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Revoluções em Portugal e tentativas de recolonizar o Brasil Reações à Política de D. João
Nova onda
revolucionária – Com a abertura dos portos (1808)
o Brasil conquistou a almejada liberdade econômica e, com a sua elevação à
categoria de Reino Unido, deixava de ser, formalmente, uma colônia. Mas o que
isso, de fato, representou para o Brasil?
Para o homem comum - sem falar nos escravos - praticamente
nada. Quanto aos grandes proprietários escravistas, embora beneficiados pela
abertura dos portos, continuavam tão afastados das decisões políticas quanto
antes. Mesmo no caso da abertura dos portos, devemos considerar que esses mesmos
grandes proprietários continuavam dependentes dos comerciantes portugueses como
sempre haviam sido.
É necessário considerar ainda outro ponto: para as demais
províncias do Brasil não havia muita diferença em serem governadas de Lisboa ou
do Rio de janeiro. Para elas, a vinda da família real não tinha alterado em nada
a sua situação.
Esses são alguns dos fatores que desencadearam em 1817, no
nordeste, uma revolução de caráter anticolonial e separatista.
Três anos depois, em 1820, outra revolução eclodiu em
Portugal, por razões inversas.
Embora as medidas de D. João no Brasil fossem consideradas
insuficientes para os brasileiros, em Portugal elas foram, ao contrário,
consideradas excessivas, pois os comerciantes haviam perdido a vantagem do
monopólio mercantil.
Apesar de motivadas por razões opostas, as duas revoluções
inspiravam-se no liberalismo: a do nordeste definiu-se predominantemente como
anticolonialista e a de Portugal, como antiabsolutista e, ao mesmo tempo,
recolonizadora.
A Revolução de 1817 A
persistência dos privilégios – As contradições da
política joanina foram sentidas com particular intensidade no nordeste, onde os
interesses colonialistas estavam mais fortemente enraizados. Os comerciantes
portugueses, instalados nos principais portos nordestinos, continuavam tão
monopolistas quanto antes, de modo que os lucros produzidos nas áreas rurais
continuaram a se transferir para os comerciantes.
Esse quadro se agravou por volta de 1817, com uma crise
econômica que teve a sua origem na queda do preço internacional do açúcar e do
algodão - principais produtos de exportação do nordeste.
Tensões
sociais – Com isso afloraram as tensões sociais.
Contra os comerciantes portugueses protestavam os grandes senhores rurais e toda
a massa de homens livres não proprietários. Entretanto, essas duas últimas
camadas sociais opunham-se ao domino comercial português por motivos
inteiramente diferentes: quanto para os grandes senhores a questão era sobretudo
política, pois aspiravam ao autogoverno e à liberdade econômica, para os homens
livres não proprietários, era a sua própria sobrevivência que estava em jogo,
pois o monopólio comercial português encarecia os gêneros de primeira
necessidade. Por isso, tendiam a ser mais radicais e lutavam não só pelo fim do
regime colonial, mas também esperavam alterar a própria ordem social da colônia
em favor de maior igualdade entre seus membros. O quadro
ideológico – A Revolução de 1817, apesar dos
fatores específicos apontados, não foi um acontecimento isolado. Ela se inspirou
na corrente do pensamento iluminista e liberal, tal como acontecia, por esse
mesmo tempo, com a luta pela independência na América espanhola e com as
revoluções burguesas contra o Antigo Regime na Europa.
Nascido em 1752 e formado em medicina em Montpellier, na
França, o padre Manuel de Arruda Câmara foi, no final do século XVIII, um
importante propagador do pensamento iluminista em Pernambuco. O padre João
Ribeiro, que iria participar da Revolução de 1817, era um de seus principais
discípulos. O
Areópago de Itambé – Ao padre Arruda Câmara
deveu-se, aparentemente, a fundação de uma sociedade secreta o Areópago de
Itambé-, em fins do século XVIII, com as mesmas características das lojas
maçônicas que apareceram posteriormente. O Areópago de Itambé, como outras
sociedades secretas, foi um centro de propagação de ideais anticolonialistas e,
ao contrário da maçonaria, não admitia europeus em seus quadros. O
Seminário de Olinda – Outro importante foco de
propagação dos ideais emancipacionistas foi o Seminário de Olinda, fundado pelo
bispo D. José da Cunha de Azeredo Coutinho, em 16 de fevereiro de 1800. Um de
seus membros, o padre Miguel Joaquim de Almeida Castro, conhecido como padre
Miguelinho, foi um dos participantes da Revolução de 1817. A
conspiração dos Suassunas – Expressando os ideais
libertários em Pernambuco, ocorreu em 1801 a conspiração dos Suassunas, que,
entre outras coisas, preconizava tomar Napoleão como protetor. Encontram-se aqui
os germes da Revolução de 1817. Os principais líderes da conspiração foram os
três irmãos, Francisco de Paula, Luís Francisco de Paula e José Francisco de
Paula Cavalcanti e Albuquerque, sendo o primeiro o dono do engenho Suassuna,
nome pelo qual ficou conhecida a conspiração. Todavia, esse episódio é pouco
conhecido, por não ter ultrapassado o plano das tramas e porque a devassa
ocorreu sigilosamente, dada a importância dos implicados. Mas o fracasso da
conspiração trouxe conseqüências imediatas, como o fechamento do Areópago de
Itambé em 1802, que, no entanto, ressurgiu em seguida com o nome de Academia dos
Suassunas, cuja sede era o próprio engenho dos antigos inconfidentes de 1801.
Apesar das repressões, o espírito de contestação difundido pelas sociedades
secretas e pelo Seminário de Olinda não se desfez, ganhar do, ao contrário,
novos e numerosos adeptos. A elite
atuante – Formou-se por esse tempo uma elite
atuante, formada no espírito do Areópago e disposta a colocar em prática as suas
idéias. A fermentação revolucionária, que vinha do início do século, deu origem,
em 1817, a uma conspiração inúmeras vezes denunciada. Dentre as figuras
representativas destacavam-se o padre João Ribeiro, Antônio Carlos Ribeiro de
Andrada - ouvidor-mor de Olinda e irmão de José Bonifácio -, o erudito padre
Miguelinho e o comerciante Domingos José Martins, que tramavam abertamente
contra a opressão colonial. Domingos José Martins, ex-comerciante em Londres,
homem de espírito prático, parece ter conhecido o célebre revolucionário
venezuelano Francisco de Miranda, de quem se diz ter recebido influências
decisivas. Participou ainda Frei Caneca, que se tornaria célebre ao liderar uma
revolta contra D. Pedro I - a Confederação do Equador (1823 - 1824). A eclosão
da revolta – Em 6 de março de 1817, depois de
repetidas denúncias, o governo resolveu agir, destacando o marechal José Roberto
para deter os civis. O brigadeiro Barbosa de Castro e seu ajudante, tenente José
Mariano de Albuquerque Cavalcanti, encarregaram-se do setor militar da revolta,
no qual encontraram resistência. O brigadeiro e seu ajudante foram mortos pelo
capitão José de Barros Lima, vulgo Leão Coroado.
Tomado de surpresa, o movimento poderia ter sido
desmantelado. Contudo, a inesperada resistência do setor militar da rebelião e a
firme decisão de um de seus líderes, o capitão Pedro Pedroso, fizeram o
movimento triunfar. O governador Caetano Montenegro, refugiado numa fortaleza,
capitulou com o marechal José Roberto. Sua vida foi poupada, permitindo-se a sua
partida para o Rio de Janeiro. O governo
provisório – No dia 7 de março de 1817 (portanto,
no dia seguinte à inesperada resistência militar) os rebeldes formaram o governo
provisório, constituído da seguinte maneira: Manuel Correia de Araújo como
representante da agricultura; Domingos José Martins como representante do
comércio; padre João Ribeiro, representando o clero; José Luís de Mendonça,
representante da magistratura; Domingos Teotônio Jorge, representante das Forças
Armadas.
Esse primeiro governo, formado pela elite colonial dominante,
era secretariado pelo padre Miguelinho e auxiliado por José Carlos Mayrink da
Silva Ferrão. Foi criado um Conselho de Estado, constituído pela elite
intelectual pernambucana: Antônio de Morais e Silva, José Pereira Caldas, Deão
Reinaldo Luís Ferreira Portugal, Gervásio Pires Ferreira. e Antônio Carlos
Ribeiro de Andrada. Instalou-se, assim, um governo republicano; adotou-se uma
bandeira; substituiu se o tratamento pessoal tradicional pelo de "patriota" e
"vós", numa consciente imitação da Revolução Francesa; elaborou-se, enfim, a Lei
Orgânica. A Lei
Orgânica – As aspirações revolucionárias foram
incorporadas à Lei Orgânica. Esse documento tratava dos seguintes itens, entre
outros: liberdade de consciência ("É proibido a todos os patriotas inquietar e
perseguir alguém por motivo de consciência"); liberdade de imprensa, ressalvando
os ataques à religião e à Constituição; tolerância religiosa, muito embora a
religião católica fosse reconhecida como oficial e seu clero "assalariado pelo
Estado”. Os estrangeiros aqui estabelecidos que dessem provas de adesão seriam
considerados "patriotas"; e o governo provisório duraria até a elaboração da
Constituição do Estado, por uma Assembléia Constituinte, a ser convocada dentro
de um ano.
Além do que ficou estabelecido na Lei Orgânica, várias outras
medidas de caráter popular foram tomadas, como, por exemplo, a abolição dos
tributos que oneravam os gêneros de primeira necessidade. A
propagação – A revolução pernambucana difundiu-se
para outras regiões: na Paraíba, em 16 de março, a revolução triunfou sob a
liderança de Amaro Gomes Coutinho. Em 28 de março, o senhor de engenho André de
Albuquerque Maranhão venceu no Rio Grande do Norte. Ali, José Martiniano de
Alencar - pai do famoso romancista José de Alencar - foi enviado como emissário
para o Ceará, mas foi preso e conduzido a Salvador. O padre José Inácio de Abreu
e Lima - conhecido como padre Roma - chegou à Bahia como emissário, mas foi
preso e fuzilado pelo governador conde dos Arcos. Com a preocupação de obter
apoio internacional, emissários foram enviados também ao exterior. Antônio
Gonçalves da Cruz - vulgo Cabuga - e Domingos Pires Ferreira incumbiram-se de ir
aos Estados Unidos pedir auxílio e oferecer aos comerciantes norte-americanos,
por vinte anos, os gêneros de Pernambuco, livres de direitos; Félix Tavares de
Lima foi mandado à Argentina, e o negociante inglês Kesner foi enviado à
Inglaterra a fim de conseguir a adesão de Hipólito José da Costa, do Correio
Braziliense. A
repressão – Na Bahia, tão logo se soube da
rebelião, o governador D. Marcos Noronha e Brito, conde dos Arcos, montou a
repressão por terra e por mar. D. João, por sua vez, dirigiu pessoalmente os
preparativos da tropa a ser comandada pelo coronel Luís do Rego Barreto -
futuro governador de Pernambuco. A onda repressora abrangeu Alagoas, Rio Grande
do Norte e Paraíba. Em Pernambuco, o bloqueio forçou a formação de um governo
revolucionário de caráter ditatorial, com plenos poderes conferidos a Domingos
Teotônio Jorge, a fim de resistir eficazmente ao assédio. Contudo, no dia 19 de
maio de 1817, a resistência dos rebeldes foi quebrada. As
punições – As punições foram rigorosas: Domingos
José Martins, José Luís de Mendonça e padre Miguelinho foram fuzilados em
Salvador; no Recife, a comissão militar presidida por Luís do Rego Barreto
condenou à forca Domingos Teotônio Jorge, José de Barros Lima, padre Sousa
Tenório e Antônio Hemopos. Em 1818, D. João ordenou o encerramento da devassa,
libertando aqueles sem culpa formada. Os restantes 117 prisioneiros na Bahia,
afinal libertos, foram anistiados após a Revolução do Porto (1820).
A Revolução Liberal do Porto (1820) Situação
de Portugal – Desde a transferência da Corte para
o Brasil, Portugal vivia uma situação incômoda: em 1808 foi invadido por
Napoleão; posteriormente, com a expulsão dos franceses, passou a viver sob a
direta tutela inglesa. Até 1820 Portugal foi governado por Lord Beresford. Razões da
revolução – A ambigüidade política de D. João
contribuía para manter aquela situação anômala, pois mesmo após a libertação de
Portugal o soberano continuava no Brasil. Além disso, as medidas de D. João que
deram ampla liberdade econômica ao Brasil estavam prejudicando o comércio
português, levando a economia a uma situação desesperadora.
A revolução foi liderada por Manuel Fernandes Tomás, que, na
cidade do Porto, em 1818, criou uma associação liberal, inspirada no exemplo da
Revolução Francesa. Essa associação contava com a participação de treze membros
e recebeu o nome de Sinédrio. Em fins de 1820, além de elementos militares,
reunia também membros da clero. Em agosto do mesmo ano foi lançado um manifesto
à nação, de autoria de Fernandes Tomás.
A revolução propriamente dita eclodiu em 24 de agosto de
1820, e os rebeldes imediatamente formaram um governo: a Junta Provisional do
Governo Supremo do Reino. A revolução, de início limitada ao Porto, mais tarde
chegou a Lisboa, tornando-se um movimento nacional.
O historiador português António Sérgio assim resume os
acontecimentos: “Em Portugal governava Beresford (...) Quando, em 1820, o
general inglês foi ao Brasil, o Porto sublevou-se. Os oficiais britânicos
receberam ordem de retirar; não se permitiu o desembarque de Beresford, à volta
do Rio; e nomeou-se uma nova regência, convocando-se uma assembléia para
elaborar uma constituição (...). A Inglaterra insistiu com o rei para que
voltasse para a metrópole, o que ele fez, deixando no governo do Brasil o filho
mais velho, D. Pedro. Chegando a Lisboa, o monarca jurou a Constituição; mas a
rainha, D. Carlota Joaquina, e o filho mais novo, D. Miguel, puseram-se à frente
do partido absolutista”.
Repercussão da revolução no Brasil – A notícia da
revolução do Porto chegou ao Rio de Janeiro em outubro de 1820. No mês seguinte,
D. João tomou conhecimento da adesão de Lisboa. A revolta era mais grave do que
se supunha. O rei e seus ministros discutiram o que fazer. D. João oscilava
entre dois dos seus principais conselheiros, Tomás Antônio de Vila Nova Portugal
e o conde de Palmela. O primeiro opunha-se irredutivelmente às Cortes e defendia
a partida do príncipe D. Pedro para Portugal, a fim de acalmar os ânimos
revolucionários. O segundo era simpático à revolução e defendia o retorno do
próprio rei.
Nesse ínterim, enquanto nada era decidido, a revolução se
propagou para o Brasil. Em primeiro lugar, deu-se a adesão do Pará, aos gritos
de "Viva a Constituição!". Depois, foi a vez da Bahia: "Abaixo o Absolutismo!".
Em Salvador, o entusiasmo chegou às ruas, destacando-se a atuação de Cipriano
Barata, com o seu jornal As Sentinelas. Formou-se rapidamente uma Junta
Governativa, e o governador da Bahia retirou-se para o Rio de Janeiro.
Entusiasticamente, a Junta jurou fidelidade à Constituição, que ainda ia ser
elaborada em Lisboa.
A notícia dos acontecimentos na Bahia chegou ao Rio. D. João
sentiu que ia perder o controle da situação e resolveu agir: através de um
decreto, datado de fevereiro de 1821, decidiu enviar o príncipe real D. Pedro a
Portugal, "para ouvir", dizia o decreto, "as representações e queixas dos povos
e para estabelecer as reformas, melhoramentos e leis que possam consolidar a
Constituição portuguesa" . O mesmo decreto criou, simultaneamente, uma comissão
de vinte membros, quase todos brasileiros, para exprimir os interesses
específicos do Brasil. O decreto descontentou os colonialistas portugueses, que
desejavam o retorno do próprio rei e recusavam a autonomia concedida por D. João
ao Brasil. A guarnição militar do Rio, fiel às Cortes, opôs-se ao decreto. A
oposição ao rei cresceu do lado "português", sob a iniciativa de um padre,
Marcelino José Alves Macamboa, que liderou uma manifestação pública de apoio às
Cortes. Na manhã de 26 de fevereiro de 1821, na praça do Rossio (hoje
Tiradentes), civis e militares reuniramse sob o comando do brigadeiro Francisco
Joaquim Carreti, para exigir do rei o juramento à Constituição. D. Pedro
compareceu à manifestação e tentou acomodar a situação, porém Macamboa fez
conhecer ao rei, através do príncipe real, a exigência do juramento à
Constituição e da reforma do ministério, entregando-lhe uma lista de nomes. D.
João, a conselho de Tomás Antônio, atendeu às exigências de Macamboa.
Vitória
constitucionalista e o retorno de D. João –
Finalmente, sem outra alternativa, D. João VI retornou a Portugal, assinando em
7 de março de 1821 um decreto nesse sentido. D. João partiu finalmente no dia 26
de abril de 1821, nomeando como regente do Brasil seu filho e herdeiro D. Pedro. O Brasil e as Cortes Deputados
brasileiros nas Cortes – A Revolução do Porto
recebeu, em todo o Brasil, adesão imediata. Mas com o seu triunfo anulou-se ao
mesmo tempo a possibilidade de reunir as Cortes no Rio de janeiro, passando toda
a competência legislativa para Lisboa. Assim, o decreto régio de 7 de março de
1821, que determinou a volta do rei a Portugal, estipulou também a eleição de
deputados brasileiros a serem enviados às Cortes Gerais Extraordinárias e
Constituintes da Nação Portuguesa.
As primeiras eleições foram realizadas e, em agosto de 1821,
os primeiros deputados brasileiros começaram a chegar a Lisboa. Os
representantes brasileiros eram todos da camada superior e a eles não havia
ocorrido ainda a idéia de separação do Brasil, embora permanecessem dispostos a
defender as conquistas obtidas durante o governo de D. João VI. O caráter
constitucionalista da Revolução do Porto deu à camada dominante senhorial e a
seus aliados a ilusão de poder consolidar definitivamente, através de seus
representantes nas Cortes de Lisboa, a liberdade de comércio e autonomia
administrativa. A
tentativa recolonizadora – As Cortes, entretanto,
definiram pouco a pouco sua posição em relação ao Brasil, deixando claro que o
objetivo era a recolonização. Dois aspectos atraíram particularmente a atenção
das Cortes: a penetração inglesa e a autonomia administrativa do Brasil. Foi a
partir de junho de 1821 que essa orientação recolonizadora começou a ganhar
força nas Cortes. Em relação à Inglaterra, tratou-se de anular os privilégios
concedidos em 1810. Em relação à autonomia administrativa, as Cortes declararam
os governos provinciais independentes do Rio de Janeiro com a finalidade de
subordiná-los diretamente às Cortes.Também foi decidida a transferência para
Lisboa do Desembargo do Paço, da Mesa da Consciência e Ordens, do Conselho da
Fazenda, da Junta do Comércio e da Casa de Suplicação. O
“partido português” – No Brasil, em virtude da
tentativa recolonizadora das Cortes, as posições políticas se definiram.
Formou-se o "parti do português", integrado principalmente pelos comerciantes
portugueses apoiados pelas guarnições militares, que eram contrários à autonomia
administrativa e à abertura econômica decretadas por D. João VI. O
“partido brasileiro” – O “partido brasileiro” era
integrado principalmente pela aristocracia rural (grandes proprietários
escravistas) que defendia a manutenção da liberdade econômica e da autonomia
administrativa conquistadas durante o período joanino. Mas não defendia a
separação de Portugal.
Divergências e convergências – Apesar do nome, o
partido "português" não era composto exclusivamente de portugueses, da mesma
forma que o partido "brasileiro" não era integrado somente por brasileiros. No
"partido brasileiro" havia também portugueses e até ingleses e franceses. Em
essência, esses dois partidos representavam correntes colonialistas ("partido
português") e anticolonialistas ("partido brasileiro").
Se essa era a diferença entre ambos, os dois partidos
concordavam pelo menos num ponto: nenhum dos dois colocava em questão a
estrutura escravista da sociedade colonial. Discordando de ambos sobre esse
ponto e que surgiria uma outra corrente: a dos liberais radicais. Esta era
integrada pelas camadas urbanas, representadas pelos profissionais liberais -
médicos, professores, jornalistas, pequenos comerciantes, padres, etc. Com essa
tendência, identificavam-se certas facções da aristocracia rural,
particularmente da região nordestina, que havia muito tinham perdido a liderança
para os grandes proprietários da região sudeste - Rio de Janeiro e São Paulo. Bibliografia: História do Brasil - Luiz Koshiba - Editora Atual História do Brasil - Bóris Fausto - EDUSP
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