Cultura Brasileira: no ar desde 1998

Um País Partido - 2014 - A Eleição Mais Suja da História

Marco Antonio Villa (Notas de Leitura)

            Certa feita um discípulo perguntou a Confúcio (551 – 479 Antes da Nossa Era), quais as três coisas fundamentais para se ter um bom governo. Confúcio respondeu: um bom exército, comida e confiança nos líderes. O discípulo voltou a insistir, querendo saber se era possível retirar algum desses itens e continuar a se ter um bom governo. Confúcio novamente respondeu: “sem um exército, um povo bem alimentado e confiante, luta; sem comida, um povo que confia nos seus líderes faz qualquer coisa. Pode-se ter um bom governo sem comida e sem exército, mas sem líderes confiáveis, mesmo um país rico e bem guardado está fadado à ruína”.

Lançamento: 2014

Páginas: 222

Editora LeYa

 

A Década Perdida - Dez Anos de PT no Poder - Marco Antonio Villa

Mensalão - O Julgamento do maior caso de corrupção da História Política do Brasil - Marco Antonio Villa

Visite o Blog de Marco Villa para atualizações de sua prolífica e rica produção intelectual!

 

 

 

 

Sobre o Autor: Marco Antonio Villa é Bacharel e Licenciado em História, Mestre em Sociologia e Doutor em História. Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (1994-2015)

 

 

 
 
 

Avant Propos (10/12/2014)

            O livro demorou a chegar pela transportadora. Logo ao início da leitura não consegui me furtar a publicar nas redes sociais minhas primeiras impressões acerca de dois aspectos que mais me chamaram a atenção já nas primeiras páginas, logo após Villa descrever em detalhes o processo eleitoral brasileiro desde o golpe militar que implantou a República no Brasil a 15 de novembro de 1889 até a última eleição, detalhando cada votação, direta ou indireta, em todos os momentos históricos nos últimos 125 anos de História do Brasil. Uma preciosidade em termos de levantamento histórico detalhado que, logo no primeiro capítulo, li como um “brinde” inesperado. Villa, sempre radicalmente acurado e citando sempre as fontes primárias de sua pesquisa, detalha as eleições da República Velha, a Revolução de 30, o Estado Novo, a Redemocratização de 1946 e as eleições relativamente livres e subsequentes até 1964, seguido do Golpe Militar e todas as eleições de cada General através do “Colégio Eleitoral” do Congresso Nacional, a nova redemocratização após a Campanha das Diretas e as eleições mais ou menos livres de 1989 até esta última. Detalhadamente num estudo primoroso.

            Os temas que me chamam a atenção não são abordados no contexto em que aqui o faço, Villa cita os FATOS como ocorreram, aqui ouso algumas ilações, estimo que pertinentes (ou impertinentes, dependendo do lado do espectro político em que o eventual leitor se encontre, claro):

_ Segundo Villa, durante a campanha, uma das muitas mentiras espalhadas pelas redes sociais acerca de Marina Silva por um grupo grande de blogueiros remunerados pelo Ministério das Comunicações – fora os ingênuos úteis que se sujaram de graça mesmo – foi que ela seria HOMOFÓBICA. Algo absolutamente irreal, particularmente para quem lhe conhece a biografia. Mas a calúnia ia mais longe: divulgou-se amplamente no Twitter e no Facebook que “os seguranças armados de Marina Silva mataram a pancadas um homossexual que tentou se aproximar dela” – algo absolutamente inverídico que não apareceu na campanha na TV ou no Rádio, o papel das redes sociais na Campanha de 2014 foi crucial.

            Aqui a minha ilação, quiçá pertinente: há anos o PSOL – de nascimento puro, a partir da insatisfação de Heloísa Helena com a guinada à Direita do PT – se tornou um partido com discurso popular e esquerdista ainda mais contundente que o do PT, contudo, na prática apoiando e aprovando todas as medidas encaminhadas por parlamentares petistas (reitero que o PSOL é o que chamávamos nos áureos tempos de “partido de cúpula”: conta com um grupo razoável de parlamentares, intelectuais e simpatizantes, mas não tem contato algum com qualquer base em qualquer movimento social organizado, seja sindical, seja de que natureza for). Ora, recordo-me que a até então insuspeita Luciana Genro, candidata à Presidência pelo PSOL, naquele mesmo instante em que se erguia uma campanha de calúnias e difamações em torno da completamente inverídica “homofobia” de Marina Silva, escolheu como opositor preferencial o também candidato nanico Levy Fidelix que não tinha medo em expor sua (de Levy Fidelix) homofobia. E tanto a Luciana Genro martelou o tema que, naquele instante, ajudou muito a campanha de calúnias do PT contra Marina Silva. Se foi proposital ou mera coincidência, é difícil dizer. Claro é o fato que o PSOL há muito se constitui no partido que mantém a fama de ser “de esquerda” enquanto na prática é um mero homologador do encaminhamento político e econômico criminoso do PT/PCdoB. A refletir.

            O outro caso é o de André Vargas que, recebendo Joaquim Barbosa, então presidente do Supremo Tribunal Federal em cerimônia na Câmara dos Deputados, acintosamente fazia o mesmo gesto com o punho cerrado que os mensaleiros todos faziam ao serem presos, um a um. Questionado, disse que “Joaquim Barbosa não merece ser membro de um Poder, pois não entende o conceito de Poder Unificado”. Isso é realmente preocupante! A última vez na história em que isso aconteceu nem foi no Brasil, foi na Alemanha em 1936 quando todos os juízes tiveram de prestar juramento de fidelidade a Adolf Hitler e o conceito de “amor ao Fuehrer” foi incorporado como Conceito Jurídico (defendido até mesmo por Martin Heidegger). Será que o PT deseja implementar o mesmo no Brasil? Repudio a expressão “bolivarianismo” por vários motivos: Simon Bolívar foi um líder importante da América Andina de Fala Hispânica e tinha ideais mais que nobres; o que se faz hoje por lá em nome dele não é sequer uma sombra do que sonhava o líder revolucionário que – e aí minha implicância mesmo com o termo – não afetou EM NADA a História do Brasil em seu tempo. Já o conceito de Nazismo, assim como o de Aparelho Criminoso do Estado (os Julgamentos de Nuremberg deixaram claro que o Nazismo foi, entre outras coisas, uma forma brutal e criminosa de aparelhamento do Estado por um Partido Político) estão mais próximos de nossa compreensão...

          A fim de compreender o Aparelhamento da Justiça na Alemanha Nazista – por ilação, o que o PT deseja para o Brasil de hoje – é fundamental a leitura de um livro que clama por uma tradução em nosso idioma para que mais gente possa tomar ciência do assunto, de Ingo Müller: "Hitler's Justice: The Courts of the Third Reich"

. 

"Hitler's Justice: The Courts of the Third Reich" - Ingo Müller

 

 Confira ainda

Dois Fascistas

Lula Mussolini da Silva Hitler

De como o PT se transformou num partido de ideologia fascista e comportamento fisiológico

 

 

 

Apresentação

            Concluindo a Leitura e Apresentando minhas Impressões (o Autor não pode, naturalmente, ser responsabilizado pelas emoções que despertou em mim, para o bem ou para o mal e eu o Admiro muito, dentro de uma amizade que já vai para a terceira década, para desrespeitá-lo a ponto de fazer com que o leitor considere DELE ideias que são minhas e pelas quais ele não é, em absoluto, responsável).

            Villa, fecundo Autor que nos brindou com “Década Perdida – Dez Anos de PT no Poder” no ano passado, conseguiu, mais uma vez, fazer um levantamento isento, acuradíssimo, momento a momento, de todos os fatos envolvendo as eleições de 2014 desde o início do ano até o final das Eleições; cada ato mais significativo ou importante de cada participante, principalmente dos candidatos, foi registrado da maneira imparcial, científica e precisa que já se tornou sua marca registrada. Trata-se de um livro que precisa ser lido por todo o Brasileiro interessado em saber o que de fato aconteceu durante “a eleição mais suja da história”, momento a momento, denúncia a denúncia, debate a debate... 

Introdução: onde me encontrava até meados de 2013 e onde me encontro hoje

            Estive mesmo desiludido dos temas policiais que tomaram conta do noticiário político e, bastante por isso, pouco me interessei pela campanha eleitoral de 2014 em seu início. O motivo principal, contudo, foi a percepção clara de que, fosse quem fosse o eleito, teria de levar a cabo uma série de medidas econômicas ditadas pela chamada “Globalização” ou, mais especificamente, pela Bolsa de Valores de Wall Street que, neste mundo reduzido a uma única ideologia forte, “os mercados” ocuparam todo o espaço e os políticos, como diz José Saramago em “Vozes contra a Globalização”, não passam de comissários de bancos e grandes corporações. Atendendo a pedidos de amigos que ainda conversam comigo mesmo depois de o PT e o PSDB haverem conseguido me reduzir a um estado de exílio doméstico, publiquei algo sobre o que chamo de “Derrota da Política” – a presença constante de temas policiais dentro do que deveria ser espaço dos debates e decisões políticas – e proponho algumas sugestões Radicais como uma ruptura institucional – sem derramamento de sangue, sonho que a humana espécie já chegou a um estado evolutivo que nos permita deixar o tacape do lado de fora da caverna quando vamos conversar e agir em torno de coisas sérias como a Salvação de Vidas Humanas, precisamos, de alguma forma, INTERROMPER O MASSACRE CONTRA O HUMANO que vem sendo perpetrado no cotidiano. Parafraseando Mikhail Bakunin, que dizia não ser possível se chegar a uma sociedade libertária através de qualquer forma de ditadura, afirmo ser impossível chegarmos à Luz trilhando um caminho de Trevas (haja visto o que a própria história nos ensina: esse não é um bom caminho e eu o repudio!).

            O surgimento de Aécio Neves foi o Primeiro Fenômeno Eleitoral da Década, em particular por haver ele encontrado, já no final da campanha, o eixo central do encaminhamento unificado da indignação de todos os que não suportam mais ver a política ser tratada como assunto de polícia: a Ética Prática, como disse em carta que dirigi a ele logo após a eleição. Apresentando uma Solução Viável, menos radical, mais racional que minha sugestão anterior, conquistou meu entusiasmo.

            Repito não ver diferença entre os encaminhamentos neoliberais, subordinados à Globalização, dos que se dizem “de esquerda” e dos que criticam a esquerda. Saúdo Aécio Neves como um “Fenômeno”, pois conseguiu trazer de volta – e de maneira convincente e prática que atingiu mais da metade do eleitorado brasileiro – a Ética para as considerações políticas e mesmo “a política de volta para a política”.

            Com um encaminhamento honrado, sincero, sério, republicano e justo, há espaço para propormos mais mudanças e aprofundarmos os caminhos inadiáveis ao país mais desigual da América, com cidadãos que, em pleno século XXI ainda vivem como se vivia no século XIX!

            Acompanhei somente o Segundo Turno das Eleições, conforme explico em: Por que apoiei Aécio Neves.

 

O que encontramos no livro mais recente de Villa

 

            Vejo na página 28 um dado importantíssimo: somos um país com um número muito maior de mulheres (particularmente, de eleitoras) do que de homens e isso pautou, em grande medida, a campanha.

Dilma Rousseff, a exemplo do que fez Margaret Thatcher na década de 80 do século passado e faz hoje Angela Merkel aprendeu que, num mundo masculino a mulher que se dedica á vida pública com níveis elevados de Poder precisa se esquecer da fragilidade de seu sexo e de coisas a ele comuns (como a ternura, a meiguice, a compaixão, a feminidade...) e agir de maneira máscula, dura – Thatcher, por exemplo, era chamada de “Dama de Ferro”. Apesar disso, num país levado às cordas da ignorância por uma sucessão de desgovernos infelizes, AINDA consegue fazer as mulheres do mundo cotidiano, de alguma forma, se identificarem com aquela caricatura máscula que lidera o governo brasileiro desde 2010, segundo informações de assessores descontentes, sempre aos gritos autoritários e mesmo arremessando objetos em subordinados. Coisas do Brasil...

A 25 de julho um comunicado do Banco Santander dava a entender que o Brasil ficaria pior se Dilma Rousseff fosse reeleita e isso provocou uma reação brutal de Lula da Silva, amigo pessoal do dono do Santander, dirigiu a ele as seguintes palavras: “Botin, meu querido. Eu tenho consciência que não foi você que falou, mas essa moça tua que falou não entende pôrra nenhuma de Brasil ou do governo Dilma”. E continuou: “Manter uma mulher dessas em cargo de chefia é sinceramente...Pode mandar embora e mandar o bônus para mim.” Finalizou dizendo: “Aqui no Brasil o Santander ganha mais do que em Nova York, Londres, Pequim, Paris, Madri e Barcelona!”. Foi convincente. Ato contínuo, Emílio Botin demitiu não somente “aquela moça”, mas quatro funcionários graduados do Banco e publicou duas notas (uma aos clientes e outra ao público em geral) de retratação pela “análise” anterior. Por ali já se percebia como seria a atuação prática do Lula e seus associados sempre que o projeto de Poder do PT fosse ameaçado.

Não entendo – juro por Deus – os valores em questão quando se fala nas falcatruas envolvendo uma quantidade estapafúrdia de dinheiro público, da Petrobrás. A compra de uma usina em Pasadena (para que diabos a Petrobrás precisa de uma usina tão longe das plataformas de prospecção de petróleo brasileiras não vou nem tentar entender!). Entendi, contudo, que a Petrobrás (no que a CPMI do Congresso sobre o tema considerou “um bom negócio”) comprou por R$ (ou seria U$) 2 Bilhões um treco que valia pouco mais de 40 Milhões. E entendo que dá um sobrepreço aí de umas 50 vezes a mais. Algo como comprar uma caneta que vale R$ 10,00 por R$ 500,00. Sob qualquer ponto de vista, não parece nada com “um bom negócio”. E ali se começou a deslindar a meada de mais um escândalo. Conheço – tristemente o confesso – gente que, quando ouve falar em mais um escândalo de corrupção ou superfaturamento do PT, sendo do partido ou de sua base alugada, simplesmente boceja...

Um diretor demitido da empresa informa que a quantidade de dinheiro girando em torno dos desmandos consequentes do aparelhamento da Petrobrás pelo PT e partidos “da base” deixa a enormidade de recursos desviados dos Correios, do Banco do Brasil e do Banco Rural no processo do Mensalão parecendo dinheiro de balinha ou pirulito. Um dos ladrões capturados pela atuação eficientíssima da Polícia Federal trabalhando em articulação com a Justiça Federal no Paraná chegou a devolver, de uma tacada, mais dinheiro do que todo o volume transacionado durante o Mensalão – e aquele foi apenas UM dos negócios sujos. Beneficiando-se de um processo conhecido como “delação premiada” – e concordo com o que meu amigo Villa fala, não no livro, mas na TVEJA e na TV Cultura: essa nomenclatura esquisita precisa mudar... Um sujeito que se arrepende e passa a colaborar com a justiça, ainda que não pelos motivos mais nobres, seguir sendo chamado de “delator” e que a justiça “premie” um delator soa esquisito a ouvidos acostumados com um Brasil de outras Éticas... – delatando premiadamente então, ficamos sabendo que o dinheiro roubado da Petrobrás alimentou a campanha eleitoral do PT e sua base alugada neste 2014 pelo menos até que a justiça estancasse a sangria – o que, em minha opinião, pode explicar os motivos que impediram Dilma Rousseff de cumprir o Superávit Primário que ela mesmo havia proposto ao Congresso Nacional (sem acesso ao Petrolão, encontrou outras fontes ilegais de financiamento, uai!) e, em vias de incorrer em crime de responsabilidade, correu para mudar a lei – algo como um motorista que atropela e mata alguém e muda a lei para que isso não seja mais considerado crime; ou como um juiz parado numa blitz por estar errado multar pesadamente a policial que cumpria com o seu dever. Um país partido e de cabeça para baixo, eis onde moro...

Os petistas bocejando diante do novo escândalo que se apresenta, repetindo o mantra “é que nosso governo combate a corrupção...” e Dilma Rousseff tão à frente nas pesquisas que havia mesmo a possibilidade de ela vencer já no primeiro turno. Foi quando Eduardo Campos morreu e a tragédia embaralhou todas as cartas políticas novamente. Marina Silva, após alguns percalços, assumiu o posto de candidata do PSB (embora sua Rede Sustentabilidade tenha outra origem e propósitos e ela estivesse no PSB mais por acidente) e rapidamente subiu nas pesquisas de opinião pública.

Uma coisa desagradável é termos de suportar essas pesquisas sabe-se lá como feitas e, o que é pior, mas tema para outro artigo: estatísticas totalmente díspares da realidade em que vivemos, o que dificultará enormemente o trabalho do Historiador do Futuro...

Quando o PT se sentiu ameaçado por Marina, que ficou durante algum tempo à frente nas pesquisas, Lula da Silva partiu para a agressão verbal e os militontos remunerados pelo Ministério das Comunicações começaram uma campanha de calúnias (a chamada “desconstrução”) contra a candidata que chegou a chorar sem conseguir sintonizar-se com o ódio que sobejava do lado petista ou mesmo responder à altura. De mentira em mentira, de calúnia em calúnia, de ataque em ataque, Marina foi ultrapassada por Aécio Neves e chegou ao dia do Primeiro Turno em terceiro lugar.

Houve o intervalo da Copa do Mundo – e abro aqui um parêntese pois me lembrei que a Oposição que finalmente parece haver aprendido a ser Oposição de fato, promete iniciar 2015 com a CPI do PAC pois consta que muitas obras do PAC, estádios de futebol incluídos, chegaram a ter sobrepreço de quase 100%. Um Deputado Federal chegou a mencionar que um Estádio de Futebol construído para a FIFA pelo preço de 2 Bilhões custou menos de 1 Bilhão, sendo o resto superfaturamento, propina. Bem, a CPI do PAC verificará se isso é fato mesmo.

 

 

 

No primeiro turno Dilma sempre levava uma cola para ler as perguntas e mesmo as réplicas, beneficiando-se do formato do debate, diluído entre candidatos inexpressivos que a Legislação Eleitoral (elaborada para Parlamentares Inexpressivos) assim o exige.

Interessante ainda a colocação de Villa acerca das já tradicionais “entrevistas aos candidatos” feitas pela Rede Globo. Dilma Rousseff não foi, exigiu que os entrevistadores se deslocassem para Brasília e, de dentro de um Prédio Público, do alto de sua autoridade de Presidente da República, sabotou a entrevista com circunlóquios e um ritmo bem lento nas respostas enquanto o tempo corria. Segundo Villa até o Juiz Petista Dias Tofolli considerou impróprio aquele tipo de comportamento mas, sem ser provocado por nenhum candidato, partido ou coligação, disse nada poder fazer...

            Chegou o dia da eleição e o único “Programa de Governo” submetido – de maneira arrevesada, improvisada e adaptada a cada circunstância – ao eleitorado era o de Marina Silva. Nenhum dos outros candidatos apresentou, no Primeiro Turno, um programa de governo.

            Em minha opinião, como a mídia brasileira treina o telespectador (o leitor de jornais também, mas particularmente o telespectador) para sintonizar-se com ódios e crimes diversos durante a maior parte do tempo, quem apresenta e representa mais ódio (hipocritamente sempre o negando que isso parece fazer parte do jogo político) se sintoniza melhor com a população e assim, Dilma Rousseff teve mais votos que os outros dois candidatos – contudo, somados os votos de Aécio e de Marina, Dilma ainda tinha de destilar muito ódio ainda, e isso é farto na hordas petistas.

            Para o Segundo Turno, Marina Silva demorou DEMAIS para se posicionar. Dizem os que a conhecem que, por ser evangélica, tem de consultar a terra, mas também o céu até que tome uma decisão e isso a faz se demorar mesmo. Enfim, decidiu apoiar Aécio Neves (a exemplo do que fez o PSB em tempo bem mais razoável) e foi um apoio importante naquele instante. Seria mesmo impensável vê-la apoiando os caras que a achincalharam tanto no primeiro turno...

            Chegamos ao Segundo Turno das Eleições e só então me decidi a acompanhar, mais como um exercício de análise psicológica dos seres humanos que, a meu ver, representam os mesmos interesses econômicos (Dilma e Aécio), apenas para lhes ler as microexpressões e linguagem corporal. Fui capturado pela sinceridade e univocidade de Aécio Neves e concluí que, entre as duas direitas em disputa naquele segundo turno, uma era sincera a outra corrupta e mentirosa. Optei pela ética e passei a defender Aécio Neves granjeando com isso um sem-número de amigos novos nas redes sociais e perdendo pelo menos dois que, se dizendo (talvez mesmo “se considerando”) “de esquerda” recusavam-se a apoiar a UDN informando preferir ficar com o PSD. Fiquei um tantinho aporrinhado: a UDN nem existe mais e eu tenho de perder bons amigos por causa de políticos que sequer sabem da minha existência? Que saco!

            No capítulo 13, “48 Horas Agitadas” Villa nos presta o enorme obséquio que apresentar uma transcrição INTEGRAL das perguntas e respostas dos candidatos e “indecisos” no último debate da Rede Globo. Confesso que foi uma leitura dolorosa: eu já não suportava mais ouvir a Dilma falando c-a-n-d-i-d-a-a-a-a-t-o naquela altura e sua inferioridade intelectual e moral estava gritantemente patenteada. Foi vexatório para ela, contudo, insisto, como nossa gente se identificou mais com ela do que com um cidadão bem educado, com o perfil de um Líder, a meu juízo houve um empate. Tanto no debate quanto no resultado das eleições. Inquestionavelmente Aécio Neves era e representava o melhor para o Brasil naquele momento e sua superioridade no debate foi também seu calcanhar de Aquiles: um povo idiotizado e impregnado de ódio pela mídia se identificou muito mais com o ódio idiota de Dilma que com a Ética de Aécio que, até este dia, muita gente não consegue sequer entender!

            A política suja dos blogueiros e colunistas de aluguel se fazia frenética! Lula da Silva, em evento em BH apresentou o que disse ser uma “análise psicológica” de Aécio Neves e “psicóloga” que o “analisa” deduz que se trata de homem violento, cheio de ódio, capaz de agredir mulheres, que tem problemas psiquiátricos e o evento termina com um rapper dizendo a Lula que Aécio fornecia cocaína para festinhas em BH enquanto a claque contratada repetia o puxador: “Aécio Cheirador” – assim como a alegada homofobia de Marina Silva, tampouco esta acusação tem o menor fundamento. Mas quem está interessado na verdade quando em questão está o projeto de poder do PT que se estende não por mais um mandato Dilma, mas pela volta de Lula para mais dois mandatos a partir de 2018!

            Outro que me perseguiu – embora não pessoalmente, através de “amigos” – foi um candidato a Deputado Federal pelo PRTB de Collor (da base alugada do governo) que se apresentava em constantes e amplamente distribuídos vídeos pelo Facebook falando coisas totalmente descabidas sobre Aécio Neves: atribuía ao candidato a prática de um sem-número de crimes; segundo o cara, até roubar as renas do Papai Noel o Aécio roubou! Notei que seu tom de voz e ritmo buscavam assemelhar-se aos programas “mundo cão” do Datena e do Marcelo Rezende e isso fez com que até mesmo advogados que têm de profissão os anos que tenho de vida, mas não perdem um programa “mundo cão”, mesmo diante de meus pedidos de clemência pois não suporto programas policiais, o apresentassem como “um homem de esquerda” a quem devo prestar a mesma cortesia que aos juízes do Supremo, que acusam petistas por haverem cometido crimes... Gente leiga considerar que se deve dar a mesma atenção a um militonto que se deve prestar a juízes do Supremo já seria suficientemente ruim. Que advogados velhos façam isso é incompreensível!

            Pessoalmente, repito, considero que houve empate na eleição. O fato de se usar urnas eletrônicas e Dias Tofolli permanecer recluso “contando votos” com assessores pouco antes de divulgar o resultado com uma diferença irrisória (proporcionalmente falando) no número de votos a cada candidato é um problema que somente uma modificação radical na Legislação Eleitoral pode resolver. Os cartazes espalhados nos postes das grandes cidades com caricaturas e dizeres detratores a Aécio Neves, além do terrorismo petista de ameaçar diretamente desligar dos programas “Minha Casa Minha Vida” e “Bolsa Família” todos os eleitores de Aécio também forçaram a eleição numa direção diferente do que seria caso se tivesse conquistado a liberdade de votar no Brasil... Já está em tramitação no Senado Federal, por sinal, o Projeto de Lei apresentado no dia 30 de outubro de 2013 pelo Senador Aécio Neves tornando o benefício do bolsa família permanente. Este projeto, se aprovado, fará o Bolsa Família se perpetrar, independente de qual governo esteja no poder, ou seja, acabando com a moeda de troca do PT. Nada mal para quem iria “Acabar com o Bolsa Família”...

            Enfim, a Eleição Mais Suja da História chegou a seu fim com o Brasil enfrentando inflação crescente, juros altos e um banqueiro já designado para Ministro da Fazenda – e banqueiro do Bradesco, o banco que usa o trabalho servil dos Funcionários dos Correios para ampliar seus lucros à custa do Estado. Villa conclui constatando que o resultado desafia analistas. Eu diria mais “analistas de países com povo e eleições civilizadas”, onde quem se enfurece e busca “desconstruir” o adversário é que perde por ser entendido como moralmente inferior – no Brasil isso não parece ser problema...

            Para mim houve um resgate e agradeço até hoje ao Senador Aécio Neves. Não mais por ele ser quem é ou representar o que representa: ele nos deu um Norte. Há pelo menos meio Brasil preocupado com a Superioridade Intelectual e Moral, independente de ideologias e isso não é pouco. Restará ao PT nos próximos quatro anos destruir ainda mais os conceitos de moralidade e desmoralizar a intelectualidade nacional que não se vendeu; reduzir os níveis educacionais, incrementar os programas de ódio e “mundo cão” na TV, que já vão dando o tom de como deve o eleitor amestrado se comportar e por aí vai. A oposição fará o possível para resgatar a Honra, a Moralidade e a Intelectualidade Nacional. É uma luta difícil. Mas não impossível. Contem comigo!

Lázaro Curvêlo Chaves – 12/12/2014

Visite o Blog de Marco Villa para atualizações de sua prolífica e rica produção intelectual!

http://www.marcovilla.com.br/

 
Copyleft © LCC Publicações Eletrônicas Todo o conteúdo desta página pode ser copiado e divulgado para fins não comerciais. É educado sempre citar a fonte... Contato: https://www.facebook.com/lazaro.chaves