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Sugestões de Ano Novo: resolver
matematicamente todos os problemas brasileiros
Estradas
Brasileiras
Todos
aqueles que dispõem de automóveis ou assistem pela TV os raros programas
sobre as condições infra-estruturais – usualmente vão ao ar como uma senha,
quando a emissora precisa extorquir o governo ou o que o valha, mas, por
vezes, passa. Todo o brasileiro razoavelmente bem informado, enfim, sabe que
as estradas de rodagem de todo o país estão em situação calamitosa, o que se
tornou a principal causa de acidentes automobilísticos. Por algum motivo, o
governo aparentemente não mexeu nas estatísticas e o resultado é
desalentador. Nunca antes neste país, tanta gente morreu em acidentes
automobilísticos quanto durante o governo lula da silva.
A solução é
de uma simplicidade incrível: o governo não está disposto a investir na
segurança das estradas, salvo uns buracos que tapam aqui e as chuvas
destapam ali, pois a verba destinada à propaganda é muito maior: os meios de
desviar estas para seus próprios bolsos são mais expeditos, haja visto os
vultuosos pagamentos aos marqueteiros de ontem e ministros informais da
propaganda lulo-petista de hoje receberem generosamente em dólares nos
paraísos fiscais.
O IBGE e a FGV já prestam serviços fantásticos à
camarilha lulo-petista! Graças a seus cálculos, já estamos com a economia
melhor que a da França, por exemplo (o desemprego na França atinge 40%
enquanto no Brasil mal chega aos 12%, é ou não uma proeza destes institutos?
A realidade não conta, o que conta é a propaganda, naturalmente).
Basta,
portanto, fazer com as estradas o que o governo já faz com o desemprego, os
preços, os salários, as moradias, a renda, etc. Contratar e remunerar bem os
marqueteiros e propagandistas para que façam o IBGE e a Fundação Getúlio
Vargas reavaliar a situação das estradas a partir de novos parâmetros de
cálculo, provando que nunca antes estiveram tão seguras e em bom estado.
Simples.
Setor
Aéreo
Filas,
desinformação, espera de até 72 horas para um vôo ser confirmado ou não...
Insegurança, dados os salários dos controladores de vôo estar em queda livre
há mais de 20 anos – já se tomou uma medida imprescindível: foram proibidos
de falar à imprensa acerca do sucateamento técnico do setor, do despreparo
dos que ficam e dos salários de fome que recebem. A camarilha lulo-petista
tem muitos gastos com propaganda, repita-se, e o grosso da arrecadação dos
impostos é desviada à ciranda financeira, “para que os mercados se sintam
seguros e o custo-país seja menor”. Irrelevante que o reflexo disso no
cotidiano dos seres humanos seja catastrófico.
Fica então
a sugestão: novamente, que o IBGE e a FGV utilizem sua criatividade
espantosa; que criem novos métodos de análise e cálculos para que a
propaganda possa repetir à exaustão: “a situação da aviação brasileira está
excelente, causando inveja a muitos países do primeiro mundo” – não faltará
banqueiros que lucram fábulas aqui no Brasil para, lá fora, confirmar e
endossar os números do IBGE e da FGV, como sempre o fazem.
Assim será
resolvido o caos aéreo sem que se precise empregar um único centavo, sequer
modificando o tamanho das poltronas dos aviões, como um idiota avençou há
pouco como “solução”.
Educação
Pública
Não me
parece operacional a estratégia recentemente adotada pelo mandatário maior
da nação, escolhido pela maioria dos brasileiros através do voto obrigatório
comprado pelo bolsa-esmola. Até nos rincões mais miseráveis do Brasil as
mães seguem ensinando aos filhos que estudar é bom, que a melhor alternativa
para almejar a um futuro melhor é através do conhecimento, da cultura. A
estratégia adotada pelo apedeuta, de marginalizar e discriminar
preconceituosamente todo e qualquer intelectual que saiba se expressar bem
em nosso e outros idiomas não me parece a melhor para os fins que deseja.
Mais
eficiente e consentâneo com o que vem fazendo até aqui, é contratar
novamente as empresas de propaganda, sempre regiamente remuneradas
oficialmente e no paralelo. Estas se incumbiriam de subcontratar a sempre
disponível legião de economistas venais, do IBGE e da FGV, que reavaliariam
a educação brasileira a partir de uma nova estratégia de cálculos.
Demonstrarão com tanta facilidade quanto inverdade que os professores estão
ganhando muito bem, os alunos estão aprendendo, a educação no Brasil está
melhorando e o jovem recém-formado é acossado por uma legião de empresas
ansiosas por contratá-lo.
Desta
maneira, sem expender um único centavo na educação do brasileiro, tudo
melhora na propaganda, a única coisa que parece importar, mesmo que a
realidade seja totalmente diferente.
Saúde
pública
Um médico
do INSS recebe hoje o equivalente ao valor de meio-quilo de batatas por
consulta. Faltam instalações, equipamentos, medicamentos, equipes de
enfermagem, etc. Contudo, não será difícil para os economistas venais do
IBGE e da FGV driblarem esta realidade: eles têm se mostrado
extravagantemente competentes; com seu conhecimento matemágico, suas
prestidigitações e recálculos, à revelia dos fatos e da realidade,
rapidamente se provará que o Brasil está com o melhor padrão de saúde
pública do mundo – há não muito lula da silva discursou na Europa neste
sentido, aliás, sinalizando para os venais como é que devem ler os fatos.
Não contem o número de cadáveres, médicos empobrecidos ou pacientes
desassistidos. Isso não interessa para a propaganda. Contem de maneira
distinta, para que o Brasil apareça bem na propaganda. Assim, sem expender
um único centavo na recuperação da saúde pública, mas gastando rios do nosso
dinheiro na propaganda, como já acontece com os salários, os preços, as
moradias e a alimentação, entre outras coisas, num golpe de prestidigitação
rápido e eficaz, com o apoio da mídia – ladeira abaixo na realidade, mas com
números magníficos na propaganda –, nossa situação se transformará de caos
em ordem com os números do IBGE, da FGV e o endosso entusiasmado dos
banqueiros internacionais. A realidade, já o provou ad nauseam a camarilha
lulo-petista, não tem a menor importância.
Feliz
2008
Para os que
conseguirem sobreviver com dignidade e honra apesar de todo o
complô do crime organizado em contrário e para o que sobrar de
Brasil, claro.
Lázaro Curvêlo
Chaves – 27/12/2007
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