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A Questão Militar - República da Espada!
A Questão Militar se resume a uma série de eventos que
colocou em confronto direto oficiais do Exército e políticos monarquistas e
conservadores. O estopim foi o fato de os militares estarem proibidos por lei de
discutir assuntos políticos na imprensa. Mas o verdadeiro motivo estava no
crescente ressentimento dos militares -que tinham "se arriscado pelo país na
Guerra do -" com o "pavoroso egoísmo, fundamentalmente impatriótico, da
classe política, no momento em que o sangue brasileiro comia em regatos".
Os episódios principiaram em 1884 e se prolongaram até maio
de 1887. O primeiro incidente ocorreu com o tenente-coronel Senna Madureira, punido por ter apoiado publicamente o fim da escravatura. Em agosto de 1885, o coronel Cunha Matos, ligado ao Partido Liberal, apurou irregularidades em um quartel do Piauí e pediu o afastamento do comandante corrupto, ligado ao Partido Conservador. Foi atacado, na Câmara, pelo deputado Simplício Rezende, que o acusou de covardia no Paraguai. Matos defendeu-se pelo jornal -- o que era proibido - e ficou preso dois dias. No mesmo mês, no Rio Grande do Sul, outra vez Senna Madureira (à direita) se manifestou publicamente, nos jornais, para "defender sua honra militar". Escolheu o explosivo órgão republicano "A Federação", dirigido por Júlio de Castilhos. O rastilho de pólvora foi aceso.
Em 23 de setembro de 1886, o incendiário Castilhos escreveu,
em seu próprio jornal, um artigo chamado "Arbítrio e inépcia", atacando
violentamente a Coroa e tornando a "questão militar" uma questão política e
nacional. No texto, o Exército era apresentado como a única força que se
mantinha "impoluta" em uma "nação em ruínas". Duas semanas antes, o marechal
Deodoro, comandante em armas e presidente em exercício da Província do Rio
Grande do Sul, decidira que não puniria Senna Madureira, mas o ministro da
Guerra, Alfredo Chaves, que antes mandara, prender Cunha Matos, já o fizera. Em
outubro, os alunos da Escola Militar da Praia Vermelha (acima) conhecida como "Tabernáculo
da Ciência" e berço da chamada "mocidade militar" engajaram-se na luta de apoio
a Deodoro, que fora exonerado e transferido para o Rio de Janeiro, e a
Madureira, que se demitiu. Ao chegarem ao Rio de Janeiro, em 26 de janeiro de
1887, ambos foram recebidos como heróis pelos cadetes_ Após muitas tensões, em
maio do mesmo ano, Chaves caiu, Deodoro, Madureira e Cunha Matos foram
"perdoados" por D. Pedro e a questão militar se encerrou. Pela primeira vez na
história do Brasil os militares revelavam, com vigor e clareza, a existência no
país de uma "classe militar" – supostamente unida e coesa. Em breve, essa
classe interferiria decisivamente no jogo político. Recomendada: O Exército na Política: Origens da Intervenção Militar no Brasil (1850-1894), JOHN SCHULZ Bibliografia: História do Brasil - Luiz Koshiba - Editora Atual História do Brasil - Bóris Fausto - EDUSP
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