O esquerdista que o
diabo gosta
Escalando o 4º time
Quem imaginava que
Lula governaria cercado da nata da intelectualidade brasileira, “quebrou
a cara”, para usar uma expressão bem ao gosto do mandatário maior da
Nação Brasileira. Exageradamente preconceituoso e alérgico a toda a
intelectualidade crítica – traço que somente revelou depois de empossado
– governa (?) com a ajuda de indivíduos que atendem pelas alcunhas de
Vedoin, Delúbio, Dirceu, Valdebran, Gedimar, Palocci... Vem aí a
escalação do 4º time, que se espera seja tão demorada quanto todas as
outras escalações, com desgastes homéricos de nomes e pessoas ficando
sempre o mandatário maior com o poder decisório de última instância.
Particularmente o cuidado de asseverar que “não sabe de nada” – nem quer
saber, aliás.
* * *
O esquerdista que o diabo
gosta
Durante a Ditadura
Militar, Antônio Delfim Neto, então ministro da fazenda dos generais e
hoje interlocutor privilegiado de Lula da Silva, tinha ojeriza, asco da
esquerda. Nunca foi idiota. Esperto, ao perceber Lula nos braços da
direita ultraconservadora com o apoio do lumpensinato, como sói
acontecer na história do mundo, saúda-o como o único “líder de esquerda
capaz de submeter a Classe Trabalhadora às reformas necessárias ao
avanço do Capital no Brasil”.
José Ribamar Sarney,
ex-presidente do PDS, partido dos generais, assim se expressa sobre o
traidor da Classe Trabalhadora: “O presidente Lula é uma revolução
política, porque concluiu o processo democrático de trazer a governar os
operários, a classe que se julgava afastada e para sempre condenada a
coadjuvante. Sua biografia e o apoio popular que respaldam sua última
eleição lhe dão a autoridade, que nenhum outro presidente teve, de
procurar um terreno comum que possa reunir não somente as forças
políticas mas todos os segmentos da sociedade para superarmos os
entraves que estão aí, atravessando todos os governos e todas as
vontades.”
Saudado como “de
esquerda” e “revolucionário” por 10 entre 10 reacionários – aí incluído
o “companheiro” George W. Bush, ansioso por aprender “como continuar
sendo tão popular em meio a tantos e tamanhos escândalos” – há, no meio
da indigência intelectual pátria, quem engula essa pílula como
verdadeira. Bobagem. Lula está tão completamente inserido no campo da
direita como o diabo no campo do inferno.
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Manipulando estatísticas
Quem tem olhos para
ver e ouvidos para ouvir, sabe que o Brasil, sob o tacão de Lula da
Silva, está mais pobre de maneira generalizada e a riqueza remanescente
está cada vez mais concentrada. Acontece que ele aprendeu com os tucanos
a controlar as estatísticas – e se mostra ainda mais diabólico e
eficiente nisso que seus mentores, por sinal! – que delas extrai tudo o
que não interessa ao discurso e à propaganda e apresenta uma realidade
distorcida, maquiada, como avanço, progresso e realização. No Futuro,
quando se avaliar com sinceridade o que diabos estava acontecendo com o
Brasil na Era da Traição, se reincorporarão as grandes fortunas (hoje
convenientemente expurgadas das estatísticas) e se medirá também os
lucros jamais confessados com o capital especulativo. Assim teremos uma
visão do Brasil real e somente a partir desta visão poderemos
efetivamente fazer alguma coisa a respeito. Também as taxas de
desemprego precisarão ser medidas com correção, sem maquiagem. Caso as
mensurações computassem todos os brasileiros entre 18 e 50 anos de idade
sem vínculo empregatício algum – desempregados mesmo – teríamos taxas
elevadíssimas. E reais. Expurgando aqueles que ingressam agora no
mercado de trabalho, os que desistiram de procurar emprego há mais de 1
mês, os que exercem algum tipo de atividade ilegal que lhes permite
sobreviver sem serem presos ou terem suas mercadorias apreendidas
(emprego informal no jargão oficial do governo) e quem se beneficie de
algum programa assistencialista, com todos estes expurgos, a taxa de
desemprego ainda atinge assustadores 20%. Quanto será a taxa real de
desemprego no Brasil? Talvez daqui a uns 5 a 10 anos venhamos a saber...
A velha direita, no poder
desde a chegada das caravelas, até hoje no governo com Lula da Silva,
paga rios de dinheiro – do nosso dinheiro, fruto dos impostos
mais altos do planeta! – para que a propaganda repise hipnoticamente o
contrário da realidade. E, conjuminada com um magote de intelectuais
venais, convence...
Nem mesmo Eric Blair, em
seus delírios mais macabros, imaginou possível um tal nível de controle
de corações e mentes.
Vamos ao supermercado –
qualquer supermercado, de qualquer lugar do Brasil – com nossos salários
cada vez menores e preços em perene estado de elevação, compramos cada
vez menos coisas e de pior qualidade – o exemplo mais recente é o do
pãozinho que, com a mudança de unidade para peso, sofreu a mais alta
majoração da história: está 25% mais caro! – mas, se cometemos o
desatino de comentar estes fatos com as pessoas ao redor, no próprio
local, cada vez mais vazio que o dinheiro é pouco, ouvimos delas o mesmo
que ouvimos da propaganda: “Absurdo! De jeito nenhum! Lula está
governando para os pobres! Está tudo mais barato e os salários estão
mais altos, eu vi na TV!” Os mais sofisticados chegam a citar um desses
economistas venais qualquer que assim o declaram vezes sem conta,
hipnoticamente.
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Viva Chomsky!
O consenso assim
fabricado é mais mortal, eficiente e explosivo que os fuzis dos
militares. Mais sutil e penetrante, transformando a todos no que
Friedrich Nietzsche classificava lucidamente como selbsthänger
(carrasco de si mesmo).
Faça-se uma enquete
perguntando se as pessoas gostariam de ter melhores serviços públicos
(principalmente de saúde, educação, infraestrutura e segurança) e a
resposta será unânime: sim! Mas... Para onde vai o dinheiro dos impostos
que pagamos, os mais altos do planeta Terra? Nem na Idade Média se
extorquia tanto e onde se fazia muito parecido (como em Vila Rica das
Minas Gerais, para não ir muito longe, que cobrava impostos da ordem da
metade dos atuais) encontrava-se notável resistência.
A maior parte de nossos
impostos vai para a especulação. Pagam-se juros extorsivos de uma dívida
cuja origem se desconhece mas que sabemos já haver sido paga algumas
dezenas de vezes. Outra plataforma histórica que o lulo-petismo jogou na
lata de lixo da história: uma rigorosa auditoria dessa dívida imensa.
Na prática, mais da metade
de tudo o que produzimos com o suor de nosso rosto no Brasil de hoje vai
para o governo através dos impostos extorsivos embutidos em tudo o que
se consome.
Se na Ditadura Militar
chegamos a merecer o epíteto de “Belíndia”, pois tínhamos um Brasil tão
europeu quanto a Bélgica e outro tão terceiromundista quanto a Índia –
quadro que, por sinal, se agudizou – hoje a definição acadêmica é “Sugladesh”:
pagamos impostos superiores aos da Suécia e temos serviços públicos
inferiores aos de Bangladesh. E tome corrupção, dólares em cuecas, em
malas, em bolsas... O que falta na infraestrutura aeroportuária sobra em
corrupção e venalidade.
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Um pouco (só um tiquinho)
de justiça
Saddam Hussein
condenado. George W. Bush, contudo, continua solto – tanto quanto outros
também culpados de crimes diversos contra o vernáculo e a humanidade,
como Lula da Silva, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, José Dirceu, Ricardo
Berzoíni, José Genoíno, Antônio Palocci, Valdebran, Lorenzetti, Gedimar,
etc.
Lázaro Curvêlo Chaves – 06/11/2006