d’África da América se chamam manifestações!... Não! sempre desejei aquilo: dois ou três amigos que ali chegassem e se lembrassem, durante algum tempo, de mim..."

 
 

 

     Foto histórica de 1907 demonstra professores conduzindo seus alunos até a cabana de zinco onde o livro "Os Sertões" foi escrito. Euclides da Cunha ainda vivia e trabalhava ao tempo deste episódio.

    Imagine-se um misto de Ayrton Senna com Antônio Houaiss no princípio do século. Este é o paralelo a ser feito. O falecimento trágico de Euclides da Cunha em 1909 traz para a comunidade que dele se recorda com tanto carinho uma comoção social que poderia ser assim sintetizada. Um grande herói, emblema da nacionalidade e um grande intelectual brasileiro a um só tempo. Para o rio-pardense de 1909 o principal intelectual brasileiro, o maior herói, o principal emblema humano da nacionalidade deixou de existir na trágica manhã de 15 de agosto. Começa o movimento euclidiano protestando contra a impunidade do assassino do escritor e prestando honras e louvor à sua glória e ao seu trabalho.

    A 15 de agosto de 1912 um grupo de pessoas decide-se a deslocar-se do prédio onde funcionava a sede administrativa da cidade até a cabana de zinco para recordar-se do amigo ausente. Este gesto marca o início da Semana Euclidiana de São José do Rio Pardo. Desde aquele instante até os nossos dias sempre se proferem palestras sobre a vida e a obra de Euclides da Cunha na cabana de zinco à margem do rio Pardo naquela data.

    Em espirais crescentes pontos da cidade são separados como traços de um grande monumento a rememorar ao povo que ali se cultua Euclides da Cunha: em 1918 o jornal O Estado de S. Paulo doou uma pedra granítica (peanha) na qual se afixou um medalhão com a efígie de Euclides da Cunha. Em 1928 a cabana de zinco recebe um tratamento especial e fica protegida sob uma redoma. Um hotel da cidade, de nome "Brasil", que recebeu hóspedes ilustres a proclamarem a república na cidade três meses antes de que ela acontecesse de fato no resto da nação, recebe manifestantes que rememoram o "Episódio Republicano" sempre na noite do dia 11 de agosto. Em 1946 a própria casa de serviu de moradia a Euclides da Cunha quando esteve na cidade é separada pelo Estado de São Paulo para sediar o movimento, guardando o acervo de livros, relíquias do escritor, fardas e armamento utilizado em Canudos e, mais que tudo, a organização histórica de conferências proferidas durante as muitas Semanas Euclidianas.

 
 

 

 

    Em 1982 ocorre o traslado do Rio de Janeiro, do cemitério São João Batista, para São José do Rio Pardo, dos restos mortais de Euclides da Cunha e de Euclides da Cunha Filho (morto em circunstâncias similares às de seu pai). No Recanto Euclidiano hoje pode-se ver a Ponte Metálica, a Cabana de Zinco, o Medalhão e o Mausoléu, onde se afixou um placa em bronze com trecho de uma carta de Euclides da Cunha a Francisco Escobar dizendo: "Que saudades do meu escritório de sarrafos e zinco da beira do rio Pardo. Creio que se persistir nesta agitação estéril não produzirei mais nada de duradouro". A cabana de zinco fica consagrada como o "locus" máximo da criação euclidiana. A capital é meramente o ponto em que as pessoas se agitam estéreis sem nada conseguir produzir de duradouro. Patenteada, portanto, a gratidão do escritor à cidade em cujo seio tornou-se possível a efetivação do mais importante trabalho de sua vida.

    Para o traslado do corpo, a aquiescência da família, dos descendentes do engenheiro escritor, foi fundamental. Participam seus descendentes, portanto, do movimento euclidiano com grande entusiasmo. Sim, contamos com a presença dos representantes da família de Euclides da Cunha todos os anos durante a Semana Euclidiana e pelo menos uma vez viabilizou-se a ida de toda a família até São José do Rio Pardo.

    Segundo manifestação explícita do euclidiano histórico Márcio José Lauria em gostosa tarde rio-pardense, precisamente à sombra de uma sibipiruna, na Praça Oliveiros Pinheiro às 16h do dia 23 de abril de 1999, "a originalidade das manifestações euclidianas está no fato de surgirem na linha do pessoal e, daí, evoluírem para o coletivo, para a preocupação social, dando à obra euclidiana uma atualidade até incômoda." Ainda segundo relato do euclidiano histórico, "o grande mérito do movimento euclidiano está em – paradoxalmente – não datar estas atualidades."

    De fato, o movimento está sempre se renovando, com novas idéias, inserções e atualizações a cada instante. Durante muitos anos enfatizou-se o aspecto literário em Euclides da Cunha. Seus primeiros cultores visavam fundamentalmente garantir-lhe o seu lugar na literatura de língua portuguesa. Este momento superou-se e Euclides da Cunha hoje, pela sua obra, não cabe apenas no campo da literatura de língua portuguesa, embora este tenha sido "o pedestal de sua fama". Constitui-se num personagem de ponta na cultura brasileira. Muito pelo que produziu, ou pelo muito que produziu, mas a seguir pelo que em seu nome e em sua memória o fizeram seus cultores ao longo dos anos.

    Quando estamos inseridos num determinado contexto histórico-sociológico, necessariamente precisamos respeitar e seguir determinados parâmetros, determinados pontos basilares da constituição em que nos inserimos. Saudações e expressões peculiares, posturas e comportamentos, ideário, gestual e até mesmo sentimentos são partilhados dentro desta dimensão... No caso específico do movimento euclidiano, por trazer consigo um norteamento cívico e ético acima e antes de tudo, é precisamente este aspecto da cultura especificamente brasileira que procura-se atualizar a todo o instante no seio do movimento, quer conscientemente, quer inconscientemente.

    Também aqui, como em outros movimentos desta natureza, todos são convidados a aderir e posicionar-se em torno da temática proposta como melhor lhes aprouver. Já nas escolas de formação infantil ensina-se às crianças da cidade o hino que reza "... Serviu de berço para Os Sertões ... " Tem-se datas emblemáticas: o aniversário da cidade, comemorado religiosamente a 19 de março, dia de São José, o aniversário da ponte metálica, a 18 de maio, o dia de Euclides da Cunha, 15 de agosto. A estas datas, agregam-se as datas nacionais, patrióticas, o 25 de agosto(dia do soldado), o 7 de setembro(dia da Pátria), o 15 de novembro(proclamação da república) e o 19 de novembro (dia da bandeira). Tratamos de movimento multitudinário e, em assim sendo naturalmente as datas religiosas ou sentimentalmente relevantes para a população merecem também o tratamento apropriado: o dia do trabalho, o Corpus Christi, etc.

    Naturalmente que em todos os municípios encontram-se datas nacionais, estaduais, e municipais, mas raramente se encontra uma comemoração cívica que tenha a durabilidade de uma semana inteira de atividades, existindo há 87 anos ininterruptos. A existência da Semana Euclidiana em São José do Rio Pardo a singulariza enquanto municipalidade, e enquanto mesmo atualização de potencialidades.

    O estranhamento de ser tratado como um euclidiano na cidade é logo compreendido: "assimilação a uma ideologia que ainda não se conhece apropriadamente". Como há, por parte dos euclidianos, a segurança, a firmeza de que a ideologia, o encaminhamento "euclidiano" é benéfico a quem adere e inócuo a quem não adere, tratamos a todos como euclidianos a todos os momentos.

    E o que acontece então durante a Semana Euclidiana de São José do Rio Pardo? Tudo o que possa de alguma forma rememorar Euclides da Cunha, sua vida, sua obra, o civismo, o patriotismo, a ética, valores culturais. Há 87 anos seu centro são as palestras ou Conferências Oficiais sobre Euclides da Cunha. Com o passar dos anos mais conferências acontecem e o formato da Semana como a conhecemos hoje é definitivamente estabelecido na década de 40. Estuda-se história, filosofia, geografia, literatura, língua portuguesa e psicologia. As atividades voltadas a atender ao público ligado ao mundo das letras, contudo, atinge somente a uma parcela do coletivo euclidiano. Além desta há ainda outras camadas que se expressam e fruem crescimento intelectual, físico e espiritual dentro de suas habilidades, conhecimentos e crenças. Durante a Semana Euclidiana ocorrem exposições de arte, apresentações musicais populares e eruditas, competições desportivas, bailes, feiras de livros e de artesanato e a principal manifestação popular, o Desfile de Abertura, é preparado cuidadosamente pela municipalidade com meses de antecedência. Ocorrendo geralmente na manhã do dia 9 de agosto, neste ano excepcionalmente ocorrendo no domingo, dia 8, em atenção a uma solicitação do comércio, mobiliza todos os estudantes de todas as escolas da cidade e região circunvizinha, de Cantagalo, terra natal de Euclides da Cunha, onde existe um núcleo euclidiano, de Canudos, no interior da Bahia, onde tiveram lugar os eventos narrados no capítulo sobre "A Luta" do livro "Os Sertões". E empresas, agremiações desportivas, corporações militares, associações de moradores, toda a sociedade civil organizada, dentro da temática escolhida para a Semana Euclidiana daquele ano, apresenta o seu trabalho aos demais demonstrando o que ocorrerá durante os festejos no ano em pauta.

    A Casa de Cultura Euclides da Cunha de São José do Rio Pardo, além de sediar o movimento euclidiano, foi pensada para tornar-se o ponto máximo de referência a toda a pesquisa em torno da temática "Canudos", assim como da vida e trabalho de Euclides, o que está sendo estudado e viabilizado à medida mesmo em que propomos a sua transformação na Fundação Euclides da Cunha, a efetivar-se no próximo dia 15 de agosto.

    Fica a proposta de realização de um grande congresso de Casas de Cultura que ostentam o nome de personagens relevantes para a nação brasileira. Casas de Euclides da Cunha, de Oswaldo Cruz, de Joaquim Nabuco, de Rui Barbosa, etc poderiam trocar experiências e informações relevantes numa reunião desta natureza, sem dúvida!

 

Com as mais cordiais

SAUDAÇÕES EUCLIDIANAS

 

Lázaro Curvêlo Chaves

Diretor da Casa de Cultura Euclides da Cunha 1997/2000

 

 
Resumindo a "Ocorrência": Foi mais ou menos o o seguinte: uma comunidade nordestina miserável conseguiu prosperar em torno de idéias que, embora fanatizantes (ou POR SEREREM fanatizantes) deram certo! Na transição do Império para a República ficou decidido separar a Igreja do Estado (até então os padres eram remunerados pelo Império) e a República passou a cobrar impostos sem dar nada em troca (como isso é antigo, meu Deus...). Em Canudos, nenhuma das duas idéias foi aceita: o primeiro coletor de impostos foi escorraçado, o segundo chamou a Polícia e os jagunços escorraçaram a todos, a Polícia chamou o Exército recém saído com roupas felpudas da Guerra do Paraguai e enviou para lá (o Uniforme não ajudava, o traje de couro dos jagunços é muito mais adequado à Vegetação Nordestina: imagine-se num traje felpudo entre mandacarus e xique-xiques...). Após anos de luta e muitas derrotas, o povo de Canudos foi Massacrado e hoje há uma barragem por lá: a Antiga Canudos do Conselheiro jaz no fundo do Vaza Barris... Otoniel Fernandes Neto se tornou um Grande Amigo e conseguimos, para a cidade em que moro, sua preciosa coleção que conta pictograficamente essa história. Nas linhas finais, Euclides da Cunha registra: "Caiu Canudos, em 5 de outubro de 1897, ao entardecer, quando caíram seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados." Fugiu com medo da reação do Exército ao seu livro que, até para seu espanto o acolheu com aplauso, pois apontava deficiências que, de fato, precisavam ser corrigidas dada a noss Grande Diversidade Nacional. Levei ao ar reproduções de algumas das telas de toda a Coleção "Os Sertões, Fragmentos e Pinturas", de Otoniel Fernandes Neto, que hoje pertence ao povo da cidade de São José do Rio Pardo.

Um Olhar Sobre Canudos - Otoniel Fernandes Neto - 1997

Posted by Curvêlo Lázaro Chaves on Monday, April 27, 2015
 
 
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