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Lula: Vergonha de ser PT

 

            Lula apagou de sua biografia a fundação do PT. O partido do Mensalão, das Sanguessugas, do Valerioduto e do Waldomirogate foi abandonado pelo seu fundador e presidente “de honra”.

            Na campanha eleitoral não se vêem a tradicional estrelinha, o número 13 ou mesmo a cor vermelha, substituída pelo amarelo e azul que caracteriza a social-democracia brasileira, hoje nos braços do neoliberalismo, deixando claro que o FLA x FLU artificial que querem nos impingir entre PT e PSDB é falacioso: verso e anverso da mesma moeda, os banqueiros, Olavo Setúbal, dono do Itaú à frente, já declararam que “tanto faz Lula ou Alkmin”. Concretamente, ambos garantem a manutençao da lucratividade recorde dos banqueiros.

 

“PT: Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”

 

            Em discurso, o presidente das Sanguessugas e mensaleiros incitou a militância do partido que renega a “não fugir do debate e não levar desaforo para casa”. Impressiona que não apenas militantes petistas como outros adeptos do mensalão e dos desvios milionários de recursos aos banqueiros obedeça a quem não tem competência ou coragem para sequer dar o exemplo!

            A militância se defende como pode e o candidato simplesmente foge do debate, só consegue se apresentar no monólogo, quando está sozinho no palco. Quando há alguém para entrevistá-lo ou com quem dialogar ele foge mesmo. Mas seus adeptos, muitas vezes fanatizados, fazem por ele o que ele não é capaz de fazer pelo Brasil e, menos que tudo, por si mesmo: defendem-no. Curiosamente, eu recebia muitos e-mails com vitupérios de petistas hidrófobos. Após a fuga de Lula do primeiro debate, estes diminuíram bastante, mas impressiona que ainda haja quem se disponha a defender um governante acovardado, incapaz de defender a si mesmo.

            O mais desagradável é o descompasso entre as justificativas e dados apresentados pela militância e aquelas apresentadas (quando o são, o que é raro) pelo candidato.

            É um tremendo exercício mental e uma tarefa exageradamente árdua defender este governo, convenhamos. Há algum tempo dialogava com uma cidadã e perguntava sobre a demissão de Zé Dirceu e Antônio Palocci. Me dizia que “eles não foram demitidos porque nada foi provado contra eles; pediram demissão para se defender e não causar desconforto a Lula, tanto que foram elogiados por ele quando saíram”. Ela foi desautorizada pelo candidato que defendia: “Fui eu que demiti! Demiti Zé Dirceu, demiti Palocci, demiti todos os envolvidos...”

            Lula sabia ou não que Paulo Okamoto pagou sua dívida de R$ 30.000,00 com o PT? “Ele não sabia! Okamoto declarou isso aos Senadores da República sob juramento!” O beneficiado apresenta outra versão: “Eu disse para o Okamoto: eu não assumo esta dívida, se você quiser pagar, você paga!” Assume que sabia. E Okamoto pagou como? Dinheiro do Valerioduto, do Mensalão... Isso ainda precisa ser esclarecido!

            Antes de apresentar argumentos, o militante tem de acertar o discurso com o candidato, pois estes se ajeitam ao sabor das denúncias, das pesquisas, da necessidade de marketing... Não há mais “ideologia” no PT, há somente “estratégia eleitoral”, confessa o senador Sibá Machado, do PT do Acre. O descompasso entre a estratégia eleitoral e o que é divulgado para a militância vai aos poucos calando vozes. Deve ser por isso que os petistas hidrófobos pararam de me mandar suas mensagens furibundas, impregnadas de erros gramaticais e de concordância grosseiros – essa turma consegue errar ainda mais do que eu, credo!

 

“Envolvidos” aparecem na TV em campanha eleitoral

 

            Esses caras precisam acertar o discurso... Enquanto os petistas envergonhados se queixam da imunidade que os parlamentares gozam institucionalmente, outros, cassados, demitidos ou fujões anseiam por gozar dessa mesma imunidade. Antônio Palocci, por exemplo, o ministro de Lula que usou o cargo para quebrar o sigilo bancário de um trabalhador sincero, o mesmo Palocci que Lula declarou haver demitido por estar “envolvido” – está em campanha para se eleger deputado federal e poder gozar da impunidade parlamentar (eu não errei não, escrevi “impunidade parlamentar” mesmo: nenhum mensaleiro cassado, sanguessugas em vias de serem abolvidos...).

            Valdemar Costa Neto, a quem Roberto Jefferson chama de “Galo Mutuca”, que renunciou para não ter de explicar a origem dos recursos que generosamente distribuía entre correligionários, confessa na TV que recebeu dinheiro ilegal para a campanha presidencial de 2002 – impressiona também os dois pesos e duas medidas da Lei: não sei que ilegalidade encontraram na prestação de contas do nanico PCO, mas custo a crer seja algo mais grave que esta confessada pela coligação PT/PL... – e pede votos “para recomeçar”... Jefferson pergunta: “Por que recomeçar?  Para fazer o quê? Em favor de quem?  Que ideais advoga? Que povo defende?”

            A “dançarina da pizza” Ângela Guadagnin também aparece pedindo votos. Se apresenta como “séria”. A ONG transparência brasil tem uma leitura diferente de sua atuação: responde a mais de uma dezena de processos na Justiça... Aliás, a Transparência Brasil mantêm um cadastro atualizado e detalhadíssimo acerca da atuação de cada parlamentar. Antes de optar por um determinado candidato, faça uma pesquisa em http://perfil.transparencia.org.br/  Ali estão arrolados todos os processos que cada candidato responde na Justiça. É pouco, porque poucos chegam à Justiça, mas já é um bom balizamento...

 

Lázaro Curvêlo Chaves –  17/08/2006

Leia ainda: Quem são "eles"? Em busca de uma identificação do Inimigo de Classe

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