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Cavaleiros Templários - Os Pobres Soldados de Jesus Cristo e do Templo de Salomão

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Lázaro Curvêlo Chaves.’.M.’.M.’.

Notas para uma palestra no Capítulo DeMolay "Eterna Juventude"

 

 

Introdução: conceitos sociológicos indispensáveis

 

Dialética

 

            Tudo é transformação, movimento. Heráclito de Éfeso, em seu aforismo de número 91 informa: “Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio.” – as águas passam e a própria pessoa se transforma. Hoje, por exemplo, sabemos que todas as células do nosso corpo são substituídas a cada 11 meses. Há permanência e transformação. Somos nós mesmos e um outro em processo de devenir perpétuo, em permanente transformação.

            Eu escrevo um diário desde os meus 11 anos de idade. Tenho mais de 40 cadernos com idéias, impressões, alegrias e frustrações registradas pela vida afora. É impressionante reler particularmente os mais antigos e perceber o quanto me transformei, mudei de planos e idéias.

            Tenho também um álbum de fotos. Até os 18 anos tinha um corpo atlético e vasta cabeleira loira. Aos 47 estou calvo e fora de forma, muitos quilos acima do peso.

            Estes exemplos não são fortuitos. Estou seguro de que todas as pessoas têm vivências similares. O mais importante é não perder de vista que somos sempre nós mesmos e um outro em transformação. Há o que permanece e o que se transforma ao longo de nossas vidas.

            Não há lugar para conceitos absolutos e definitivos. Assim como nossa forma física, nossas idéias a respeito das coisas se transformam à medida que nosso conhecimento se amplia.

            A Igreja Católica Romana, durante a Idade Média, não admitia qualquer conhecimento que estivesse fora do que preconizavam os doutores da Lei. Se algo não estava escrito, por exemplo, na Obra de Aristóteles, simplesmente não era considerado verdade e quem argüisse a respeito corria o risco de sofrer os suplícios da Santa Inquisição.

            A Terra era considerada achatada e havia a crença de que era carregada por gigantescas tartarugas. O “fim do mundo” estava além do Oceano ou “Mar Tenebroso”, como se referiam ao Atlântico naqueles tempos. Acreditava-se que as águas ferviam pela altura da linha do Equador e que havia sereias belíssimas que tinham particular predileção gastronômica pelos testículos dos marinheiros. Eram tempos de medo.

            Não se conhecia o Novo Mundo (América) ou mesmo a Austrália. Os mapas medievais faziam referências superficiais a locais existentes a partir de relatos de viajantes.

            O que outrora custou a vida de centenas de cientistas, alquimistas, rosacruzes e filósofos que discordavam racionalmente dos pontos de vista dogmáticos da Igreja é hoje aceito com naturalidade e comprovado por fotos de satélite.

            O mundo não mudou, ou seja, não era achatado e ficou redondo (ou, mais precisamente em formato de uma pêra) de um momento para o outro. O avanço da ciência e a modificação da percepção humana, hoje com fotos tiradas de satélites e mesmo da Lua, é que se transformou.

            Devemos sempre ser cautelosos com aqueles que propagam “verdades absolutas”, úteis em determinado tempo histórico e um povo específico, contudo frequentemente distanciadas da realidade absoluta dos fatos.

             Contextualizando: As Cruzadas (leia esse texto para situar-se naquele momento histórico ;)

 

 

Etnocentrismo

 

            Todos os povos do mundo, dos bosquímanos africanos aos esquimós do Pólo Norte, passando pelos papuas da Nova Guiné, aborígines americanos e europeus, se consideram superiores a todos os outros povos. Esta é uma idéia universalmente difundida e, uma vez que o avanço tecnológico, particularmente no que tange ao poderio bélico ultrapassa o avanço humanístico, os vencedores são sempre aqueles que, dotados de maior capacidade de destruição, tornam-se os donos da verdade histórica.

            A sociologia define “etnocentrismo” classicamente como “considerar a própria cultura ou civilização superior a todas as demais ou mesmo a única válida”.

            Isto tem sido motivo das mais diversas formas de intolerância ao longo da história humana.

            Já os gregos se referiam a todos os que não dominavam seu idioma ou cultuavam seus deuses e costumes como “bárbaros”. Ao longo da história humana encontram-se formas diversas de discriminação. Aqui nos interessa de perto a incapacidade de tolerar a fé ou religião do outro ou mesmo aceita-la como válida. Fundamentalistas religiosos – sejam cristãos, muçulmanos, judeus ou de qualquer fé – via de regra vêem-se como “donos da verdade” ou, no limite, “professores de Deus” e buscam lançar a fé alheia na rubrica da feitiçaria ou da heresia...

 

O Grande Cisma Cristão

 

O ano de 1054 foi marcado pelo primeiro Grande Cisma da cristandade. O Bispo de Roma, Humberto, autoproclama-se papa, não é reconhecido pelo Patriarca (Bispo) de Constantinopla, Miguel Celulário, ambos se excomungam mutuamente e agora há duas Igrejas Católicas. A Católica Apostólica Romana, sob a liderança do Bispo de Roma (o Papa) e a Católica Apostólica Ortodoxa ou Grega, sob a liderança de um conselho de Patriarcas.

Enquanto a Europa segue o caminho ditado por Roma, o Império Bizantino (continuação do Império Romano no Oriente, que durará até o ano de 1453, quando os canhões de Maomé III derrubam as fortificadíssimas muralhas de Constantinopla) segue a orientação dos Patriarcas Ortodoxos.

Durante as Cruzadas, contudo, católicos romanos e ortodoxos tendem a uma aliança, ainda que tênue, contra o adversário muçulmano.

 

O Islã

 

"Em nome de Deus, Clemente, Misericordioso..."

 

O islamismo, religião que mais cresce no mundo contemporâneo, nasceu na Península Arábica principalmente a partir da reflexão de Maomé em torno da multiplicidade de deuses existentes nas tribos da própria península assim como das religiões petrificadas, anquilosadas e presas no formalismo ritualístico, sem a vivificação espiritual desejada e desejável, como o cristianismo ortodoxo grego, o cristianismo romano e o judaísmo.

“Nos 13 séculos que se passaram de sua gênese, a religião congrega hoje mais de 800 milhões de adeptos, “unidos pelo sentimento profundo de pertencerem a uma só comunidade”. E essa expansão, que continua, é devida principalmente a um espírito de universalidade que transcende qualquer distinção de raça e permite a cada povo se integrar no Islã mas, ao mesmo tempo, conservar sua cultura própria.” (O Correio da Unesco, 1981).

 

O Berço

 

A Península Arábica está localizada no Oriente Médio, limitada entre o Mar Vermelho a oeste, o Oceano Índico ao sul e o Golfo Pérsico a leste, ligada ao continente pelo deserto, que cobre a maior parte da Península. Não existem rios permanentes e o clima é extremamente seco, apresentando oscilações térmicas de áreas e variações de temperatura. Ao centro e a leste encontram-se numerosos oásis, que têm origem na umidade do subsolo, originando poços de água em torno dos quais crescia uma exuberante vegetação tornando possível a vida na região.

 

A Arábia pré-islâmica

 

Por diversas vezes os romanos estiveram às portas da Península Arábica, porém questionaram as vantagens de conquistar uma região tão inóspita e agreste, passando a figurar nos mapas de Roma apenas como a desconhecida província arábica.

As populações que habitavam a região central e setentrional eram de origem semita e encontravam-se divididas em numerosas tribos ou grupos. Os árabes do deserto, conhecidos por beduínos, eram nômades, de características bem diversas dos árabes do sul. Falavam árabe, idioma que acabou se impondo em toda a região.

A difícil sobrevivência levou-os ao cultivo de uma escassa agricultura de tâ­maras e trigo, praticada nos oásis, à criação de rebanhos, às incursões e ao comércio de caravanas que souberam incrementar por toda a península. Os oásis e as cidades serviam-lhes de escala e de entrepostos de mercadorias, utilizando-se das razias para a conquista das melhores regiões.

Segundo alguns geógrafos e historiadores, a Arábia desértica do norte, “machucada por um sol abrasador”, contrastava com o sudoeste, região que se chamou de "Arábia Feliz" (Yemmen), destacando-se a cidade de Aden, entreposto de grande importância comercial nas relações com o Oriente.

A costa marítima era ocupada pelas tribos sedentarizadas que habitavam Meca e Yatreb (mais tarde “Medina”), as duas principais cidades, vivendo como comerciantes ou pequenos artífices, e exportando para o Ocidente o café, o incenso, as tâmaras e os perfumes. Afora o crescimento desse comércio internacional, também existiam relações mercantis com os árabes do deserto.

Nem os beduínos nem os árabes urbanos possuíam um governo centralizado, prevalecia a organização tribal, não eram raros os conflitos entre as tribos.

Apesar das diferenças culturais, contudo, todos os árabes eram da mesma raça e diziam-­se descendentes de Abraão; a religião mostrava uma nítida influência do judaísmo, não apenas por sua proximidade com o "patriarca". Durante esse período, acreditavam em um deus supremo, Alá, porém não deixavam de adorar uma infinidade de deuses inferiores, os djins, e, através de imagens ou totens, continuavam a cultivar o politeísmo de seus ancestrais.

Cada tribo possuía seus próprios ídolos. Apesar de terem um santuário tribal, existia um comum a todos, que se encontrava em Meca, na Kaaba, onde estava depositada a Pedra Negra que, desde tempos imemoriais, se acredita ter sido trazida do céu pelo Arcanjo Gabriel, e todos os ídolos tribais.

Desde a época de Maomé os fiéis sempre rezaram ao redor da Kaaba, em Meca, capital do islamismo.

            A importância de Meca não parava de crescer. Para lá fluíam as mais diversas tribos em busca da adoração da Pedra Negra e de seus deuses. Cada tribo trazia de seus lugares remotos produtos típicos que comercializavam a partir das sagradas orações, realizadas por meio de um ritual; porém, todas as transações comerciais eram controladas pela tribo dos coraixitas, uma quase aristocracia árabe.

Maomé e a epopéia de sua Fé

 

Meca não dispunha de uma organização ou instituições políticas, nem possuía um forte sentimento nacional. O principal personagem da mudança cultural, política e religiosa foi inquestionavelmente Maomé. Pertencente à família dos haxemitas, ramo pobre da poderosa tribo dos coraixitas; seu nascimento é estimado como ocorrido em torno do ano 570.

Muito cedo Maomé ficou órfão, passando a viver no deserto sob os cuidados de seu avô, onde aprendeu a conhecer a difícil vida dos beduínos e suas necessidades materiais e espirituais. Ainda jovem, retornou a Meca, tornando-se um excelente guia de caravanas, mantendo contatos com povos monoteístas, principalmente judeus e cristãos, de quem sofreu profundas influências religiosas. Aos 25 anos, Maomé casou-se com uma viúva rica, proprietária de camelos, chamada Khadidja. O casamento deu-lhe profunda estabilidade material, porém, como todos os profetas, sua vida está envolta em muitas lendas. Acredita-se que foi a partir daí que começou a formular os princípios de uma nova doutrina religiosa, iniciando um período de meditações e jejuns. Constantemente isolava-se no deserto buscando seguir os ensinamentos de Jesus Cristo, a quem considerava um dos últimos profetas.

Foi durante suas andanças pelo deserto, durante tempos solitário numa caverna, que afirmou ter tido a visão do Arcanjo Gabriel, que o incumbira de ser o profeta de Alá. Maomé tinha 40 anos de idade e era dotado de enorme emotividade. Durante suas visões encontrava-se sempre em transe. Dedicou-se à pregação junto aos seus familiares, não se contentando com a vida economicamente tranqüila de que ora dispunha.

Após três anos, seguido por um pequeno grupo de fiéis convertidos à nova fé, Maomé começou a falar para os coraixitas em frente à Kaaba, pregando a destruição dos ídolos e afirmando a existência de um único Deus. As mudanças religiosas propostas pelo profeta acabaram por entrar em choque com os líderes coraixitas, pois a implantação do monoteísmo significaria a diminuição da peregrinação de fiéis a Meca, uma vez que Alá, não tendo forma física, estaria em toda parte.

Sentindo o perigo daquela subversão de idéias em torno do monoteísmo, temendo o esvaziamento de Meca como centro comercial de toda a Península Arábica, os coraixitas tentaram matá-lo. Alertado por alguns seguidores, Maomé fugiu de Meca para Yatreb, em 622, ficando este ato conhecido como Hégira, marco inicial do calendário muçulmano. Apesar de ter sido bem recebido por vários de seus seguidores em Yatreb, encontrou forte oposição dos judeus da cidade, que resistiram às tentativas de conversão, e foram assassinados em massa. Nesse momento, Maomé implantou um governo teocrático, transformando a cidade em sua base e mudando seu nome para Medina, a cidade do profeta.

Percebendo ser inútil a tentativa de conversão pacífica, Maomé optou pela Guerra Santa. Meca foi sitiada e obrigada a aceitar a volta do Profeta que, graças ao apoio dos beduínos, já convertidos, destruiu os ídolos da Kaaba, mantendo apenas um único elo de ligação entre as tribos: a Pedra Negra.

No ano 630, o Estado Árabe estava praticamente formado, unido em torno da bandeira do islamismo e de seu único chefe, Maomé, que assumia não apenas o poder político como também o religioso, iniciando-se, assim, um governo teocrático.

Acredita-se que o Profeta tenha subido aos céus numa nuvem a partir da Cúpula do Rochedo, em Jerusalém, no ano 632 d.C. No ocidente são comuns as referências à “morte de Maomé em 632 d.C. acometido de um mal súbito”, de todo o modo, a comunidade islâmica ficou mergulhada em grave crise. Todos os atos, editos e decisões estratégicas foram tomadas unicamente por Maomé, não havia orientação clara relativa a sucessão em sua ausência. Um Estado Teocrático, na falta do líder, sem um indicativo claro de forma sucessória, eis a raiz da crise.

 

Jerusalém: Lugar Sagrado de três grandes Fés

 

Cidade Santa para as 3 principais religiões monoteístas do mundo: judaísmo, cristianismo e islamismo. Todas acreditam – de forma ligeiramente diferente, embora – no mesmo Deus que falou com Abraão, com Moisés, com Isaías e outros profetas, todos referidos no Alcorão como “o povo do Livro”.

Para os judeus é a Terra Prometida, o local em que pela primeira vez um Templo – o Templo de Salomão – foi construído diretamente por inspiração divina. Era como se o Grande Arquiteto pessoalmente ditasse cada detalhe da construção de seu Templo...

Para os cristãos é a Terra Santa em que Jesus de Nazaré pregou, peregrinou, foi supliciado na Cruz, ressuscitou e trouxe o Batismo com o Espírito Santo.

Para os muçulmanos, embora haja quase consenso sobre o falecimento do Profeta e seu sepultamento em Meca, Jerusalém é a Terra em que também Maomé pregou e em que se construiria, no exato local onde outrora ficava o Templo de Salomão, a mesquita de Al-Aqsa e, a partir da Cúpula do Rochedo, a fé popular acredita que Maomé subiu aos céus!

Saladino

 

            Em 1174 morreu Amauri, rei de Jerusalém e Nur ed-Din, líder dos muçulmanos que tinha como seu lugar-tenente e homem de confiança um muçulmano Xiita nascido em Tikrit, Mesopotâmia, atual Iraque. Extremamente culto, religioso, habilidoso com as armas e cavalheiresco tornou-se famoso por seus feitos ao longo da história: Salah ed-Din Yousuf ibn-Ayyoun, conhecido como Saladino.

            Em pouco tempo sua argúcia, seu legendário cavalheirismo, seu fervor religioso e suas inquestionáveis habilidades bélicas fizeram dele Sultão inconteste dos Muçulmanos de toda a vasta região que vai do Egito à Pérsia, liderando um exército de mais de 500 mil homens em armas.

            Relatos acerca de seu cavalheirismo, de sua honra, de sua Fé e religiosidade, assim como da urbanidade com que tratava seus adversários chegaram rapidamente à Europa granjeando-lhe grande respeito. Todos percebiam estar diante de um temível adversário: um estadista excepcionalmente arguto e um comandante militar excepcionalmente competente.

            Capaz a um só tempo de unir todos os muçulmanos e vencer as batalhas mais difíceis e complexas, foi seguramente o mais valoroso líder muçulmano desde Maomé.

 

Os Preceitos da Religião Muçulmana

Os Cinco Pilares do Islã, segundo Roger Garaudy na Obra “Promessas do Islã”, publicada no Brasil pela Nova Fronteira em 1988, podem ser assim resumidos:

 

1. Profissão de Fé: “Existe um único Deus e Maomé é seu profeta”. Nenhuma outra divindade se não Deus: Maomé, seu mensageiro. O universo inteiro ganha assim um sentido, o absoluto revelando-se no relativo sob a forma de "sinais", de símbolos. A natureza e os homens, do mesmo modo que a palavra do Alcorão, eram uma aparição, uma manifestação de Deus. "Não há nada que não cante seus louvores, mas vocês não compreendem seu canto" (XVII, 44).

 

2. Oração: a prece é e a participação consciente do homem no canto de louvor que liga todas as criaturas ao seu criador. "Volte a si mesmo para encontrar toda a existência resumida em você.”

A prece integra o homem de fé a essa adoração universal: realizando-a, com o rosto voltado para Meca, todos os muçulmanos do mundo e todas as mesquitas cujo nicho do mirhab designa a direção da Kaaba são assim integrados, por círculos concêntricos, a essa vasta gravitação dos corações rumo ao seu centro.

A ablução ritual, antes da prece, simboliza o retorno no homem à pureza primitiva pela qual, rejeitando a si mesmo tudo o que pode macular a imagem de Deus, ele se torna seu perfeito espelho.

 

3. Jejum durante o mês sagrado do Ramadã. O jejum, interrupção voluntária do ritmo vital, afirmação da liberdade do homem em relação ao seu “eu” e aos seus desejos, e ao mesmo tempo lembrança da presença em nós mesmos daquele que tem fome, como de um outro eu mesmo que devo contribuir para tirar da miséria e da morte.

 

4. Zakat.  Não é esmola, mas uma espécie de justiça interior institucionalizada, obrigatória, que torna efetiva a solidariedade dos homens da fé, isto é, daqueles que sabem vencer em si mesmos o egoísmo e a avareza. O zakat é a lembrança permanente de que toda riqueza, como tudo, pertence a Deus, e que o indivíduo não pode dispor dela à vontade, que cada homem é membro de uma comunidade.

 

5. A peregrinação a Meca, enfim, não apenas concretiza a realidade mundial da comunidade muçulmana, mas, dentro de cada peregrino, vivifica a viagem interior em direção ao centro de si mesmo.

O tema central do Islã, em todas as suas manifestações, é esse duplo movimento de fluxo do homem em direção a Deus e de refluxo de Deus em direção ao homem, sístole e diástole do coração muçulmano: “Na verdade, somos de Deus e a Ele retornamos” (II, 156)

 

Todos os preceitos que devem ser seguidos encontram-se reunidos no Alcorão (a grafia “Corão” também é considerada correta), livro sagrado escrito a partir das sínteses dos ensinamentos de Maomé. Trata-se de um livro com conotações nitidamente político-­religiosas, assumindo o caráter de uma verdadeira constituição para o povo islâmico. Os feitos de Maomé foram reunidos por seus familiares em um livro denominado Suna, no qual se encontram as bases da tradição, formuladas a partir dos exemplos dados por Maomé durante sua vida. Destaca-se, entre os preceitos básicos da Suna, a Djihad. Por vezes mal compreendida, a Djihad ou Jihad, pode ser traduzida realmente como “Guerra Santa”. Segundo ainda Roger Garaudy, filósofo franco-argelino convertido ao islamismo, há duas grandes formas de se fazer a Guerra Santa preconizada pelo Profeta. Há a “Grande Jihad” ou luta contra o ego e a “Pequena Jihad” que é a busca de persuasão do infiel aos caminhos do Profeta. Seguindo ainda aquele autor, “idolatria é adorar como se fosse Deus algo que não é Deus”. Neste sentido, a egolatria é uma das formas mais condenáveis de idolatria e a Grande Jihad volta-se a dar combate a esta forma de idolatria. A “Pequena Jihad” busca, principalmente pela persuasão, mas à força se necessário, proteger o Islã e trazer novos crentes para o Islã.  

A partir da existência de dois livros sagrados, o mundo muçulmano dividiu-se em dois grandes grupos: os xiitas, seguidores exclusivamente do Alcorão, que negam qualquer outra fonte de ensinamento; e os sunitas, que adotam como fonte de ensinamento, além do Alcorão, a Suna, coletânea de relatos acerca das práticas adotadas por Maomé e seus seguidores.

 

Breve cronologia:

 

570: nascimento de Maomé.

610: Maomé tem a primeira visão do arcanjo Gabriel.

622: Hégira - início do calendário muçulmano.

630: Maomé destrói os ídolos da Kaaba; nascimento do Islã.

632: Ascenção de Maomé aos céus a partir da Cúpula do Rochedo, em Jerusalém ou, segundo informes da historiografia ocidental, “morte de Maomé em Medina”.

 

Ordem dos Templários

 

A Ordem dos Templários nasceu em 1118, na cidade de Jerusalém, por iniciativa Hugh de Payens mais oito cavaleiros, todos de origem francesa. A Ordem dos Templários, cujo nome completo era Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, tornou-se, nos séculos seguintes, uma instituição de enorme poder político, militar e econômico. A sua divisa era: Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam, o que significa “Não a nós, Senhor, não a nós, dai a glória ao Vosso nome”. Inicialmente as suas funções limitavam-se aos territórios cristãos conquistados na Terra Santa durante o movimento das Cruzadas, e visavam à proteção dos peregrinos que se deslocavam aos locais sagrados. Nas décadas seguintes, a Ordem se beneficiou de inúmeras doações de terra na Europa que lhe permitiram estabelecer uma rede de influências em todo o continente, o que mais tarde seria motivo para sua perdição...

Comprometeram-se a uma causa monástica e militar. Embora muitos Cavaleiros, naqueles tempos, lutassem por dinheiro, terra ou poder, os Templários faziam votos de pobreza e de castidade. Sua missão era principalmente a de proteger os peregrinos a caminho da Terra-Santa.

O Rei Balduíno II cedeu-lhes como abrigo o estábulo ao lado da mesquita de Al-Aqsa como quartel general. Este local supõe-se que era o exato local do Templo do Rei Salomão.

Os cavaleiros tomaram o estilo de vida das ordens monásticas fundadas no tríplice preceito: voto de pobreza, voto de castidade e voto de Obediência. E se auto-intitularam: Os Pobres cavaleiros de Cristo. Adotaram como símbolo dois cavaleiros em um só cavalo para mostrar sua pobreza – pois não tinham dinheiro para comprar um cavalo – e também seu companheirismo.

O Selo dos Cavaleiros Templários

Também adotaram o nome do local onde se estabeleceram ficando então nomeada a ordem como: Pauperes Commilitones Christi Templique Salomonis (Os pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão) mas ficaram conhecidos como: os Cavaleiros Templários. (algumas vezes chamados de : Cavaleiros de Cristo, Cavaleiros do Templo, Pobres Cavaleiros, Ordem do Templo, etc.)

Como toda Ordem Religiosa, a Regra dos Templários, criada por São Bento de Núrsia, também era baseada nos três pontos básicos das instituições religiosas da época, ou seja: castidade, pobreza e obediência. Em geral eram originários de famílias abastadas. Mas só podia se tornar Cavaleiro propriamente dito o filho de um Nobre. Os cavaleiros tinham o direito de usar (não possuir) 3 cavalos, um escudeiro e duas tendas. Comparativamente, um cavaleiro bem montado e equipado, treinado e seguido pelo seu séqüito de escudeiros, tinha o poder equivalente a um tanque de Guerra Contemporâneo.

            Havia uma parte religiosa propriamente dita, com Padres, Capelães, Diáconos, Bispos. E por causa da bula "Omne datum optimum", também só prestavam obediência ao Grão-Mestre da Ordem e ao Papa.

Relíquias

 

Eram também os protetores das relíquias sagradas. As relíquias eram restos de pessoas ou coisas consideradas sagradas e capazes de realizar milagres. Uma relíquia popular naquele tempo era um pedaço de madeira da “Verdadeira Cruz” - a cruz em que Jesus foi crucificado. Outra era a cabeça de S. João Batista, que foi decapitado após ter sido enfeitiçado pela sedutora dança de Salomé. Os povos na idade média tinham uma adoração desesperada por relíquias, que veneravam com admiração. Mas logicamente fraudes existiam. Um pândego da época disse que se e juntássemos todas as lascas de "cruzes de Cristo", haveria madeira suficiente para uma floresta inteira!

Os Templários tinham em sua posse ainda a coroa dos espinhos, tirada da cabeça de Cristo. Tiveram também o corpo da mártir Santa Eufémia de Chalcedon (julgava-se ter poderes de cura divinos), entre diversas outras relíquias.

 

A Ordem dos Hospitalários

 

A Ordem dos Hospitalários (ou Ordem de São João de Jerusalém) vem de uma tradição que começou como uma Ordem Beneditina fundada no século XI na Terra Santa, mas que rapidamente se tornaria uma Ordem militar cristã uma congregação de regra própria, encarregada de assistir e proteger os peregrinos àquela terra. Face às derrotas e conseqüente perda desse território, a Ordem passou a operar a partir da ilha de Rodes, onde era soberana, e mais tarde desde Malta, como estado vassalo do Reino da Sicília.

Poder-se-ia afirmar que a extinção desta ordem se deu com a sua expulsão de Malta por Napoleão. No entanto, os mesmos cavaleiros iriam instalar-se na ilha de Malta, doada por Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, adotando a designação de “Ordem de Malta”.

 

A Ordem Teutônica

 

A Ordem Teutônica (Em Alemão: Deutscher Orden; Em Latim: Ordo Domus Sanctæ Mariæ Theutonicorum) foi uma ordem militar cruzada, vinculada à Igreja Católica por votos religiosos, formada no final do século XII em Acre, na Palestina. Usavam vestes brancas com uma cruz negra.

Após a derrota das forças cristãs no Oriente Médio, os cavaleiros mudaram-se para a Transilvânia em 1211, a convite do Rei André II da Hungria, mas foram expulsos em 1225. Transferiram-se então para o norte da Polônia, onde criaram o Estado independente da Ordem Teutônica. A agressividade da Ordem ameaçava os países vizinhos, em especial o Reino da Polônia e o Grão-Ducado da Lituânia. Em 1410, na Batalha de Grunwald (Tannenberg), um exército combinado polaco-lituano derrotou a Ordem e pôs fim a seu poderio militar. O poder da Ordem continuou a declinar até 1525, quando seu Grão-Mestre, Alberto de Brandemburgo, converteu-se ao luteranismo e assumiu o título e os direitos de Duque hereditário da Prússia (embrião do Reino da Prússia, catalisador do futuro Império Alemão). O Grão-Mestrado foi então transferido para Mergentheim, de onde os Grão-Mestres continuavam a administrar as consideráveis posses da Ordem na Alemanha. Em 1809, quando Napoleão determinou a sua extinção, a Ordem perdeu as suas últimas propriedades seculares, mas logrou sobreviver até o presente. Atualmente, trabalha primordialmente com objetivos assistenciais.

 

Reinald de Châtillon

 

Não era um Cavaleiro Templário, mas mantinha afinidades com a Ordem e frequentemente participava de ações contra os muçulmanos, por quem nutria um ódio feroz e completamente irracional!

Transformou-se no principal inimigo público dos muçulmanos e um homem marcado para a morte por Saladino a partir de duas atitudes vis que tomou contra aquele povo.

Em 1182 Châtillon concebe um plano ardiloso: invadir Meca e roubar o corpo do Profeta Maomé para cobrar tributo de peregrinos que desejassem visitá-lo em sua fortaleza de Kerak.

Vencidos por tropas muçulmanas lideradas por Malik, irmão de Saladino, muitos foram feitos prisioneiros e outros escravizados.

Pouco tempo depois, liderou um ataque covarde a uma caravana muçulmana pacífica, desarmada, em peregrinação a Meca.

Tais episódios conduziram Saladino, líder dotado de elevado senso de honra e justiça a ver em Châtillon um criminoso ignominioso, sem honra ou senso de justiça, capaz das mas atrozes barbaridades movido por puro ódio.

Quando já próximo da queda de Jerusalém, o sucessor de Balduíno IV, agora Rei de Jerusalém Guy de Lusignan, foi aprisionado com um grande contingente de cruzados e Saladino teve a oportunidade de retribuir por todo o mal feito pelo vilão: ofertou água de rosas com gelo trazido das montanhas ao rei de Jerusalém e este passou a taça a Châtillon. As rígidas regras de hospitalidade muçulmana ditavam que, quem partilhasse da água, do pão ou do sal na mesma Tenda deveria ser poupado e alimentado. Repreendido, teve a taça tomada e Saladino ofereceu a ele a possibilidade de entregar-se ao Islã a fim de ser poupado. Châtillon, sempre arrogante, retrucou que era Saladino quem deveria entregar-se ao cristianismo a fim de evitar o fogo do inferno. A arrogância e intolerância de Châtillon foram superiores à cortesia do grande cavalheiro que era Saladino e este lhe decepou a cabeça com um só golpe de cimitarra.

 

A Guerra entre a França e a Inglaterra pelo domínio de Flandres

A sede de ouro de Filipe de Valois...

 

Há décadas a Inglaterra estabelecera uma “cabeça-de-ponte”, um domínio localizado sobre uma vasta e rica região da França fazendo com que o monarca mobilizasse vastos recursos para dar combate ao invasor. Após muitas derrotas humilhantes e um severo endividamento, Filipe de Valois viu-se obrigado a selar uma frágil trégua a peso de ouro.

Todos os expedientes lícitos e ilícitos por parte do Monarca foram utilizados para angariar fundos e recompor os cofres da corte francesa. Em primeiro lugar os mercadores lombardos residentes em Paris foram expropriados de seus bens através de multas, impostos, confiscos e, finalmente, foram expulsos da França! A seguir foi a vez dos judeus. Seus bens foram confiscados e também eles foram expulsos da França.

Outra medida violentamente impopular foi a desvalorização da moeda francesa em 200%! Em 1306 os franceses em geral e parisienses em particular se viram tão monstruosamente empobrecidos que se levantaram em rebelião contra Filipe de Valois e sua corte que, para resguardar suas vidas, refugiaram-se na maior fortificação Templária da cidade. No Templo, Filipe de Valois vislumbrou pela vez primeira todas as riquezas daqueles outrora “Pobres Cavaleiros de Cristo” e presume-se que tenha sido desta data a sua pretensão de apoderar-se do Tesouro dos Cavaleiros Templários.

O Templo, que serviu de refúgio a um monarca antipático a seu próprio povo veio a transformar-se mais tarde em presídio para os mesmos templários que o protegeram da turba enfurecida...

 

 

Clemente V e o Cativeiro de Avignon (1309 – 1377)

 

Bertrand de Got, arcebispo de Bordeaux (1297-1305), homem de estreita confiança de Filipe de Valois, foi eleito papa em 1305, como sucessor de Bento XI, após o longo conclave de Perúgia, como homem de consenso: sempre havia sido submisso ao papa Bonifácio VIII e também amigo do rei da França, Filipe, o Belo, inspirador do ultraje de Anagni. Adotou o nome de “Clemente V”.

O antecessor de Clemente V, o papa Bento XI, havendo desobedecido a ordens expressas do monarca Filipe de Valois (Filipe “O Belo”), foi atacado e sofreu uma tentativa de seqüestro de seu refúgio em Agnani a fim de ser conduzido à França para ser julgado por heresia. Bertrand de Got apoiou – segundo alguns Autores foi mesmo o inspirador – tal iniciativa...

Alegando que a cidade de Roma, dominada pelos conflitos entre as famílias nobres, não oferecia mais segurança ao papa, Clemente V, em 1309 foi, “a convite” de Filipe de Valois para Avignon, França, onde se fixou definitivamente. Nessa época tem início o chamado de “Cativeiro de Avignon” em lembrança do bíblico “Cativeiro Babilônico”.

Abjetamente subserviente ao monarca francês, foi coroado em Lyon na presença de Filipe, que sempre o dominou. A primeira conseqüência de sua fragilidade em relação ao rei da França foi a transferência da sede do papado de Roma para Avignon, início do chamado “Cativeiro de Avignon”. Atendendo aos insistentes pedidos de Filipe, Clemente canonizou o papa Celestino V e iniciou um processo contra o falecido papa Bonifácio VIII que, segundo as intenções do rei, deveria ter terminar com a sua condenação, o que não aconteceu em virtude da vigorosa atuação dos Cardeais. Segundo a Lei Canônica da Época, o cadáver de Bonifácio VIII deveria ser exumado e, se considerado efetivamente culpado de heresia, seria queimado na fogueira...

Foi um período difícil para a Igreja e teve como o pior fruto, a imagem de um papa não como um pai universal, e sim, uma espécie de capelão do rei da França. Foram sete papas franceses e também a maioria dos cardeais.

Além disso, para fazer frente à construção e manutenção da corte papal, aumentaram-se exageradamente os impostos e as taxas. Tudo era vendido a alto preço: nomeações, graças, indulgências e dispensas. Os ânimos católicos se distanciam da Cúria e surge sempre mais forte o grito: “A Igreja tem que ser reformada”. A autoridade do papa decaiu muito com o excesso de excomunhões, lançadas por motivos quase que exclusivamente políticos. Durante 20 anos toda a Alemanha ficou sob excomunhão. Em 1328 um patriarca, 5 arcebispos e 30 bispos foram excomungados. São João d’Ávila deplorava que nas paróquias, em cada festa, fossem anunciadas de 7 a 10 excomunhões.

As vozes que amavam a Igreja e Roma se faziam ouvir cada vez mais alto: “quer-se a liberdade da Igreja, a liberdade do Papa, um Papa universal.” Duas santas mulheres fizeram eco a essa necessidade universal: Brígida da Suécia e Catarina de Sena. Catarina, jovem, analfabeta, mística e santa, assumiu como vocação fazer o papa retornar a Roma. Escrevia-lhe até palavras duras: “Seja homem, paizinho! Não tenha medo”. Foi a Avignon e ali pôde constatar a corrupção da Cúria que ela dizia, “cheirar muito mal, com o mesmo mau cheiro de Roma”. Garantiu a segurança da transferência papal e, em 1367, Urbano V ingressou triunfalmente na Roma papal. Era tamanha a desordem na cidade, que o bom papa fugiu para a França. Seu sucessor, Gregório XI (1370-1378), retornou a Roma em 1377 e fez do Vaticano a residência papal oficial. Santa Catarina passou a viver em Roma e quase que diariamente ia ao Vaticano, rezar pelo Papa e pela Igreja.

Como não poderia deixar de acontecer, o Cativeiro de Avignon deu azo ao Grande Cisma do Ocidente, com dois papas católicos romanos, um em Roma e outro em Avignon excomungando-se mutuamente...

O Cisma do Ocidente (1378 – 1417)

 

Contra Urbano VI, papa legítimo, é eleito Clemente VII como antipapa residente em Avignon. Papas e antipapas se sucediam e se excomungavam, a ponto de se ter a impressão de que toda a cristandade estivesse excluída da Igreja. Foi o Grande Cisma, que fez a Igreja num certo período ter três papas! Os cristãos, e mesmo os sábios e santos, não tinham mais muita clareza sobre quem era o papa verdadeiro.

França, Espanha e Escócia reconheciam Clemente VII como papa legítimo; Itália, Inglaterra, Irlanda, Boêmia, Polônia, Hungria e Alemanha reconheciam Urbano VI. E os santos? Santa Catarina de Sena apoiava Urbano VI e chamava de demônios encarnados os eleitores de Clemente VII; já São Vicente Ferrer reconhecia como verdadeiro papa a Clemente VII. Certamente, para o povo, era mais difícil ter alguma certeza.

Para salvar a unidade da Igreja, alguns teólogos passaram a defender a Teoria Conciliar: os bispos reunidos em Concílio detêm o poder da Igreja, acima do Papa. No fundo, o que se queria era garantir a eleição de um único e legítimo papa e recuperar a unidade eclesial.

Somente o Concílio de Constança (1414-1418) conseguiu acabar com o Cisma, com a eleição unânime de Martinho V (1417-1431) após a renúncia do papa legítimo Gregório XII.

 

Conseqüências

 

Após tantos conflitos, divisões, papas sem visão pastoral e universal, não é de se estranhar que, aos olhos do povo cristão, uma Igreja nacional, controlada pelo poder do Estado, fosse a melhor solução. Isso aconteceu e foi uma das causas que explicou o sucesso da Reforma Protestante na Europa.

Na França, em 1438 se ratificou como lei estatal a Teoria Conciliar, a proibição de apelar para Roma como última instância, limitações dos direitos da Santa Sé nas nomeações para ofícios e benefícios na França. Somente em 1905, o Papa voltou a nomear os bispos franceses.

Na Alemanha, os príncipes usurparam a jurisdição eclesiástica em seus territórios com a imposição de taxas sobre os bens eclesiásticos. O sentimento anti-romano era muito forte, cunhando-se até a expressão “doutor em Roma, burro na Alemanha”.

Na Inglaterra, a descrença em relação a Roma se fortaleceu com o Cativeiro de Avignon: aos olhos dos ingleses o papa era instrumento do soberano francês contra quem a nação inglesa se empenhou em longa e violenta luta. Vários decretos do século XIV negam ao papa o direito de nomeação para os ofícios eclesiásticos ingleses, proíbem o apelo a Roma e a introdução das Bulas papais. De fato, a Igreja inglesa era independente de Roma.

Na Espanha, a unidade religiosa foi considerada básica para a unidade nacional. Em 1478 nasceu a Inquisição Espanhola sob controle estatal. Em 1492, com a reconquista dos domínios muçulmanos – o reino de Granada – ao sul da Península Ibérica e a conquista da América, Portugal e Espanha adquirem o direito do Padroado, pelo qual assumiram o governo da Igreja.

Esses fatos podem explicar, em parte, o porquê da tragédia religiosa do século XVI, quando um frade reformador, Martinho Lutero, provocou a divisão religiosa e política da Europa cristã. Séculos de relaxamento pastoral no coração da Igreja Romana afastaram numerosos povos e nações. Lutero simbolizou, com seu gesto, as numerosas gerações que clamavam pela reforma da Igreja.

 

 

 

1307 – A violenta ganância de Filipe de Valois, a subserviência abjeta de Clemente V e o Ataque insano aos Templários

 

            O monarca francês e seu papa marionete fizeram chegar ao conhecimento dos Grãos-Mestres do Templo e do Hospital que planejavam uma nova Cruzada contra os muçulmanos utilizando-se das forças conjuntas das duas Ordens Bélico-religiosas ainda em ação, devendo elas fundir-se numa nova Ordem sob o comando dos Hospitalários.

            Convidados a Poitiers, nas imediações de Paris, Jacques de Molay, Grão-Mestre do Templo e Foulques de Villaret, Grão-Mestre dos Hospitalários, deveriam apresentar-se a 1º de novembro de 1306, Dia de Todos os Santos. Jacques de Molay, de posse de um plano detalhado para uma nova cruzada e um arrazoado detalhado acerca da inconveniência da fusão entre as duas Ordens religiosas e militares, chegou ao encontro com vasta antecedência. Foulques de Villaret, atrasou-se à reunião, dela se retirando na primeira oportunidade. Jacques de Molay ficou sozinho: uma ovelha em meio a lobos, hienas e chacais...

            Por volta do dia 20 de setembro de 1307 Filipe de Valois enviou cartas lacradas a todos os senescais do reino com ordens expressas de que somente fossem abertas na noite de quinta-feira 12 de outubro. O falecimento de Charles de Valois, irmão de Filipe, determinou uma viagem do Grão-Mestre Jacques de Molay que, sem nada desconfiar, ocupou lugar de destaque nas exéquias sendo mesmo um dos que carregaram o esquife do príncipe falecido no próprio dia 12 de outubro, véspera de sua captura...

            Quando as cartas foram simultaneamente abertas, a ordem expressa do rei resumia-se em: “os Templários são acusados de graves heresias e crimes devendo ser todos aprisionados e postos a ferros na madrugada de sexta-feira 13 de outubro de 1307”. Data daí a crença de que toda a sexta-feira 13 é um dia aziago.

            Estarrecidos, os Templários pouco ou nada ofereceram em termos de resistência entregando-se aos soldados do Rei sem entender as acusações mas acreditando firmemente poder comprovar sua inocência.

            Relata-se que, por mais que todo o procedimento tenha sido mantido em rigoroso sigilo, 3 carroças carregadas com o que provavelmente seria o tesouro dos Templários saíram do Templo em Paris em direção a local incerto e jamais se soube o paradeiro daquele tesouro. Sabe-se que, em função de suas atividades de proteção a peregrinos em direção à Terra Santa, os Templários dispunham de uma grande frota de navios que, misteriosamente desapareceram das costas da França. Muito se especulou: teriam ido para a Escócia, aonde a influência de Filipe de Valois e Bertrand de Got não chegava? O que é ainda motivo de pesquisa é o paradeiro do Tesouro dos Templários e de seus navios misteriosamente desaparecidos.

 

Extração de confissões e execuções

 

            Os calabouços eram locais extremamente úmidos, insalubres, desconfortáveis, criados para quebrar a vontade dos prisioneiros, acorrentados durante todo o tempo. A estas aflições acrescentou-se uma série de outras práticas comuns na França embora proibidas em outros países civilizados: a tortura sistemática. Contra os Templários aprisionados utilizavam-se a torquês (arrancava-se a panturrilha com uma torquês afiada e nela se despejava chumbo derretido), a Roda (esta era planejada para esticar tanto o corpo da vítima que muitos vieram a óbito), as surras e chibatadas e tormentos indescritíveis que somente cessavam diante da confissão do que o Rei e seu papa fantoche haviam estipulado. Os templários deveriam confessar, entre outras coisas absurdamente estapafúrdias que:

_ Praticavam sistematicamente a sodomia, o homossexualismo (heresia, prática antinatural e crime hediondo)

_ Adoravam uma cabeça mumificada ou um ídolo demoníaco cognominado de Baphomet.

_ Em seus rituais de Iniciação eram obrigados a renegar o Cristo e cuspir na Cruz.

O que mais causou espanto à opinião pública foi o fato de tantos homens pios, devotados a dedicar sua vida à causa de Cristo, em sua maioria originária de famílias nobres estivesse envolvida em tais práticas inverossímeis sem que em décadas ninguém emitisse qualquer palavra sobre tais heresias antes que fossem violentamente torturados.

Nos anos que se seguiram, a ordem foi sendo quebrada em vários países. Na Espanha e Portugal, continuou ativa na guerra contra os muçulmanos, Foi fundada por D.Dinis de Portugal, a Ordem de Cristo, que era a mesma coisa, mas com outro nome. Posteriormente já no século XV Infante D.Henrique se torna Grão-Mestre da Ordem de Cristo e inicia as Grandes Navegações Portuguesas. Na Alemanha, os Templários desafiaram a todos para provar sua inocência. Na Inglaterra as torturas eram legalmente proibidas. Embora tenha ocorrido uma única execução de um Cavaleiro Templário em solo inglês pela Santa Inquisição, jamais se ouviu de qualquer deles confissão alguma dos delitos que lhes eram imputados.

Na Escócia a bula Papal nunca foi lida e nenhuma prisão foi feita. Mais tarde seriam uma das influências de uma nova Ordem que surgiria junto as sociedades dos pedreiros-livres (os mesmos que construíram as catedrais góticas com base nos aprendizados da Construção do Templo de Salomão). Há fortíssimos indícios que, desta união entre os Templários e as Guildas de Pedreiros Medievais formaram a base do que viria a ser a Maçonaria. Naturalmente, com o passar dos anos, todos os que tinham justos motivos para ocultar-se dos rigores da Igreja juntaram-se aos Maçons (Rosacruzes, Alquimistas, Pitagóricos, Órficos, Astrólogos, Cabalistas...)

De 1307 a 1314 o Grão-Mestre Jacques de Molay além de preceptores da Ordem como Hugo de Piraud e Godofredo de Charney permaneceram encarcerados e submetidos às mais hediondas formas de tortura.

Jacques de Molay contava 70 anos de idade quando, a 18 de março de 1314 foi amarrado a uma estaca numa ilha remota do rio Sena em companhia de seus companheiros de cela. Protestando inocência até o último momento, as últimas palavras do último Grão-Mestre do Templo ainda ecoam através do tempo:

“Senhor,

Permiti-nos refletir sobre os tormentos que a iniqüidade e a crueldade nos fazem suportar. Perdoai, ó meu Deus, as calúnias que trouxeram a destruição à Ordem da qual Vossa Providência me estabeleceu chefe. Permiti que um dia o mundo, esclarecido, conheça melhor os que se esforçam em viver para Vós. Nós esperamos, da Vossa Bondade, a recompensa dos tormentos e da morte que sofremos para gozar da Vossa Divina Presença nas moradas bem-aventuradas.

Vós, que nos vedes prontos a perecer nas chamas, vós julgareis nossa inocência.

Intimo o papa Clemente V em quarenta dias e Felipe o Belo em um ano, a comparecerem diante do legítimo e terrível trono de Deus para prestarem conta do sangue que injusta e cruelmente derramaram.”

 

Seja como for, Bertrand de Got (Clemente V) efetivamente faleceu 40 dias depois da Intimação do Grão-Mestre e Filipe de Valois (“O Belo”) em um ano também morreu, causando grande impressão a todos quantos testemunharam as palavras finais do Grão-Mestre do Templo.

Relembremos que a época era cultuadora de relíquias e que os assistentes da execução colheram restos mortais dos mártires executados usando-as como autênticas relíquias...

 

O Julgamento da História 

 

            De tudo o que aconteceu nos eventos daquele tempo sombrio fica clara a crueldade de Filipe de Valois, que não se detinha diante de nada para levar a cabo seus intentos maliciosos.

            O uso sistemático da tortura priva o ser humano da Razão e, tal como ficou provado durante os períodos de tortura por que a humanidade tem passado (do Império Romano à Ditadura Militar Brasileira) o supliciado confessa o que quer que o torturador queira ouvir ou implante em sua mente.

            Diante da legislação internacional o uso da tortura para obtenção de confissões não é admissível: o supliciado confessa qualquer coisa que o torturador queira ouvir!

            Havendo sobreviventes dos Templários e de seus pensamentos e ensinamentos em vários pontos do mundo aonde não chegava a autoridade de Filipe de Valois ou de Bertrand de Got encontram-se seres humanos honrados, nobres, cavalheirescos e, como já se enfatizou mais de uma vez, um dos mais poderosos pilares de sustentação ou mesmo formação da Maçonaria como a conhecemos hoje.

            O nome do último Grão-Mestre dos Templários, Jacques de Molay, é hoje lembrado com carinho e respeito por jovens de todo o mundo na Ordem que recebeu o seu nome, suprema justiça histórica!

 Brasão da Ordem DeMolay

Nenhum DeMolay irá falhar como um cidadão, como um líder ou como um homem

 

Grão-Mestres do Templo

 

Hugo de Payns                  1119 – 1136

Roberto de Craon             1137 – 1149

Everardo de Barres          1149 – 1152

Bernardo de Trémélay     1152 – 1153

André de Montbard           1153 – 1156

Bertrand de Blanquefort 1156 – 1169

Filipe de Nablus                 1169 – 1171

Arnold de Torroja              1180 – 1184

Gérard de Ridefort             1185 – 1189

Robert de Sablé                 1191 – 1193

Gilberto Erail                       1194 – 1200

Filipe de Plessiez              1201 – 1209

Guilherme de Chartres    1210 – 1232

Pedro de Montaigu           1219 – 1232

Armando de Périgord      1232 – 1244

Ricardo de Bures              1244 – 1247

Guilherme de Sonnac      1247 – 1250

Reinaldo de Vichiers        1250 – 1256

Tomás Bérard                    1256 – 1273

Guilherme de Beaujeu     1273 – 1291

Teobaldo Gaudin              1291 – 1293

Jacques de Molay             1293 – 1314

 

Ouça o Hino da Maçonaria, de autoria de D. Pedro I

 

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Pesquisa na Internet:

 

Filmes:

 

Cruzada (Kingdom of Heaven) direção de Ridley Scott

 

O Filme "A Lenda do Tesouro Perdido (National Treasure)", dirigido por Jon Turteltaub traz belas e poéticas ilações relativas à Maçonaria. Recomendo

Lázaro Curvêlo Chaves - 24 de Junho de 2005

Ouça o Hino da Maçonaria, de autoria de D. Pedro I

 

 
 
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