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Reeleito, Lula pretende acabar com o Bolsa-Esmola e privatizar a Petrobrás

 

            Todos nos recordamos do debate entre Lula da Silva e Collor de Mello na Rede Globo de Telealienação em 1989. O que o petista mais temia era que uma namorada sua, que havia acabado de receber de presente um caríssimo equipamento de som, aparecesse por lá. Assim sendo apresentou-se vacilante e cometeu infantilidades como “o caçador de marajá não passa de um caçador de maracujá”. A edição pró-Collor daquele debate, levado ao ar no Jornal Nacional logo no dia seguinte foi um dos fatores decisivos à diminuição das chances de Lula naquela eleição.

            Emblemático que Collor de Mello asseverou que Lula da Silva pretendia confiscar a poupança popular e os depósitos em conta-corrente bancária, o que nos soava um completo absurdo. Assim que assumiu, foi precisamente o “caçador de maracujá” que promoveu o maior confisco de renda dos brasileiros levando uma porção de gente ao desespero e até mesmo ao suicídio.

            Esta mesma lógica se aplica hoje a Lula da Silva que aprendeu a atribuir a seus adversários todas as medidas antipáticas que adota ou pretende adotar. Neste segundo turno chega a ser inacreditável que Lula da Silva atribua a seu rival o propósito de privatizar a Petrobrás e o Banco do Brasil. De onde diabos ele tirou isso? A resposta só pode ser uma: do mesmo lugar que Collor de Mello tirou a idéia de que Lula confiscaria a poupança. Está nos planos do presidente candidato levar a cabo esta medida aterrorizante e o seu discurso furibundo, desesperado neste sentido, revela os meandros de seu inconsciente.

            Que ninguém se equivoque: além das medidas voltadas ao que chamam de “redução do custo - Brasil”, ou seja, eliminar direitos trabalhistas historicamente conquistados como férias remuneradas acrescidas de 1/3, estabilidade no emprego e fundo de garantia por tempo de serviço Lula deixa transparecer nas dobras de seu discurso ensandecido que está em seus planos privatizar a Petrobrás e o Banco do Brasil.

            Uma coisa que FHC não conseguiu fazer, Lula pretende com todo o empenho levar a cabo: acabar com a Era Vargas, destruindo a legislação trabalhista e privatizando o que os trabalhadores brasileiros conquistaram a duríssimas penas.

            Não me conto entre as pessoas que se alegram com a onda privatista da Era Maldita dos tucanos dizendo: “Ainda bem que FHC privatizou! Já imaginaram todas estas empresas nas mãos de petistas como Valdomiro, Delúbio, Silvinho, Valério, Vedoin, Gedimar, Lorenzetti e essa lista interminável de componentes da quadrilha denunciada pelo Procurador Geral da República?”

            O patrimônio público brasileiro deve ser tratado como público e permanecer propriedade dos brasileiros! O péssimo uso dado ao patrimônio público por petistas e tucanos prova que não convém à Nação ser governada por gente sem escrúpulos; não prova que lançar empresas públicas à privada faça com que estas melhorem em nada!

 

E o Bolsa-Esmola?

 

            Este programa, miseravelmente, permite a uma parcela ridiculamente reduzida da população miserável ter um acesso tremendamente medíocre a uma quantidade de renda insuficiente para garantir sua sobrevida. Alguém seriamente se ilude que com a esmolinha de R$ 50,00 mensais “se resgatou a dignidade do brasileiro como nunca antes na história deste país”?

            Como o PROUNI, que é o maior programa de transferência de renda da Educação Pública para a privada, o bolsa-esmola ainda é melhor do que nada diante da situação calamitosa a que estes 12 anos de desgoverno tucano-petista reduziram a nossa gente.

            A farra exagerada que se cometeu durante o primeiro turno das eleições, quando um número maior de famílias miseráveis finalmente teve acesso à parte que sobrou da corrupção grassante no Bolsa-Esmola, garantiu a Lula uma votação expressiva mas é um tipo de política completamente insustentável. Por favor, tome nota aí para me cobrar caso o mensalão derrote a ética mais uma vez: Lula fatalmente terá de cancelar o programa que ele chama de “Bolsa-Família”.

 

De onde veio o dinheiro?

 

            Há tempos recebo um e-mail com uma denúncia estapafúrdia: uma ONG de nome “Amigos de Plutão”, constituída por petistas fracassados nas eleições estaria recebendo uma fortuna dos cofres públicos. Dia 10, terça-feira passada, o Senador Heráclito Fortes – PFL – PI revelou que, de fato, existe uma ONG em Santa Catarina, composta por petistas e que recebe os tubos do governo federal. Não declinou o nome pois esta investigação está sob sigilo de justiça. Mas deixou claro que é dirigida pela filha de Lula da Silva, Lurian, em associação com Lorenzetti (o churrasqueiro de Lula, envolvido no escândalo da compra de um dossiê feito sabe-se lá como).

            Quando Lula da Silva repete ad nauseam que quer saber de onde veio o dinheiro, ele mente. Caso desejasse, bastava perguntar a seus amigos: Freud, Lorenzetti, Gedimar, Mercadante...

            O pagamento milionário efetuado ao baiano Duda Mendonça, marqueteiro oficial de 10 entre 10 corruptos, foi feito pelo PT, em dólares, num paraíso fiscal conforme ele confessou em rede nacional. O dinheiro que compraria o dossiê anti-tucano foi internalizado no Brasil através de agências oficiais e/ou oficiosas de câmbio. Seja o dossiê verídico ou não, neste instante é irrelevante. A prioridade absoluta é descobrir a maneira como esta falcatrua foi perpetrada. Vale lembrar que, em toda a legislação internacional há um preceito fundamental acerca de como se apresentam provas seja lá do que for; quando forjadas e pagas daquela maneira, o conteúdo do material já está sob suspeição e dificilmente pode ser usado como prova.

            Durante a CPI dos Correios ficamos sabendo que o homem de confiança de Lula da Silva para gerenciar as finanças petistas transferia vastas quantidades de recursos aos EUA ou paraísos fiscais e, quando Roberto Jefferson denunciou a existência do mensalão, informou que o PT estava com grandes dificuldades para internalizar no Brasil os dólares remetidos para lavagem no exterior uma vez que a Polícia Federal, republicana e séria, estava “criando todo o tipo de dificuldades” para aquele tipo de operação.

            De onde veio o dinheiro? Os indícios apresentados pela grande imprensa e a inferência do modus operandi petista apontam na direção de recursos desviados dos cofres públicos para alguns paraísos fiscais para fins de lavagem e, a seguir, internalizado.

            Fica, portanto, evidente: se a Polícia Federal ousar esclarecer este crime antes do dia 29 próximo, além de Lula ficar impedido sequer de manter sua candidatura à reeleição deverá sofrer processo de impeachment. Não por “complô das elites”, mas por incapacidade catatônica em ser honesto, falar a verdade ou cumprir a legislação brasileira.

            Enfim, há um bocado de água para passar por baixo da Ponte Euclides da Cunha até 29 de outubro e tudo pode acontecer...

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 12/10/2006

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