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Le Clitoris, Ce Cher Unconnu, com título em português “Clitóris, prazer proibido”

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Documentário de Michele Dominici, Moszinski Variety Firmin e Stephen - 2003, , transmitido no Brasil à noite pelo canal GNT, tratado do tema-tabu “prazer sexual feminino”. Tabu, por sinal, derivado de uma sociedade esquizofrênica que considera “racional” a exploração do homem pelo homem e “irracional” o que atrapalha o bom andamento dos lucros financeiros, como o prazer e o lazer. Quanto dinheiro se pode ganhar ensinando aos casais – estima-se que mais de 70% das mulheres jamais tiveram um orgamo em toda a sua vida! – o funcionamento exato da fisiologia feminina, simplificando a realização plena da satisfação e do prazer? Herbert Marcuse, em Razão e Revolução, informa-nos que “a beleza da Mulher, promessa de felicidade, é um atentado contra uma sociedade obsessivamente devotada ao lucro financeiro”.

O desconhecimento da fisiologia feminina deve-se, em grande medida, aos problemas advindos de uma sociedade irracional por definição que se encontra, mesmo hoje, pressionada por normas sociais, religiosas e mesmo advindas da psicanálise.

Hoje, apesar dos parcos descobrimentos acerca dos mecanismos da sexualidade feminina, sabemos que o único papel do clitóris é dar prazer e é inervado como nenhum outro órgão humano, incluindo o pênis do homem , com o qual compartilha a mesma origem embriológica. Quanto a ele, um estímulo provoca uma ereção, mas depois de um orgasmo, o clitóris não se relaxa da mesma forma, o que torna as mulheres capazes de orgasmos múltiplos!.

 

 

O principal, mais sensível e eficiente órgão da Espécie Humana mede cerca de 8 cm ou menos, na parte externa, coberta por uma tampa à comissura ventral pequenos lábios, que se dobra na direção dorsal e estende-se, dividido em duas raízes longas ao longo do osso púbico em cada lado da abertura da vulva e da vagina.

Compare-se os 8.000 terminais nervosos na parte externa do clitóris, distribuída numa área bem menor que a glande do pênis, que conta com cerca de 4.000 terminações nervosas distribuídas numa área bem maior e se percebe claramente como Tirésias tinha razão, a mulher, se corretamente estimulada, sente MUITO mais prazer que o homem.

Conta a lenda que Tirésias passeava pelo monte Cyllene no Peloponeso, quando se deparou com um casal de serpentes copulando. Com seu cajado, as separou. Hera, esposa e irmã de Zeus e rainha dos deuses ficou irada com o desrespeito de Tirésias pelo ato de amor e o puniu transformando-o numa mulher. Viveu 7 anos como mulher – segundo Hesíodo e algumas outras versões, teria se tornado uma prostituta. Ao fim dos 7 anos ele (agora “ela”) passeava novamente pelo monte Cyllene e se deparou com outras duas serpentes copulando. Desta vez as respeitou e, com isso, conquistou o perdão de Hera. Todos estavam curiosos acerca da única pessoa que havia vivido como homem e como mulher em sua vida e a ele perguntaram: “quem desfruta de maior prazer com o ato de amor, o homem ou a mulher?” ao que Tirésias respondeu sem pestanejar: “a mulher, e sete vezes mais!” Imediatamente Hera o puniu novamente tirando-lhe a visão. Zeus se apiedou dele e lhe concedeu o dom da profecia e, como profeta passou o resto de seus dias... A ciência contemporânea confirma a mitologia grega uma vez mais.

O breve resumo acima foi elaborado a partir da Obra de Hesíodo Teogonia, A Origem dos Deuses que pode ser encontrada facilmente na Livraria Cultura:

 

 

 

Comprovando a inexistência de um hipotético “Ponto G”

Funcionalmente, se reconhece agora que, se 30% das mulheres têm um orgasmo durante a relação sexual, isto significa que para as 70% restantes, o clitóris é incapaz de desempenhar o seu papel, a penetração não é necessariamente eficaz, porque a vagina conta com parca enervação – trata-se do canal por onde sairá um bebê! O parto seria muito mais difícil do que já é se o canal vaginal tivesse mais terminações nervosas. Esta descoberta, desmistifica definitivamente conclusivamente a teoria da existência de um certo “ponto G” além de tornar obsoleta a distinção, também mítica entre homens e mulheres de supostos orgamos clitorianos ou vaginais. O clitóris necessariamente tem de receber o devido estímulo. A penetração, se apropriadamente praticada, após o período de “aquecimento”, consegue este desiderato, mas todas as outras formas de estímulo clitoriano nas prévias e durante o ato de amor – que ficam a critério da imaginação do eventual leitor destas notas – não apenas são válidas como aprimoram o prazer e a relação do casal em todos os aspectos.

No futuro, a pesquisa nos permitirá entender os mecanismos que estão por trás das quatro fases-conceito (excitação, platô, orgasmo, resolução) da fisiologia sexual das mulheres. Mas já que parece que o prazer requer uma coincidência entre o sexo e o cérebro e, para as mulheres, o estabelecimento desta relação é o resultado da aprendizagem, fica patente a importância da educação sexual (como ainda existe gente que entende tudo errado é preciso enfatizar que os produtores do documentário defendem a EDUCAÇÃO sexual na adolescência, não prática.) desinibida durante a adolescência. Neste contexto, podemos dizer que a frigidez não existe, mas que algumas mulheres podem ser consideradas pré-orgásmicas. Evidentemente que não por culpa delas mas de todas as pressões sociais, religiosas, psicanalíticas e econômicas – concordo com Marcuse: quem goza mais, produz menos. Se o sexo bem praticado, com estimulação clitoriana apropriada torna as mulheres – consequentemente seus parceiros também – mais felizes, quem se importa com pressões sociais, religiões ou macroeconomia? “Há tempo para tudo debaixo do céu” dizia o Bardo hebreu no Eclesiastes. Tempo de produzir e trabalhar e tempo de ser feliz em boa companhia. Tudo bem dosado. Nada em exagero, s’il vous plâit!

A clitoridectomia, extirpação cirúrgica do clitóris, praticada em certos países africanos por motivos religiosos é repugnante! Dada a concentração de nervos na região é ainda mais doloroso e cruel que a castração de um homem!

E o documentário cita ainda casos de mutilações praticados em países do Primeiro Mundo por motivos estéticos. Um clitóris com sua parte externa e mais sensível maior que o usual, por exemplo, é “recortado” por cirurgiões plásticos gerando dores atrozes na vítima pelo resto de sua vida!

Para aquisição do filme em inglês com legendas em francês visite: http://www.clitoris-film.com/

Lázaro Curvêlo Chaves - 14 de abril de 2013

Revisado a 12/11/2014

 

 

 
 
 
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