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De como manter a popularidade em índices elevados
Inicialmente é necessário promover os ladrões do erário público à estatura de vítimas e estadistas e assim conquistar um segundo mandato. Também é fundamental manter o discurso intocado; ser coerente com o discurso da vida inteira. Isto vale tanto para o cargo máximo do Executivo Federal – aqui examinado – quanto para qualquer outro cargo eletivo neste país: ser eleito com o capital especulativo, tomar medidas práticas a favor do capital especulativo, lesivas aos interesses dos trabalhadores por um lado e, por outro, manter o discurso contra o capital especulativo e a favor dos interesses da maioria. Suicídio político cometem aqueles que buscam aproximar seus discursos da prática, desde Vargas até Heloísa Helena, em modulações e com conseqüências variadas, claro está. Se o discurso do presidente da república tivesse algo a ver com sua prática política, ele deixaria de recebe o apoio do capital especulativo que o apóia e para quem governa. Por outro lado, se o seu discurso refletisse as medidas concretas que vem tomando (aumento exorbitante de impostos, reduções nos direitos trabalhistas, desvios vultosos de recursos públicos para fins privados, corrupção, etc.) perderia o apoio simpático de quem sabe de todas estas coisas mas, ao invés de vê-las como condenáveis e imorais que são, sentem genuína inveja do Duce; gostariam muito de estar em seu lugar, roubando, malversando e agindo em oposição a seu discurso – que segue intocado. Daí a corrente que o apóia crescer dia a dia. Por via das dúvidas, aplicar o rio de dinheiro que lhe autoriza o capital especulativo em funções distintas daquelas que o país necessita: transformando o aparelho Estatal em suporte ideológico/partidário, após as prioridades de praxe (suborno de parlamentares, desvio de recursos públicos para enriquecimento ilícito, etc.) vêm as vultosas despesas com propaganda. É fundamental que todos sejam levados a se convencer que o governo está realizando – e isto se repete hipnoticamente na propaganda. A realidade deve ser desprezada como delírio ou desviada a atenção do público dos resultados concretos de uma prática fratricida. O caos no transporte aéreo chamou a atenção de muitos por afetar uma parcela da classe econômica para quem Lula vem governando desde o primeiro dia de seu primeiro mandato: aqueles que podem andar em aviões de carreira. Não afetou o tráfego de jatinhos e aviões oficiais como o Aerolula, mas afetou até mesmo o transporte de parlamentares da base de sustentação, subornados a peso de ouro pelo governo. Enquanto decide, vai usando essa dicotomia e postergando ao máximo qualquer decisão que possa ter, remotamente, o mínimo peso. Nas dobras dos discursos percebem-se inicialmente 2 vertentes tentadas neste momento: 1) A culpa do caos aéreo é “das empresas de transporte aéreo”; não reside no governo que remunera e prepara mal os controladores de vôo, além de permitir o sucateamento da infra-estrutura aeroportuária, desde as instalações dos aeroportos – devidamente reinaugurados durante a campanha eleitoral – até o equipamento usado, de computadores à malha de radares que abastece os dados informatizados. O irracional prevalece. Algo como buscar – frequentemente com surpreendente sucesso! – culpabilizar as empresas de transporte rodoviário pelo péssimo estado das estradas. 2) Se o governo não está cuidando “daqueles que podem viajar de avião”, é porque “está se voltando para a grande massa”, brasileiros desmobilizados da busca por emprego ou melhores condições de trabalho por estarem viciados por um lado na esmola estatal e, por outro, na propaganda a favor do péssimo governo. Isto é um mero exemplo. A propaganda logra até mesmo explorar a favor do governo o péssimo estado da educação, saúde e segurança públicas, mais ou menos usando o irracionalismo como mote: a culpa é dos governos passados e das próprias vítimas – além dos jornalistas e de quem ousa brandir fatos contra o discurso e a propaganda. Uma coisa são os fatos. Outra coisa completamente diferente e sem qualquer relação com a primeira são os discursos e a propaganda. O discurso segue uma coerência interna contínua e a prática também, cada uma em sua própria direção específica. Alguns jornalistas – mesmo entre os mais conservadores e simpáticos ao governo – “exorbitando de seu direito à liberdade de expressão”, resolveram cobrar coerência entre o discurso e a prática. Alguns perderam o emprego, outros vêem seus veículos de comunicação perder o portentoso volume de recursos da propaganda governamental e todos vão aprendendo a lição: o discurso não deve ter qualquer reflexo na prática. Cobrar coerência entre o discurso de ontem e o discurso de hoje, pode: de fato mudou muito pouco; cobrar coerência entre o discurso e a prática é “exorbitar do direito à liberdade de expressão” e ficar na marca do pênalti para a próxima medida governamental: censura prévia que a censura velada através das pressões aqui arroladas já vem sendo praticada à farta desde 2003.
Resposta à altura
A um governo que rouba, deixa roubar e premia criminosos; à incompetência administrativa, à maior extorsão de impostos da História do Brasil (o dobro daquela praticada, por exemplo, por Portugal sobre o Brasil colônia em meados do século XIII e que impulsionou a luta pela Independência, jamais conquistada), ao pior desempenho econômico em muitas décadas, ao crescimento do desemprego e da violência, ao sucateamento da saúde e educação públicas, ao caos na infra-estrutura portuária, rodoviária e aeroportuária o povo responde à altura: Lula é o presidente mais popular do Brasil desde a redemocratização! Fica a lição para os próximos – se e quando houver próximos e sobrar algo de Brasil para governarem...
Lázaro Curvêlo Chaves – 27/03/2007
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