Cultura Brasileira: no ar desde 1998

 

O Inimigo de Meu Inimigo – Klaus Barbie e a conexão Vaticano/NAZI/CIA (uma resenha)

English Version Here

 

 

My Enemy's Enemy - 2007 - Kevin Macdonald

            O Inimigo de meu Inimigo, documentário de Kevin MacDonal, lançado em 2007, descreve a vida do famoso Criminoso de Guerra, Torturador e Assassino do Líder da Resistência Francesa Jean Moulan.

            Klaus Barbie e centenas de outros nazistas contaram com a “mão da Providência” do Vaticano para conseguir passaportes – em muitos casos mesmo batinas! – a fim de sair da Europa para a América Latina (os exemplos mais notórios são os de Joseph Mengele, morto afogado em Bertioga, no Brasil e Adolf Eichman, sequestrado por um Commando Israelense na Argentina e julgado em Israel).

            Era o início da Guerra Fria e a CIA precisava de agentes com amplos conhecimentos das práticas e costumes dos comunistas a fim de contra eles lutar com eficácia. A folha corrida de Klaus Barbie, neste ponto, era impressionante: perseguição, tortura e assassinato de milhares de comunistas quando líder das SS (Forças de Segurança Nazistas) na cidade de Lyon, na França. Com aquele currículo, credenciou-se facilmente a ajudar os EUA em sua “Luta contra o Comunismo” e, de passagem trazendo seus ex-colaboradores nazistas para perto, sonhar com a criação de um IV Reich nos Andes...

 

 

Jean Moulin, Líder da Resistência Francesa

-- -   -

Klaus Barbie, "O Carniceiro de Lyon"

            Diz o ditado popular: “O inimigo de meu inimigo é meu amigo”. O adversário do cumunista (como o nazista) é, implicitamente, amigo dos EUA e assim Klaus Barbie contou, até o momento em que tragédias pessoais já no final de sua vida o tornaram imprestável para o serviço, com ampla proteção segura da CIA para escapar de seus potenciais captores franceses, que o queriam julgado pelos crimes cometidos quando da ocupação francesa por parte dos nazistas, em particular na cidade de Lyon.

            Além dos violentos interrogatórios, tortura e assassinato de vários membros da Resistência Francesa, principalmente Jean Moulin, Klaus Barbie era acusado – e comprovou-se culpado em seu tardio julgamento – de enviar 44 crianças inocentes do orfanato de Izieu (para onde eram levadas as crianças filhas dos “indesejáveis” mortos pelas SS) à morte em campos de concentração. Todos consideramos quase incompreensível o uso da violência. Contra crianças (inocentes por definição) o irracionalismo é patente! Mas, por 45 anos Klaus Barbie contou com a proteção dos EUA para eficazmente evadir-se da justiça francesa.

            Na América Latina ajudou a perseguir, torturar e matar vários membros “indesejáveis” das Ditaduras Militares plantadas no subcontinente pelo Império “tema aprofundado em Geopolítica do Golpe de 64) principalmente na Bolívia, onde seu envolvimento na caça, captura e extermínio de Che Guevara ficou provado, mas também na Argentina, no Brasil, no Chile e onde mais suas eficientes “técnicas de interrogatório” se fizessem necessárias.

            Uma das principais rotas de fuga de nazistas da Europa para a América Latina (mas também para alguns países do Sudeste Asiático) contou com passaportes do Vaticano que jamais se preocupou em sequer pensar numa explicação plausível para a emissão de tantos passaportes a nazistas. Ressalto que o Sr Eugenio Pacceli, de alcunha “Papa Pio XII” em suas missas, exaltava a vinda de Hitler “como a de um novo Messias a libertar a Europa de seus dois maiores inimigos: os judeus e os comunistas”. Era o Chefe do Estado do Vaticano quando da emissão daqueles passaportes... Aquela rota de fuga, organizada pelo Nazista Otto Skorzeny, teria contado com “a ala conservadora” da Igreja Católica para viabilizar todos os trâmites necessários. A coisa foi tão bem organizada e “cinematográfica” que não escapou à pena sagaz de Frederick Forsyth, que escreveu o “Dossiê ODESSA” – codinome da “Organistion der ehemaligen SS-Anghoerigen”; “Organização de ex-membros das SS” Transformado em filme estrelado por Jon Voight em 1974, foi um sucesso de bilheteria...

 

 

 

 

Em poucas palavras

 

            O Inimigo de Meu Inimigo revela uma história pouco conhecida do período pós-guerra, quando, ao contrário do que se diz na Propaganda a ideologia fascista prevaleceu – até nossos dias! A história de Klaus Barbie, Torturador e Assassino Nazista, Espião Estadunidense, ferramenta dos regimes repressivos de Direita na América Latina é simbólica da relação real entre os govenantes das potências ocidentais (EUA à frente, como sempre). Neste documentário, Kevin MacDonald demonstra em datelhes bem documentados, como foi possível que um criminoso nazista dos mais infames consegui ficar tranquilamente 30 anos na América Latina – particularmente na Bolívia, rodeado pela sua família enquanto trabalhava para o governo estadunidense.

          En 1984, finalmente, após perder sua esposa e filho em circunstâncias trágicas, Klaus Barbie simplesmente perdeu sua utilidade para o governo estadunidense e, “num gesto magnânimo” foi entregue para ser julgado pelas autoridades francesas pelos crimes cometidos quando estava à direção da Gestapo em Lyon, entre 1942 e 1944. Como seu julgamento foi filmado em 1987, há muito material a respeito facilmente encontrável no Youtube.

            O promotor de Klaus Barbei foi Perre Truche financiado por François Genoud, mas o brilho ficou com a defensoria, conduzida por ninguém menos que o descendente de vietnamitas e militante maoista radicado na França Pierre Vergès.

            A linha da defesa seguiu o caminho da monumental quantidade de atrocidades cometidas pelos países (ditos) democráticos do Ocidente, tais como a França na Argélia, França e EUA no Vietnam, etc. Vergès atacava o sistema político francês, particularmente em seu período colonial, buscando desqualificar o acusador antes de sequer tentar justificar as injustificáveis ações do acusado. “As ações de Klaus Barbie não são em nada piores que aquelas tomadas pelos países colonialistas pelo mundo afora”, dizia Jacques Vergès. A corte não aceitou o argumento da defesa e Klaus Barbie foi condenado à prisão perpétua no Dia 4 de Julho de 1987. Quatro anos depois morria de câncer na espinha e na próstata aos 77 anos.

Recortei um clip com os 15 minutos mais significativos deste documentário para seu conhecimento

 

Documentário Completo, sem legendas, no Youtube

https://www.youtube.com/watch?v=qKqGmLwLnw4

Aqui um trecho da defesa de Jacques Vergès ao Carniceiro de Lyon

 

 

 

 
 
Copyleft © LCC Publicações Eletrônicas Todo o conteúdo desta página pode ser copiado e divulgado para fins não comerciais. É educado sempre citar a fonte... Contato: https://www.facebook.com/lazaro.chaves