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Anexação de Portugal. Desde 1556 a Espanha era
governada por Filipe II (1556 - 1598), membro de uma das mais poderosas
dinastias européias: os Habsburgos ou Casa d'Áustria, que além da Espanha
detinha o controle do Sacro-Império Romano Germânico, sediado na Áustria, com
influências também sobre a Alemanha e a Itália. Nos tempos do
reinado de Filipe II, a exploração das minas de prata da América espanhola havia
atingido o seu apogeu. Com a entrada da prata do México e do Peru, a Espanha se
transformara, durante o século XVI, na mais poderosa nação européia. Isso levou
os historiadores a classificarem o século XVI como o século da preponderância
espanhola. Tendo em mãos recursos abundantes, Filipe II aliou o poderio
econômico a uma agressiva política internacional, da qual resultou a anexação de
Portugal (até então, reino independente) e a independência da Holanda (até
então, possessão espanhola). Vejamos como Portugal passou ao domínio espanhol. Em 1578, o rei de
Portugal, D. Sebastião, morreu na batalha de Alcácer-Quibir, no atual Marrocos,
em luta contra os árabes. Com a morte do rei, que não tinha descendentes, o
trono de Portugal foi ocupado pelo seu tio-avô, o velho cardeal D. Henrique,
que, no entanto, faleceu em 1580, naturalmente sem deixar descendência... Com a
morte deste último, extinguia-se a dinastia de Avis, que se encontrava no trono
desde 1385, com a ascensão de D. João I, mestre de Avis. Vários pretendentes
se candidataram então ao trono vago: D. Catarina, duquesa de Bragança, D.
Antônio, prior do Crato e, também, Felipe II, rei da Espanha, que descendia,
pelo lado materno, em linha direta, do rei D. Manuel, o Venturoso, que reinou
nos tempos de Cabral. Depois de invadir Portugal e derrotar seus concorrentes, o
poderoso monarca espanhol declarou: "Portugal, lo herdé, lo compré y lo
conquisté". Assim, de 1580 até
1640, o rei da Espanha passou a ser, ao mesmo tempo, rei de Portugal, dando
origem ao período conhecido como “União Ibérica”. Holandeses no
Brasil
Origens da Holanda. Os Países Baixos (atuais Bélgica,
Holanda e parte do norte da França), desde a segunda metade da Idade Média,
constituíram -se numa região de grande prosperidade econômica, cujas manufaturas
têxteis desfrutavam inigualável reputação internacional. Formou-se, assim, nos
Países Baixos, uma poderosa burguesia mercantil, uma das mais progressistas da
Europa. Os Países Baixos
eram possessões dos Habsburgos e tinham grande autonomia no reinado de Carlos V
(pai de Filipe II). Suas tradições e interesses econômicos locais eram
respeitados. Essa situação se
alterou profundamente com a ascensão de Filipe II, que herdou do pai o trono
espanhol e os Países Baixos. A razão da mudança explica-se por dois motivos
básicos: em primeiro lugar, o advento do protestantismo tinha polarizado o mundo
cristão no século XVI, provocando intermináveis conflitos entre católicos e
protestantes. Nos Países Baixos, em razão do predomínio burguês, difundiu-se
rapidamente o calvinismo, ao passo que a Espanha mantinha-se profundamente
católica. E Filipe II era considerado o mais poderoso e o mais devotado monarca
católico. Em segundo lugar, Filipe II era um rei absolutista. Assim, com a sua
chegada ao trono terminou a fase de benevolência em relação aos Países Baixos. O
novo monarca pôs fim à tolerância religiosa e substituiu os governantes nativos
por administradores espanhóis de sua confiança, subordinando os Países Baixos
diretamente à Espanha. A reação nos Países Baixos foi imediata, com a eclosão de revoltas por toda parte. A fim de reprimi-las, Filipe II enviou tropas espanholas sob o comando do violento duque de Alba. À repressão político-religiosa, somou se o confisco dos bens dos revoltosos, conforme relatou o duque de Alba ao rei: “Atualmente detenho criminosos riquíssimos e temíveis e os submeto a multas em dinheiro; logo me ocuparei das cidades criminosas. Desse modo às arcas de Vossa Majestade fluirão somas consideráveis”. Territórios da Casa de Habsburg ao tempo de Filipe II
Contra essa violência espanhola uniram-se dezessete
províncias dos Países Baixos para resistir melhor. Porém, a luta anticatólica,
antiabsolutista e antiespanhola dos Países Baixos começou a tomar, com o tempo,
uma coloração mais radical e passou a ameaçar a própria ordem social. A nobreza
e os ricos mercadores começaram a se sentir ameaçados em seus privilégios pela
crescente participação popular na rebelião antiespanhola, principalmente nas
províncias do sul - Bélgica atual. A fim de evitar o agravamento dessa tendência
indesejável para a camada dominante, as províncias do sul decidiram abandonar a
luta e se submeter aos espanhóis em 1579. No entanto, continuaram a resistir as
sete províncias do norte, que formaram a União de Utrecht, em 1581, e não mais
reconheceram a autoridade de Filipe II. Sob a liderança de
Guilherme, o Taciturno, prosseguiu a luta da União de Utrecht. Guilherme,
entretanto, foi assassinado em 1584, o que conduziu à criação de um Conselho
Nacional, integrado pela nobreza e pela burguesia. Nasceram, desse modo, as
Províncias Unidas dos Países Baixos na República da Holanda. Em sua luta contra a
Espanha, a Holanda foi apoiada ativamente pela Inglaterra. Assim, devido à tenaz
resistência holandesa e à ampliação do conflito, a Espanha aceitou finalmente
uma trégua - a trégua dos 12 anos: de 1609 a 1621 –, que foi, na prática, o
reconhecimento da independência da Holanda. Reflexos da
Guerra dos Países Baixos em Portugal. Desde a Idade Média, Portugal mantinha
com os Países Baixos relações comerciais, que se intensificaram na época da
expansão marítima. Os mercadores flamengos eram os principais compradores e
distribuidores dos produtos orientais trazidos por Portugal. Ora, essa situação
se alterou radicalmente com a Guerra dos Países Baixos. A Espanha, que nesse
tempo já havia incorporado o reino português, adotou, em represália aos Países
Baixos, medidas restritivas ao comércio com seus portos, incluindo Portugal. Para a Holanda, que
conquistara a independência, tais medidas tornaram-se permanentes. Porém, uma
vez vedado o acesso aos portos portugueses, os mercadores de Amsterdã decidiram
atuar diretamente no Índico. As primeiras experiências acabaram fracassando, mas
a solução para o comércio direto foi finalmente encontrada com a constituição da
Companhia das Índias Orientais (1602), que passou a ter o monopólio do comércio
oriental, garantindo desse modo a lucratividade da empresa. O êxito dessa
experiência induziu os holandeses a constituírem, em 1621, exatamente no momento
em que expirava a trégua dos 12 anos, a Companhia das Índias Ocidentais, a quem
os Estados Gerais (órgão político supremo da Holanda) concederam o monopólio do
tráfico de escravos, da navegação e do comércio por 24 anos, na América e na
África. A essa nova companhia deve-se creditar a maior façanha dos holandeses: a
conquista de quase todo o nordeste açucareiro no Brasil. Os holandeses na
Bahia (1624-1625). A primeira tentativa de conquista holandesa no Brasil
ocorreu em 1624. O alvo visado era Salvador, a capital da colônia. Os holandeses não
faziam muito segredo de seus planos. Diogo de Mendonça Furtado, governador da
Bahia, tinha conhecimento do fato, embora não tomasse nenhuma providência para
repelir o iminente ataque holandês. Resultado: no ano de 1624, quando a invasão
holandesa se efetivou, bastaram pouco mais de 24 horas para que a cidade fosse
completamente dominada. O governador Mendonça Furtado foi preso e enviado a
Amsterdã. O seu lugar foi ocupado pelo holandês Van Dorth. Passado o pânico
inicial, os colonos se reagruparam e começaram a resistência. Destacou-se aqui o
bispo Dom Marcos Teixeira, que mobilizou os moradores através do apelo
religioso: a luta contra os holandeses foi apresentada como luta contra os
heréticos calvinistas. Essa luta guerrilheira que então se iniciou, contabilizou
alguns êxitos, entre eles a morte do próprio governador holandês, Van Dorth.
Enfim, os holandeses foram repelidos por uma esquadra lusoespanhola, conhecida
com v nome pomposo de Jornada dos Vassalos. Essa primeira tentativa holandesa
durou praticamente um ano: de 1624 a 1625. Apesar do fracasso em Salvador, os holandeses foram amplamente recompensados, em 1028, com a apreensão, nas Antilhas, de um dos maiores carregamentos de prata americana para a Espanha. A façanha é atribuída a Piet Heyn, comandante da esquadra holandesa. Os recursos obtidos com esse ato de pirataria serviram para financiar uma segunda tentativa, desta vez contra Pernambuco. Domínio
Holandês no Brasil
Os holandeses em Pernambuco (1630 -1654), Em 1630, com uma
esquadra de setenta navios, os holandeses chegaram a Pernambuco, dominando, sem
maiores problemas, Recife e Olinda, apesar dos preparativos de defesa efetuados
por Matias de Albuquerque, governador de Pernambuco. Contra os
holandeses, organizaram-se as Companhias de Emboscada, grupos guerrilheiros
chefiados por Matias de Albuquerque, que iriam se fixar no Arraial do Bom Jesus,
situado numa região entre Olinda e Recife. Apesar de os holandeses estarem mais bem armados e contarem com um contingente apreciável de soldados, a resistência luso-brasileira possuía a seu favor o fator surpresa aliado ao melhor conhecimento do terreno. Porém, essa situação se alterou com a passagem de Domingos Fernandes Calabar para o lado holandês. A organização do
Brasil holandês. Até 1635 os holandeses estavam arcando com as despesas
militares da conquista. A Nova Holanda, que então se constituía, era, aos olhos
da Companhia das Índias Ocidentais, um empreendimento comercial de que se
esperava extrair altos lucros. Era preciso, portanto, colocá-la rapidamente em
condições de produzir. Para organizar os seus domínios no Brasil, foi enviado,
como governador-geral, João Maurício de Nassau-Siegen, que aqui permaneceu de
1637 a 1644. O conde
Johann Mauritius van Nassau talvez tenha sido o melhor administrador e o
político mais competente de toda a história do Brasil
Por 24 anos, os holandeses foram senhores de sete das 19
capitanias em que se dividia o Brasil do século XVII. Velhos parceiros
comerciais de Portugal, só atacaram a maior das colônias lusas porque travavam
com a Espanha a guerra por sua independência. Invadir o Brasil era unir o útil
do lucro açucareiro ao agradável da vingança contra um inimigo ancestral. A
tomada da zona produtora de açúcar do Brasil foi plano minuciosamente articulado
pela Companhia das Índias Ocidentais - empresa de capital privado que obteve do
governo holandês o monopólio do comércio com a América e a África. A invasão de
Salvador, em 1624, durou apenas um ano e deu prejuízo à companhia. Mas, em março
de 1630, os holandeses tomaram Recife, e lá ficaram até a sua expulsão, em
janeiro de 1654. Ao longo desse quarto de século, os sete anos chamados "tempo de Nassau" (1637 a 1644) marcaram o apogeu do domínio holandês no Brasil, originando a crença segundo a qual o destino do país seria mais nobre caso o projeto colonial da Companhia das Índias Ocidentais fosse mantido. No entanto, o fato é que, como o próprio Nassau previra, menos de um ano depois de sua partida - antes da qual o conde fez voar "um couro de boi cheio de palha preso por fios que a noite escondia” -, azedou-se de vez o doce Brasil holandês.
Março de 1644, noite. O conde Johann Mauritius van Nassau (ou João Maurício de
Nassau – governador e mecenas do Brasil holandês – conclamou o povo de Recife a
assistir a uma grande festa durante a qual, garantiu ele, um boi iria voar.
Houve quem logo duvidasse, é claro. Até os mais céticos, porém, devem ter
pensado duas vezes antes de rir na cara do conde. Afinal, não estavam eles na
cidade mais cosmopolita e avançada da América? Um jardim não floria onde antes
fora charco? O porto não fervilhava repleto de navios e de mercadorias de todo o mundo? Não produziam a pleno os engenhos? Oficiais ingleses e investidores judeus, aventureiros suecos, mascates escoceses, negociantes alemães e franceses às centenas não percorriam ruas impecavelmente pavimentadas? Além disso, naquela mesma tarde não fora inaugurada a maior ponte da América, um prodígio arquitetônico de 318 metros de comprimento? Desde que assumira como "governador, capitão e almirante-general das terras conquistadas ou por conquistar pela Companhia das Índias Ocidentais no Brasil", Nassau tinha tirado o país do chão. No dia da inauguração da ponte e da festa do boi voador, porem, ao "príncipe" só restavam dois meses de Brasil. Mesmo que um boi voasse, a obra de Nassau logo iria por água abaixo.
O governo de Maurício de Nassau. No governo de Nassau a preocupação com a
reorganização da produção açucareira se entrelaçou com as operações m' 'tares,
para garantir não só o funcionamento da economia como também a segurança. Assim,
ao mesmo tempo em que procurou a conciliação com os luso-brasileiros que
permaneceram no domínio holandês, Nassau tratou de ampliar a conquista
territorial. Por volta de 1641, o domínio holandês abrangia desde Sergipe até o
Maranhão. Das catorze capitanias, sete estavam sob o controle de Nassau. As
ações m' 'tares holandesas se prolongaram até a África, a fim de garantir o
fornecimento de escravos. No continente negro foram conquistados os domínios
lusos de São Jorge da Mina, em Angola. Quanto à política interna, Nassau
garantiu a recuperação das propriedades pelos seus antigos donos, ampliou o
crédito e promoveu empréstimos a juros controlados. Além disso, estabeleceu a
tolerância religiosa e a igualdade de tratamento para luso-brasileiros e
holandeses. Na Nova Holanda, o
esquema administrativo seguia o modelo da metrópole. Foram organizadas as
Câmaras dos Escabinos, que substituíram as Câmaras Municipais, mas os
luso-brasileiros tinham aí uma ampla representação. Elas eram presididas pelos
escoltetos, sempre holandeses, que atuavam como representantes dos interesses da
Companhia, além de acumularem a função de policia. Nos tempos de
Nassau, Recife foi remodelada. Ele trouxe consigo vários artistas, homens de
ciência, escritores e até teólogos. Dentre eles, podemos citar os pintores Frans
Post e Albert Eckhout, que registraram a fauna e fios locais; o astrônomo
Marcgrave; o médico Willem Piso, que estudou as doenças tropicais. Apesar de não
ter vindo ao Brasil, merece menção Piet Post, que projetou a Cidade Maurícia,
"cuja localização corresponde ao cocção da moderna cidade de Recife", conforme
observa o historiador Charles Boxer. Todavia, apesar da
política conciliadora e tolerante, de seu interesse cultural, enfim, de sua
atitude destoante em relação àquilo que se podia esperar de um governante ligado
à empresa colonizados, Nassau não conseguiu impedir que o domínio holandês
mergulhasse em contradições insolúveis... Contradições do
Brasil holandês. A Companhia das Índias Ocidentais, de cujos interesses
Nassau era representante, tinha como objetivo principal, é claro, a exploração
colonial. Não interessava a ela senão a transferência da renda colonial para os
seus cofres. Contudo, apesar dos altos lucros do comércio açúcar, a companhia
encontrava-se permanentemente deficitária. Isso naturalmente ocorria em virtude
dos altos custos de manutenção da Nova Holanda, com elevados gastos militares e
administrativos. Além disso, com o
tempo, o Brasil holandês foi conhecendo uma crescente polarização entre zona
rural (luso-brasileiros) e zona urbana (holandeses). Essa polarização era
resultado da própria estrutura da colonização: a produção açucareira estava a
cargo dos luso-brasileiros e os holandeses detinham o capital mercantil.
Repetia-se, portanto, no Brasil holandês a mesma estrutura já conhecida no
Brasil português, polarizada entre os senhores de engenho e a burguesia
mercantil metropolitana. As relações entre
plantadores luso-brasileiros e burguesia holandesa foram se tornando, com o
tempo, bastante conflituosas. É que os senhores de engenho luso-brasileiros que
ha viam contraído empréstimos com os merca dores holandeses não conseguiam
saldar suas dívidas. Esse fator foi responsável pela tensão social crescente que
começava a inquietar todo o corpo social, mas cujo afloramento foi escamoteado
pela habilidade de Nassau. Enfim, os desajustes em todos os níveis foram
ativados pela alteração da conjuntura européia em 1640, quando então Portugal
libertou-se da Espanha. O fim do domínio
holandês. A União Ibérica terminou com a ascensão de D. João IV ao trono
português, iniciando-se com ele a dinastia de Bragança (1640-1777). Com o fim do
domínio espanhol, do qual saiu completamente arruinado, Portugal tratou de
estabelecer com a Holanda uma trégua de dez anos. Ambos se comprometeram a não
ameaçar os respectivos domínios coloniais. A partir daí a
companhia resolveu diminuir seus efetivos m' 'tares a fim de conter os gastos. O
passo seguinte foi a demissão de Nassau e a supressão de seu oneroso estilo
administrativo. Nassau foi substituído em 1644 por um Conselho Supremo
constituído por três membros, aos quais Nassau recomendou tolerância no trato
com os luso-brasileiros. Esse conselho foi ignorado pela nova administração, que
se tornou, ao contrário, extremamente severa, particularmente em relação às
dívidas dos senhores de engenho luso-brasileiros e aos prazos para saldá-las. As
propriedades dos luso-brasileiros começaram a ser simplesmente confiscadas. Ao
mesmo tempo, a tolerância religiosa não era mais observada com o mesmo escrúpulo
dos tempos de Nassau. As tensões se acumularam e começaram a se manifestar na
forma de rebeliões, que, em seguida, se generalizaram. O ponto mais
sensível da Nova Holanda era Pernambuco. Aí foi desencadeado um longo processo
de rebelião conhecido como Insurreição Pernambucana, que teve início em 1645 e
terminou com a derrota dos holandeses em 1654. Reuniram se os rebeldes
pernambucanos em torno de lideres como André Vidal de Negreiros e João Fernandes
Vieira (ambos eram senhores de engenho), que até então estavam ligados aos
holandeses. Além desses, destacaram se o índio Filipe Camarão e o negro Henrique
Dias.
Domingos
Calabar: Guerrilheiro mulato, lutou ao lado de Matias de Albuquerque, mas se
passou aos holandeses em abril de 1632. Deu muito trabalho aos brasileiros.
Capturado em julho de 1634, foi torturado, enforcado e esquartejado. Destino
similar ao dos caciques janduí, poti e paraupaba.
Calabar, grande conhecedor da região, foi uma peça de fundamental importância para os holandeses expandirem o seu domínio territorial no nordeste. Com a chegada de mais reforços, os holandeses conquistaram o Rio Grande do Norte e a Paraíba. Em 1635, finalmente, caiu a resistência sediada no Arraial de Bom Jesus. Consolidou-se, assim, o domínio holandês. Entretanto, os resistentes chefiados por Matias de Albuquerque, em sua retirada, conseguiram capturar Calabar, que foi imediatamente executado. Nos confrontos que se sucederam a partir de 1645, os revoltosos acumularam vitórias: monte das Tabocas (1645), a primeira e a segunda batalha de Guararapes (1648 e 1649, respectiva mente). Na década seguinte, os holandeses se complicaram com sucessivas derrotas navais ante a Inglaterra, então potência emergente, o que veio facilitar a vitória final contra a Holanda no Brasil. Em 1653, finalmente, Portugal decidiu armar uma frota para lutar contra os holandeses. O domínio holandês terminou com a Capitulação da Campina da Taborda, em 1654. Entretanto, a formalização diplomática da vitoriosa insurreição pernambucana ocorrerá somente em 1661, com a assinatura da Paz de Haia. A
"Restauração" e a Nova Política Colonial
A crise econômica de Portugal
– Ao se libertar, em 1640, do domínio espanhol, a economia portuguesa estava
profundamente abalada. As sucessivas guerras em que Portugal participou ao lado
da Espanha, contra a Holanda e demais potências, tiveram como resultado a quase
completa ruína de seu império colonial. Portugal conservou as suas possessões
africanas (Angola e Guiné) e o nordeste brasileiro, que foram reconquistados,
mas perdeu, irremediavelmente, o controle do comércio oriental. O Brasil havia
se tornado, sem dúvida, a mais valiosa possessão portuguesa. Porém, mesmo o
açúcar, cuja produção tinha sido monopólio do Brasil, começou a sofrer forte
concorrência holandesa, já que os holandeses haviam transferido para as Antilhas
toda a técnica de produção do açúcar que tinham aprendido no Brasil. Nascia,
dessa forma, o mais poderoso concorrente do açúcar brasileiro, que, agora, já
não contava com o bem-montado esquema holandês de distribuição do produto no
mercado europeu. A derrota dos
holandeses em Guararapes: momento importante da luta iniciada com a Insurreição
Pernambucana
Bastante debilitado, não restou a Portugal outra saída que
não a de aplicar com toda rigidez a política mercantilista, objetivando uma
eficaz exploração colonial do Brasil. O "círculo de ferro
da opressão colonial". Essa expressão é do historiador Caio Prado Jr. Ela
sintetiza admiravelmente a nova situação do Brasil a partir de meados do século
XVII. A nova política
colonial portuguesa começou a caminhar no sentido da maior restrição: em 1661
proibiu-se o comércio do Brasil com navios estrangeiros; em 1684, foi proibido
aos navios brasileiros aportarem no estrangeiro. O exclusivo metropolitano
implantava-se rápida e rigidamente, tornando-se a metrópole a inintermediária
obrigatória entre Brasil e Europa. A fim de garantir o
monopólio do comércio e transferir boa parte da renda colonial para a metrópole,
foram criadas as companhias de comércio, inspiradas no exemplo holandês. Em
1647, foi fundada a Companhia Geral do Comércio do Brasil (extinta em 1720), que
passava a ter o monopólio do comércio colonial do Rio Grande do Norte para o
sul. No ano de 1682 foi criada a Companhia do Comércio do Estado do Maranhão
(extinta em 1685) e cujo monopólio abrangia as regiões acima do Rio Grande do
Norte. Ambas as companhias tinham tanto o monopólio da venda de produtos metropolitanos, in incluindo escravos, como o da. compra de produtos coloniais. À medida que as companhias tornavam-se os únicos agentes da oferta e da procura, tenderam a impor preços altos na venda de seus produtos e preços baixos na compra de produtos coloniais. Abria se, assim, um abismo entre os interesses coloniais e metropolitanos que não cessará de se ampliar com o tempo. As tensões afloraram, dando origem às rebeliões na. colônia. O arrocho
administrativo. O "círculo da opressão colonial" não se limitou apenas às
providências de exploração colonial. Simultaneamente, a organização política
sofreu profundas alterações, a fim de se adaptar às novas necessidades de
exploração. Não existia em
Portugal um órgão voltado exclusivamente para a administração colonial.
Normalmente as questões administrativas eram competência de seções ordinárias da
burocracia metropolitana. Uma das decisões mais significativas ocorridas com a
Restauração foi a criação do Conselho Ultramarino por D. João N, em 1640,
regulamentada em 1642. O novo órgão nasceu subordinado à Secretaria de Estado
dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos e estava encarregado
exclusivamente da administração colonial. Foi esse o passo decisivo para a
centralização administrativa cola colonial. Esse novo órgão centralizador veio
concluir o processo iniciado em 1549, com a instalação do governo-geral. Com o
Conselho Ultramarino, os poderes dos donatários, que já haviam sido limitados
com a criação do governo-geral, diminuíram sensivelmente. Seus poderes ficaram
praticamente limitados aos direitos tributários que estabeleciam os forais.
Estavam agora estritamente subordinados ao representante do rei, o
governador-geral. Significativamente, os governadores-gerais começaram a ser
chamados de vice-reis, embora tal denominação só se oficializasse em 1720. Outra transformação
observada foi o declínio dos poderes locais. As Câmaras Municipais foram
reduzidas a meros órgãos de execução das ordens emanadas dos governadores. Nos
lugares dos antigos juízes ordinários que presidiam as câmaras, foram colocados
os juízes de fora, nomeados belo rei. A autonomia das câmaras, outrora tão
poderosas, foi neutralizada e, em Salvador - capital da colônia -, os próprios
vereadores passaram a ser diretamente nomeados pelo rei, como podemos ver no
novo organograma da administração colonial apresentado abaixo. Daí em diante,
até a extinção do regime colonial, o órgão supremo da administração seria o
Conselho Ultramarino.
Observe bem: embora "glamurosa", a expulsão dos holandeses do Brasil, segundo o historiador Evaldo Cabral de Melo, em estudo recente, custou aos cofres públicos portugueses uma indenização equivalente a 63 toneladas (isso mesmo, SESSENTA E TRÊS TONELADAS!) de ouro, que a coroa portuguesa pagou ao longo de quarenta anos em prestações anuais sob pena de sofrer novas invasões. Esta espécie de seguro contra ataques holandeses ao Brasil, obviamente lucrativo para a Holanda, pouco ou nada custou a Portugal, que simplesmente retirava o ouro das Minas Gerais, recém-descobertas... Bibliografia: História do Brasil - Luiz Koshiba - Editora Atual História do Brasil - Bóris Fausto - EDUSP
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