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O ruim e o
pior: mais do mesmo...
No debate entre os candidatos ao governo do Estado de S.
Paulo, segunda-feira passada, na TV Bandeirantes, Plínio de Arruda Sampaio teve
o melhor desempenho em muitos anos. No bloco de perguntas entre os candidatos,
Aloizio Mercadante – em quem muitos paulistas estão arrependidos de ter votado
para o Senado Federal – perguntou a opinião do católico sobre o governo do PSDB.
Plínio lhe devolveu a pergunta com dados da UNAFISCO (Sindicato Nacional dos
Auditores Fiscais), segundo os quais as diferenças orçamentárias entre os
governos Lula e FHC são praticamente nulas. Por exemplo, Lula empregou míseros
2,7% do orçamento na Saúde Pública. FHC havia empregado ridículos 3%
(praticamente a mesma coisa); em educação diferença alguma: 6% para ambos. Em
meio ambiente, FHC gastou 4%, Lula gastou 2%. Enquanto FHC deu aos banqueiros
43% do Orçamento Geral da União (comparado com os gastos em saúde 3% e educação
2% percebemos para quem governou, efetivamente), Lula deu pouca coisa a mais:
45%. Quando vemos que gastou menos de 1% em habitação percebemos que Lula tem
mais apreço pelos bancos do que pelo povo trabalhador do Brasil. Tanto quanto
seu antecessor, por sinal.
Mesmo a corrupção, que no governo FHC foi monstruosa, com a
privataria rapinante, a compra de parlamentares para a reeleição, etc. repete-se
magnificada em Lula da Silva. Agora há o mensalão, os vampiros, sanguessugas...
Não há diferença perceptível entre o governo neoliberal dos tucanos e o governo
neoliberal de Lula da Silva. Nem do ponto de vista orçamentário, nem do ponto de
vista ético. Claro, petistas e tucanos se ofendem demais com a comparação pois
cada grupo se considera “paladino da ética” e “mais competente que o outro”. Mas
nenhum dos dois se destaca favoravelmente em nenhum dos campos. Escolher entre
tucano e petista não é escolher, é manter tudo como está.
Iguais em
ética (nenhuma) e encaminhamento econômico (tirar dos pobres para dar aos ricos)
as diferenças são meramente cosméticas. Enquanto parte do eleitorado se digladia
entre duas propostas radicalmente idênticas, o grande capital especulativo
festeja e os trabalhadores continuarão sem representação no Executivo Federal,
coisa que acontece desde o descobrimento do Brasil.
Quem ganha com o governo Lula?
Capital
Bradesco - lucro recorde
de R$ 5,514 bilhões, crescimento de 80,2% - maior
lucro dos 62 anos de
história
Itaú - lucro recorde de
R$ 5,251 bilhões - crescimento de 39%
Banco do Brasil - lucro
recorde de R$ 4,154 bilhões
Caixa Econômica Federal
- lucro recorde de R$ 2,07 bilhões
Unibanco - lucro recorde
de R$ 1,838 bilhão
Banespa - lucro recorde
de R$ 1,643 bilhão
Trabalho
Bancários: 6 dias de
greve - proposta do governo: 6% de reajuste
Previdenciários: 75 dias
de greve - proposta do governo: 0,1% de reajuste
Docentes universitários:
112 dias de greve - proposta do governo: 0,0% de
reajuste.
O Bolsa Banqueiro
Somente em
2006 o governo Lula desembolsa R$ 530 bilhões para os banqueiros a título de
“juros da dívida”. Só para lembrar, FHC, em 8 anos, desembolsou R$ 467 bilhões.
O que Lula destina ao Bolsa Banqueiro é 90 vezes mais do que o do Bolsa Esmola (
R$ 5 bilhões ). Para quem Lula está governando mesmo?
A mesma praça, o mesmo banco...
Dia desses desci para
comprar cigarros e passei por uma pracinha onde estava uma senhora e a filha,
varrendo uma quantidade surpreendente de folhas, que zelosamente colocavam em
sacos de lixo e os levavam a seu quintal para posterior recolhimento. O
inusitado da cena chamou minha atenção. Seriam contratadas da prefeitura? Em que
circunstância? Curioso, perguntei o que faziam.
_ Isso aqui está abandonado. Há anos não vem ninguém da
prefeitura varrer ou cuidar deste jardim e nós desejamos que ele esteja bonito:
fica em frente à nossa casa e nossos amigos passeiam aqui. Se a prefeitura não
faz nada, cabe a nós tomarmos as providências.
Fiquei genuinamente espantado. Comecei a refletir: qual o
espanto? Depois que os tucanos resolveram concentrar a arrecadação de impostos
no governo federal e municipalizar cada vez mais atribuições outrora federais,
em praticamente todas as cidades do Brasil o quadro de desolação é o mesmo:
praças abandonadas, frequentadas por pessoas desempregadas, prefeituras vivendo
no limite do orçamento...
Uma cidade com pretensões turísticas como São José deveria
cuidar melhor da apresentação de suas praças. Concedo que não é problema
exclusivo da atual administração municipal, nem mesmo exclusiva de São José do
Rio Pardo: como sabemos, desde que as privatizações e municipalizações
rapinantes começaram no tucanato, ali por volta de 1992, a situação está
calamitosa mesmo. A substituição do tucanato pelo lulo-petismo mudou pouquíssima
coisa – quando mudou, infelizmente foi para pior.
Como está claro que a prefeitura não tem mesmo dinheiro para
cuidar das praças – o que se arrecada em IPTU e outras taxas vai para um
orçamento milimetrado e não está sendo suficiente sequer para cuidar dos
logradouros... – quem sabe se conseguiria com empresas este cuidado? Depois da
calamidade tucana no governo federal, seguida pela hecatombe lulo-petista,
muitas prefeituras vêm suplicando à Iniciativa Privada que, além dos impostos
que paga, cuidem também de praças e jardins públicos. Em alguns casos, como Rio
de Janeiro e Poços de Caldas, com sucesso, em outros, como Ribeirão Preto e São
José do Rio Pardo, ou esta idéia nem apareceu ainda ou a sensibilidade da
iniciativa privada está bem parecida com a do governo federal: nenhuma.
Quando donas de casa cuidam de ruas e praças falando “nunca
mais voto em ninguém para prefeito ou vereador, quero ver passarem aqui pedindo
votos” a coisa está realmente a exigir atenção. A elas apresento meu texto
indignado e meus cumprimentos porque pagam seus impostos em dia e ainda fazem o
que a prefeitura deveria estar fazendo...
Lázaro
Curvêlo Chaves – 31/08/2006
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