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A Destruição da Razão
Para quem trabalha com a palavra escrita ou falada como professores ou jornalistas, sendo eu mesmo dublê de ambos, é frustrante em grau superlativo percebermos não adiantarem de nada os argumentos racionais diante da poderosa propaganda bancária e governamental. Favor manter em mente que sempre uso expressões como “bancos”, “governo”, “Estado” e “crime” em grau profundamente depreciativo, ou seja, racional. Há não muito tempo acompanhamos uma série de escândalos e descalabros que afetam a vida de milhões de brasileiros e brasileiras e não houve mobilização, correntes de e-mail ou coisa parecida, relembremos apenas alguns, ao acaso: _ março de 2003 – Henrique Meirelles, funcionário de carreira do Bank Boston nomeado presidente do Banco Central com mais autoridade e autonomia que a Presidência da República. Ficou claro o rumo que a política lulo-petista seguiria: a favor dos banqueiros e megaespeculadores, contra o povo brasileiro. Não me lembro de uma grande corrente de e-mail ou indignação popular contra esta Traição, verdadeiro estelionato eleitoral cometido por Lula da Silva. _ junho de 2004 – criados quase 50.000 cargos em comissão para petistas, aparelhando a máquina governamental. Nenhuma corrente de e-mails ou protestos nas ruas. Tudo aceito com naturalidade salvo honrosas exceções. _ dezembro de 2004 – o governo decide demonstrar a sua versão de “separar o joio do trigo”, joga fora o trigo e fica com o joio: expulsa os autênticos do PT e se alia aos fisiológicos. Nenhum manifesto público de relevância se fez presente. _ janeiro de 2005 – aprovadas medidas de taxação de aposentados e pensionistas na fúria arrecadatória do governo. Nuncaantesnestepaís se arrecadou tanto em impostos e se os desviou tanto para a ciranda financeira. A dívida brasileira (gerida de maneira excêntrica para dizer o mínimo, criminosa é a expressão racional cabível) supera a barreira de 1.000.000.000.000,00 (UM TRILHÃO). Um escândalo que derrubaria qualquer governo em qualquer país sério. Aqui nem um manifesto, nenhuma corrente de e-mails, nada de manifestações nas ruas. Tudo quieto... _ novembro de 2005 – o fisiológico Roberto Jefferson denuncia o mensalão – o suborno a parlamentares para que votem contra o povo brasileiro, a favor do governo fantoche dos bancos. Algum frisson, um ministro cai e segue no poder e tudo fica na mesma. Nada de correntes de e-mail ou protestos nas ruas. _ julho de 2005 – após a CPMI dos Correios deflagrada pela denúncia robertojeffersoniana Lula da Silva se manifesta publicamente a uma repórter contratada pelo Planalto para entrevistá-lo em um castelo nos arredores de Paris e ele confessa que prevaricou (Art. 319 do Código Penal Brasileiro), que a corrupção, a compra de votos e o “caixa dois” é prática comum no Brasil. Não me lembro de uma corrente de e-mails, protestos ou coisa similar. Tudo aceito na maior tranqüilidade... _ setembro de 2006 – um bando de petistas é flagrado pela Polícia Federal com mais de R$ 2 milhões (a maior parte em dólares!) destinados a comprar um dossiê forjado contra a candidatura oposicionista a Lula da Silva. Esta montanha de dinheiro só pode ter origem nos cofres públicos – fruto dos impostos que pagamos para ter boa educação, saúde e segurança pública desviados para a corrupção e flagrados. Resultado? Todos perdoados e/ou enroscados no complexo e moroso aparato judicial brasileiro. Até a tucanada aderiu a Lula da Silva e se calou. Não se busca mais a origem dos grandes crimes de lesa-pátria. “Não é de bom-tom”... A grande merda é uma tendência desgraçada a fazer com que todos olhem para essas coisas - muito mais escandalosas e destrutivas que o cruel e monstruoso assassinato de uma criança de 6 anos, até porque também nos assassina aos poucos e os corpos das vítimas se acumulam diante de tanta impunidade - e dizer "ah, disso eu já sei... Próximo assunto?" O poder da propaganda é assustador! Poucos mantém ainda a capacidade de se indignar diante de tantos crimes hediondos praticado pelos bancos e seu governo fantoche. O crime organizado pelos bancos, governo e legislativo contra o povo brasileiro acumula vítimas e os cadáveres são deixados ao leu pelo país afora. Se esse negócio (péssimo negócio para a maioria, excelente para os poucos que estão hoje na cúpula) causa estragos à Nação Brasileira, é preciso repetí-lo à exaustão! Não foi assim que a Rede Globo de Telealienação e as outras emissoras que a macaqueiam forjaram o pensamento único em direção à indignação do povo contra o crime bárbaro do Rio de Janeiro semana que passou? Pela repetição no Jornal Nacional (já prestou atenção nos comerciais? Quem patrocina o Jornal Nacional é o Governo Federal, o Bradesco, o Unibanco e o Itaú. Como esperar que essa gangue patrocine algo digno da mais remota credibilidade ou do genuíno interesse do povo brasileiro?) A Globo, “naturalmente” aumentou a audiência e o faturamento desviando a revolta popular do péssimo encaminhamento do governo dos banqueiros e da falta de justiça "de cima para baixo" para uns miseráveis mal formados e sem perspectiva de futuro que cometeram mais um crime atroz que clama por justiça. Transformou o assassinato de uma criança em condições monstruosas num lucrativo espetáculo até o próximo crime escandaloso - desde que cometido por gente pobre, desesperada e distante dos bancos e do desgoverno. A moda, embora irracional, pegou firme: a maioria segue os ditames da mídia e se revolta contra os criminosos criados pelo desgoverno incompetente para prover boa educação e perspectivas de futuro aos nossos jovens. Revolta contra os criminosos criados como um resultado do desgoverno é amplamente aceita. Estimulada e amplamente patrocinada, até! Poucos se rebelam ou protestam contra o governo que fabrica estes criminosos em escala industrial. Para a maioria da população brasileira, "esse assunto chateia", "todo o mundo já sabe" e ninguém quer sequer pensar em solução. A começar pelas Universidades que se tornam centros venais de formação em puerilidades. Não está resolvido, a resolução é complexa e levará anos. Como a Globo, a maioria fica propensa a se ater ao miudinho. Rende mais e não chateia o governo, o crime organizado dos bancos e seus marionetes no Planalto e no Congresso... O tempora!
E o biodíesel?
Pois é... Outra coisa que “todo o mundo sabe” é que são necessárias fontes alternativas de energia. Não interessa ao Império Ianque, controlador do mundo, ficar na dependência do petróleo dos árabes e venezuelanos. Várias guerras e campanhas cruentas são feitas em função das necessidades de um magote de líderes do Império, à revelia dos povos do mundo. O Brasil apresenta mais uma solução brilhante que me obriga a resgatar Josué de Castro – aclamado por todas as pessoas lúcidas do país na década de 60 com sua Obra monumental em linguagem extremamente simples e explosiva, a “Geografia da Fome”. Quem viajar de Campinas a Franca, no interior de São Paulo, percorrerá milhares de quilômetros de estradas em estado razoável margeada por plantações de cana-de-açúcar. Neste ponto do Brasil está um dos tipos mais férteis de terra de todo o planeta. Poderia erradicar de vez a fome do Brasil se nos dedicássemos a plantar trigo, arroz, feijão, leguminosas e verduras para o consumo interno... Mas a necessidade de fontes renováveis de energia faz com que se considerem automóveis mais importantes que seres humanos e aquela vastidão de terra fértil é usada com outras finalidades... Lula da Silva e sua farândola também precisam deixar aqui, como gambás, a sua marca, o seu cheiro. Uma das principais fontes de alimentação do Nordeste é a mandioca, vegetal teimoso, que cresce prosperamente em terreno não muito bom e a partir do qual se faz farinha, tapioca e por aí vai. Com a nova invenção do tal do biodíesel substitui-se a mandioca comestível pela mamona, da qual se extraem os fluidos necessários ao alimento de automóveis. Mais uma vez, Lula da Silva imita a ditadura militar e substitui o comestível pelo combustível. E o povo? Satisfeitíssimo! A propaganda ufanista atinge níveis paroxísticos de sofisticação e distanciamento da realidade.
O carnaval, o trote e a propaganda
Bom, vem aí o carnaval, carne a vau, como dizia o poeta, e não é oportuno pensar em coisas sérias em momentos de diversão. E cá pra nós, diante de tantas e tamanhas agonias, o povo merece alguma distração mesmo. Não é racional, mas é necessário. Ministrando aulas na ETEFEV (Escola Técnica Estadual Ferreira Viana) na Tijuca, Rio de Janeiro, e contando com grande empatia entre os alunos recebi da diretora a incumbência de amortecer o trote que seria aplicado no ano seguinte aos calouros como ocorre todos os anos. Tive algum sucesso, vá lá. Mas os argumentos dos meninos são curiosamente semelhantes a este que justifica Lula da Silva e sua quadrilha: “Eu passei por isso também em meu tempo e agora vou à desforra.” “Sei que está errado, mas todo o mundo faz.” Na fila do supermercado me queixo: levo cada vez mais dinheiro e trago cada vez menos coisas – e de qualidade inferior. Unanimemente sou contraditado na fila: “as coisas estão ficando mais baratas e nós estamos ganhando mais” – diz uma senhora com seu meio-quilo de carne moída à minha frente. “Pode ser que esteja afetando a nós, a poderosa classe média, mas nuncaantesnessepaís os pobres tiveram tanta prosperidade”, diz o cavalheiro com seus 200 gramas de mortadela na fila ao lado. “Isso é papo de comunista! Eu vi na televisão! Está tudo muito melhor, sim senhor!” – diz a mocinha que carrega uns desodorantes baratinhos enquanto conta moedinhas em sua bolsa e retira alguma coisa de suas compras pois calculou mal o orçamento. Na saída, arrisco uma conversinha que tento fazer banal com uma conhecida minha, mãe de um ex-aluno: “e aí, seu filho já está na Faculdade? Por qual carreira optou?” A resposta me deixa embaraçado e silente: “faculdade? Pra quê? Tenho um vizinho que se formou em direito e hoje, advogado com registro na OAB, é motorista de caminhão! O Lula é analfabeto e chegou à presidência da república! Para ter sucesso no Brasil ninguém precisa estudar, tem de ser é muito esperto e saber defender o seu a qualquer custo!” Como combater racionalmente uma propaganda tão maciça e massificante? Até algumas pessoas que me honram com uma visita aqui à pagininha me intimam a falar bem desta quadrilha que está governando o país – não raro usando as expressões mais chulas de nosso idioma que, infelizmente, sequer dominam apropriadamente... Com tanta propaganda bancária e governamental nas redes de rádio, TV, revistas e jornais – além de tantas páginas na Internet – é preciso, até por um direito democrático, apresentar algum tipo de contraponto, ora pílulas!
Lázaro Curvêlo Chaves – 15/02/2007
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