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Pierre–Joseph
Proudhon
(1809-1865)
Considerado por
Bakunin “o mestre de
todos os anarquistas”, nasceu na França em 1809, no seio de uma família
modesta.
Trabalhou como operário e tipógrafo. Como autodidata,
desenvolveu suas próprias teorias sobre organização social, baseada na
cooperação e no mutualismo. Em 1840 publicou o livro O Que é a
Propriedade?, sob os auspícios da Academia de Besançon, onde se declara
pela primeira vez anarquista. O livro foi elogiado por Marx, que o tentaria
atrair mais tarde (1846) para um grupo de pensadores socialistas. No entanto,
Proudhon na resposta a Marx questiona a criação de novos dogmas, o que levaria à
ruptura com o socialista alemão.
Entre os anos 1844 e 1845, participou de vários encontros em
Paris com Mikhail Bakunin e Karl Marx. Mas logo em 1846 Proudhon e
Marx romperam
por discordâncias fundamentais (clique
aqui para conferir) publicou sua
obra Sistema das Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria
que recebeu de uma crítica violentíssima de Marx em sua Obra, também clássica,
Miséria da Filosofia.
Em 1847 Pierre-Joseph Proudhon foi iniciado em Besançon, na
ARLS “Sincérité, Parfaite Union et Constance Réunies” do Grande Oriente da
França. É retratado até hoje pelo GOF como “um maçom assíduo e cumpridor de seus
deveres, além de haver influenciado fortemente no desenvolvimento da maçonaria
na França”.
Em 1848 Proudhon foi eleito deputado à Assembléia Nacional
por Paris. Em julho desse ano, em discurso violento na Assembléia expôs a
oposição entre proletários e burgueses, sendo objeto de advertência pelo
Presidente do parlamento.
No ano seguinte Proudhon tentou organizar o Banco do Povo,
que não conseguiu prosperar. Seus artigos no jornal Representant du Peuple e
Le Peuple valeram-lhe vários processos judiciais que o obrigaram a se exilar
na Bélgica.
De volta a França foi preso em 1849 tendo ficado na prisão
até 1852, onde continuou escrevendo.
A edição do livro De la Justice dans la Révolution et
dans L’Eglise, esgotado em poucos dias, provocou novo escândalo e um
novo processo judicial, que o obrigou a exilar-se, novamente, em Bruxelas.
Regressou a França onde publicou novos livros entre os quais
O Princípio Federativo e Da Capacidade Política das Classes
Trabalhadoras que forneceu a base teórica do anarco-sindicalismo,
defendendo que o “proletariado deve emancipar-se sozinho”. Morreu em 1865, pouco
depois da fundação da Primeira Internacional, criada em grande parte por
iniciativa de operários mutualistas franceses.
Abaixo, reproduzo a carta que Proudhon dirigiu a Marx em maio
de 1846 e foi o motivo para o rompimento de ambos, pois acentua nitidamente as
diferenças de visão entre tipo de sociedade com a qual Proudhon sonhava e o
projeto político de Karl Marx.
Para Karl
Marx, 1846
Pierre-Joseph
Proudhon
Lyon, 17 de maio de
1846
Meu caro Senhor Marx,
Concordei de
bom grado em ser uma das pessoas incumbidas de receber suas cartas cujos
objetivos e organização são, a meu ver, extremamente úteis. Porém não posso
prometer respostas muito extensas ou freqüentes, já que minhas múltiplas
atividades, combinadas a uma preguiça natural, pouco favorecem tais esforços
epistolares. Devo também tomar a liberdade de fazer certas ressalvas que me
foram sugeridas por várias passagens da sua carta.
Em primeiro lugar, embora minhas idéias quanto à organização
e realização do movimento estejam no momento mais ou menos definidas, pelo menos
no que diz respeito aos seus princípios básicos, creio ser meu dever – como é
dever de todos os socialistas – manter ainda por algum tempo uma atitude crítica
e dubitativa. Resumindo: eu em público professo um anti-dogmatismo quase
absoluto.
Procuremos juntos, se assim o desejar, as leis da sociedade,
a forma pela qual essas leis poderão ser executadas, o processo que utilizaremos
para descobri-las. Mas, por Deus, depois que tivermos destruído a priori todos
os dogmatismos, não sonhemos por nossa vez em doutrinar as pessoas; não nos
deixemos cair na contradição de seu compatriota Martin Lutero que, depois de ter
demolido a teologia católica, lançou-se imediatamente à tarefa de criar as bases
de uma teologia protestante, utilizando-se da excomunhão e do anátema. Nestes
últimos três séculos, uma das principais preocupações da Alemanha tem sido
desfazer o mau trabalho de Lutero. Não deixemos pois à humanidade a tarefa de
desfazer uma embrulhada semelhante como resultado de nossos esforços.
Aplaudo, de todo o coração, sua idéia de trazer todas as
opiniões à luz. Iniciemos sim uma boa e leal polêmica; tentemos dar ao mundo um
exemplo de tolerância sábia e perspicaz, mas não nos transformemos, pelo simples
fato de que somos os líderes de um movimento, em líderes de uma nova forma de
intolerância; não posemos de apóstolos de uma nova religião, mesmo que seja a
religião da lógica e da razão.
Vamos reunir e estimular todas as formas de protestos, vamos
rechaçar toda a aristocracia, todo o misticismo; jamais consideremos qualquer
tema esgotado e, quando tivermos lançado mão do nosso último argumento,
comecemos outra vez – se preciso for – a discussão, com eloqüência e ironia. Sob
tais condições eu alegremente unir-me-ei a vós. De outra forma – não!
Também tenho algumas observações a fazer sobre esta frase da
sua carta – o momento da ação. Talvez o senhor ainda mantenha a opinião que no
momento é impossível haver qualquer reforma sem que haja um coup de main,
sem o que era antes chamado revolução e que na verdade não é nada mais do que um
choque. Esta segunda idéia que eu entendo, perdôo e que estaria disposto a
discutir, tendo eu mesmo compartilhado dela durante um longo tempo, meus estudos
mais recentes me fizeram abandoná-la totalmente. Não creio que tenhamos de
lançar mão dela para triunfar e, conseqüentemente, não devemos colocar a ação
revolucionária como um meio para alcançar a reforma social, já que esse pretenso
meio seria apenas um apelo à força, à arbitrariedade, em resumo, uma
contradição. Eu coloco assim o problema: provocar o retorno à sociedade, por
meio de uma combinação econômica, da riqueza que ela perdeu graças a uma outra
combinação. Em outras palavras, utilizar a Economia Política para transformar a
teoria da Propriedade contra a Propriedade de forma a criar aquilo que os
socialistas alemães – vocês – chamam de comunidade e que eu pessoalmente me
limitarei, por ora, a chamar de liberdade ou igualdade. Creio possuir os meios
para resolver este problema dentro de muito pouco tempo: preferiria, portanto,
queimar a propriedade em fogo lento a lhe dar novo alento fazendo uma noite de
São Bartolomeu com aqueles que a têm nas mãos.
(in Correspondência,
1874 – 1875)

Pierre-joseph Proudhon e seus filhos - Gustave Courbet
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Reprodução de trecho do e-mail recebido a 21 de
março passado da Grande Loja da França, atendendo à minha consulta acerca da
condição de Maçom de Pierre-Joseph Proudhon.
« Bonjour Mon Très Cher Frère,
(...)
Pierre-Joseph Proudhon a été initié en 1847 dans une loge du grand Orient de
France de Besançon « Sincérité, Parfaite Union et Constance Réunies ». Il fut
assidu et eut une influence certaine dans l’évolution de la franc-maçonnerie
française de la fin du XIXe siècle.
(...)
J’espère avoir répondu à ta question et te prie de croire, mon Très Cher Frère
en mes sentiments les plus fraternels.
François Rognon, Musée Archives Bibliothèque de la Grande Loge de France –
www.gldf.org »
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O Libertario on-line
(Brasil)
eBooksBrasil.com (Brasil)
Manifesto Anarquista! (Brasil)
Aversão
ao Estado (Brasil)
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