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Refundar a República!

 

Aprimorando a tripartição dos poderes da República

 

Quando Charles-Louis de Secondat, Barão de Montesquieu, publicou sua Obra Prima O Espírito das Leis, em 1748, contando 59 anos de idade, promoveu um avanço significativo diante do absolutismo e forneceu poderoso ferramental intelectual na luta contra o Antigo Regime.

O Espírito das Leis - Montesquieu

A teoria da tripartição dos Poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário – adotada em praticamente todo o mundo – é sem dúvida um grande avanço. Há, contudo, uma limitação na aplicação prática daquela teoria: somente o Poder Executivo tem a prerrogativa de arrecadar impostos e os distribuir aos demais poderes, limitando assim, na prática, a independência entre os poderes que, em casos mais bárbaros como o brasileiro, transforma o Executivo num superpoder e relega aos outros papel meramente subsidiário.

Para corrigir esta discrepância, é fundamental criar um mecanismo que possibilite – SEM QUALQUER AUMENTO DE CARGA TRIBUTÁRIA – dar aos poderes Legislativo e Judiciário meios de arrecadar impostos, libertando-se, assim, da ingerência do Executivo. Enquanto o Poder Executivo for o único detentor de toda a arrecadação e recursos da Nação, os demais poderes estarão naturalmente fragilizados, dependentes do poder absoluto do chefe de Estado.

Tão logo os Poderes Legislativo e Judiciário tenham seus próprios sistemas de fisco, a dependência crônica daqueles poderes do Absolutismo que transformou o Executivo em chantagista, transformando parlamentares em mendigos venais da vontade do Executivo deixará de ser o maior dos problemas.

 

O caso brasileiro

 

         Desde que Lula da Silva assumiu a Presidência da República, e para desencanto e desesperança de todos quantos acreditavam em seu projeto político, jogado no lixo logo após a assunção do poder, o fato mais marcante tem sido o número surpreendente de escândalos envolvendo malversação de recursos públicos: mensalão, sanguessugas, cartões corporativos... O número se avoluma. E a solução que o Executivo encontra é sempre a mesma: compra parlamentares venais para que as investigações se restrinjam e a esbórnia siga intocada. Em último caso, quando o clamor público se torna irresistível como na denúncia da organização criminosa ou quadrilha dos 40 por parte do Procurador Geral da República, o caso é julgado pelo Supremo Tribunal Federal – fórum especial, composto por juízes nomeados pelo chefe do Executivo, de quem recebem os recursos para o funcionamento daquele poder teoricamente independente. Desnecessário enfatizar o que os jornais diários fazem com freqüência: são de raríssimas a inexistentes as condenações, por parte do STF, de corruptos envolvidos em desvio de dinheiro público...

 

Algumas sugestões a se pensar e aprimorar

 

1 Independência econômica entre os Poderes da República. Que não mais seja necessário ou possível comprar parlamentares uma vez que terão de gerir severamente os recursos do Poder que representam.

2) Eleições para juízes e promotores de justiça. O sistema de concursos ou nomeação presidencial para o Supremo deixa o Judiciário subordinado ao Executivo, o que é altamente indesejável e tem trazido as mais incríveis discrepâncias e injustiças. Também o Judiciário deve contar com autonomia econômica face aos outros poderes. Enfim: que os juízes e promotores de justiça sejam eleitos pelo voto popular como já se faz em muitos países do mundo.

3) Abolição do voto compulsório. O voto é um direito do cidadão, não um dever do servo do Estado.

4) Abolição do sistema de apuração eletrônica. É um sistema fragilíssimo a fraudes as mais diversas e, embora apresente impressionante velocidade na revelação dos resultados (usualmente, antes mesmo que todos hajam comparecido às urnas eletrônicas o resultado é apresentado!) sua segurança é altamente questionável e não admite a recontagem de votos, que ficam em voláteis registros de memória de computadores. Somente dois países do mundo adotam este sistema fraudulento: o Brasil e o Paraguai que, desde que foi destruído pelo Brasil por ordem da Inglaterra, pouco mais é que uma subcolônia a quem nosso país se impõe.

5) Reorganização do sistema representativo. Ao invés da utilização de números e contagens ilógicas que fazem com que um eleitor do Acre, por exemplo, tenha um poder eleitoral superior ao de 40 paulistas (e não há indícios de que o acreano médio tenha mais acurada consciência política que o paulista ou vice-versa) deve-se implantar um sistema representativo que seja compatível com o número de eleitores para a Câmara dos Deputados Federais, suprimindo-se aquelas excrescências históricas. Para a Câmara, algo como 25.000 votos para a eleição de um deputado, seja do Acre, seja de São Paulo, seja do Piauí... Para o Senado Federal a representação federativa está perfeita. Sugeriria apenas que fosse exaltada, de 3 para 7 ou mais senadores por Estado da Federação a fim de melhor representar os diferentes pensamentos de um Brasil cada vez mais complexo e multifacético.

6) Financiamento EXCLUSIVAMENTE público e equitativo de campanhas. Que sejam proibidas as contribuições portentosas de entidades financeiras a quem ficam os eleitos vinculados transformando-os em representantes do poder econômico; não em representantes do povo que os elege porque o voto é compulsório (e, vale ressaltar, precisa deixar de o ser!)

 

A se estudar:

1) Nacionalização de todo o sistema financeiro nacional.

2) Proibição dos jogos, fechamento de todas as bolsas de valores. O que gera a Riqueza das Nações é a produção, não a especulação que já nos deixa próximos de 2 trilhões de reais em endividamento crescente.

 

*  *  *

O escândalo dos cartões

         Como será que o (dês)governo Lula da Silva ficará conhecido pela História do Brasil? “Governo dos Escândalos”? “Governo do Mensalão”? “Um dos mais corruptos de toda a história”? “Governo que cobra os impostos mais elevados da história e os gasta pessimamente”?

         O mais previsível é que surgirá novo escândalo escabroso antes que este seja apropriadamente compreendido pela massa do povo brasileiro. Tem sido assim desde o início deste governo e, se eu fosse escolher, apodaria sem dúvida o epíteto de “governo dos escândalos em catadupas” a isto que aí está.

         Dada a notória dependência do Legislativo e do Judiciário em relação ao Executivo, o governo – surpreendentemente, pois uma de suas mais notórias características é também a indecisão catatônica – correu na frente e já tomou providências para a implementação de uma CPI “chapa branca”, ou seja, voltada a isentar o governo de toda a esbórnia com os cartões: os gastos excêntricos de ministros e assessores – com requintes de ultraje por parte de seguranças que gastam às escâncaras com produtos exóticos e se protegem por trás da “segurança nacional”.

         Ora raios! A “segurança nacional” está em grave risco a partir do momento em que se desvia dinheiro público para compra de pudins, doces, jóias, bijuterias, gasolina suficiente para dar a volta à Lua e manutenção de uma frota de automóveis em muito superior à realmente existente! Em nome da proteção da segurança nacional se deveria, sim, investigar esta malversação de recursos públicos. Mais: o Presidente da República e sua família não estão acima da lei nem podem se proteger por trás do biombo mágico da “segurança nacional”!

         Enfim, exerço aqui meu jus esperneandi, pois a pizza já está preparada e o palco do teatrinho da CPI anódina está sendo montado aos olhos do povo.

         Lula da Silva só consome carne argentina, que ele não é besta e sabe que a União Européia tem lá seus motivos para evitar a carne brasileira batizada pelos venenos da Monsanto; os impostos que pagamos estão entre os mais elevados do mundo e os serviços públicos entre os piores do planeta; o dinheiro de nossos impostos paga as viagens nababescas de Sua Majestade e numerosa família deslumbrada e com direito a seguranças dotados de “cartões corporativos” que lhes suprem todos os gastos numa nação de miseráveis; dentre os campeões de gasto está o IBGE – o que explica os números fabulosos que apresentam, contrariamente ao que a realidade por nós vivenciada aponta no cotidiano.

         Os “Institutos de Pesquisa de Opinião”, diante de um dos governos mais corruptos e incompetentes da história do mundo apontam quase 70% de aprovação! Se isto tem algum eivor de verdade, está provado o adágio: os eleitores e apoiadores de Lula não são os que lêem jornais, mas os que limpam a bunda com eles...

         Pobre Brasil...

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 18/02/2008

 

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