Cultura Brasileira: no ar desde 1998

 

Um reencontro feliz em meio à maior crise política da história

 

 

O primeiro da esquerda, de óculos, é o Barbosa. Atrás dele, estou eu

A meus Irmãos de Farda, da Minha Segunda Família, que reencontro após trinta e cinco anos

 
 

 

A vida na Escola de Especialistas de Aeronáutica

            Com o falecimento de meu pai e provedor de minha casa em 1974 fomos reduzidos bruscamente a nos transferir do Rio de Janeiro para a cidade de Caçu, no interior de Goiás, para onde meu pai moribundo já havia enviado toda a nossa mudança, talvez com vontade de fazer como os Elefantes e morrer perto dos seus, alegadamente “buscava ares mais limpos, sem poluição” – não havia cura para Leucemia naquele tempo; a invenção do Transplante de Medula é bastante posterior ao falecimento dele – onde passar seus últimos dias, desenganado que estava.

            Que pode fazer um menino de quinze anos numa situação dessas? Hoje eu não tenho a menor idéia. À época, graças à sólida formação educacional (em escola pública em Brás de Pina, Rio de Janeiro) e familiar, consegui me preparar sozinho – sem “cursinhos”, consegui na EEAR a ementa do que seria cobrado e usei meus livros escolares para me preparar, eis tudo – e ser aprovado com boa colocação num concurso muito difícil: o ingresso à Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR.) Após trinta e oito anos passados nossa memória comum ainda se refaz, mas era algo como sessenta ou cem candidatos por vaga no Brasil inteiro. Um funil. Como pontua acertadamente o Vargas, “éramos a fina flor da juventude brasileira”. Ali estavam os mais dedicados aos estudos que, por razões diversas (vocação, estímulo familiar, pressão socioeconômica...) conseguiram passar pelo funil e ingressar na Escola. A melhor Escola de Ensino Técnico do Brasil à Época, não apenas gratuita como ainda fornecia todo o uniforme, todo o material didático e uma substancial ajuda de custo ao Aluno! Éramos quase quinhentos homens entre quinze e vinte e quatro anos de todos os rincões do Brasil, com toda a diversidade sociocultural nacional. Àquele tempo, as distâncias sociais não eram tão grandes quanto hoje, mas existiam. Dali para cá a “redistribuição de renda” vem promovendo uma concentração tão maior quanto a propaganda a indicar o contrário.

            Enfim, durante dois anos recebemos sólida formação moral militar enquanto estudamos uma especialidade técnica específica; eu escolhi Eletrônica pois a vocação de meu pai era que eu, quando crescesse, fosse Engenheiro Eletrônico, somente dez anos após a sua morte consegui me libertar daquela programação mental e buscar o que faz as cordas do meu coração tocarem: a filosofia.

            Foram dois anos de convívio fraterno. Nossos alojamentos se chamavam “Esquadrilhas”, morávamos noventa em cada Esquadrilha e o sistema militar de hierarquia impõe ao aluno que tenha melhores notas nos estudos, superioridade hierárquica sobre aqueles que se dedicaram menos por força de suas próprias circunstâncias existenciais. Fui Xerife da 13ª Esquadrilha na Terceira Série, pois, na Segunda Série, havia conseguido melhores notas que todos os demais. Como era muito novo em idade, sempre procurava me aconselhar com os mais velhos, que já estavam servindo à FAB antes mesmo que eu soubesse de sua existência.

            Lembro-me melhor da 13ª Esquadrilha pois participamos de um Evento Memorável; à época foi dramático: não pudemos sair para namorar no final de semana; hoje nos recordamos com alegria e creio mesmo que aqueles que “não estão na foto” gostariam de ali estar também!

            Vida Espartana. Quarenta e Cinco beliches de ferro e lona, quarenta e cinco armários duplos frente a cada beliche, um grande corredor da entrada da Esquadrilha até uma mesa ao fundo e, virando à esquerda o gigantesco banheiro público onde ficavam os chuveiros – à época sem aquecimento, soube que pouco depois de minha formatura os novos alunos puderam contar com chuveiros quentes – as pias, espelhos e reservados. O toque de Alvorada era às 5h30min, fazíamos a nossa higiene matinal, a barba e deixávamos as camas escrupulosamente arrumadas: o Aluno de Dia, o Sargenteante ou o Tenente Comandante da Esquadrilha poderia conferir se uma moeda “quica” ao ser jogada por cima do lençol arrumadinho e limpo! Alguns de nós – eu mesmo, durante algum tempo – acordávamos bem mais cedo, íamos correndo até o Hospital da EEAR, voltávamos (cerca de 15 Km), tomávamos um banho frio e já estávamos uniformizados quando o corneteiro tocava a Alvorada!

            Em exercícios de vivacidade aprendíamos a trocar de uniforme em poucos segundos e entrar em forma novamente. Pela manhã, estudávamos o currículo do Ensino Médio acrescido da Especialidade Técnica Escolhida. Íamos marchando para a Sala de Aula, sob o comando do Xerife de Turma (nem sempre o mesmo Xerife da Esquadrilha, uma vez que alunos de diferentes especialidades moravam na mesma Esquadrilha), marchando voltávamos, descansávamos um pouco e entrávamos em forma novamente para as aulas de Ordem Unida e Instrução Militar que ocorriam sempre à tarde, “exceto em dias de grande canícula” que era como se chamavam aqueles dias em que o Planeta Terra parece estar escaldantemente perto do Sol. Pela manhã, entendíamos melhor nossas especialidades nos respectivos galpões, uns Instrutores eram mais simpáticos que outros e lá íamos nós. À tarde praticávamos organização de tropas, tiro, combates simulados, arremesso de granada, sobrevivência na selva, salto comandado de paraquedas... Aquele tipo de coisa que se espera aprender mesmo numa Escola Militar.

            Durante dois anos fazíamos tudo juntos e éramos responsáveis uns pelos outros a um nível que somente os que o vivenciaram conseguem entender. Somos Irmãos em Armas, a FAB é nossa Segunda Família e isso está profundamente enraizado em nossa formação.

 

 

Despedida Temporária - O Restante de Minha Formação

            Dia 13 de Julho de 1979 nos formamos e fomos cada um para seus destinos. Uma das maiores vantagens de um Sistema Bem Planejado é que todos, ao se formar estão automaticamente empregados e com o mesmo salário (soldo mais vantagens de terceiro sargento), as diferenças sendo apenas as de localização.

            As vagas são enviadas à Escola pelos Comandos Aéreos Regionais e a escolha se dá a partir da colocação na turma. Quem tem a nota mais alta escolhe primeiro, o segundo, logo a seguir, até o último que nem sempre consegue ir para onde gostaria, mas está empregado, com um bom salário e, quase sempre, em dois ou três anos consegue se transferir, se não para a sua cidade natal, para um local próximo.

            Fui o quarto colocado de uma turma de setenta alunos e havia algumas vagas no Rio de Janeiro (minha primeira opção). Escolhi o III COMAR. Lá tive de aprender uma especialidade diferente. Formado em manutenção de equipamentos eletrônicos como rádio e radar, precisei aprender o funcionamento de Centrais Telefônicas e, modéstia às favas, acabei ficando bom naquilo também.

            Durante o dia trabalhava, à noite, estudava. Seguindo a vocação paterna, estudei três anos de Engenharia Eletrônica até entender que meu coração morava alhures – ainda não sabia exatamente onde – e acompanhava atento as aulas de Matemática Superior (Integrais, Derivadas, Fractais...). Como tanta gente antes e depois de mim, considerei a Matemática o maior de todos os conhecimentos. Não havia mais um pai a agradar, tranquei matrícula e prestei novo vestibular: Matemática na Federal Fluminense. Cursei um ano. Infelizmente a Matemática Financeira esmagou a Matemática Superior, poética mesmo e eu não via mais a menor graça em ficar estudando como calcular derivativas de apostas financeiras, juros sobre juros compostos para extorquir o dinheiro suado de quem trabalha, aquele tipo de coisa nauseabunda que constitui o cerne da formação (dita) econômica no mundo contemporâneo. Em compensação, no Gragoatá, em Niterói, a Faculdade de Matemática era bem próxima à Faculdade de Ciências Sociais e, no barzinho em frente – onde se aprendia muito mais que nas salas de aula – conversávamos sobre tudo o que nos viesse á cabeça. Sempre fui considerado excêntrico e gosto disso. Um dia uma menina muito atraente e vestida de vermelho revelou aos jovens estudantes de matemática e ciências sociais numa grande mesa de confraternizações que eu era militar, “provavelmente espião”. Meus colegas da matemática riram demais com a idéia: como é que um sujeito tão escandaloso quanto eu, que não consigo ocultar um único pensamento que tenha, seria “espião” do que quer que fosse? O tom amargo aí fica por conta daquela menina – realmente atraente – e de tantas outras depois dela com quem tive de somente sonhar pois “ocultar pensamentos” é parte nodal do jogo do Amor e eu simplesmente nasci com essa peça (ocultadora de pensamentos) faltando: falo o que penso o tempo todo e devo a isso um grande respeito entre gente de bem e uma pobreza material perene de que muito me orgulho mas é pouco atraente ao belo sexo.

            Procurando temas comuns, matemáticos e sociólogos conhecem Pitágoras de Samos, Demócrito de Abdera, Thales de Mileto, Empédocles de Agrigento e... Tranquei matrícula na Matemática, novo vestibular e ingresso galhardo nas Ciências Sociais (preferiria ter ido para a Filosofia pura, mas no Brasil isso só é possível às camadas mais ricas da população: tem de estudar em período integral, incompatível com a necessidade de trabalhar durante o dia).

            Interessante que somente aos vinte e quatro anos de idade aprendi pela primeira vez com o meu ser inteiro que não basta “entender a matéria”, como aprendi primeiro lendo a Bíblia na infância, depois estudando Eletrônica e, a seguir, a Matemática. Na Ciências Humanas, não há consenso... Vivemos numa sociedade com classes sociais antagônicas e há gradações e tendências distintas. Cito entre elas algumas que mexeram comigo – a maior parte delas mais me irritando que ofertando um bom ferramental intelectual para compreender a realidade – Existencialismo, Estruturalismo, Marxismo, Behaviorismo, Positivismo, Dialética, Solipsismo... O mais interessante é que cada professor que concluía um curso me deixava convertido à sua mundividência. Com os positivistas e estruturalistas passei a ver um mundo humano bastante parecido com aquele que os matemáticos haviam apresentado: pode-se compreender o comportamento e a linguagem a partir de fórmulas sociológicas e é mesmo bastante interessante; o problema é que, quando se compreende bem uma fórmula a estrutura estudada sofreu modificação e, ou se abandona a matriz ou se despreza a realidade (que a última alternativa seja a predileta dos estruturalistas me afastou deles: não me seduziu a pulsão por compreender fórmulas sociológicas sem aplicabilidade na realidade, corrente ainda hoje muito comum nas Ciências Humanas, aliás). Com os Existencialistas aprendi o significado profundo da Responsabilidade. Somos Responsáveis pelos Nossos Atos e Pelas Nossas Decisões – assim mesmo, com todas as iniciais maiúsculas. E guardei comigo o que já havia trazido da FAB e reaprendi com os Positivistas: “terminou de escrever um texto de sua autoria, assine embaixo!” Já seria suficientemente complicado entender uma Sinfonia (Ciências Sociais) em que cada Mestre considera seu Instrumento superior aos outros e alguns são totalmente dissonantes: atabaques e violinos são empregados em igualdade de condições com berimbaus e pianos de cauda. Em Ciências Humanas a coisa se complica ainda mais pois enquanto as Ciências Sociais buscam uma Sinfonia Harmônica com instrumentos dissonantes, a Filosofia apresenta ao conjunto outros fatores, como jogos esportivos: o basquete, o futebol, o vôlei... Tive de trancar matrícula por seis meses para entender direito o que cargas d’água estava acontecendo ali antes que saísse por aí como boa parte dos Cientistas Sociais contemporâneos saem: jogando futebol usando pianos de cauda como campo, ao tempo em que, com os narizes e línguas tentam tirar notas harmônicas de berimbaus e violinos enquanto dão cabeçadas em atabaques: muito confuso. Precisei daquele tempo para encontrar meu eixo.

 

            Escalei um professor com quem me sintonizava melhor, pedi a ele uma lista de livros clássicos fundamentais e básicos à Boa Formação Acadêmica em Filosofia e Ciências Humanas, levei seis meses comprando os cerca de quinhentos livros sugeridos ou conseguindo cópias (ainda não havia Internet...) tirei minha Licença-Prêmio pois completava meu décimo ano de Serviço Ativo na FAB em 1987 e passei seis meses no porão de casa – não estou falando metaforicamente, fiquei num porão a prova de som mesmo! – encontrando meu eixo.

            Voltei para o Rio para concluir o curso. AGORA já conseguia falar de igual para igual com os diversos doutores em bosta que tentavam me confundir; fazia longas citações profundas em seus idiomas originais aos doutores monoglotas conquistando com isso, para o meu ponto de vista, um bocado de gente – o ser humano se sente mal quando se vê concluindo sozinho algumas coisas. “O único certo”, em geral, está é errado! Temos de encontrar eco. Aqueles seis meses que concedi a mim mesmo para mergulhar a fundo na Ciência Social me possibilitaram não a conquista de todas as respostas – trabalho para muitas gerações de seres humanos – mas pelo menos me deram a oportunidade de saber fazer as perguntas certas!

            Curso concluído, vamos à pós-graduação. Na PUC-Rio encontrei um grupo fascinante de intelectuais que encaminhavam bem o raciocínio lógico em Ciências Sociais mas era discriminado pelo Stablishment que, por sua vez, jamais me absorveu. No IUPERJ tentei apresentar um tema para pesquisa a se transformar em dissertação de mestrado – “ninguém aqui trabalha com o tema que V. Sa. propõe, sugerimos que se dedique à prática política para que sobre ela teorizemos no futuro, pois V. Sa. confunde a teoria com a prática”. O mesmo se repetiu na UNICAMP: “V. Sa. Precisa limitar o seu campo de pesquisa, limite-se, limite-se, limite-se...” Na UNICAMP, à época, os doutores estavam muito preocupados em estabelecer limites e obliterar o pensamento livre. Não gostei.

            Seguindo conselho de alguns amigos da FAB, para que eu tivesse mais tempo e pudesse me dedicar ao que eu mais gosto, filosofia, o melhor a fazer era prestar concurso para o magistério, o que me possibilitaria (forçaria era a expressão usada: passou em concurso público, é automaticamente transferido para a Reserva Remunerada, compulsoriamente) aposentar-me proporcionalmente ao tempo de serviço.

            Em 1991 fiz o Concurso Público, passei e, havendo ingressado no Magistério fui transferido compulsoriamente para a Reserva Remunerada. Em 1993 soube de alterações no quadro de professores da UNICAMP (notícia que se provou inverídica) e me transferi para São José do Rio Pardo – SP, onde minha família já estava morando há uns bons dez anos e continuei exercendo minhas funções no magistério até 1996.

Wamireh Chacon, eu, Sonia e Fernando Freyre (filhos de Gilberto Freyre) em Mesa Redonda sobre a Cultura Brasileira

             Em 1997 fui convidado pelo prefeito da cidade a ser Diretor da Casa de Cultura Euclides da Cunha, cargo que exerci ao melhor de minhas habilidades até o ano 2000. Infelizmente, embora tenha me esforçado para fazer o máximo, olvidei algumas vaidades localizadas que insistem até hoje em que o “Movimento Euclidiano” é municipal e não pode ser internacionalizado. Pena. Saí com a consciência do dever cumprido e alguma tristeza: sim, o movimento “por protesto contra o assassinato de Euclides da Cunha pelo amante de sua mulher e impunidade do assassino e em adoração a seu trabalho” já existe há mais de cem anos em São José do Rio Pardo e tem um grande potencial de elevar Euclides da Cunha ao status conquistado por outros expoentes da Cultura Brasileira (Machado de Assis, Lima Barreto, Ruy Barbosa, Gilberto Freyre...). Na cidade, os descendentes dos que criaram o movimento o preferem municipal e eu, que o entendo Nacional ou mesmo Internacional – no ostracismo segundo os temos do único Documento Oficial que a cidade de São José do Rio Pardo expediu contra mim no dia 10 de Abril de 2001, a Moção 32/01. Uma vez que as condições e mesmo as pessoas que produziram aquele importante documento que tenho emoldurado a meu lado seguem as mesmas após quatorze anos, aqui e assim estou, no nível da sobrevida material somente com os proventos de Segundo Sargento R/R desde o ano 2000, quando me dediquei mais exclusivamente à página que inaugurei em 1998 e que segue no ar até hoje. Ali sou LIVRE para publicar minhas opiniões e ajudar a muitos estudantes de graça, como venho fazendo com excelente retorno moral, humano. Financeiramente, fico feliz todo o mês que acontece de as vendas de livros e anúncios do Google a partir de minha página pelo menos me permitirem pagar pela sua manutenção no ar. Na maior parte do tempo eu recebo ajuda de algum familiar em melhor situação econômica que a minha ou retiro uma parte do que recebo da FAB para seguir em minha atividade pedagógica, hoje em dia quase que exclusivamente virtual.

Importante Conquista para a Municipalidade: consegui patrocínio para que o Pintor Otoniel Fernandes Neto presenteasse a cidade com a sua Obra Pictográfica retratando os eventos narrados em "Os Sertões", de Euclides da Cunha.

Canhoneio Noturno - Otoniel Fernandes Neto - 1997(Sugeri ao Otoniel a mudança do título dessa tela para "Fugaz Triunfo...

Posted by Curvêlo Lázaro Chaves on Monday, April 27, 2015

Para conhecer mais sobre a História da Semana Euclidiana de São José do Rio Pardo visite: http://www.culturabrasil.org/historia_da_semana_euclidiana.htm

 
 

 

Parêntese: a Política – Matriz Ideológica

            Desde que tenho alguma consciência do que seja SER HUMANO, vejo a todos nós nesse Planeta interligados por laços invisíveis: linguísticos, culturais, societários, familiares... O ser humano isolado cantado em prosa e verso pela rapina do Capital simplesmente não existe no mundo real. Crer que somos isolados é ilusório. Nós, humanos, somos como as ondas de um mesmo oceano, ou como os galhos de uma mesma árvore. Diferentes entre nós, mas partilhando a mesma herança genética e cultural: profundamente dependentes uns dos outros.

            Minha postura sempre foi a de defesa do grupo social a que pertenço: seres humanos, em particular brasileiros, assalariados e estudantes.

            Logo ao término da Ditadura Militar participei ativamente da campanha pela Eleição de Lula da Silva, pelo PT, contra o representante do continuísmo e da corrupção. Era perceptível o potencial desagregador que Collor de Mello trazia aos seres humanos com seu famoso “Choque de Capitalismo”; sua tentativa de derrotar a inflação com um tiro lhe saiu pela culatra. Aos mais jovens, que consideram a corrupção política uma novidade no cenário nacional, sugiro uma leitura atenta a livros e jornais do período 1989 – 1991. Collor de Mello se elegeu prometendo “acabar com a corrupção”, foi ungido pela Rede Globo de Televisão como “Caçador de Marajás” e mereceu mesmo uma tela pintada pelas mãos do Jornalista Roberto Marinho, então titular das Organizações Globo. Portanto não, não é novidade que um político seja corrupto ao mesmo tempo em que se arvora o título de Maior Combatente Contra a Corrupção ou “caçador de marajás”. Tampouco é verdade que o Ministério Público e as Forças Vivas da República somente tenham começado a se mover contra a corrupção em 2005: quem viveu o processo de Impeachment de Collor de Mello se lembra bem disso e quem se der ao trabalho de ler os textos daquele período poderá conferir. Escrevi muito, proferi palestras e fui às ruas contra aquela onda de corrupção travestida de “combate a corrupção” e vivemos um período sem escândalos que durou, se não me falha a memória, até 2005.

Maurício Marinho recebe suborno, é filmado, inicia-se a CPI dos Correios e tem início o maior escândalo de corrupção do país antes do Petrolão

            O regime jamais deixou de ser capitalista e jamais teve a independência que nossos sociólogos e jornalistas desejavam. Lendo a posição do Brasil no contexto da geopolítica da América Latina percebemos o quanto o que acontece no Império nos afeta. Nas décadas de 60 e 70 do século passado a ordem da Casa Branca e do Pentágono era “incentivar e apoiar ditaduras militares em todo o subcontinente para conter o avanço do comunismo”. Escrevo sobre a Geopolítica do Golpe de 1964 em outra parte. Clique aqui para conferir.

            Já no início da década de 80 (quando eu e meus irmãos de farda nos formamos na EEAR) a Casa Branca mergulhou num combate ético ao encaminhamento brutal dos regimes que se intitulavam “socialistas reais” do Leste Europeu abraçando o viés da “Defesa dos Direitos Humanos” – Jimmy Carter foi o presidente estadunidense que representou melhor aquele momento histórico; como os russos criticavam os estadunidenses pelo emprego excessivo da violência e da força nos regimes de exceção criados ou apoiados por eles na América Latina, o governo Carter resolveu retirar o apoio aos regimes ditatoriais do subcontinente favorecendo o movimento de redemocratização e abertura.

            Capitalismo é sinônimo de crise , enquanto não for superado, a leitura coerente e lúcida de Karl Marx a respeito seguirá importante como toda a leitura científica: atualizando, claro, onde não era possível prever no século XIX e aprimorando eventuais equívocos que um dos erros cometidos pelos regimes brutais do Leste Europeu foi transformar a Obra Científica de Karl Marx em artigo de fé, um desvio puxa outro, a criação de “socialismo num só país”, conceito alienígena a Marx como aponta em crítica à URSS muito bem elaborada Leon Trotsky, acabaria melancolicamente como acabou, em meio a muita corrupção e incompetência, aparentemente a única coisa que a autointitulada “esquerda” brasileira parece ter aprendido...

            O colapso do chamado “socialismo real” no Leste Europeu ampliou a voracidade e a coragem de seus detratores que se apressam – como vêm fazendo desde que, em 1884 o Capitalismo como doença social foi denunciado e se vem em vão buscando remediá-la – a sepultar toda a idéia de emancipação. Recentemente, James Petras e Claudio Katz, importantes pensadores para a realidade da América Latina, escreveram sobre a capitulação e traição dos intelectuais a seus ideais de juventude, a sua adesão acrítica ao “pós-marxismo” – ressaltando que não é possível falar em “pós-marxismo” antes de estarmos no “pós-capitalismo”, evidentemente! Não se supera a doença chamada Capitalismo voltando a suas formas pregressas, como vem acontecendo nesse século XXI, com muitos intelectuais e políticos garantindo suas vidas dentro das limitações de suas consciências possíveis, como profissionais remunerados em defesa do Capital – que é uma doença e precisa ser erradicada se a humanidade desejar ter alguma forma de futuro: como diz Dom Pedro Casaldáliga, o Capitalismo “é fratricida, homicida, ecocida e suicida: a se continuar assim, não há futuro para a humanidade”.

            Pois bem, Ronald Reagan, um ator medíocre que sabia ler e escrever razoavelmente foi contratado pelos apostadores de Wall Street e conduzido pela Banca à presidência dos EUA com a finalidade precípua e levada a cabo de transferir todo o poder decisório em economia da Casa Branca para o Mercado de Capitais, iniciando ali uma onda mundial de retrocessos nas conquistas trabalhistas, uma série de privatizações, terceirizações e rapinas as mais diversas usando motes como: “o Estado tem de ser mínimo”, “o Estado é que é corrupto, há que se privatizar para evitar a corrupção” – a crise monumental do capitalismo estadunidense em 2008, devidamente denunciada por Charles Ferguson no grande documentário “Inside Job” desmente essa idéia: poucas vezes se viu tanta corrupção quanto aquela praticada pela Iniciativa Privada Estadunidense e que quase leva o mundo inteiro à bancarrota! Saiba mais sobre Charles Ferguson e a crise criada pela jogatina dos corruptos nos EUA em 2008 através deste link.

 

 
 

 

Fecha Parêntese: a política brasileira

 

            Primeiro os tucanos, que sucederam na prática Collor de Mello já com Fernando Henrique Cardoso como Ministro da Fazenda de Itamar Franco e implantador no Brasil da Imposição de Wall Street, aqui chamado de “Consenso de Washington” ou “Plano Real”, como na Argentina se chamou “Plano Cavallo”, etc. Caracteriza-se pela criação de uma moeda paritária ao dólar estadunidense já com vistas a dolarizar a economia nacional – uma brutal traição que o grande sociólogo e intelectual que eu tanto respeitava perpetrou contra os brasileiros – o banqueiro Amin Rotshild já dizia “deixe-me fabricar a moeda que circula num país e eu não me importarei com quem são aqueles que se consideram seus lideres políticos”. As medidas tomadas por FHC – e CORRETAMENTE criticadas pelo Partido dos Trabalhadores à época incluíam ainda a privatização de uma série de empresas estatais, a transferência dos cuidados com a saúde e a educação do povo brasileiro para uma malha de empresas privadas de ensino e planos de saúde, sucateando as Universidades Federais e o Sistema Único de Saúde, alterações na legislação trabalhista, “flexibilizando” a relação entre empresa e assalariado, para simplificar a vida das empresas e que o assalariado seja assistido por programas sociais minguados, etc. Foi uma hecatombe, repito, devidamente criticada e apropriadamente combatida pelo PT e por forças outras que estavam também à Esquerda. Centenas de vezes, entre os anos 1995 e 2000 o PT convocou a militância para as ruas a clamar “Fora FHC” e, com a ampliação dos serviços de Internet, com Blogs e Redes Sociais se iniciando ao tempo, surgiu pela esquerda um grande clamor de “Abaixo FHC”, “Impeachment em FHC”, etc. Como os tucanos tomaram o cuidado de adequar a legislação a tudo o que faziam de imoral, não houve um único Fato Determinado que possibilitasse levar aquela idéia adiante.

            Em 2003 Lula da Silva chega ao poder. Havia escrito uma “carta aos brasileiros” muito ambígua. Prometia mais lucros aos banqueiros e melhores condições de vida aos trabalhadores. Para alguém ele estava mentindo. Ingenuamente, imaginei que estivesse mentindo para os banqueiros: passou a vida criticando os banqueiros, foi um opositor feroz das privatizações tucanas, ganhou fama na luta pela defesa dos trabalhadores... Tudo dava a entender que, ao chegar ao poder, reverteria o processo irresponsável de inserção do Brasil nesse esquema mal globalizado e governaria com e para os trabalhadores, contra os banqueiros. Surpresa geral: O primeiro nomeado para o ministério de Lula foi o ex-presidente do Banco de Boston e deputado eleito pelo PSDB de Goiás, Henrique Meirelles, já sinalizando “aos mercados”: LULA MUDOU DE LADO! Estava mentindo para nós, não para os banqueiros! Todos os petistas que percebemos isso (a lista é longa e eu não sou famoso, fiquemos em alguns nomes que vêm prontamente à memória e deixaram o PT enojados assim que a traição ficou patente: Plínio de Arruda Sampaio, Milton Temer, Heloisa Helena, Chico Oliveira, Carlos Nelson Coutinho, Leandro Konder...).

            Hipocritamente continuou as críticas à Herança Maldita, à privataria... Mas não desprivatizou um prego que fosse! Deu continuidade ao maldito “Consenso de Washington” aprofundando-o. Brutalizando os trabalhadores criou algo que sequer FHC ousou: a possibilidade de tomar empréstimos bancários e ter os valores descontados em folha. Recusando-se a aumentar o poder de compra dos trabalhadores criou a ficção de que “empréstimo é renda” e essa praga deixa um monte de gente desesperada até hoje. Esvaziou ainda mais o Ensino Público priorizando projetos que reforçam o caixa das Empresas Privadas de Ensino com transferência de recursos do Ministério da Educação, via “bolsas” a ingresso em faculdades de qualidade duvidosa e ainda criou o “Ensino à Distância” – esse então é hilariante! As aulas são ministradas em centros de ensino nas capitais e há pontos de recepção televisiva com material didático para o acompanhamento das aulas mesmo em cidades distantes da universidade; várias pessoas seguem se graduaram distantes até mesmo do material didático fornecido! Veja, a idéia não é má: a tecnologia poderia ajudar, a corrupção das empresas privadas em parcerias com o governo é que faz a coisa desandar – a remuneração dos profissionais de Ensino e de Saúde Pública obedece a algumas “regras de mercado” incompreensíveis: arrancar das garras do Capital PELO MENOS o trato da Saúde e da Educação de nossa gente não será pouco! Lula celebra todos os ganhos dos banqueiros (vive repetindo a quem desejar ouvir: “os banqueiros jamais antes ganharam tanto nesse país”), segue privatizando e criticando FHC. A tal ponto que o PCdoB, envergonhado, removeu de sua página, o “Vermelho” o livro em que Sérgio Miranda cunha o termo “Herança Maldita” e eu, implicante, o reproduzo em minha página para que se perceba claramente as contradições e inconsistências do discurso lulista.

Da Herança Maldita de FHC à Era da Traição de Lula da Silva

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            Pior ainda: esperava-se que Lula da Silva estabelecesse um governo Republicano, com base na meritocracia, e não faltavam bons intelectuais e profissionais ligados ao PT para compor um Gabinete de Qualidade. Optou por separar o joio do trigo, jogar o trigo fora e governar com o joio da velha política, aliando-se a Paulo Maluf, Fernando Collor, Renan Calheiros, José Sarney. Àquela altura já estava claro que, em que pese a propaganda contraditória com a realidade vivida, o PT se transformou num partido tradicional, burguês, como os outros, que governa com base da troca, do toma lá dá cá e, pior ainda, em 2005 veio a lume o saqueio aos Cofres Públicos para suborno de parlamentares que ficou conhecido como “Escândalo do Mensalão”. Ali o PSDB pisou na bola rotundamente! Embora a corrupção estivesse grassando de maneira tão abundante que um processo de Impeachment contra Lula da Silva, se não tivesse sucesso, seguramente avançaria bastante. A oposição mais dócil da história do Brasil só conseguia ver os números dos banqueiros aliados a eles que se apresentavam [números] fabulosos (de fato, na Era Lula acontece a maior concentração de renda de toda a história republicana – embora todas as estatísticas estejam devidamente maquiadas para apontar em outra direção, os fatos são os fatos!). Os tucanos resolveram “acreditar no eleitorado”, “deixar Lula sangrar com o escândalo e ser reprovado nas urnas”. Foi um golpe cruel à democracia brasileira: a máquina de marquetagem petista conseguiu não apenas a reeleição de Lula da Silva como a entronização da corrupção como prática aceitável no meio político! Até aquele momento eu, que já estava, pelas tamancas com o PSDB chutei mesmo o balde: esses caras não sabem fazer oposição...

            Em 2010 Lula ensaia um golpe para modificar a Constituição e lhe conseguir um Terceiro Mandato. Um câncer na garganta lhe corta providencialmente as pretensões mas ele cria uma sucessora. Do nada. Uma ministra que havia ocupado a Pasta das Minas e Energia, quando José Dirceu foi cassado na Câmara, processado e preso por corrupção ela assumiu seu lugar na Casa Civil e virou a ungida. Pegaram todas as obras do governo, aquelas que já estavam em curso e algumas até hoje em projeto e lançaram mais uma jogada de marketing político: PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. Incidentalmente, já estamos na versão 3 do PAC e o crescimento brasileiro patina. O Brasil parou de crescer (não parou de produzir, a produção está estagnada) desde setembro do ano passado! Concedo: aquelas senhoras que chegaram ao PT pelas mãos de Maluf, Calheiros, Sarney et caterva não conseguem ver a crise que, provavelmente, não atingiu a classe delas, só aqui no andar de baixo é que a gente vê a coisa como está: bares lotados de homens em idade produtiva bebendo cachaça da manhã à noite, os índices de criminalidade e intoxicação indicam claramente o desnível social a que se chegou neste início de século e que não tem paralelo em nossa história. Mas concedo: para as senhoras ricas dos jardins ainda é possível ver uma economia pujante, com muitos carros na rua e Shopping Centers lotados com gente daquela classe social fazendo compras, etc. Tal é a diversidade brasileira... E sim, aquelas senhoras que chegaram ao PT trazidas pelo Maluf hoje ficam “estarrecidas” com a possibilidade de um golpe que, por sinal, só existe na fantasia paranóide dos que se aferram aos lucros do poder.

Busque informações prioritariamente nos Órgãos Oficiais da República, como o MPF

            Insisto particularmente nesse ponto: os Oficiais Generais das Três Armas no Brasil de hoje, netos, talvez, dos generais de 1964, estão comprometidos com as Instituições Democráticas que o Brasil conquistou a duras penas e não há, na caserna, qualquer possibilidade de uma idéia maluca como a de um golpe militar grassar ENQUANTO AS INSTITUIÇÕES DA REPÚBLICA ESTIVEREM FUNCIONANDO. Enquanto o Ministério Público, o Supremo Tribunal Federal e todas as Instituições da República merecerem a confiança do Povo Brasileiro todas as possibilidades de golpe estão descartadas.

            Pessoalmente ERA contrário ao Impeachment de Dilma Rousseff em março de 2015, pois, pelo que se havia levantado levantou até aquele momento não se conhecia ainda o TAMANHO DA ENCRENCA. Repassemos o trecho final da Procuradoria Geral da República, que, na apresentação da famosa “lista” ao STF não juntou elementos para um pedido de investigação ou apuração de fatos! Confira o que diz na página da Procuradoria Geral da República: “(...) quanto ao envolvimento da presidente neste episódio, o fato não pode ser investigado sob o viés da sua conduta porque aconteceu antes do início do seu mandato presidencial e há vedação a sua responsabilização por crimes cometidos fora do exercício do cargo, conforme previsto no artigo 86, parágrafo 4º, da Constituição Federal: “o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”.

             Em Novembro de 2015 fica claro: este Regime de Extrema Direita (se dizendo embora de esquerda) por manter, como ocorria na Alemanha Nazista o Judiciário e o Legislativo submisso ao Poder Executivo num Estado Totalitário a serviço "dos mercados" tem ainda as características do Gangsterismo praticado por gente como Alfonse Capone na Chicago da década de 20 do século passado: precisam sair da frente para que o Brasil avance. CRIMINOSOS DE DIREITA governando para Banqueiros e Mercadores, CONTRA O POVO precisam ser EJETADOS DO PODER COM A MAIOR URGÊNCIA (atualização a 03/11/2015)!

            Contudo: enquanto não se construir uma alternativa à Ditadura dos Banqueiros e Mercadores e a opção se ativer a escolher entre a Ditadura dos Banqueiros e Mercadores através do PT ou a Ditadura dos Banqueiros e Mercadores através da Oposição ao PT não compensa sequer gastar tinta, menos ainda sangue de brasileiros!  Como bem aponta Adolpho Perez Esquivel citando Eduardo Galeano no vídeo abaixo, a escolha que nos apresentam é: "com que molho vocês preferem ser cozidos". Enquanto não formos capazes de construir uma alternativa séria e honrada à Ditadura dos Bancos de nada adianta ficarmos nos digladiando em torno de que políticos cumprem melhor o papel a eles delegado pelos banqueiros. Mais ainda: há mais de vinte anos se trabalha pela decadência intelectual e moral de nossa gente. Resgatar essa dimensão é PRIORITÁRIO neste momento. Descer ao nível dos gângsters de extrema direita que nos desgovernam nos faz perder duas vezes: a segunda por não haver sido essa a nossa Educação e eles serem bem mais traquejados no baixo nível. Sun Tzu disse: "O General Sábio escolhe o campo onde travará o combate". Temos de trazê-los ao NOSSO Campo, o do Alto Nível Moral. No campo do baixo nível moral deles nossa derrota são favas contadas. Insistindo: TUDO O QUE PUDER SER FEITO PARA RESGATAR O NÍVEL INTELECTUAL E MORAL DE NOSSA GENTE CONTRIBUI PARA O APRIMORAMENTO DAS INSTITUIÇÕES.

 

            Paz Aí, Gente!

Não acredite em boatos, não propague rumores. Não aceite nem faça provocações. A Ordem do Dia é Paz na Terra entre os Homens de Boa Vontade!
Busque SEMPRE informações nos Órgãos Oficiais da República. O noticiário televisivo, impresso, radiofônico e pela Internet está contaminado com opiniões diversas, mais confundindo do que informando com isenção.

 
 

 

Reencontro Meus Irmãos!

Nossa Formatura a 13 de Julho de 1979

            É a minha Segunda Família! Acordamos juntos, marchamos juntos, almoçamos juntos, estudamos juntos, nos formamos uns aos outros em tenra idade e lhes tenho um carinho e um respeito enormes!

            Há um mês o Vargas me encontrou e me convidou a rever os amigos de trinta e cinco anos atrás. Cheguei ao grupo “assuntando”, me situando, errando estabanado com alguns, tentando acertar com outros e fazendo o possível para ver todos os meus Irmãos reunidos. Neste mês encontramos mais de cento e cinquenta dos quatrocentos e sessenta e dois que éramos, já montamos página própria e estamos levando ao ar nossas fotos, nossas relíquias, nossas reminiscências, nossas historinhas... Não creio que haja um único de nós que não se sinta novamente com dezesseis anos de idade com memórias tão gostosas e tão vivas. Somos tão unidos que vamos nos cutucando uns aos outros, lembrando o que esquecemos, reavivando a memória, mostrando caminhos esclarecendo coisas...

            Dentre o muito que aprendi com meus Irmãos em Armas ressalto um ensinamento que quase me esqueci, após haver lido muito de Bertrand Russel e Richard Dawkins: há que se ter Respeito pela religião dos outros!

            “Mesmo que o fanatismo religioso seja petista”, me perguntou um de meus irmãos. “Sim”, “mesmo nesse caso”. Quem abandonou o uso da Razão e acredita mais em sombras do que no que vivencia no cotidiano pode estar equivocado em nossa opinião, mas o Respeito implica em nos vermos como a outra pessoa se vê e se ele se enxerga no paraíso do pleno emprego e alta renda, mesmo que sua situação existencial seja exatamente idêntica à de todos nós, temos de respeitá-lo, sim!

            Na eleição presidencial passada, usei minha Sólida Formação Sociológica Humanista Marxista, ouvi minha mãe, optei por suspender um jejum eleitoral de quinze anos e não votei nulo. Escolhi o candidato que apresentava valores que sou capaz de entender e percebi ser ele sincero (além de ter a minha idade e haver vivenciado mais ou menos as mesmas coisas que vivenciei): Respeito, Decência, Honra, Patriotismo. Não me iludi um segundo que ele fosse "de esquerda" - nem ele assim se apresentava - mas a escolha entre duas formas de direita, uma envolvida em vários escândalos de corrupção e outra com um propósito sincero de restaurar a moralidade, eu escolhi a moralidade. Não vencemos as eleições, mas ganhamos de volta o Amor pelo Brasil, a Esperança de um país melhor e, acima de tudo, ganhamos um Norte: DECÊNCIA NO TRATO DA COISA PÚBLICA, PARA COMEÇO DE CONVERSA!

            E insisto: continuo respeitando muito meus Irmãos e Amigos, inclusive aqueles que, abandonando o uso da Razão optaram pelo apoio ao encaminhamento excêntrico da Coisa Pública somado a uma propaganda recheada de estatísticas fabricadas sem contato algum com a realidade.

             Religião não se discute!

 Lázaro Curvêlo Chaves – 10/03/2015

Nossa Revista de Formatura

Capa da nossa Revista de Formatura - "O Especialista em Revista" ANO VIII - Nº 12

Posted by Curvêlo Lázaro Chaves on Tuesday, April 14, 2015
 

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