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De Onde Viemos (do Big Bang aos nossos dias)

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Imagem do Universo tomada pelo Telescópio Espacial Hubble 

 

Há milhares de anos, muito antes da invenção do Rádio, da Televisão, da Internet, do Telefone Celular e outras maravilhas modernas, o Maior Espetáculo da Terra, objeto privilegiado da atenção de casais apaixonados e cientistas ávidos de Saber estava, de graça, ao alcance de todos: olhar para o céu noturno, apreciar-lhe a magnífica beleza e imaginar o que seriam aqueles pontos brilhantes: as estrelas e demais corpos celestes. 

Os Gregos e Babilônios descobriram que alguns dos pontos brilhantes, ao invés de simplesmente nascer no Oriente e se deitar no Ocidente, como a maioria faz ao longo da noite, davam voltas errantes – pareciam ir e voltar, dando laços... – e, a estes, batizaram de "Planetas" - palavra grega equivalente a "Errantes" - dando-lhes os nomes dos deuses de seu tempo: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno... 

A impressionante capacidade de observação e cálculos matemáticos dos Gregos Clássicos lhes permitia saber que a Terra era redonda e que os "Errantes" estavam mais próximos do nosso Planeta do que as outras estrelas. Ptolomeu (90 - 168 da Nossa Era) postulou pela primeira vez o sistema Heliocêntrico com o Sol (Helios) no centro do nosso Sistema Planetário, o que explica magnificamente o movimento aparentemente "errante" dos outros Planetas também ao redor do Sol. 

Infelizmente, com o avanço do fundamentalismo religioso na Europa este conhecimento ficou sepultado por mais de mil anos (o dogma religioso da época colocava a Terra no Centro de todo o Universo e punia severamente quem discordasse, ficando o pensamento científico proibido, perseguido, anatematizado no período). O Sistema Heliocêntrico somente foi resgatado por Nicolau Copérnico (1473 - 1543) e aprimorado por Johannes Kepler (1610 - 1630). Era, em linhas gerais, a continuação das descobertas de Ptolomeu 15 séculos depois... 

Sem o obscurantismo dos "Mil Anos de Trevas" - particularmente entre os séculos V e XVI - quanto teríamos avançado em ciências físicas e biológicas... 

Por publicar, com base nas descobertas de Ptolomeu, Copérnico e Kepler o "Dialogo di Galileo Galilei sopra i due Massimi Sistemi del Mondo Tolemaico e Copernicano" ("Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo") em 1632, Galileu Galilei (1564 - 1642), já idoso e alquebrado, foi submetido aos instrumentos da Santa Inquisição e obrigado e retratar-se passando o resto de seus dias em prisão domiciliar. No ano 2000, finalmente, a Igreja Católica Apostólica Romana perdoou Galileu por ousar publicar a verdade em tempos de proibição. Com aquele gesto a Igreja finalmente reconheceu que a terra é redonda, que gira ao redor de seu eixo, que o Sol é o centro do Sistema Solar em torno do qual orbitam os planetas, sendo a Terra um deles. 

O Iluminismo trouxe novos ventos para a liberdade da ciência e novos aperfeiçoamentos em mecanismos de observação celeste (melhores lentes, melhores telescópios e o desenvolvimento de uma metodologia livre de pressões ou considerações de cunho supersticioso) permitiram a descoberta de muitas outras maravilhas no Firmamento. 

Uma nota: enquanto a Europa era iluminada por fogueiras a queimar cientistas, "bruxas", judeus e hereges em geral num clima de medo paralisante, o surgimento de uma nova religião, O Islã, na Península Arábica, no século VIII com a recomendação maometana de "Buscar o conhecimento até no inferno" explica muitos avanços impossíveis na Europa, como a invenção do Astrolábio, um instrumento que, com base na observação das estrelas, permitia localizar a cidade de Meca com precisão a partir de qualquer ponto do deserto para fins de oração. Sempre válido enfatizar o quanto aquele instrumento foi útil para as Grandes Navegações Ibéricas do século XVI.

Naturalmente, como usualmente ocorre com todas as religiões formalmente estabelecidas o obscurantismo também tomou conta do mundo islâmico, mas um sem-número de corpos celestes descobertos por observadores Árabes na Idade Média ainda lhes guardam os nomes (Almagesto, Rukbat, Aldebaran...) num tributo ao momento de liberdade científica vivido nos primeiros lustros da religião islâmica. 

Na década de 20 do século passado, astrônomos se debruçaram sobre a questão das estrelas e conglomerados de estrelas. Destaque para Edwin Hubble (1889 - 1953) que, em 1923 descobriu que há outros conglomerados de estrelas maiores que o Sol FORA da Via Láctea e, a estes conglomerados, convencionou-se chamar "Galáxias", sendo a primeira descoberta a Galáxia de Andrômeda, bem maior que a Via Láctea dois milhões de anos-luz distante desta.

Ano-luz é uma medida de distâncias gigantescas. Um ano-luz é a distância que a luz atravessa no vácuo no período de um Ano. Um ano-luz, portanto, equivale a cerca de 10 trilhões de quilômetros, cerca de 6 trilhões de milhas. Medindo a velocidade das galáxias distantes, descobriram que elas estavam se afastando umas das outras; o Universo seguia se expandindo! Mais recentemente, observações do Telescópio Espacial Hubble permitiram-nos concluir que o Universo continua a se expandir e que as galáxias, ao invés de diminuir sua velocidade estão se distanciando umas das outras a velocidades crescentes. Isto é surpreendente e os astrônomos buscam incessantemente uma explicação plausível para este fenômeno, pois as forças gravitacionais da física conhecida (clássica e einsteiniana) deveriam fazer com que sua velocidade de expansão diminuísse, ao invés de estar (e está!) aumentando!  As pesquisas em busca de uma explicação científica séria seguem em curso e vão desde a proposta de um salto qualitativo no conhecimento da Física até a existência de um tipo de força ou matéria que ainda não fomos capazes de detectar com nossos instrumentos. 

Tendo em vista tanto os avanços tecnológicos quanto a dificuldade em se observar os corpos celestes aqui do solo, debaixo de uma grossa camada de atmosfera e poluição, em 24 de abril de 1990 um projeto conjunto entre a Agência Espacial Européia e a NASA um telescópio baseado em Satélite Artificial em Órbita da Terra, foi lançado e recebeu o nome de "Hubble" em homenagem ao grande Astrônomo que descobriu a existência das Galáxias e que estas estavam em expansão. De suas acuradas observações temos imagens magníficas do Universo em que vivemos e, como observar uma estrela distante é, de certa forma, observar o passado (uma estrela a mais de 5.000 anos-luz de distância pode até nem existir mais, mas somente agora a sua luz chega à Terra, por exemplo) chega-se cada vez mais próximo ao conhecimento efetivo de "como tudo começou". 

São teorias científicas (uma teoria científica é um fato comprovado por observadores autônomos em locais e circunstâncias distintas e recebe o nome de "teoria" pois pode ser - e sempre o é - enriquecida por novas descobertas e conhecimentos. Neste sentido, podemos falar na "Teoria da Gravidade", na "Teoria do Eletromagnetismo", na "Teoria da Evolução"... São FATOS, mas fatos que se enriquecem com o avanço das pesquisas. Cuidado! Não vá se jogar do alto de um prédio alegando que “a Gravidade é só uma teoria”, combinado? 

Digressão para uma piadinha? A Economia Brasileira sob o (des)governo petista assemelha-se àquele sujeito que, caindo do alto de um arranha-céu, ao passar pelo 54º andar disse de si para si: “até aqui tudo bem...” Tanto num caso como no outro o fim será monstruoso...

 

 

Voltando: atualmente, a teoria mais aceita acerca de "como tudo começou", até a formação da Via Láctea, do Sistema Solar e do Planeta Terra parte do conceito chamado de "Big Bang": em linhas gerais, toda a matéria, espaço e tempo estavam comprimidos num único ponto (há teorias sobre as origens deste ponto, oportunamente voltarei ao tema) que explodiu há cerca de 15 Bilhões de Anos, dando origem a toda a Matéria, Espaço e Tempo do Universo conhecido. 

Carl Sagan (1934 - 1996), Astrônomo, Cosmólogo e Divulgador Científico renomado, numa de suas buscas de tornar simples um conhecimento complexo de uma vastidão fabulosamente imensa, criou o "Calendário Cósmico" comprimindo os cerca de 14 Bilhões de Anos desde o Big Bang até o final do Século XX em um ano. No Calendário Cósmico, cada mês tem 1,3 bilhões de anos; cada dia representa 40 milhões de anos e Cada segundo estende-se por 500 anos da nossa história. Partindo desta premissa, que torna simples a compreensão de uma vastidão de tempo fabulosa, temos o seguinte: 

Se o Big Bang ocorreu no dia 1° de Janeiro, a Via Láctea foi formada por volta do mês de Maio e outras galáxias também surgiram em junho, julho e agosto. O Sol, a NOSSA ESTRELA, somente surge em meados de Setembro e a vida, pouco tempo depois. 

Imaginemos uma escala que nos permita representar o Calendário Cósmico do tamanho de um campo de futebol dividido em 12 quadrados, cada um equivalente a um mês. Nesta representação, toda a história humana (todos os faraós, religiões, guerras, povos e culturas conhecidas pela Espécie Humana, enfim) ocupa um espaço menor que uma bola de tênis. 

Se tudo começou com a explosão primordial que levou à condensação da matéria: gás, poeira, estrelas, galáxias e, pelo menos no nosso pequeno canto do universo, planetas, vida, inteligência, homens e mulheres curiosos... 

Emergimos tão recentemente que, na escala cósmica, todos os eventos conhecidos de nossa história ocupam apenas os últimos segundos do último minuto do dia 31 de Dezembro. 

Sagan segue sugerindo: alguns dos eventos críticos para a espécie humana (afora a história conhecida) começaram bastante antes, minutos antes. 

Ao mudarmos nossa escala de meses para minutos, vemos os primeiros seres humanos fazerem sua estréia em nosso planeta por volta das 23h30min do dia 31 de Dezembro. 

Com o passar de cada minuto cósmico, cada minuto de 30.000 anos, começamos a árdua jornada em direção à compreensão, de onde vivemos e de quem somos. 

23h46min: há só 14 minutos, na escala cósmica, os humanos aprenderam a usar o fogo. 

23h59min e 20 segundos: o anoitecer do último dia do ano cósmico, na vigésima terceira hora, no qüinquagésimo nono minuto, no vigésimo segundo, nossos antepassados começaram a domesticar animais e plantas no que se conhece como "Revolução Neolítica". O talento humano começa a ser usado para fabricar utensílios. 

23h59min e 35 segundos: comunidades agrícolas determinadas desenvolvem-se dentro das primeiras cidades. 

Nós, humanos, aparecemos no calendário cósmico tão recentemente, que os registros da TODA a história humana ocupam só os últimos poucos segundos do último minuto do dia 31 de Dezembro. 

No vasto oceano de Espaço e Tempo que este calendário representa, todas as nossas memórias estão confinadas a um pequeno ponto no canto inferior do "campo de futebol" que imaginamos. 

Todas as pessoas que existiram, viveram em alguma parte aqui dentro. Todos esses reis e batalhas, migrações e invenções, guerras e amores. Tudo nos livros de história aconteceu nos últimos 10 segundos do calendário cósmico. 

Nós acabamos de despertar, para os imensos oceanos de Espaço e Tempo dos quais emergimos. Somos, enfim, o legado de 15 bilhões de anos de evolução cósmica...

Abaixo apresento um trecho do Vídeo "Cosmos", volume 1, explicando o Calendário Cósmico

 

 

Outro vídeo interessantíssimo da professora Ruth Bruno

Uma explanação didática, acuradamente precisa sobre as origens e tudo o que a Ciência até o presente descobriu acerca de nossas origens. Imperdível!

Encontrei esta magnífica peça elaborada em Power Point pela Professora Ruth Bruno do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense no formato do Power Point e o converti para formato de vídeo para simplificar a visualização na Internet. Créditos mantidos, com honra!



Fonte digital: http://www.ensinodefisica.net/

Lázaro Curvêlo Chaves – 25/05/2011

Continuação: De Onde Viemos – Evolução e Seleção Natural

 

               

RECOMENDO ENFATICAMENTE!

Livro "Cosmos", de Carl Sagan Box "Cosmos"

Edição de Colecionador - 12 Episódios

 

 

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