Cultura Brasileira: no ar desde 1998

 

 

Humor Doméstico Também é Cultura

 

 

 

“Que Interessante! Digo eu sem interesse algum...”

            Às vezes alguém me mostra ou convida a participar de algo absolutamente irrelevante, insignificante ou banal quando não abertamente repugnante! Para me libertar do problema e deixar claro – de preferência de maneira simpática – que prefiro não participar desse tipo de coisa (assistir programas televisivos, ver postagens ridículas de gente idem no Facebook, ouvir um político brasileiro atual falando sobre o que quer que seja ou receber a visita de gente religiosa me convidando a abandonar a Razão e aderir ao seu ramo de Irracionalismo, coisas assim) costumo olhar com bastante atenção e dizer bem alto: “QUE INTERESSANTE!” A seguir continuo, num tom de voz compatível com o ouvido de meu algoz: “disse ele sem interesse algum...” Em geral funciona. Por algum tempo. Rapidamente alguém aparece com outra abominação e me obriga a alguma variação, como “QUE LEGAL!” – “disse ele achando tudo um saco!”

 

 

“Que foi cara? Bebeu tinta?”

            Conta-se que certa família desejava interditar um cidadão como louco e o coitado se dirigiu a um psiquiatra para uma avaliação. Após conversar por mais de DUAS HORAS, o Psiquiatra não percebeu qualquer irregularidade ou loucura maior que a da maioria. Disse: “olha, o amigo está tão normal quanto se é de desejar entre os primatas humanos, vou emitir um parecer contrário à sua interdição!”. O sujeito agradece e, já se despedindo, toma o vidro de tinta da caneta do psiquiatra – minha história se passa num tempo que ainda se usava canetas-tinteiro e mata-borrões; ou no consultório de um psiquiatra excêntrico que mantinha esse tipo de relíquia em cima da mesa, ao alcance de sua clientela – e bebe até a última gota!

            Assim, quando alguém parece que vai indo, vai indo, de repente desliza por um caminho pouco ou nada Racional eu falo: “Que foi, cara? Bebeu tinta?”

            Exemplos:

_ Um cidadão aparentemente lúcido do ponto de vista político, começa a fazer um discurso feroz acerca da roubalheira de dinheiro público que se tornou uma vergonha nos tempos atuais e conclui: “é por isso que voto no PT, temos de trazer a ética de volta para a política” – Esse Bebe BALDES de tinta!

_ Faço uma – mais uma – crítica violenta e virulenta acerca da incompetência catatônica de a TV Globo falar um mínimo de verdade e exemplifico com os preços todos em alta e o noticiário a falar de “queda da inflação” ou mesmo que “o preço dos alimentos diminuiu” – tenho cinco séculos e meia década de idade: JAMAIS testemunhei um único mercador baixar o preço de item algum dos que comercializa. No máximo, os preços não sobem tanto ou o mercador o reajusta menos, ou mesmo “faz uma promoção”... Meu eventual interlocutor retruca: “é por isso que só assisto a Gazeta e o SBT”. Bebeu tinta...

 

Área de Despachos com a Presidência da República

            Toda a casa tem uma. Casas burguesas bem ricas têm até mais de uma: várias! É onde vamos fazer um intervalo hídrico após beber muita água ou um intervalo mais substancial nos momentos propícios. É o melhor lugar da casa para emitir um parecer SÓLIDO sobre os descaminhos do governo brasileiro! Imprescindível!

Se cobrir vira circo, se cercar vira cadeia...

            Usualmente mando meu despacho para a Presidente da República toda a manhã, “como um relojinho”, segundo diz a propaganda de famoso laxativo. Com alguns retornos ao longo do dia que se há algo que não me aflige é prisão de ventre! Minha mãe, com quem moro e de quem cuido há 15 anos, pelo contário, por vezes tem dificuldades e eu sempre pergunto: “E aí, Mãinha! Já conseguiu despachar com a Presidência hoje?”. Por vezes a resposta é: “Nossa... Ainda não...” Isso costuma ser preocupante; prefiro quando ela me diz algo como: “Mandei! Mandei pra ela, para todos os outros candidatos e até mesmo para o Congresso e o Supremo!” Aí sim!

 

“Óleo de Fígado de Lontra”

            A lontra é um roedor aquático, desses que costumam fazer diques para pescar e não tenho a menor idéia da utilidade terapêutica do fígado do bicho; exceto, claro, para o próprio bicho! E vivo!

            Usualmente fico no meu escri (se fosse um pouquinho maior chamaria de “escritório”) e só vou até a sala quando Mãinha precisa de mim para algo: levar um copo d’água, ajudá-la com o computador, pois ela se acostumou bem mesmo com o Facebook ou mesmo para fazer um pouco de companhia. O problema é que ela assiste televisão. E gosta! Eu não assisto televisão. Nunca. Só quando vou até a sala e está ligada. De tarde, em geral tem uma senhora cujo exame cadavérico anseio por ver: estimo que ela tenha entre 50 e 60 dentes em cada arcada dentária e fala sem parar, em geral nada – e é realmente impressionante como alguém consegue tagarelar sobre nada. E sem parar sequer para respirar! Em geral apresenta casos monstruosos de crimes comuns, “ex-namoradas” de jogadores de futebol querendo pensões gordas, velórios, assassinatos, sequestros, comentários sobre novelas: desgraças em geral. Durante pouco tempo. A propaganda toma a maior parte do programa que frequentemente promete algo para “o próximo bloco”, não apresenta e promete – também sem cumprir – “para o dia seguinte”. Ao término da propaganda de um produto qualquer, em geral de qualidade menos que duvidosa, “vai dar um girinho”, o que significa mais propaganda, desta vez institucional da Emissora que a contratou. Ao voltar, mais propaganda! E minha Mãinha gostando...

            Uma que me chama a atenção pela quantidade de vezes que vejo repetir – repete mais que a propaganda da página brasileira dos “médicos sem fronteira”, sabe-se lá se tem vínculo com a entidade de mesmo nome... – fica do lado de um cara com tantos dentes na boca quanto os dela anunciando o tal do “Óleo de Fígado de Lontra”. Prestei atenção um dia: é óleo de qualquer coisa, sequer mencionam se é de origem animal ou vegetal; parece que é um comprimido para emagrecer sem precisar fazer dieta ou ginástica – na melhor das hipóteses, comprimidos de nada; placebo. Na pior, nem deus, que não existe, poderia saber! Não apresentam estudos clínicos comprobatórios de resultado algum, mas insistem sempre: “na compra de um, você leva dois vidros de Óleo de Fígado de Lontra e uma Trena para medir a circunferência de sua pança, comprovando o efeito emagrecedor do produto que só pode ser comprado por telefone”. Se o Brasil um dia se tornar um país sério, produtos daquele tipo – e com vendas “exclusivamente por telefone” – deverão ser PROIBIDOS pelo menos até que se faça um estudo sério para comprovar sua eficácia: testemunhos de gente que tomou “e se sente melhor” não vale! Não vale nada mesmo!

 

            E volta a desgraceira e choradeira: é mais uma garota que dormiu um dia (se fosse um tiquinho sincera diria pelo menos que “ficou acordada uma noite”) com um jogador e agora quer que ele dê a ela uma pensão milionária – sei lá, fica até parecendo uma forma pouco sofisticada de prostituição sem que o acerto do preço se dê com a devida antecedência... É um cara que assegura não haver matado ninguém... Quando é velório, ficam uma semana canonizando o defunto, em geral completamente desconhecido. Mas o Óleo de Fígado de Lontra deve vender que é uma maravilha, pois conseguem pagar o que parecem ser milhares de inserções por programa!

 

O "CUDUM”

            Sinônimo de tabu...

            Desde a morte de meu pai em julho de 1974 até hoje há muitos objetos pessoais, discos de vinil, gravadores de fita cassete e coisas assim que guardamos num quarto “para arrumar depois”. Com o passar das décadas e dos cônjuges (Minha mãe teve cinco filhos; só um vivo. Os outros se casaram. E são reincidentes!) mais coisas sobraram e foram sendo guardadas no quarto “para arrumar depois”.

            Um dia, animado, pensei em mexer nos antigos discos de vinil a ver se conseguia verter algumas músicas daquele tempo para MP3. Me arrependo até hoje de haver ingressado naquele quarto! Entrar ali é como mexer no cu dum! Daí apelidei o lugar – que passei evitar até olhar – de “Quarto Cudum”.

            Cada loucura com sua família...

 

            

 

 
 

Cuidado, ele “subiu no coqueiro”!

 

            Dia desses ouvi um dos Audiobooks do primatologista Frans de Waal e uma das coisas mais admiráveis nele é o fato de tratar os grandes macacos – gorilas, chimpanzés, humanos e bonobos – a partir de uma perspectiva fundamentalmente zoológica, radicalmente científica e estudar mais as similitudes que as raras diferenças entre estas espécies que claramente têm um ancestral comum. Uso aqui a expressão “Grandes Macacos” para diferenciar dos pequeninos micos; em inglês é mais fácil: gorilas, chimpanzés, humanos e bonobos são APES; já aqueles de pequenino porte e com rabos acentuados são chamados de MONKEYS.

            Certa feita, conta-nos de Waal, um gorila subiu num coqueiro em um zoológico na Holanda e, zangado, jogou todos os cocos que encontrou na direção dos observadores – por sorte, ninguém se machucou. Mas achei engraçado e, quando um de meus familiares ou amigos fica nervoso a respeito de alguma coisa digo que “subiu no coqueiro”.

            “E o fulano? Xiii, não mexe com ele hoje não que ele subiu no coqueiro!”

            A propósito, entendo o frisson causado por alguns primatas evoluídos que se divertem indo às multidões assistir a dois grupos de primatas rivais disputar pelo domínio de um coco de borracha (ou couro...). São comuns os casos de violência brutal nestes lugares de grandes aglomerações e emoções exaltadas, por sinal. De uns tempos para cá, um dos primatas da platéia, quando não gosta da cor da pele de um dos primatas em campo, pretende insultá-lo chamando de “macaco”. Entendo as implicações culturais desse tipo de coisa, mas falta raciocínio por toda a parte nesta questão!

            Somos TODOS macacos, pôrra! O que nos diferencia das outras espécies de macaco é o lobo frontal, a área do cérebro que permite falar, imaginar (inclusive imaginar-se superior), acreditar em fantasmagorias, emitir cheques sem fundo, ser racista, etnocêntrico, preconceitoso, se casar, se divorciar, se casar de novo, contar e acreditar em mentiras amorosas ou políticas, etc. Em minha opinião, esse pessoal tem de descer do coqueiro, colocar a mão na consciência e parar com esses “insultos”...

 

Primata insulta outro chamando-o de "macaco"...

 
 

O lobo frontal nos permite, entre outras coisas, que sejamos capazes de falar e expressar nossos preconceitos contra membros da nossa própria espécie animal

 
 

 

Vírgula!

 

            Quando eu tinha 16 anos ainda havia perspectiva de futuro para os jovens. Pessoalmente, tencionava prestar concurso para a Força Aérea Brasileira, estudar na Escola de Sargentos da Aeronáutica e ir trabalhar no Rio de Janeiro (onde nasci), ficando com uma boa renda – o era, à época... – e tempo de sobra para estudar o que eu desejasse à noite. Ter uma fonte de renda e tempo livre é fundamental para quem deseja estudar e aquela era a minha motivação!

            Embora sejam Instituições Totais (o tipo que mantém as pessoas em uniformes, faz chamadas periódicas, exerce um controle sonoro do tempo e coisas assim) Quartéis são diferentes de Conventos, claro está. As profanidades que os militares se falam uns aos outros – no meu tempo, antes do ingresso feminino nas Armas – até como afirmação de masculinidade isso era praticado. Palavrões eram tão comuns no quartel como as mentiras no Congresso ou na Televisão.

            Quando ingressei – de novo por Concurso Público – no Magistério, sendo incluído na reforma compulsória, portanto, passei a buscar depurar minha linguagem mas há coisas que ficam para toda a vida, particularmente quando se passa 15 dos primeiros anos da formação intelectual numa Caserna!

            Presentemente, ejetado do convívio social onde moro, complemento meus parcos e minguados vencimentos da FAB exercendo minhas funções de Magistério pela Internet. Isso vem a calhar quando se tem uma mãe idosa precisando de cuidados e atenção 24 horas por dia. É minha principal interlocutora, meu sustentáculo intelectual e moral e mesmo meu “freio” quando não ouso um artigo mais contundente ou uma postura política mais ligada à prática.

            Conversando com Mãinha (nasceu na Bahia, onde é praxe que os filhos chamem assim a suas mães, se lhes têm carinho, respeito, consideração e amor) por vezes me confundo e fico um tanto zangado – jamais a ponto de “subir no coqueiro”, que ela está tremendamente fragilizada!

            Exemplifico:

_ Ela me pergunta (ah, sei lá...) se Baiano se escreve com “h” antes do “i” ou não. Ora, ela nasceu na Bahia e já escreveu isso sobre si mesma um sem-número de vezes. Digo: “Mãinha... Não faz assim que filhinho não gosta...” – É Baiana é ponto final! Sem mencionar que o corretor ortográfico do Word e do Firefox não permitem a grafia errada.

_ Me pergunta se o Livro de Jó fica no Antigo ou no Novo Testamento. E aqui há um duplo problema: eu sou ateu! Certo, já li a Bíblia em Português, Inglês e Alemão (com trechos em Latim e Grego) algumas dezenas de vezes, pois é uma Obra que já acompanha a nossa Cultura e Civilização há pelo menos dois milênios. O segundo problema é que ELA é cristã e já leu a Bíblia algumas centenas de vezes também. Está “careca” – não tenho o menor problema com o termo, assim como não tenho com os macacos, aliás... – de saber que Jó viveu “Antes de Cristo”, que o Livro de Jó fica exatamente no meio da Bíblia, sendo o primeiro livro antes dos Salmos (que é um dos livros mais lidos do Antigo Testamento). Digo-lhe em resposta: “Mãinha... Não faz assim que o filhinho não gosta...”

            Melhor que dar uma bronca, faz a pessoa pensar e deduzir por si mesma o que já sabe sobejamente!

            Agooora... Se apesar de tudo ela me convida para assistir “A Dança dos Famosos”, “Quem Quer Dinheiro” ou a dona cheia de dentes fazendo propaganda de Óleo de Fígado de Lontra entre um esquartejamento e outro eu apelo. Sou só humano. Mãe (aí uso o tratamento formal, não dá pra dar bronca e chamar de Mãinha ao mesmo tempo, pôrra!), eu já disse que não gosto desse tipo de coisa, pôrra! Aos poucos ela foi entendendo e comentou com Maninha: “aquela palavra – que ela não repte – para ele é vírgula...” Assim, decidi pelo menos pior dos mundos e, se me chama mais uma vez para assistir “Manhattan Connection” ou qualquer outro programa fascista de alguma emissora, eu digo simplesmente: “Mãinha, não gosto disso, VÍRGULA!” Ela entende... ;)

 

 

 

“Bebendo a Vida de Canudinho”

 

            Eu e meu irmão, o Dálton, sempre fomos muito ligados. Eu, ele e mAninha somos os mais ligados dos cinco irmãos, por sinal. Temos uma amizade e cumplicidade inabaláveis!

            Quando meninos, de vez em quando, líamos gibis. Preferíamos jogar bola de gude, soltar pipa, brincar de pique e qualquer atividade que envolvesse correr e pensar. Bastante. O contrário do que se desincentiva a molecada a fazer atualmente, sabe como é?

            Nosso preferido era o “Asterix, o Gaulês”, que chegamos a ter a Coleção Completa. Depois os filhos e sobrinhos foram pedindo empresta-dado e hoje já não há mais nenhum. Em compensação algum aficcionado com bom coração converteu todos eles em PDF e assim temos a Coleção Completa do Asterix novamente! Sem falar nos filmes e desenhos, que alguns (poucos, na verdade) tiveram magnífica adaptação!

            Inescapável, na infância, o Pato Donald com toda a ideologia (conforme descrito no EXCELENTE, e esgotado, e brutalmente criticado pela direita “Para Ler o Pato Donald: Comunicação de Massa e Colonialismo”, de Ariel Dorfmann e Armand Mattelart – se o eventual leitor se interessar deve-se encontrar em sebos nas grandes cidades...)

            Pois bem, numa das historinhas, o Huguinho, o Zezinho e o Luizinho (sobrinhos do Pato Donald que, seguindo ainda Dorfmann e Mattelart, ninguém naquelas historinhas é pai ou filho de ninguém, todos são parentes em segundo grau, etc.), cientes da rivalidade entre o tio Gastão – um pato tão sortudo que, se abrisse um buraco no chão jorrava petróleo! – e seu tio Donald preparam um “torneio de limonada”. Torcem para o Donald, e nós também, claro. Os meninos lêem no “Manual do Escoteiro Mirim”, um livro que trazia absolutamente tudo sobre todos os assuntos – e isso muitas décadas antes da popularização da Internet! – que há duas alternativas para se fabricar o vencedor do concurso: fazer a limonada com muito açúcar obrigará um dos competidores a desistir mais rapidamente por fastio OU fazer a limonada completamente ou quase completamente sem açúcar levando o competidor hostilizado a desistir até por dores nas glândulas da garganta!

            Ao fim das contas os “Escoteiros Mirins” decidem ser honestos e toma fazer limonada. BALDES de limonada. Chega um ponto em que o desenhista foi muito feliz e desenhou o Donald com uma barriga gigantesca, absolutamente enfastiado, já deitado numa rede e bebendo a limonada com um canudinho no canto da boca, pouco antes de desistir que o maldito Gastão SEMPRE levava a melhor!

            Este significante, para nós, flutuou. Sempre que estamos de saco cheio de alguma coisa dizemos metaforicamente que estamos, por exemplo, “lendo esse texto de canudinho” ou “assistindo a esse programa de canudinho” ou, em face de um tremendo cansaço existencial, que estamos “bebendo a vida de canudinho”.

            Pode ser bobagem, mas se eu não explicar essas coisas, uma pessoa que caia de para-quedas numa conversa entre nós ficará “vendida no lance” e compreenderá muito pouco do que se está dizendo...

            Humor Doméstico, enfim, também é Cultura!

Lázaro Curvêlo Chaves – 21/09/2014

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