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O Poliedro da Verdade e o Jogo da Mentira Muitos de vocês já terão se questionado acerca do que seria, realmente a verdade. Alguns de vocês talvez já tenham meditado sobre esse tema. Vivendo como vivemos, em um mundo em permanente conflito, com o egoísmo açulando interesses particulares e acirrando questões, a verdade passa a ser uma interpretação pessoal dos fatos, das coisas, dos entes e das circunstâncias, deixando de ser uma verdade abstrata para ser a verdade de cada um. De certa maneira, algo como a imagem de Deus deixar de ser abstrata e passar a ser aquela que as religiões apresentam, cada uma delas alegando que seu Deus é que é o único e o verdadeiro, às vezes promovendo guerras e matando, torturando e ferindo física e mentalmente milhares e milhares de pessoas, para a mera imposição dessa idéia. Verdade, teoricamente, seria o aspecto único e real de algo. Digamos que uma pessoa se apresentasse de certa maneira, tal e qual um ator assumindo uma personalidade, para ser simpático a um grupo, vender uma imagem ou simplesmente assumir uma pose cujo reconhecimento, validado pelo próximo, lhe satisfizesse o ego necessitado de massagem. Suponhamos que o rosto que essa pessoa apresenta para tal fosse o de uma máscara e que nós a arrancássemos. O que haveria sob a máscara? A face real? Talvez não, porque a pessoa poderia estar fazendo o "jogo da mentira", poderia ter se preparado para aquela ação e estaria com uma segunda máscara sob a primeira. Não é assim que a maioria dos políticos age? Não é por esse expediente que eles se esquivam ao vexame quando são, digamos, apanhados com a boca na botija? Pois bem, este é realmente o "jogo da mentira" e sobre cada máscara arrancada aparece outra, sob a qual há uma dúzia de outras máscaras. Certos dirigentes de nações são peritos nesse tipo de simulação.
Ilustração: "Retrato de Sir
Francis Bacon" http://www.macarlo.com/novaera/galleryvel173a.htm
http://www.macarlo.com/novaera/galleryvel173a.htmO mascaramento da verdade para a consecução de objetivos tem sido uma constante na história da humanidade. Em certas doenças mentais, como a esquizofrenia, o paciente pode apresentar o fenômeno da personalidade fragmentada, mostrando-se como portador de várias personalidades. Isso ocorre independentemente de sua vontade, em razão de distúrbios nos processos químicos cerebrais. Entretanto, esse tipo de assunção pode ser pode estar sob vontade, como no caso do político, do estadista e do ator. Seria, então, a verdade realmente a verdade de cada um? Seria isso a verdade, ou seja: ela não existiria de forma abstrata, tal qual a Deusa Maat a simboliza na Religião Kemetica? Estou certo que não. O que foi apresentado nas linhas anteriores foi "a interpretação da verdade segundo cada um" e não "a apresentação da verdade tal qual ela é". Bem, mas como é a verdade, que aqui passaremos a grafar com V maiúsculo, em homenagem a Maat? Há vários conceitos sobre isso, mas aqui, no Plano da Dualidade, os conceitos têm de ser formulados de uma forma tal que os seres os possam compreender - mesmo porque senão de nada adiantaria formulá-los: seria como exarar uma bula papal para um público inexistente, eis que, como já afirmei em outro escrito, anterior, este é essencialmente o Plano da Interação, um drama representado no palco da existência, no qual atores e público interagem. Eu diria, então, que uma definição de verdade, para este Plano, seria a de que "a verdade é um consenso abarcando todos os aspectos de uma questão, coisa, evento ou manifestação animada, como um ser". Examinemos de forma mais clara o que vem a ser isso. Suponha que eu crie mentalmente e concretize na matéria do Mundo Físico (Plano da Dualidade) um magnífico poliedro totalmente translúcido, sem cor alguma. E que a seguir eu projete sobre esse poliedro um feixe de Luz Primordial, totalmente incolor, abstrata em essência e branca em compreensão para nível humano. Digamos, nessa experiência, que o poliedro, a quem chamarei de Consciência, receba, como um dom que eu lhe aponha para uso em sua existência - a qual será finita - a propriedade prismática. Imaginemos, ainda, que utilizando essa propriedade o poliedro não só decomponha a luz branca em sete cores, mas que as apresente, individualmente, em cada uma das suas sete faces. Passarei para o parágrafo seguinte: Prestem atenção: vocês estão no Palco da Vida, um picadeiro iluminado pelo Sol Metafísico, que lhes dá a existência e a autoconsciência, isto é, a faculdade de se perceberem a si próprios como criaturas vivas e pensantes, sabedoras de que nasceram, estão vivendo e vão morrer. Este é Triângulo Sagrado, uma emanação do Triângulo Abstrato, manifestado na Dualidade como Lei Cósmica que os seres podem manipular. Entretanto as criaturas, apesar de conhecerem o significado dos três lados, das três pontas, são autorizadas somente a modificar uma: a maneira pela qual decidem viver, por vontade consciente, por adaptação ou por comodismo. É só isso que pode ser mexido nesse Triângulo pelo ser humano. No nascimento e na morte - ou seja: no começo e no fim - você não pode mexer. Você pode gerar um novo ser, pode gerar o corpo físico dele no ventre de uma mulher; mas não é você quem decide qual o tipo de criatura que nascerá, quer dizer, se será feia ou bonita, perfeita ou deficiente, boa ou má, inteligente ou burra, ou que tipo de personalidade apresentará. Da mesma maneira você sabe que vai morrer e pode até decidir o momento em que isso acontecerá, suicidando. Mas a hora da sua morte está decretada desde que você nasceu, através de uma bomba genética, que tem a propriedade de se manifestar também através do suicídio, como ocorre coletivamente com os lêmures do Ártico (quando há superpopulação eles se matam, lançando-se em um abismo de águas geladas e esta é uma forma de a lei natural sanear o desequilíbrio ecológico que adviria da explosão demográfica desses seres sobre um plano no qual a alimentação proporcionada seria insuficiente para uma enorme população). Você não é um lêmure do Ártico, é uma evolução de um antropóide e tem autoconsciência; você é capaz até de criar Deus com a sua mente; mas veja bem: você não tem poderes para impedir a sua morte ou mesmo um infortúnio. Exemplificarei: um vaso capilar estoura no cérebro de uma pessoa e pronto: aquele ser que (suponhamos) era arrogante e seguro de si, totalmente autosuficiente, é levado pela paralisia a depender completamente dos seus semelhantes. As pessoas não podem impedir que uma coisa dessas aconteça. Mas podem não ser arrogantes - e com isso terão mexido no lado do triângulo que lhes é permitido manipular. Então você vê que embora você não possa impedir certos eventos você poderá modificar as consequências que eles teriam. Note que até no caso do suicídio o exercício da vontade nesse evento é questionável, pois a pessoa poderia ter sido compelida por sua "bomba genética". Voltemos ao poliedro, que poderia ter 49 faces (ou 49 vezes 49 se você assim o preferir), mas que aqui terá tão-sómente sete. A Humanidade, como eu disse, está no Palco da Vida, um gigantesco círculo (que na realidade é apenas uma das voltas da Espiral da Lei - Spira Legis - que momentaneamente se uniu para formar o círculo que constitui um Plano de Compreensão do Ser. A Humanidade está nesse palco, nesse picadeiro, e muitos acham que o dono desse circo é o Diabo. No centro do círculo está o poliedro. Ele está imóvel e cada parte da Humanidade voltada para ele só pode ver uma única face sua. Uns vêem a face vermelha e dizem que esse heptaedro mágicko é vermelho; outros enxergam a face verde e julgam que ele é dessa cor; outros tantos podem vislumbrar apenas a face azul e acreditam que ele seja totalmente azul; uma outra parte da Humanidade verá apenas a face amarela e assim por diante. Todos acharão que estão absolutamente certos sobre a natureza desse poliedro e sobre qual a sua cor verdadeira. Estarão dispostos a lutar até à morte pela sua verdade, tal a certeza que conferem à sua visão. Se eu mandasse esse poliedro girar, de forma que, gradativamente, todas as porções da Humanidade fossem vendo suas diferentes faces coloridas, muitos simplesmente enlouqueceriam ante a revelação. Seria o esclarecimento gradual a iluminação mais propriada? Vejamos: Admitamos então que surja um sábio, um Avatar. Ele entra no palco e grita: - Acordem! Este poliedro na verdade é branco, tudo o que ele faz é decompor a luz branca irradiando cores diferentes para cada uma de suas faces! Sigam-se, pois eu sou a Verdade e fora de mim não há salvação. Digamos que os crentes nas cores de cada face sejam os seguidores das várias religiões existentes no mundo. Imaginemos que os adeptos do Avatar surgido sejam os membros de ordens esotéricas e iniciáticas não religiosas. Muito bem, suponhamos, agora, que uma Voz do Invisível se fizesse ouvir e dissesse: - Esse poliedro não é branco. Realmente ele não tem cor alguma, nem mesmo a branca. Ele é absolutamente, imaculadamente, incolor. Esta é a Verdade. Mas não paremos por aqui. Façamos de conta que a algumas pessoas uma Voz Interior afirmasse: - Nada do que foi dito até agora representa a Verdade Suprema. - E qual seria, então, a Verdade Suprema - perguntaria você, suponhamos, a essa Voz Interior. - A Verdade Suprema - diria ela - é que esse poliedro simplesmente não existe na Eternidade. Ele é apenas e tão somente a criação mental de uma mente. - E que mente é essa, ó Voz? - Pode ser a sua. Após essa pequena exposição, com a qual espero não tê-los maçado, eu proporia a cada um de vocês, místicos da Internet que estejam me lendo, que realizassem um experimento, mentalizando esse poliedro e visualizando as cenas que descrevi. Façam isso e pode ser que uma grande revelação sobre o que vem a ser, exatamente, a Verdade, se manifeste para cada um de vocês. Certamente aqueles que tiverem mérito, acumulado por sinceridade de propósitos, receberão essa chave. Sim, porque essa revelação é apenas a chave que abre a porta - melhor dizendo, o portal - que dá para um Plano de Compreensão totalmente novo. Se alguém perguntar porque deveria se interessar em entrar nesse Plano eu diria que isso seria uma ascensão, algo como subir de grau em nível de consciência. Alguém se interessa? |

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